Copa do caminhão

O mundo todo está ligado nos jogos da Copa do Mundo. A cada quatro anos, alguma coisa muda na vida das pessoas que amam o futebol, ou mesmo naquelas que não ligam a mínima para o esporte, mas que acabam contagiadas pela empolgação de amigos e familiares.

Neste mundial, as formas e jeitos de assistir aos jogos ficaram ainda mais acessíveis, e a audiência deve ser a maior da história. Seja na TV, celular, tablet, computador, cinema, telões, streaming e tudo mais, só perderá um lance genial quem se esconder debaixo do sofá (risos).

Com o aumento no número de seleções, que chegam a 48 e 106 partidas disputadas, a Fifa espera um faturamento de 13 bilhões de dólares, ou R$ 65 bilhões, um recorde astronômico e surpreendente. Além de mais jogos, foi acrescentada uma fase extra de 16 avos, antes das oitavas de final. Ou seja: avançam os 2 primeiros colocados de cada uma das 12 chaves, mais os oito melhores terceiros lugares para o mata-mata. Aí começa a briga para valer.

O Brasil vai conquistar o hexa? Hum, tomara! Vamos voltar no tempo. Já sabemos como ganhar. Foi assim em cinco Copas. Na conquista do tricampeonato, no México, a Seleção Brasileira apresentou ao mundo a melhor equipe de futebol de todos os tempos, segundo especialistas, porque conciliava técnica individual genial e um coletivo avassalador, com os titulares Félix, Carlos Alberto, Brito, Everaldo, Piazza, Clodoaldo, Gérson, Rivellino, Jairzinho, Tostão e o gênio Pelé, o “Rei do Futebol”. O comando foi de Zagallo, que já tinha sido campeão mundial como jogador.

Quem está mais rodado deve ter uma história do Tri para contar. Eu era criança e meu pai tinha um laticínio. Não sei como, mas ele instalou uma televisão onde as pessoas ficavam sentadas em engradados de refrigerante, no passeio da rua, assistindo aos jogos, bebendo e comendo do melhor, pois os produtos eram de primeira qualidade. Assim como os bares fazem hoje, colocando TVs enormes e telões para torcedores, meu pai teve essa sacada lá atrás e a vizinhança já sabia onde ver o craque Pelé e companhia destruírem um a um dos adversários. Com o avanço da Seleção, meu pai preparou uma surpresa para os amigos. Sem contar a ninguém, ele fez uma bandeira gigante, de tecido verde e amarelo, e deixou guardada.

Na final, contra a Itália, todos estavam empolgados. A cada gol do Brasil era uma explosão de alegria. Uma imagem marcante, entre as muitas daquela conquista, é a o do meio-campo Gérson, estupefato, passando as mãos no próprio rosto, como quem não estava acreditando no que via, enquanto Pelé voava em um salto, com o famoso soco no ar, acompanhado pelos companheiros que queriam abraçá-lo. Depois dos quatro a um nos italianos, o Carnaval tomou conta da cidade e de todo o país. No bar do meu pai, todos se abraçavam e choravam de emoção quando, de repente, parou um caminhão com a bandeira gigante estendida. Mais que depressa, muitos subiram na carroceria aberta para um desfile pelas ruas da Savassi, próximo ao bairro São Pedro, onde nós morávamos.

Aos gritos de “Brasil, Brasil, Brasil”, a bandeira tremulava de mão em mão e garantiu uma comemoração inesquecível. Depois dessa boa lembrança, a ficha cai e nossos corações se voltam para os Estados Unidos, Canadá e México, cidades-sede da Copa do Mundo de 2026. No papel temos um time fortíssimo, capaz de enfrentar qualquer grande adversário. Com um dos melhores treinadores, Carlo Ancelotti, nossas chances aumentam. Agora é com os jogadores e o técnico. “Vai com tudo para cima deles Brasil, e traz a taça do Hexa!

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