900 mil ataques virtuais à imprensa foram registrados em 2025

Foto: Freepik.com

Em 2025, o relatório da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) registrou 66 casos de violência não letal contra cerca de 80 jornalistas e veículos. Apesar da queda nos números, a imprensa ainda sofre ataques, em média, a cada cinco dias. As agressões físicas lideraram as ocorrências, com 39% dos casos (26 registros), atingindo ao menos 35 profissionais, alta em relação ao ano anterior.

Segundo a Abert, políticos e agentes públicos lideram as agressões, seguidos por torcedores de times de futebol. Os casos de intimidação somaram 10 registros, com aumento expressivo em relação a 2024. Já um estudo da Bites aponta cerca de 900 mil ataques virtuais à imprensa em 2025, média de 2,5 mil por dia, ou quase dois por minuto. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Lina Rocha.

Qual é o impacto desse cenário de ataques virtuais e físicos na liberdade de imprensa e na cobertura jornalística no Brasil?

A violência, seja física ou digital, tem um impacto muito grande na produção jornalística, visto que gera uma insegurança no profissional, que por temer os ataques, preferem não lidar com pautas que possam gerar essas reações. E nesse sentido, a liberdade de imprensa sofre um golpe, já que temas que devem ser abordados socialmente deixam de ter a cobertura e debate necessários para a manutenção do Estado de Direito.

Existe relação entre polarização política e aumento da violência contra jornalistas?

A polarização política tem intensificado a violência contra jornalistas, sobretudo em períodos eleitorais, quando disputas ideológicas alimentam perseguições. Dados da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), divulgados em 2025 sobre 2024, indicam que a violência política segue como principal causa desses ataques no Brasil. Nesse período, mais de 40% das agressões partiram de políticos, assessores ou apoiadores diretos, que lideram o ranking de agressores, seguidos por militantes e cidadãos comuns em contextos de engajamento político.

Há indícios de que a cultura de hostilidade contra jornalistas esteja aumentando ou mudando de forma significativa nos últimos anos?

De acordo com a Fenaj, a violência física contra os jornalistas caiu recentemente, enquanto que o assédio virtual se tornou o principal meio de perseguição, com crescimento de 35% de 2024 para 2025. Além disso, o assédio judicial tem se intensificado como forma de intimidação financeira e psicológica, levando à autocensura. Dados da Abraji indicam aumento de quase 20% nos processos contra jornalistas no mesmo período, afetando a autonomia da profissão.

Qual é a importância de o profissional denunciar essas agressões?

As agressões, sejam elas físicas ou verbais, ocorrendo de forma presencial ou no ambiente digital, não devem ser aceitas em nenhuma circunstância. A ausência de denúncias contribui para o agravamento e a repetição desses atos de violência. Por isso, é essencial que os casos sejam formalmente reportados, permitindo a devida apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, o que também ajuda a desestimular agressores e eventuais mandantes. Os ataques direcionados a jornalistas são inaceitáveis, e o Sindicato se mantém à disposição de toda a categoria para receber denúncias e adotar medidas que contribuam para coibir essas práticas.

Como é a atuação do Sindicato referente a esses atos de violência?

O Sindicato acompanha de perto a atuação dos profissionais da categoria, com o objetivo de receber denúncias e combater situações de abuso, tanto na defesa dos direitos trabalhistas quanto diante de atitudes hostis dirigidas aos trabalhadores. Nenhuma forma de desrespeito pode ser aceita, e a atuação da entidade segue justamente nesse sentido: mobilizar as empresas empregadoras para que garantam a proteção de seus profissionais, além de acionar os órgãos competentes para a apuração e responsabilização dos casos de agressão.

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