
O setor de eventos deve seguir em expansão em 2026, com crescimento previsto de 7,8% no consumo e a geração de aproximadamente 143 mil novos empregos formais no Brasil, conforme projeções da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape). Segundo a entidade, os gastos relacionados à recreação devem chegar a R$ 151,9 bilhões no próximo ano, ante os R$ 140,8 bilhões estimados para 2025. Os economistas que assinam o estudo consideram o crescimento expressivo, refletindo a consolidação do setor tanto em suas atividades principais quanto nas áreas indiretas impactadas pelos eventos.
“Esses números mostram que o setor de eventos se consolidou como um dos motores do consumo e da geração de empregos no Brasil. O crescimento não é apenas quantitativo, mas qualitativo, pois envolve a diversificação das atividades e o fortalecimento das cadeias produtivas associadas”, afirma Lucas Ribeiro, consultor em gestão de eventos.
O hub setorial, composto por 52 atividades relacionadas ao setor, deve gerar cerca de 120 mil empregos, representando 83,9% das novas vagas. Entre os segmentos mais beneficiados estão bares e restaurantes, hospedagem, segurança privada, serviços gerais, publicidade, marketing e agências de turismo. A previsão indica um crescimento de 24% em relação aos níveis anteriores à pandemia.
Para Ribeiro, “o aumento expressivo de vagas no hub setorial reflete a retomada plena das atividades pós-pandemia e a importância de setores indiretos que dependem do movimento de eventos e entretenimento”.
O core business, abrangendo organização de eventos, atividades artísticas e culturais, espetáculos, lazer e produção esportiva, deve gerar aproximadamente 23 mil novos empregos formais em 2026. Atualmente, esses setores mantêm um nível de empregos 80,9% superior ao registrado em 2019.
O profissional vê esse crescimento como resultado de um efeito acumulado de investimentos em cultura, tecnologia e inovação. “Além da retomada de grandes eventos, temos observado o fortalecimento de projetos culturais e esportivos que geram empregos diretos e indiretos, ampliando o impacto econômico do setor”.
“O aumento de consumo e empregos é um indicativo de que o setor se profissionalizou, diversificou suas atividades e passou a gerar impactos positivos em várias cadeias produtivas, desde alimentação e hospedagem até publicidade e serviços de segurança”, completa. Ele reforça que os números de 2026 ainda podem ser superados, à medida que investimentos em tecnologia, logística e gestão de eventos avançam.
A economista Ana Clara Medeiros aponta que o crescimento do setor de eventos tem impacto direto na economia nacional. Além de gerar empregos formais, os eventos estimulam consumo, fomentam pequenas e médias empresas e aumentam a arrecadação tributária. “Cada evento realizado movimenta um conjunto de serviços que vai muito além do próprio entretenimento. Estamos falando de uma cadeia econômica que envolve transporte, alimentação, hospedagem, marketing, tecnologia e serviços gerais, criando um efeito multiplicador importante para a economia”.
Outro fator relevante é o efeito da inovação e digitalização no setor. Plataformas de gestão de eventos, aplicativos de venda de ingressos e soluções de marketing digital para atrações culturais têm ampliado a capacidade de gerar empregos e aumentar a produtividade. “A tecnologia permite que o setor atenda a públicos maiores e de forma mais eficiente, gerando mais oportunidades de trabalho e aumentando o impacto econômico das atividades”, ressalta.
Apesar das projeções otimistas, especialistas alertam para a necessidade de políticas públicas que mantenham o crescimento sustentável do setor. Educação profissional, capacitação técnica e incentivos à cultura e ao entretenimento são apontados como elementos essenciais para consolidar os ganhos de empregos e fortalecer a economia. “Não se trata apenas de gerar números, mas de criar qualidade de emprego, segurança jurídica e sustentabilidade para o setor a longo prazo”, enfatiza o consultor.