
Entre abril e junho de 2026, o bairro São Geraldo, na região Leste de Belo Horizonte, se transformará em um polo de formação artística gratuita voltado a jovens da rede pública da capital. O projeto “Pega a Visão: Atividades de Formação e Reflexão”, será realizado no Espaço Cultural Suelly Freire, aposta na arte como ferramenta de pertencimento, identidade e transformação social.
A iniciativa oferecerá oficinas de Contação de História, Dança Afro, Danças Urbanas, Passinho de BH, Rima e Trança Afro. Os interessados deverão preencher um formulário on-line no Instagram @sfcultural até o dia 27 de março.
Segundo o gestor do espaço e idealizador do projeto, Leonard Henrique, a escolha das linguagens parte da vivência real dos jovens. “Ao sair de casa, um jovem sempre vai encontrar um cabelo trançado, dançarinos debaixo do viaduto, uma batalha de slam. O especial é quando a gente pega o que é do cotidiano e leva para outro espaço, possibilitando o desenvolvimento dessas técnicas”.
A ideia central do projeto está ancorada em dois pilares: experimentação e pertencimento. Leonard Henrique explica que ao transformar manifestações culturais em objeto de estudo, o projeto busca fortalecer a autoestima e a identidade dos participantes. “Quando a gente conta a história e a grandeza dessas atividades, desperta o pertencimento do jovem periférico”.
Outro ponto relevante é o enfrentamento do preconceito que ainda cerca essas expressões culturais. Ele destaca que mesmo presentes no cotidiano, muitas dessas práticas não são reconhecidas como formas legítimas de arte. “Grande parte dos jovens veem, mas não têm acesso ou até têm preconceito com essas atividades. Quando experimentam e aprendem, passam a se apropriar da própria cultura, sem achar que ela é menor”.
Voltado prioritariamente para estudantes do ensino fundamental, médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede pública, o projeto aposta no potencial criativo desses jovens. Para o gestor, esse público representa uma força artística ainda pouco explorada. “Ali está uma usina criativa. Quando a gente oferece ferramentas e pertencimento, surgem artistas periféricos muito potentes”.
A escolha dos oficineiros também seguiu essa lógica de valorização de trajetórias ligadas aos territórios. O processo envolveu aproximação e diálogo com artistas reconhecidos em suas áreas, reforçando a proposta de construir uma formação ainda mais conectada com a realidade local.
Ao todo, cerca de 120 jovens devem participar das atividades ao longo dos três meses. Para Leonard Henrique, o impacto vai além do aprendizado individual. “Dizem que uma andorinha não faz verão. Mas 120 pessoas pensando em arte já começam a fazer um movimento na periferia. A gente começa uma pequena revolução cultural”.
O projeto será concluído em julho, com a Mostra “Pega a Visão”, aberta ao público. O evento vai apresentar os percursos criativos desenvolvidos pelos participantes e reforçar a ideia de que a formação artística, quando pensada a partir das periferias, pode ser um instrumento de autonomia e reescrita de narrativas.