Pesquisa aponta que 8 em cada trabalhadores não estão engajados

Cultura organizacional influencia os resultados das equipes / Foto: Magnific.com

A baixa conexão dos profissionais com suas atividades tem se consolidado como um dos principais desafios das empresas em todo o mundo. Dados do relatório State of the Global Workplace 2026, da consultoria Gallup, revelam que apenas 20% dos trabalhadores estão engajados em suas funções. Em outras palavras, oito em cada dez profissionais não demonstram envolvimento significativo com o trabalho que realizam. O impacto econômico desse cenário gera perdas estimadas em US$ 10 trilhões para a economia global.

Embora o problema seja frequentemente associado a fatores como remuneração, benefícios ou condições de trabalho, a economista e especialista em cultura organizacional, Carine Leal Fraga, avalia que muitas empresas ainda tratam a cultura corporativa como um conjunto de valores, sem que eles estejam presentes nas decisões e comportamentos do cotidiano.

“Quando a cultura deixa de orientar as decisões e passa a existir apenas no discurso institucional, a empresa cria um ambiente de desalinhamento que compromete sua capacidade de executar estratégias e alcançar resultados”, afirma.

Carine destaca que o problema costuma se manifestar de forma silenciosa. Metas deixam de ser alcançadas, conflitos internos aumentam e as lideranças passam a atuar de maneira desconectada dos objetivos organizacionais. “Boa parte dos problemas atribuídos à produtividade ou à gestão de pessoas tem origem em culturas organizacionais desalinhadas, que premiam comportamentos diferentes daqueles defendidos pela empresa”.

Mudanças que não saem do papel

Os reflexos da cultura organizacional também aparecem nos processos de transformação corporativa. Estudos apontam que cerca de 70% das iniciativas de mudança não atingem os resultados esperados. De acordo com a especialista, isso ocorre porque nenhuma transformação depende apenas de novos processos ou tecnologias. “Mudanças organizacionais exigem que líderes e equipes adotem novas formas de pensar e agir. Quando a cultura continua reforçando práticas antigas, mesmo os melhores planejamentos encontram dificuldades para se concretizar”.

O desafio se torna ainda maior em um cenário marcado pela digitalização dos negócios, pela adoção crescente de inteligência artificial e pela necessidade constante de adaptação às mudanças de mercado. Nesse contexto, empresas que não conseguem alinhar comportamento e estratégia tendem a perder competitividade.

Papel das lideranças

Outro aspecto apontado pela economista é a influência direta das lideranças na construção da cultura organizacional. “Gestores têm papel decisivo na consolidação dos valores corporativos, seja por meio das decisões que tomam, seja pelos comportamentos que incentivam. Os profissionais observam menos o que está escrito nos valores da empresa e muito mais aquilo que é reconhecido, promovido ou tolerado no dia a dia”.

Segundo Carine, organizações que apresentam alinhamento entre propósito, liderança e cultura costumam ter maior capacidade de adaptação, retenção de talentos e execução estratégica. O resultado é um ambiente mais preparado para enfrentar períodos de instabilidade econômica.

Cultura como estratégia de negócio

Ela defende que a discussão sobre cultura organizacional deve ultrapassar os limites do setor de recursos humanos e ocupar espaço nas decisões estratégicas das empresas. “Cultura não é uma pauta exclusiva do RH. Ela precisa estar na mesa onde são tomadas as decisões de negócio, porque influencia a capacidade da organização de crescer, inovar e sustentar resultados ao longo do tempo”.

“O primeiro passo é compreender a cultura real da organização, observando critérios de promoção, formas de reconhecimento e a maneira como erros e conflitos são tratados. Somente a partir desse diagnóstico é possível promover mudanças consistentes”, conclui.

Compartilhe

Em destaque