21% dos jovens praticam atividades fora das telas nas férias escolares

Esporte aparece como uma alternativa saudável / Foto: Magnific.com

Com o início das férias escolares e sem a rotina de aulas, é comum que os jovens passem mais tempo em frente às telas, sendo um desafio para os pais. Dados do Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet, realizado pelo ChildFund, revelam que apenas 21% dos adolescentes praticam atividades de lazer e recreação fora das telas regularmente.

De acordo com o Data Reportal, os brasileiros passam, em média, 9 horas e 32 minutos por dia em frente às telas, somando o uso de celulares, computadores, tablets e outros dispositivos eletrônicos. Entre crianças e adolescentes, esse tempo tende a aumentar durante o período de descanso escolar.

O pediatra Mauro Almeida ressalta que esse dado preocupa, porque as férias deveriam ser um período de maior movimento, convivência e desenvolvimento. “O excesso de tempo em frente às telas está associado ao aumento do sedentarismo, ganho de peso, piora do condicionamento físico, alterações no sono, ansiedade e redução das interações sociais, fatores que impactam diretamente a saúde física e emocional”.

Segundo Almeida, a atividade física fortalece ossos e músculos, melhora a saúde cardiovascular, ajuda no controle do peso, reduz o risco de doenças futuras e contribui para o desenvolvimento motor. Também melhora o humor, a autoestima, a concentração, a qualidade do sono e favorece a socialização.

As férias são uma excelente oportunidade para criar memórias e hábitos positivos, destaca o pediatra. “Vale incentivar brincadeiras ao ar livre, passeios em família, prática de esportes, horários regulares para dormir, alimentação equilibrada e momentos de convivência longe das telas”.

“O equilíbrio é a melhor estratégia. Quanto mais oportunidades oferecemos para que o jovem se movimente, explore o ambiente e interaja com outras pessoas, maiores são os benefícios para seu desenvolvimento e sua saúde ao longo da vida”, acrescenta.

Limite de telas

O profissional cita alguns sinais que podem indicar que uma criança está passando tempo excessivo em frente às telas. “Irritabilidade quando precisa interromper o uso, perda de interesse por brincadeiras e atividades ao ar livre, alterações no sono, queda no rendimento escolar, redução da interação com familiares e amigos e diminuição da prática de atividades físicas”.

Ele afirma que o ideal é estabelecer limites claros para o tempo de tela e criar uma rotina. “Os pais também devem dar o exemplo, e incentivar atividades sem dispositivos eletrônicos. Quando a criança encontra opções interessantes fora desses aparelhos, esse equilíbrio acontece de forma mais natural”.

Incentivo ao esporte

O professor de educação física do Colégio Marista Nossa Senhora da Penha, Maique Vinicius Riguête Ribeiro, explica que uma boa forma de incentivar as crianças à prática do esporte é através das referências familiares. “Se a família assiste futebol, escolha o futebol; se gostam de piscina, atividade de natação; ou se curtem paisagem, uma atividade de circuito, ciclismo ou caminhada. O importante é se movimentar”.

“O exercício deve desafiar, exigir criatividade, ser lúdico e prender a atenção desse público. A atividade física deve dar liberdade e possibilidade de explorar os limites do corpo e expressar as emoções contidas. Brincadeiras tradicionais podem ser uma alternativa, como pular corda, esconde-esconde, andar de bicicleta, patins, skate, jogar bola, bolinha de gude, soltar pipa, entre outras”, complementa.

O esporte não é apenas um passatempo, é promoção de saúde física e mental, esclarece o professor. “Ajuda no funcionamento do corpo e na melhora do aprendizado acadêmico. Ao realizarem a atividade física regularmente, os jovens controlam a ansiedade, aprendem a explorar os detalhes e o processo de socialização começa a ser mais fácil de ser vivido”.

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