
O slow jogging é uma forma de corrida de baixa intensidade que vai priorizar conforto, regularidade e a possibilidade de conversar durante o exercício sem ficar excessivamente ofegante. Desenvolvida pelo professor japonês Hiroaki Tanaka, da Universidade de Fukuoka, a técnica vem despertando interesse entre pessoas que querem correr, mas não se identificam com treinos intensos.
Na prática, a proposta é simples, mas exige uma mudança de mentalidade. Em vez de estabelecer a velocidade como principal objetivo, o praticante procura encontrar um ritmo que possa sustentar por um período prolongado. “O princípio mais importante é esquecer, por alguns minutos, a ideia de que correr significa necessariamente acelerar. No slow jogging, a pessoa deve encontrar uma intensidade confortável que consiga falar uma frase ou manter uma conversa. Caso esteja tão ofegante que mal consegue falar, provavelmente está acima do ritmo adequado”, explica a fisiologista Tereza Faria.
A técnica costuma ser acompanhada de passos curtos, postura ereta e contato do pé com o solo pela região do mediopé, em vez de uma passada longa e pesada. A velocidade não precisa ser igual para todos, porque a prática é individual e depende do condicionamento físico. “Algumas referências apontam uma faixa aproximada de 3 a 5 km/h para iniciantes, mas o parâmetro mais importante é a percepção de esforço e a capacidade de conversar durante a atividade”, ressalta.
Essa característica ajuda a diferenciar o slow jogging tanto da caminhada quanto da corrida tradicional. “A diferença não está apenas em correr devagar. Existe uma proposta de reduzir a pressão por desempenho e tornar a atividade sustentável. É uma corrida em que a pergunta deixa de ser ‘quanto consigo acelerar?’ e passa a ser ‘por quanto tempo consigo me movimentar bem e com prazer?’”, afirma o educador físico Ricardo Menezes.
Para começar, os especialistas recomendam progressão gradual, especialmente para pessoas sedentárias. Uma sessão pode alternar períodos curtos de slow jogging com caminhada, aumentando o tempo conforme o corpo se adapta. A estratégia também pode ser utilizada por adultos mais velhos e pessoas que estão retomando os exercícios, pois o objetivo é permitir que o organismo se acostume progressivamente ao esforço.
Por requisitar menos intensidade do que uma corrida convencional, a modalidade pode ser uma alternativa interessante para iniciantes, pessoas que estão retomando a atividade física ou indivíduos que simplesmente preferem exercícios menos extenuantes. “Baixa intensidade não significa ausência de carga. O corpo continua recebendo estímulo e precisa de adaptação. A vantagem é que podemos controlar esse estímulo com facilidade, reduzindo a velocidade ou alternando com caminhada”, explica Tereza.
Entre os possíveis benefícios está a melhora do condicionamento cardiorrespiratório. A prática regular de corrida, inclusive em velocidades mais baixas, está associada a benefícios para a saúde cardiovascular e a uma redução do risco de mortalidade por diversas causas, a atividade aeróbica também pode contribuir para melhorar a capacidade física, a composição corporal, o controle metabólico e a resistência para realizar tarefas cotidianas.
Os ganhos não se restringem ao organismo. Como o slow jogging reduz a cobrança por velocidade e desempenho, a experiência pode favorecer uma relação mais prazerosa com o exercício. “Quando a pessoa não sente que precisa provar nada, aumenta a chance de transformar o exercício em hábito. Isso pode repercutir no humor, na percepção de bem-estar e na disposição para manter uma rotina ativa”, observa Menezes.
Outro aspecto importante é que o slow jogging não deve ser confundido com um exercício completamente livre de impacto. Apesar da menor intensidade, a corrida continua impondo cargas ao sistema musculoesquelético, por isso, a execução adequada, o aumento gradual do volume e a atenção aos sinais do corpo são importantes para diminuir o risco de desconfortos e lesões. Segundo os profissionais, dor persistente, tontura, falta de ar fora do habitual ou qualquer outro sintoma preocupante são motivos para interromper a atividade e buscar avaliação profissional.