
Minas Gerais possui cerca de 2,3 milhões de hectares de florestas plantadas, distribuídos por mais de 800 dos 853 municípios do Estado. A atividade, além de abastecer setores como celulose e madeira, também sustenta a produção de carvão vegetal utilizado pela siderurgia e ganha importância diante da busca por produtos com menor emissão de carbono.
Segundo a presidente-executiva da Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF), Adriana Maugeri, a distribuição da atividade pelo território mineiro contribui para o desenvolvimento de diferentes regiões. “Não existe uma localidade ou outra que está ampliando mais a quantidade de floresta, isso vem sendo distribuído, mas existem segmentos que estão aumentando a demanda”.
Além da área destinada à produção, o setor informa manter cerca de 1,3 milhão de hectares conservados em Minas. A cadeia reúne grandes empresas e pequenos e médios produtores. Quase metade da produção está nas mãos de grandes produtores e a outra metade, de produtores de menor porte.
A presença em diferentes regiões movimenta uma cadeia que envolve viveiros, plantio, manejo, transporte, beneficiamento e indústrias consumidoras da madeira. Para Adriana, esse modelo contribui para diversificar a economia dos municípios. “Se existem cadeias produtivas em todas as regiões consolidadas pelo setor florestal desde a produção de muda até o final, o beneficiamento dessa madeira, então tenho o setor de transporte, manejo, plantio, os viveiros e as indústrias que consomem essa madeira”.
Carvão vegetal
O Estado também ocupa posição de destaque na produção de carvão vegetal destinado à indústria. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que Minas Gerais respondeu por 88,1% da produção nacional de carvão vegetal proveniente da silvicultura em 2023. O produto é utilizado na fabricação de ferro-gusa, ferroligas e aço.
A utilização do carvão vegetal ganhou força em Minas a partir da expansão da siderurgia nas décadas de 1980 e 1990, quando o país também incentivava o plantio de florestas. Com o tempo, a indústria desenvolveu técnicas específicas para utilizar o material em pequenos altos-fornos.
“Isso ficou uma especialidade brasileira e hoje ela vem sendo replicada fora do Brasil. A experiência acumulada ao longo de décadas coloca o carvão vegetal entre as alternativas disponíveis para a descarbonização da indústria”, afirma Adriana.
A expectativa do setor é de aumento da demanda por produtos de menor pegada de carbono, o que já leva empresas integradas, que atuam tanto na produção florestal quanto na siderurgia, a ampliar áreas de plantio. Porém, o planejamento precisa ser feito com antecedência. “Uma floresta destinada à produção de carvão pode levar cerca de sete anos até a colheita”, reforça a dirigente.
A possibilidade de ampliar a produção sem pressionar áreas de vegetação nativa também é defendida pelo setor. Adriana afirma que existem áreas degradadas ou de baixa produtividade que podem receber novos plantios. “Não é preciso derrubar nenhuma árvore para produzir floresta plantada. Basta dar cobertura vegetal a essas áreas já degradadas”.
Para a presidente da AMIF, a expansão da cadeia pode contribuir simultaneamente para a atividade produtiva e a conservação. “Quanto mais madeira legal, manejada com sustentabilidade, com os melhores preceitos técnico-científicos for produzida, maior é a proteção de áreas conservadas da pressão pelo desmatamento”, conclui.