O caso de Hulk no Galo

O que dizer da saída do ídolo Hulk do Galo? No Dia do Trabalho, o atleticano ficou com um nó na garganta ao ver o vídeo de despedida do craque divulgado nas redes sociais. Emocionado, Hulk falou de momentos felizes e difíceis no clube onde ficou de 2021 a 2026. Foram 309 jogos oficiais, 140 gols, 54 assistências e títulos, como o de Campeão Brasileiro e da Copa do Brasil, além de artilheiro do Brasileirão, com 19 gols. Também conquistou a Supercopa do Brasil, em 2022, e cinco títulos mineiros. Uma marca registrada do Hulk sempre foi o chute potente com a perna esquerda.

Os técnicos adversários sempre orientavam seus defensores a não fazer faltas próximas às áreas evitando um gol do craque. E foram muitos. Me lembro de um contra o maior rival, o Cruzeiro. Do meio da rua, o goleiro não pediu barreira. Hulk olhou e mandou uma bomba. Para delírio da torcida, o arqueiro foi buscar a bola nas redes com olhar perplexo.

No meu livro “O Futebol Mineiro – Volume 2”, disponível nas principais livrarias e na internet, escrevi sobre a chegada do craque ao Galo, no início de 2021. “A contratação de Hulk foi notícia no Brasil e no mundo. Desde que a negociação começou, o assunto tomou conta das redes sociais e dos torcedores. Alguns disseram que o atacante, de 34 anos, não é mais o mesmo que atuou na Seleção Brasileira. Boa parte da torcida pensa o contrário”.

No Instagram do clube veio o currículo: Com passagens pela Seleção Brasileira e renome internacional, Hulk é um reforço de peso que chega para vestir a camisa alvinegra até o final de 2022. Potência e precisão na perna esquerda são marcas do novo atacante atleticano, que foi revelado pelo Vitória (BA) e fez sucesso no Japão, em Portugal, na Rússia e na China (onde estava atuando).

Com mais de 50 convocações para a Seleção Brasileira, Hulk vestiu a camisa amarela pela última vez na Copa América Centenário, em 2016. Alguém questiona um currículo desse ou é melhor apostar as fichas? Quem apostou se deu bem. Hulk foi protagonista do Galo nesses cinco anos e, como um super-herói de verdade, aparecia nas horas difíceis para resolver tudo. Com a saída dele, o time perde a referência e deixa de ter um craque no elenco. O fim de um ciclo é sempre triste e melancólico até que se preencha o vácuo deixado.

Gustavo Carvalho, atleticano raiz e bibliotecário, resume o sentimento do torcedor do Atlético neste e em outros momentos. “Ninguém entende essa paixão pelo Galo. Mesmo sendo um clube grande, desde os primórdios, o Atlético passou um período longo de muito sofrimento. Era o melhor time, chegava na final, perdia, perdia… e o título escapava por diversas razões. Nos últimos anos, o clima mudou e ganhamos competições importantes”.

Carvalho ressalta a conexão direta de alguns jogadores com a torcida. “O Galo realmente é o time da virada. Pega nas estatísticas: é o time que mais vira jogo. Impressionante. O Atlético só funciona na base da paixão. O jogador que dá certo é aquele que entende esse espírito e se conecta completamente com a torcida”.

“É na base da emoção, do amor, como Reinaldo, Ronaldinho Gaúcho e Hulk. Ao ver o vídeo de despedida dele, segurei, mas ao final estava com lágrimas nos olhos. Eu queria ver um dos 4Rs fazer um vídeo assim. Não farão porque não tem essa conexão que vem de dentro. Aqui o atleta entra como profissional e sai como torcedor. E é assim: o Atlético é um negócio muito diferente, fora da curva, loucura pura”.

Neymar na Copa?

O “menino” Ney demorou a acordar. Esteve machucado e até emagreceu um pouco para tentar impressionar e agradar. Nos gramados teve atuações pífias, abaixo da crítica em muitas partidas. O pior é a personalidade. O jogador coleciona polêmicas dentro e fora de campo e pode levar isso para a Seleção, como já o fez, e prejudicar o escrete amarelo.

Se Ancelotti o convocar, no próximo dia 18, quando sai a lista dos escolhidos para a Copa do Mundo, receberá cobranças de toda a parte, pois terá que tirar um jogador em plena forma para levar o atacante polêmico. Além disso, passará a impressão de que a pressão, de patrocinadores e da CBF, ainda predomina na Seleção Brasileira. Neymar esteve em três Copas. Não fez por onde merecer nova chance. Se me perguntarem: “Neymar estaria na sua lista?”. Minha resposta seria “não”.

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