Entenda a grave lesão do atacante Rodrygo Goes

Foto: @rafaelribeirorio/CBF

A grave lesão no joelho direito do atacante Rodrygo Goes, do Real Madrid e da Seleção Brasileira, trouxe à tona um problema recorrente no esporte: a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA). O jogador sofreu o rompimento do ligamento associado a uma lesão no menisco lateral, quadro que o tirará da disputa da Copa do Mundo.

Para o especialista em fisioterapia esportiva, Alexandre Alcaide, esse tipo de lesão costuma ocorrer em movimentos muito específicos do esporte, especialmente em modalidades que exigem mudanças rápidas de direção e desacelerações bruscas. “O ligamento cruzado anterior tem a função de restringir o movimento de anteriorização da perna em relação à coxa. Quando o atleta está correndo e faz um freio para mudar de direção, o cruzado estabiliza esse deslizamento. Em esportes com mudanças rápidas de direção ou saltos com apoio em apenas uma perna, o risco de lesão é maior”.

De acordo com Alcaide, no caso de Rodrygo, o quadro foi agravado pela associação com o menisco, estrutura que também tem papel importante na estabilidade do joelho. “Hoje sabemos que o menisco é um estabilizador secundário do joelho. Quando há lesão meniscal associada ao cruzado, tratamos como um caso mais complexo, porque envolve mais de uma estrutura importante da articulação”.

O especialista lembra que por muitos anos, as lesões meniscais eram tratadas com a retirada parcial da estrutura. Atualmente, a prioridade da medicina esportiva é preservar o menisco por meio de sutura, procedimento que ajuda a manter a estabilidade da articulação no longo prazo. “O menisco auxilia o ligamento na estabilidade da articulação. A primeira opção é tentar suturar essa estrutura para que ela cicatrize e continue cumprindo sua função”.

Alcaide ressalta que a recuperação de uma lesão de LCA também exige cautela. Estudos recentes mostram que o retorno precoce ao esporte pode aumentar o risco de uma nova ruptura. “Pesquisas mostraram que muitos casos de relesão aconteciam entre o sexto e o décimo mês, quando o atleta era liberado com protocolos mais curtos. Além disso, exames de imagem indicam que, com seis meses, o enxerto ainda não está biologicamente incorporado de forma adequada”.

Lesão em “atletas de fim de semana”

Se antes a ruptura do LCA era associada principalmente ao esporte profissional, especialistas observam aumento de casos entre pessoas que praticam atividade física por lazer. De acordo com o ortopedista Thales Rama, o fenômeno está ligado principalmente à retomada de atividades esportivas após longos períodos de sedentarismo.

“Hoje vemos cada vez mais adultos acima dos 30 que retomam a prática esportiva após anos de sedentarismo. O corpo, especialmente o joelho, nem sempre está preparado para esforços bruscos, torções ou mudanças rápidas de direção”, afirma.

Segundo o médico, esportes recreativos como futebol, corrida ou treinos funcionais concentram grande parte desses episódios. “As lesões do LCA geralmente acontecem em movimentos de torção do joelho, mudanças rápidas de direção, desacelerações bruscas ou aterrissagens instáveis após saltos. No futebol de fim de semana, por exemplo, essas ações são muito frequentes”.

Rama destaca que um dos sinais mais comuns da ruptura é o estalo percebido no momento da lesão. “O estalo geralmente corresponde ao momento em que o ligamento se rompe. Logo depois podem surgir inchaço rápido, dor e sensação de instabilidade no joelho”.

Ignorar esses sintomas é um erro comum entre praticantes recreativos, reforça Rama. “O maior erro é tentar continuar treinando ou normalizar a dor, acreditando que o corpo vai se acostumar. Quanto antes o paciente for avaliado, maiores são as chances de recuperação funcional completa”.

A recomendação do ortopedista é que a prevenção passe por um preparo físico adequado antes da prática esportiva. “O ideal é melhorar o condicionamento físico, fortalecer quadríceps, musculatura posterior da coxa e o core, além de trabalhar equilíbrio e propriocepção. Também é importante aquecer antes da atividade e aumentar a intensidade dos treinos de forma gradual”, finaliza.

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