Páscoa 2026: chocolate mais caro pesa no bolso do consumidor

Preços acumularam alta de 24,77% em um ano / Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A celebração da Páscoa ocorre no dia 5 de abril, e o mercado já indica uma tendência de aumento nos preços do chocolate e dos bombons. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os valores do chocolate em barra e do bombom acumularam alta de 24,77% nos 12 meses encerrados em janeiro.

Em Belo Horizonte, um levantamento do site de pesquisa Mercado Mineiro em dez redes de supermercados aponta que os ovos de Páscoa estão até 35,8% mais caros. O aumento mais expressivo foi registrado no ovo Trakinas 190g, que saiu de R$ 59,62 em 2025, para R$ 80,99 em 2026. Entre os estabelecimentos, a maior variação de preço foi observada no Laka e Diamante Negro 494g, encontrado entre R$ 94,99 e R$ 124,19, diferença de 30,74%. Já o item mais barato foi o Lacta ao Leite 157g, com um valor médio de R$ 53,19, alta de 11,86% em comparação com 2025.

O economista e professor dos cursos de Gestão e Negócios do UniBH, Fernando Sette Júnior, explica que o doce vem sofrendo uma pressão muito acima do padrão de inflação percebido pelo consumidor médio. “Como chocolate em barra e bombom são produtos diretamente dependentes de insumos específicos, qualquer encarecimento relevante ao longo da cadeia tende a ser repassado ao preço final”.

“Além disso, como a Páscoa é um período de forte apelo comercial, há uma concentração maior da demanda justamente em um momento no qual os custos já estão elevados. Isso faz com que o consumidor perceba mais intensamente a alta e associa o encarecimento dos produtos a um movimento generalizado de aumento no setor de chocolates”, salienta.

Para Júnior, os valores dos ovos em Belo Horizonte tendem a mexer com as projeções do varejo mineiro no primeiro semestre. “Porque a Páscoa é uma data relevante para o comércio. Preços maiores podem até inflar o faturamento nominal, já que cada unidade vendida gera mais receita em reais”.

No entanto, existe o risco desse faturamento crescer menos do que o esperado, destaca o profissional. “Inclusive, decepcionar em termos reais, caso a alta de preços desestimule as compras. Se o consumidor reduzir a quantidade ou trocar produtos premium por opções mais baratas, o varejo pode ter um resultado nominal aparentemente positivo, porém, com perda de dinamismo real nas vendas. E isso pode levar empresas e supermercados a revisar estoques, campanhas e reforços de equipe. Nesse contexto, a contratação temporária, por exemplo, pode continuar existindo, mas com perfil mais seletivo”.

Empregos

O levantamento da Fecomércio MG indica que a grande maioria das empresas (98,3%) afirmou que não pretende contratar funcionários temporários para o período. Apenas 1,3% dos empresários indicaram que deverão reforçar as equipes, com uma média de cerca de dois trabalhadores adicionais por estabelecimento.

Apesar de não ter uma perspectiva grande de contratação, cerca de 60,6% das empresas afirmaram que o período tem impacto positivo nas vendas. Em relação ao desempenho esperado, 51,2% dos empresários acreditam que o consumo será semelhante ao do ano passado, enquanto 33% projetam crescimento. A pesquisa também aponta a expectativa de gasto dos consumidores, as compras devem se concentrar nas faixas entre R$ 50,01 e R$ 70 (33,3%) e entre R$ 70,01 e R$ 100 (28,4%).

Consumidor

Essa alta acumulada no chocolate tende a deixar o consumidor mais cauteloso. “Como se trata de um aumento muito expressivo em um item diretamente ligado à data, a reação mais provável é a busca por opções de menor valor, redução da quantidade comprada e maior comparação de preços entre marcas e lojas”, afirma o economista.

Ele destaca ainda que o cenário aponta para forte pressão sobre o consumo. “Isso aumenta a chance de o faturamento crescer em valores correntes, mas sem avanço efetivo em volume vendido. A retração real pode ocorrer justamente porque o consumidor continua participando da data, entretanto, compra menos”.

“A Páscoa é um período que pode manter movimento no comércio, porém, com uma menor quantidade de itens por compra, menor diversificação no carrinho e mais substituições por produtos que possuem menor preço. Esse é um ambiente típico em que a receita nominal não traduz necessariamente um desempenho real mais forte”, finaliza.

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