Dinheiro esquecido em bancos e instituições financeiras chega a R$ 5,65 bilhões

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Mais de 23 milhões de brasileiros têm dinheiro a receber em bancos e outras instituições financeiras. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, o volume de recursos esquecidos chegou a R$ 5,65 bilhões em julho. Desse valor total, R$ 4,25 bilhões pertencem a pessoas físicas e R$ 1,4 bilhão a empresas.

Desde a criação do Sistema de Valores a Receber (SVR), mais de R$ 16 bilhões já foram devolvidos aos titulares. Os valores podem ter diversas origens, como contas encerradas com saldo remanescente, tarifas cobradas indevidamente, cotas de cooperativas de crédito e recursos de consórcios encerrados.

Dados do Banco Central mostram que 69,45% dos titulares possuem entre R$ 0,01 e R$ 10 a receber. Outros 18,97% têm entre R$ 10,01 e R$ 100. Apenas 2,22% contam com valores superiores a R$ 1 mil. Apesar do montante bilionário, o professor de economia da SKEMA Business School, Mário Marques, avalia que o impacto de um eventual resgate em larga escala sobre a economia brasileira tende a ser modesto.

“É um valor grande quando olhamos isoladamente, mas pequeno diante do tamanho da economia brasileira. Para a maioria dos beneficiários, que tem poucos reais a receber, o efeito individual também é muito limitado. O PIB brasileiro gira em torno de R$ 12 trilhões. Esses R$ 5,6 bilhões representam apenas 0,4% do Produto Interno Bruto”, destaca.

Segundo o professor, mesmo que uma parcela significativa dos recursos seja resgatada, não se trata de uma injeção de novos recursos na economia. “O resgate pode gerar algum movimento no comércio e nos serviços, mas é um recurso que já pertencia às pessoas e que apenas volta a ficar disponível para uso”.

De acordo com Marques, o caso ajuda a explicar como milhões de pequenos valores podem formar uma cifra bilionária. Embora individualmente tenham pouco peso no orçamento das famílias, quando somados os recursos podem formar uma cifra bilionária. “Mas isso não significa que o efeito sobre a economia será igualmente grande, porque boa parte desses valores é muito pequena no orçamento de cada família”, observa.

Por que o dinheiro continua parado?

O Banco Central já devolveu mais de R$ 16 bilhões desde o lançamento do sistema, mas ainda há milhões de pessoas que não consultaram ou não solicitaram os recursos disponíveis.

Na avaliação de Marques, o desconhecimento e a baixa atratividade dos valores explicam boa parte desse comportamento. “Primeiro porque muita gente nem sabe que tem esse dinheiro, segundo dá certo trabalho e toma tempo para receber um montante tão pequeno. As pessoas acabam dando pouca ou nenhuma prioridade para resgatar R$ 2, R$ 5 ou R$ 10”.

O episódio também levanta discussões sobre educação financeira. No entanto, Marques pondera que a existência dos chamados “valores esquecidos” não deve ser interpretada automaticamente como falta de organização financeira. “Muitas vezes é uma conta em banco que a pessoa achou que tinha encerrado e ficou um resíduo. Garanto que ninguém esqueceu uma aplicação de R$ 20 mil ou algo parecido”.

“O fenômeno é interessante justamente porque mostra como milhões de quantias quase insignificantes individualmente podem formar um número expressivo quando somadas, assim como foi o escândalo do INSS, valores muito baixos retirados de milhares de aposentados, que na maioria das vezes nem percebiam que estavam sendo lesados, mas que no final representou um golpe de bilhões”, conclui Marques.

Como acessar

Para consultar se há valores disponíveis, o cidadão deve acessar o endereço www.bcb.gov.br/meubc/valores-a-receber e informar CPF e data de nascimento. Para solicitar o resgate, é necessário ter conta Gov.br nos níveis prata ou ouro. O serviço é gratuito e deve ser acessado apenas pelos canais oficiais do Banco Central.

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