
O registro de 24 casos de sarampo no Brasil até agosto, todos no Estado de São Paulo, reacendeu o alerta sobre a importância da vacinação e da manutenção de uma cobertura elevada contra a doença. Embora o país tenha eliminado a transmissão sustentada do vírus, a ocorrência de casos importados pode resultar em novos registros e pequenos surtos quando encontra pessoas sem proteção.
Para o acadêmico titular da Academia Nacional de Medicina (ANM), Celso Ramos Filho, o cenário atual não significa o retorno do sarampo como doença de transmissão sustentada no país. Ele avalia que a elevada cobertura vacinal ainda funciona como uma barreira para que os casos não se multipliquem.
“O Brasil tem níveis muito elevados de cobertura vacinal. Existem pessoas e grupos que não estão adequadamente imunizados, culminando na reintrodução do sarampo. Nós podemos ter alguns surtos, como estamos tendo em São Paulo, mas não espero grandes cataclismas”, afirma.
A doença está entre as mais infecciosas e contagiosas, sendo transmitida por secreções respiratórias. Por isso, a proteção coletiva é fundamental para interromper as cadeias de transmissão. De acordo com o médico, é necessário manter um nível de imunização de aproximadamente 90% da população para reduzir significativamente a possibilidade de que um caso gere novas infecções.
Vacinação ao longo da vida
A enfermeira Elisa Lino destaca que a atualização da carteira de vacinação não deve ser encarada como uma preocupação restrita à infância. No caso do sarampo, a vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Conforme o calendário de vacinação, a primeira dose é indicada aos 12 meses e o reforço aos 15 meses. Pessoas que não completaram o esquema também podem buscar a atualização. “Caso não tenha nenhum comprovante que fez a aplicação da vacina, pode buscar essa informação em qualquer unidade de saúde pública. Se não houver um documento, iniciamos o esquema e seguimos a recomendação do médico”, orienta.
Elisa ressalta que a imunização precisa acompanhar as diferentes fases da vida. “É importante manter o calendário vacinal em dia, tanto crianças quanto adolescentes, adultos e idosos precisam acompanhar os reforços. Temos também públicos que requerem um cuidado maior, como imunocomprometidos e gestantes, para os quais existem recomendações específicas”.
Diagnóstico rápido
Além da vacinação, a identificação precoce dos casos é considerada essencial para evitar a disseminação do vírus. Segundo Filho, o desafio é que muitos profissionais de saúde em atividade nunca tiveram contato com pacientes com sarampo, justamente porque a vacinação reduziu drasticamente o número de casos. “Não reconhecem necessariamente aquela enfermidade e não notificam, porque pensam se tratar de dengue, chikungunya e outras doenças febris agudas acompanhadas de manchas e vermelhidão no corpo”.
Entre os sinais que merecem atenção estão febre alta, tosse, coriza, irritação ou vermelhidão nos olhos e manchas avermelhadas pelo corpo. “Se houve contato com alguém que já teve a doença ou está manifestando sintomas, é importante ficar em alerta. Temperatura muito alta que não consegue baixar e pintas ou marquinhas avermelhadas pelo corpo são sinais relevantes”, orienta Elisa. Para Filho, a vacinação continua sendo a principal ferramenta para impedir que casos isolados avancem. “A pessoa com sarampo tem alta possibilidade de infectar outras. É preciso ter um nível elevado de imunidade coletiva, algo em torno de 90%, porque aí a possibilidade de transmissão secundária é muito pequena”, conclui.