Festival de música presta homenagem aos trabalhadores da saúde mental

Evento será realizado na Funarte-MG / Foto: Pablo Bernardo

O 3º Festival de Música Doida homenageia, neste ano, trabalhadores da saúde mental que participaram da construção da reforma psiquiátrica brasileira. O evento é gratuito e vai acontecer entre os dias 2 e 4 de setembro, das 13h30 às 18h, na Funarte-MG, em Belo Horizonte. Terá palco aberto, oficinas, fóruns de debate, mostra de vídeos, instalações artísticas, feira de economia criativa e ações voltadas à valorização da produção cultural.

A programação do Festival vai conectar música, cultura e luta antimanicomial, reunindo artistas, usuários da Rede de Atenção Psicossocial, trabalhadores da saúde mental e pesquisadores. O evento dialoga com os 25 anos da Lei 10.216, marco da reforma psiquiátrica brasileira, que estabeleceu novas diretrizes para o cuidado em saúde mental no país e fortaleceu a substituição do modelo manicomial por uma rede de serviços territoriais.

Para o músico, idealizador e diretor artístico do Festival, Babilak Bah, os trabalhadores da saúde mental são de uma importância histórica. “Eles ajudaram na construção da Política de Saúde Mental nacional em 1987, formularam o que hoje é a Luta Antimanicomial e definiram o Dia Nacional de Luta Antimanicomial, e se organizaram nacionalmente cobrando a desospitalização e a criação de redes de serviços substitutivas aos manicômios”, ressalta Bah.

Segundo o idealizador, o Festival, e várias outras ações no campo da cultura, vêm dar visibilidade à loucura em sua dimensão criativa e inventiva, de respeito às diferenças e possibilidade de interação social. “Também para provocar a cidade a sair da rotina cotidiana para escutar uma produção diversa e invisibilizada oferecendo palco e estrutura para livre manifestação musical desses cidadãos que trazem a marca da exclusão e do preconceito”.

Além do palco livre, a programação traz apresentações dos coletivos Trem Tan Tan, Grupo Vocal Fora da Caixa, Piraboa, Arte da Saúde e a Mostra de Compositores. Uma das novidades desta edição é a presença do cantor Adriano Sexto na companhia da banda Ráio Roll, do município de São João del-Rei. Mais detalhes, no site oficial do evento: festivaldemusicadoida.com.br.

Música Doida

Criado a partir das pesquisas e da atuação do músico Babilak Bah junto ao coletivo Trem Tan Tan, o Festival nasceu da necessidade de identificar, valorizar e dar visibilidade a uma produção musical potente, autoral e diversa desenvolvida por usuários dos serviços de saúde mental.

Para Marcos Evando Martins dos Santos, vocalista e compositor do coletivo Trem Tan Tan, a participação no grupo ampliou sua percepção sobre a própria saúde mental e sobre a importância da arte. “O coletivo leva alegria, letras autorais e mensagens que traduzem a relevância do tratamento em liberdade descrito na Lei 10.216”.

“O Festival de Música Doida faz o participante se tornar protagonista da sua arte. A organização do evento valoriza o criador da obra e sua criação, mostrando que é possível fazer arte para todos e com todos. A festividade traz o reconhecimento, principalmente para o sujeito”, complementa.

Mapeamento Nacional

Uma das principais iniciativas do evento é a Cartografia Nacional de Compositores e Coletivos da Saúde Mental, que está com inscrições abertas durante todo o ano. Ela busca mapear compositores, grupos musicais e blocos de Carnaval vinculados à Rede de Atenção Psicossocial em diferentes regiões, reunindo informações sobre trajetórias artísticas, estilos musicais, fotos, vídeos e materiais de divulgação.

“Esta é uma iniciativa que mostra a importância do serviço de saúde mental e da reforma psiquiátrica brasileira, bem como o tratamento em liberdade, tendo na arte um caminho e uma possibilidade de criação de mundos”, esclarece Bah.

A Cartografia já reúne 64 cadastros de artistas e coletivos de estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Sergipe, Paraíba, Bahia, Distrito Federal e Goiás. “Este Festival provoca a cidade a ouvir uma produção que durante muito tempo ficou afastada dos espaços culturais. É uma oportunidade de reconhecer talentos, histórias e trajetórias que mostram a capacidade criativa e artística das pessoas atendidas pela rede de saúde mental”, conclui.

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