Como o modelo SAF pode levar seu clube ao sucesso

A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) pode ajudar bastante, mas não é uma “cura milagrosa”. Dizer que é a melhor solução depende muito de como ela é implementada e de quem assume o controle. Temos o lado positivo da SAF, como por exemplo, clubes como Cruzeiro (com a entrada de Pedrinho Lourenço – Supermercados BH) e do Atlético Mineiro (com investidores e estrutura mais empresarial, tendo sócios majoritários a família Menin) mostram alguns benefícios claros:

Profissionalização da gestão: decisões menos políticas e mais técnicas;

Controle financeiro: maior disciplina para não gastar mais do que arrecada;

Acesso a investimento: entrada de dinheiro novo para pagar dívidas e investir;

Governança e transparência: exigidas por lei e por investidores.

    Isso pode acelerar muito a recuperação financeira, especialmente em clubes muito endividados, como Cruzeiro, Atlético, Botafogo, Vasco e Coritiba. Mas existem riscos importantes. Nem toda SAF é sinônimo de sucesso, conforme se espera dos torcedores. Eis aqui alguns pontos de atenção:

    Perda de controle do clube: o investidor passa a mandar e tomar todas as decisões administrativas e financeiras do clube;

    Foco no lucro: pode priorizar dinheiro em vez de títulos ou identidade (exemplo do que vem ocorrendo com o Botafogo, na gestão de John Textor);

    Dependência do dono: se o investidor errar ou sair da SAF, o clube sofre bastante, principalmente com a insegurança e desvalorização de suas ações no mercado financeiro;

    Más escolhas de investidores: nem todo “salvador” é confiável e pode levar o clube a uma situação financeira ainda pior do que se encontrava antes da transformação em SAF.

      Ou seja, SAF mal estruturada pode trocar um problema por outro. Então, podemos dizer que é a melhor solução? Não necessariamente. Em verdade, a SAF é uma ferramenta, não uma garantia. Clubes como Flamengo e Palmeiras, por exemplo, vem conseguindo se manter relativamente organizados sem SAF, com gestão mais equilibrada e profissional e obtendo bons resultados em campo. Equipes que estão sempre disputando títulos e montando grandes elencos. Em suma: para clubes muito endividados (como o Cruzeiro e Atlético estão), a SAF tem sido uma ótima saída. Para clubes mais organizados, pode não ser necessária. O fator decisivo não é a SAF em si, mas a qualidade da gestão.

      O caso do Cruzeiro é um dos bons exemplos pra entender na prática o impacto da SAF. O Cruzeiro antes da SAF (até 2021) tinha uma situação bem crítica. Dívida gigantesca (passando de R$ 1 bilhão); queda para a Série B em 2019 (inédito na história); salários atrasados, processos na FIFA e punições; gestão muito desorganizada e política e elenco caro e pouco eficiente. O clube virou um exemplo clássico de má administração no futebol brasileiro.

      Com a chegada de Ronaldo Nazário em 2022, e na sequência a aquisição do clube por Pedro Lourenço em 2024, algumas mudanças foram imediatas: gestão mais profissional; cortes de custos fortes; fim de contratos caros e mal elaborados; planejamento financeiro mais rígido; ajuste financeiro; renegociação de dívidas; redução da folha salarial; foco em “gastar o que pode pagar”; resultado esportivo rápido, como a conquista da Série B em 2022, retorno à Série A e conquista do Campeonato Estadual e vaga na Copa Libertadores da América 2026.

      Neste sentido, a SAF funcionou muito bem para o Cruzeiro, principalmente porque era um clube em situação extrema; houve disciplina financeira real; gestão mudou sua forma de gerir o clube, mas o principal aprendizado é: não é a SAF que salva, mas a gestão competente dentro dela, capaz de tomar medidas coerentes e aplicar uma modelo empresarial ao clube.

      Que a gestão cruzeirense possa servir de exemplo para outras equipes que tem planos de se transformar em SAF e voltar a ter sucesso dentro do competitivo futebol brasileiro.

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