Proibição de celular nas escolas pode ajudar no aprendizado e interação

Em uma tentativa de combater a distração e melhorar o ambiente educacional, uma nova lei foi sancionada, proibindo o uso de celulares nas escolas públicas e privadas de todo o país. De acordo com a Lei nº 15.100/2025, está proibido o uso de “dispositivos eletrônicos portáteis pessoais durante as aulas, intervalos e recreios, abrangendo todas as fases da educação básica”. A norma tem como objetivo diminuir a dispersão dos estudantes durante as aulas, promovendo uma maior concentração no aprendizado. A medida foi elaborada diante do crescente uso de dispositivos móveis como fonte de distração, com jovens muitas vezes acessando redes sociais, jogando e conversando durante os períodos escolares. Para a psicóloga educacional Carla Silva, a proibição pode trazer benefícios importantes. “O celular é uma das maiores fontes de distração para os jovens. Ao ser proibido durante as aulas, o estudante fica mais concentrado nas atividades escolares, participando mais ativamente e absorvendo melhor o conteúdo”. “Além disso, a medida pode melhorar a socialização entre os alunos, ao reduzir o tempo que eles passam conectados ao mundo virtual e incentivá-los a interagir de maneira mais direta com os colegas. Com a proibição do celular, a escola se torna um ambiente onde o foco é no aprendizado e na troca de experiências, ao invés de nas distrações digitais”, completa. Embora a proibição do celular tenha benefícios claros no que diz respeito ao aumento da concentração e melhoria nas relações sociais, especialistas alertam que ela, sozinha, pode não ser suficiente para garantir uma melhora substancial no aprendizado dos jovens. A pedagoga e consultora educacional, Ana Maria Costa, aponta que a medida precisa ser parte de um esforço maior para transformar a educação. “O sistema educacional precisa de mudanças estruturais que vão além disso. A qualidade do ensino, a formação dos professores e o investimento em tecnologias educacionais adequadas são fatores que também precisam ser levados em conta para que o aprendizado seja realmente potencializado”. Há quem defenda que o celular, quando utilizado de maneira controlada e pedagógica, pode ser uma ferramenta poderosa para o aprendizado. O uso de aplicativos educacionais, por exemplo, pode auxiliar na pesquisa e na interação com conteúdos mais dinâmicos. “O problema não está no dispositivo em si, mas no uso indiscriminado e sem orientação. A proibição deve ser vista como uma medida para o momento de aula, mas o uso controlado do celular pode complementar o ensino, especialmente em tempos de inovação tecnológica. O desafio está em melhorar a forma de utilizar a tecnologia em favor da educação”, argumenta Ana. Além da ação das escolas, a questão do uso de celulares e o controle do tempo de tela não se restringem apenas ao ambiente escolar. A responsabilidade dos pais no acompanhamento do tempo que os filhos passam nas telas é fundamental para um desenvolvimento equilibrado. De acordo com Carla, a parceria entre escola e família é essencial. “Os pais desempenham um papel crucial na definição de limites para o uso do celular fora da escola. É importante que haja uma combinação de regras em casa e na escola para que os jovens aprendam a usar a tecnologia de forma responsável e saudável, evitando até mesmo casos de ansiedade nesses jovens”. A psicóloga destaca que o controle parental deve ser equilibrado. “Proibir o celular de forma rígida pode gerar resistência nos filhos, principalmente em adolescentes, que têm uma necessidade de socialização online. O mais importante é estabelecer uma comunicação aberta, onde os pais possam orientar os filhos sobre o uso responsável da tecnologia”.

Mais brasileiros acreditam que é necessário aprendizado contínuo

Nove em cada dez brasileiros consideram importante aprender novas habilidades independentemente da idade, segundo o Indicador de Longevidade Pessoal (ILP). O levantamento, que avalia aspectos como saúde física e mental, interações sociais e educação financeira em uma escala de 0 a 100, também revelou que 78% dos entrevistados afirmaram buscar constantemente novos conhecimentos. Para o especialista em longevidade, Alexandre Kalache, o resultado demonstra que o Brasil está acompanhando uma tendência chamada lifelong learning (aprendizagem ao longo da vida, em tradução livre). “Esse conceito defende o aprendizado contínuo, desde a infância até a velhice. Ou seja, o processo educativo não se encerra com a conclusão do ensino médio, da graduação ou da pós-graduação, mas se estende ao longo da vida em diferentes contextos”. “Como essa aprendizagem não se limita aos formatos tradicionais de ensino, especialmente o presencial, ela permite que as pessoas se adaptem com mais rapidez e eficiência às transformações do mercado de trabalho e da sociedade”, acrescenta. O programador João Carlos Ferreira trabalhou no setor comercial de uma grande empresa por mais de 20 anos, até perceber que a tecnologia estava transformando sua área. “Comecei a estudar por conta própria, assistindo a vídeos e fazendo cursos on-line. No início, achei que não conseguiria, que já era tarde demais. Mas descobri que aprender é um processo contínuo e sempre há espaço para se reinventar. Hoje, atuo em uma área que me motiva e vejo que fiz a escolha certa”. Ferreira ressalta que o conhecimento é essencial para acompanhar as mudanças no mundo. “No começo, acreditava que aprender algo completamente novo depois dos 40 anos era impossível. Entendo que me manter atualizado e aberto a novas habilidades não é apenas um diferencial, mas uma necessidade. A aprendizagem contínua nos mantém ativos, relevantes e, acima de tudo, confiantes para enfrentar qualquer desafio”. Ensino superior Segundo dados do Censo da Educação Superior de 2023, os cursos de educação a distância (EAD) registraram um aumento de 474% nos últimos dez anos. Além disso, o Brasil contava com 51.369 estudantes com 60 anos ou mais matriculados em cursos de graduação em 2023, um crescimento de 56% em comparação com 2012. Um exemplo é a estudante de psicologia Maria Helena Santos. Após anos dedicados à família e ao trabalho como costureira, ela foi incentivada por filhos e netos a retomar os estudos. “Sempre tive curiosidade sobre o comportamento humano, mas não tive oportunidade de estudar quando era mais jovem. Quando meus netos começaram a faculdade, percebi que eu também podia fazer isso. No início, tive receio de não acompanhar as aulas, mas me surpreendi. Aprender me deu um novo propósito”. “Em um ambiente de trabalho que exige cada vez mais flexibilidade e adaptação, o aprendizado contínuo é fundamental para manter a competitividade. Vivemos a Revolução da Longevidade em paralelo à Revolução Tecnológica. Novas ferramentas estão transformando a forma como trabalhamos e interagimos profissionalmente. As habilidades valorizadas hoje podem não ser as mesmas em cinco ou dez anos. Além disso, aprender continuamente aprimora a capacidade de resolver problemas, estimula a criatividade e permite que cada profissional se destaque em sua área, independentemente da idade”, conclui Kalache. Metodologia do ILP O Indicador de Longevidade Pessoal foi desenvolvido com base em parâmetros e metodologias de instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Seu objetivo é aproximar o conceito de longevidade de todas as faixas etárias. O índice, que varia de zero a 100 pontos, avalia 31 variáveis distribuídas em seis pilares: atitudes em relação à longevidade, saúde física e mental, interações sociais e meio ambiente, cuidados de saúde e prevenção, e finanças.

Estudo revela que apenas 8% do lixo gerado no Brasil é reciclado

O Brasil recicla apenas 8,3% do lixo gerado, e cerca de 41% dos municípios ainda recorrem a lixões como destino final dos resíduos, de acordo com estudo Panorama dos Resíduos Sólidos de 2024, da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema). São mais de 6,7 milhões de toneladas que foram avaliados para serem inseridos na cadeia produtiva, sendo que a maior parte desse encaminhamento, 67,2% foi realizada por coletores informais e 32,8% pelos serviços públicos de coleta, associações e cooperativas. O especialista em gestão de resíduos, Eduardo Nascimento, afirma que nos últimos anos, o cenário tem se transformado positivamente, principalmente com o avanço das legislações que tratam da gestão de resíduos e da logística reversa. “O Brasil tem experimentado um aumento nas atualizações legislativas, com ênfase no sistema de rastreamento de resíduos, um passo fundamental para garantir que os materiais destinados à reciclagem realmente sejam processados de maneira correta e eficiente. Temos grandes avanços nas legislações federais, tanto para a gestão de resíduos quanto para a logística reversa”. Para o analista ambiental e professor de Responsabilidade Social e Meio Ambiente nou UniArnaldo, Alexandre Magrineli dos Reis, já houve avanços, como as negociações que levaram aos acordos setoriais com setores geradores de resíduos quanto à responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. “Mas, falta a ampliação das redes de coleta, e formas de tornar mais fácil ao consumidor final descartar corretamente seus resíduos ou produtos pós consumo. Outros pontos são a pouca infraestrutura adequada em muitos municípios, falta de incentivos na mídia para adesão da população à coleta seletiva e a necessidade de maior fiscalização quanto ao cumprimento da legislação”. Reis explica que o aumento da reciclagem de resíduos no país esbarra ainda em políticas públicas que são pouco efetivas nos aspectos iniciais. “Como o incentivo à catação, a efetivação e cobrança da responsabilidade de fabricantes e vendedores quanto a logística reversa pós-consumo. Além do prejuízo econômico, porque destinar resíduo sem reciclar é, de uma forma simples, enterrar dinheiro”. “Isto representa um risco ambiental e à saúde pública, e demonstra que estamos longe de efetivar a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Enquanto alguns países já trabalham com modelos econômicos que buscam zerar a geração de resíduos ou reintroduzi-los ao máximo no processo produtivo, como a economia circular, ainda estamos buscando formas de tornar isto viável no Brasil”, acrescenta. Melhorias O analista destaca duas ações necessárias para melhorar a taxa de reciclagem no país. “Mudanças na legislação tributária para estimular a utilização de matéria-prima reciclada, tornando mais atrativo para o mercado e o incentivo a formação e trabalho de cooperativas de catadores de materiais reciclados, que são a grande força e mão de obra responsável pela reinserção de resíduos nos processos produtivos”. “Minas Gerais inovou em 2011 quando implantou uma política de pagamento por serviços ambientais urbanos, reconhecendo a catação de resíduos como tal serviço, e remunerando cooperativas de catadores trimestralmente por esta atividade. A lei da ‘Bolsa Reciclagem’, como é chamada, é uma política pública que poderia ser replicada em outros Estados e Municípios”, finaliza. Produção de lixo Segundo a estimativa apresentada no panorama, o brasileiro gerou, em média, 1,047 quilos de resíduos sólidos urbanos por dia, o que leva a uma geração equivalente a mais de 221 mil toneladas de resíduos e de 81 milhões de toneladas ao longo do ano, em todo o país. A região brasileira responsável pelo maior volume de resíduo sólido urbano é o Sudeste, que gerou quase 40 milhões de toneladas, representando 49,3% do total gerado no país. A região Norte foi a que menos gerou resíduos, tendo sido responsável por 7,5%, com produção de 16,5 mil toneladas diárias e pouco mais de 6 milhões de toneladas em todo ano. Em números absolutos, o Centro-Oeste foi responsável por 7,7%, a região Sul, por 10,8%, e o Nordeste, por 24,7% do total de resíduos sólidos urbanos do país.

Pesquisa mostra dificuldade das pessoas com deficiência no mercado de trabalho

  Apesar de avanços importantes em legislações e políticas públicas de inclusão, a empregabilidade de Pessoas com Deficiência (PcD) no Brasil ainda enfrenta obstáculos consideráveis. A pesquisa “Radar da Inclusão: mapeando a empregabilidade de Pessoas com Deficiência” mostra que oito em cada dez trabalhadores com deficiência ou neurodivergência que possuem emprego acreditam que as empresas, em sua maioria, não estão preparadas para integrá-los em seus times. Outro dado relevante foi o percentual de pessoas que preferem trabalhar em modelo remoto ou híbrido, que combina atividades presenciais e a distância. Essa preferência atinge 71%, superando os 58% que já adotam esse formato no momento. Ter a permissão da liderança para trabalhar de casa pode ser crucial para alguns profissionais que já possuem os recursos necessários, como mesas, cadeiras, softwares e outros itens que ajudam na execução de suas atividades. Isso ocorre porque, muitas vezes, esses trabalhadores não dispõem do essencial no ambiente de trabalho. O relatório mostra que um terço dos respondentes (33%) afirma que seu ambiente de trabalho não é devidamente adaptado a eles. A pesquisa também revela que, para 25% dos entrevistados, a presença de programas de inclusão e acessibilidade nas empresas é um aspecto decisivo na escolha de oportunidades profissionais. Ao procurar emprego, cerca de 47% prefeririam ou optariam por vagas destinadas exclusivamente a pessoas com deficiência ou neurodivergência, enquanto 49% se candidataram a qualquer tipo de vaga disponível. Para a especialista em Diversidade e Inclusão, Carla Souza, a falta de preparação das empresas é o principal obstáculo para que pessoas com deficiência ocupem posições no mercado de trabalho. “A inclusão vai além da simples adaptação do ambiente físico. É necessário transformar a cultura organizacional, oferecendo não apenas acessibilidade, mas também treinamentos para as equipes e lideranças sobre as necessidades e direitos das PcD”. Carla ressalta que a deficiência vai muito além de uma condição física e deve ser entendida de forma mais ampla. “Pode ser cognitiva, auditiva, visual, motora, e as necessidades de cada pessoa variam de acordo com o tipo de deficiência. Portanto, as empresas precisam criar ambientes de trabalho inclusivos, em que todos se sintam respeitados e possam desenvolver suas potencialidades”. A Lei de Cotas, instituída pela Lei nº 8.213/91, obriga empresas com 100 ou mais funcionários a reservar entre 2% e 5% de suas vagas para pessoas com deficiência. Para a psicóloga e consultora de Recursos Humanos, Renata Oliveira, “muitas vezes as empresas contratam pessoas com deficiência para cumprir a legislação, mas não realizam as adaptações necessárias e não oferecem o apoio adequado ao colaborador, o que resulta em um ambiente de trabalho pouco inclusivo”. Esse tipo de estigma está diretamente relacionado à falta de conhecimento, segundo Renata. “É fundamental que as empresas invistam em capacitação e sensibilização, não só para as lideranças, mas para todos os colaboradores, para que vejam a inclusão como uma vantagem competitiva, e não um peso. Profissionais com deficiência, quando bem treinados e inseridos em um ambiente inclusivo, têm um desempenho muitas vezes acima da média”. Ela afirma que as empresas devem adaptar seus processos seletivos para garantir que os candidatos com deficiência tenham igualdade de condições. “Investir em recursos de acessibilidade, como rampas, softwares de leitura de tela, e equipamentos específicos que atendam às necessidades de pessoas com diferentes tipos de deficiência. Além disso, oferecer programas de capacitação para todos os colaboradores sobre diversidade e inclusão, com foco em atitudes positivas e respeito à pessoa com deficiência também são ações positivas”, conclui.

Senado discute venda de remédios sem prescrição em supermercados

  Nas próximas semanas, a Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal deve discutir a autorização da venda de medicamentos isentos de prescrição (MIPs), tema do Projeto de Lei (PL) 1.779/19, de autoria do deputado Glaustin da Fokus (Podemos). A medida foi apresentada ao governo federal como uma forma de reduzir o preço dos remédios para os consumidores. A comercialização de analgésicos chegou a ser permitida em supermercados e armazéns a partir da Medida Provisória (MP) 592/94, que implantou o Plano Real. No entanto, em 2004, a prática foi proibida após um entendimento do Superior Tribunal de Justiça. O CEO de uma rede de clínicas médicas, Rafael Teixeira, avalia que, com a aprovação do projeto, podem surgir oportunidades como parcerias estratégicas entre farmácias e supermercados. “Há espaço para construir modelos de colaboração que garantam que os pacientes tenham acesso a consultas médicas antes da compra de medicamentos, assegurando um uso seguro e eficaz, além do aumento na demanda por um atendimento acessível”. “Por outro lado, a medida pode trazer desafios, como o crescimento da automedicação. A venda desses produtos em supermercados pode levar ao uso inadequado, resultando em erros no tratamento e agravamento de doenças”, complementa. Teixeira defende que a melhor forma de integrar o setor farmacêutico aos serviços de saúde é garantir que o paciente passe primeiro por uma consulta médica qualificada em um ambiente adequado e especializado, como uma clínica ou consultório, antes de adquirir qualquer medicamento. “Essa mudança não deve beneficiar apenas o varejo, mas sim impulsionar um modelo que fortaleça o acesso seguro e qualificado à saúde no Brasil”.   Setor farmacêutico é contra Por meio de nota enviada ao Edição do Brasil, o CEO da Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Sérgio Mena Barreto, destacou que, caso aprovada, a medida seria desastrosa para o setor. “MIPs são um segmento essencial das farmácias e representam cerca de 30% das vendas. Autorizar a comercialização em supermercados, apenas para adicionar mais uma categoria de vendas, provocaria um desequilíbrio econômico em um setor que funciona bem e é respeitado mundialmente”. “O custo operacional de uma farmácia é elevado. Provavelmente, haveria um efeito rebote com o aumento no preço dos medicamentos de prescrição, impactando negativamente a saúde da população, especialmente dos mais pobres”, acrescenta. Barreto também rebateu o argumento de que os preços desses medicamentos seriam até 35% mais baixos nos supermercados, classificando essa informação como enganosa. “Monitoramos os preços de mais de mil itens comuns a farmácias e supermercados, e constatamos que esses estabelecimentos vendem mais caro em 50% das vezes”. Também por meio de nota, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) alertou que a medida poderia trazer prejuízos à saúde pública. “Ao liberar a venda de medicamentos isentos de prescrição (mas não de riscos) nos supermercados, o governo permitirá o acesso a preços mais baixos, porém, sem orientação adequada, em um país onde cerca de 90% dos brasileiros se automedicam. O resultado será, sem dúvida, um impacto ainda maior para o Sistema Único de Saúde (SUS), que já gasta R$ 60 bilhões por ano com danos causados pelo uso inadequado de medicamentos”. O CFF ressaltou que, segundo dados do Ministério da Saúde, os casos de intoxicação aumentaram 23% entre 1993 e 1995, quando a venda dos MIPs foi permitida em supermercados. Na década seguinte, com a volta da comercialização exclusiva em farmácias, houve queda nos registros de intoxicação. Entre 2007 e 2009, a redução foi de 14%. A entidade ainda repudiou qualquer medida que possa precarizar o trabalho farmacêutico e afirmou esperar que a consciência técnica e a ética prevaleçam na tomada de decisão.

Minas tem mais professores temporários do que efetivos na rede estadual de ensino

Minas Gerais é o Estado com o maior número de professores temporários. O índice chega a 80%, contra 19% de profissionais efetivos, é o que diz um levantamento feito pela organização Todos pela Educação. O crescimento estimado de temporários, entre 2013 e 2023, foi de 540%, em meio a um corte de 69,3 mil efetivos, queda de 77%. A psicopedagoga Ângela Mathylde Soares diz que o impacto no ensino de ter mais temporários que efetivos é péssimo. “Porque o temporário não tem comprometimento com a sala de aula, alunos e com a escola, já que pode perder o lugar na instituição quando o professor efetivo voltar. O profissional vai ter comprometimento com o salário e de passar o conteúdo, mas de se envolver, trabalhar as habilidades, as competências, as questões socioemocionais, fica muito a desejar”. Para Ângela, o magistério não é mais uma carreira promissora, tanto na questão de envolvimento e formação quanto em retorno e reconhecimento. “O professor hoje, não é bem assistido. Então, as outras profissões estão sendo mais procuradas e as pessoas não estão mais fazendo concurso. E a forma de reverter esse quadro é realmente assumir a pedagogia como ciência científica e de embasamento, e formalizar e identificar o objetivo do professor”. Brasil No país, o cenário é o mesmo, visto que o número de professores concursados nas redes estaduais de ensino caiu ao menor patamar em 10 anos, enquanto o total de temporários cresceu de forma significativa entre 2013 e 2023. Desde 2022, o total de docentes contratados superou o de concursados nas redes estaduais. Em 2023, as redes contavam com 356 mil temporários (alta de 55%), contra 321 mil professores efetivos (queda de 36%). De acordo com o estudo, o aumento das contratações temporárias é um dos principais motivos para o crescimento do quadro geral de professores nas redes estaduais nos últimos anos. Entre 2020 e 2023, por exemplo, houve acréscimo de quase 30 mil profissionais no corpo docente das redes. Apesar disso, ao longo da década, o número geral teve redução de 57 mil docentes, movimento alinhado com a diminuição de matrículas da educação básica. Segundo o gerente de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, Ivan Gontijo, a contratação de professores temporários é um elemento importante para garantir que as redes de ensino consigam compor o seu quadro completo de docentes. “No entanto, esse tipo de contratação deveria ser uma exceção, a ser utilizada em casos específicos previstos na legislação, mas o que vemos é que ela tem se tornado a regra nas redes estaduais de ensino”. “Isso está relacionado com a baixa frequência de realização de concursos públicos para docentes, motivada por diversas questões, como a proibição de novos concursos em decorrência da pandemia, desafios fiscais nos estados e a própria preferência de alguns gestores pelo modelo de contratação mais flexível. Isso pode trazer impactos negativos para a educação, em especial quando se observa que em muitas redes é baixa a qualidade das políticas de seleção, alocação, remuneração e formação para esses profissionais”, afirma Gontijo. Ângela reforça que a contra- -tação temporária não é positiva. “Porque o profissional não sabe quando será trocado pelo efetivo e, muitas vezes, o professor é despreparado. Essa ação é um ‘tapa-buraco’ para o estudante completar a carga horária e a escola também. Isso acontece muito na rede estadual, diferente da rede municipal, onde todos os professores são efetivos, o que facilita muito para a qualidade de ensino. Pois, a pessoa não perde seu cargo”. Estados O estudo também mostra que a proporção de docentes temporários e efetivos varia de acordo com a Unidade Federativa (UF) do país. Em 2023, 15 unidades federativas possuíam mais professores temporários do que efetivos e, ao longo da década, 16 UFs aumentaram o número de professores temporários e diminuíram o quadro de concursados. Para finalizar, a psicopedagoga afirma que a tendência é o índice de temporários continuar a crescer. “Enquanto não tiver material humano qualificado, será necessário buscar mais temporários e não capacitados para preencher essas vagas”.

Disque 100 recebeu 657 mil denúncias de violações aos direitos humanos em 2024

O governo divulgou dados que mostram um aumento significativo nas denúncias de violações aos direitos humanos no Brasil em 2024. Segundo o relatório oficial, o Disque 100 recebeu mais de 657,2 mil denúncias, um aumento de 22% em relação ao ano anterior. De acordo com o ministério, o número de violações registradas também apresentou um crescimento, subindo de 3,4 milhões em 2023 para 4,3 milhões em 2024. Vale destacar que cada denúncia pode envolver diferentes tipos de violação. As infrações mais comuns incluem a violação da integridade por negligência, com 464,3 mil registros; tortura psicológica, com 389,3 mil casos; e a violação da integridade física, associada à exposição a riscos à saúde, com 368,7 mil ocorrências. A maior parte das vítimas das denúncias são do sexo feminino (372,3 mil), brancas (261,6 mil) e possuem idades entre 70 e 74 anos (32,5 mil). Em grande parte dos casos, as violações aconteceram no domicílio da vítima ou do suspeito (301,4 mil). Dentre os grupos mais vulneráveis, destacam-se crianças e adolescentes (289,4 mil), idosos (179,6 mil) e mulheres (111,6 mil). Embora as mulheres continuem a ser um grupo vulnerável, o número de vítimas femininas foi 2,9% inferior ao registrado em 2023. No entanto, em 2024, houve uma mudança no perfil do agressor: as mulheres (283,1 mil) passaram a ser as principais suspeitas de agressão, apresentando um aumento de 28,8% em relação ao ano anterior. A maioria dos agressores ou agressoras é de cor branca (172,9 mil) e tem idades entre 30 e 34 anos (65,8 mil). De forma geral, os principais suspeitos de cometer agressões são familiares de primeiro grau da vítima, como mães (160,8 mil), filhos e filhas (108,8 mil) e pais (49,2 mil). O advogado especialista em direitos humanos, Manoel Lima, destaca que o aumento das denúncias não necessariamente reflete um crescimento real dos casos de violação, mas pode ser resultado de uma maior confiança nos mecanismos de denúncia. “A população tem se sentido mais segura e encorajada a denunciar, especialmente após campanhas de sensibilização e o fortalecimento dos canais de denúncia, como o Disque 100 e as redes sociais”. Por outro lado, a falta de uma resposta mais eficaz por parte do sistema judiciário e das autoridades também é apontada como um fator que contribui para a perpetuação da violência e das violações. “Apesar do aumento das denúncias, as vítimas frequentemente enfrentam obstáculos significativos para que suas queixas sejam efetivamente investigadas e punidas. Isso gera uma sensação de impunidade que alimenta ainda mais as violações”, ressalta. “Temos uma necessidade urgente de investimentos em políticas públicas eficazes, treinamento de forças de segurança e ampliação de programas de apoio psicológico às vítimas”, conclui. Para o psicólogo Marcos Figueiredo, o apoio psicológico às vítimas de violação dos direitos humanos é fundamental para a recuperação emocional e mental dos indivíduos afetados. “Esse suporte desempenha um papel crucial na ajuda ao processo de cura, pois muitas vítimas enfrentam traumas profundos que podem perdurar por anos, afetando seu bem-estar, sua autoestima e sua capacidade de lidar com o dia a dia e permite que compreendam e processem os eventos traumáticos que vivenciaram, auxiliando no alívio de sentimentos, como culpa, vergonha, medo e raiva, que são comuns nessas situações”. Ele explica que é importante oferecer um espaço seguro onde as vítimas possam falar sobre sua experiência sem medo de julgamento ou revitimização, o que facilita a construção de um processo de superação. “O acompanhamento fortalece a confiança da vítima em si mesma e na possibilidade de reconstruir sua vida, contribuindo, portanto, para uma recuperação integral, envolvendo não apenas o aspecto físico da violação (quando existe), mas também a recuperação emocional e psicológica”.

Mais da metade dos profissionais querem mudar de emprego este ano

  Pouco mais de 103 milhões de pessoas estão trabalhando no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e uma parte desses trabalhadores deseja mudar de emprego em 2025. De acordo com o Índice de Confiança Robert Half (ICRH), 54% dos profissionais buscam um novo trabalho em 2025. O número é quatro pontos percentuais maior que no mesmo período do ano passado. A pesquisa indica que 69% dos respondentes manifestaram interesse em mudar de empresa, mantendo sua área profissional. O dado representa um crescimento de cinco pontos em relação a janeiro de 2024. Entre os principais motivos estão melhores oportunidades de crescimento, salários mais altos, benefícios atrativos e um equilíbrio maior entre a vida pessoal e profissional. A especialista em recolocação profissional e transição de carreira, Andiara Martins, avalia que fatores como a busca por propósito e maior qualidade de vida têm contribuído para o aumento do desejo de mudar de emprego. “Também temos um cenário econômico que incentiva a busca por mais estabilidade e melhor remuneração, a demanda por flexibilidade, através do modelo de trabalho híbrido ou remoto, as mudanças geracionais, onde os mais jovens priorizam a diversidade. A automação e a inteligência artificial exigem novas habilidades dos profissionais”. “A busca por qualidade de vida e equilíbrio entre vida pessoal e profissional tem impacto direto e significativo na saúde mental desses profissionais. Esse reflexo pode ser observado de várias formas: ambientes de trabalho mais flexíveis e equilibrados tendem a diminuir os níveis de estresse crônico, prevenindo condições como ansiedade e burnout. Profissionais que conseguem dedicar tempo a interesses pessoais, família e hobbies relatam maior sensação de realização e felicidade”, acrescenta. Já 31% dos entrevistados desejam mudar de ramo, segmento ou carreira. A busca por realização pessoal, qualidade de vida, salários mais altos, aprendizado de algo novo e maior flexibilidade foram citados como razões. Andiara destaca que o autoconhecimento e planejamento, são essenciais para equilibrar a busca por realização pessoal e o medo de recomeçar em um novo setor. “Ferramentas de avaliação de carreira ou consultoria especializada podem ajudar a alinhar as aspirações pessoais ao mercado. O profissional também pode explorar o segmento desejado por meio de cursos, projetos paralelos ou mentorias, permitindo uma transição mais segura. A atenção e o investimento em uma boa rede de contatos são primordiais. Preparar uma reserva financeira reduz a pressão imediata por resultados e proporciona tranquilidade para enfrentar os desafios iniciais”.   Permanência no emprego O levantamento também questionou as motivações em permanecer no emprego atual. Com 56%, benefícios e remuneração, foi o mais citado. Seguido por flexibilidade no modelo de trabalho (32%), ambiente de trabalho e cultura organizacional (32%), equilíbrio entre vida pessoal e profissional (27%) e oportunidades de crescimento e desenvolvimento profissional (27%). O diretor-geral da Robert Half para a América do Sul, Fernando Mantovani, destaca que é um desafio diário para as empresas se manterem competitivas no cenário atual. Ele aponta que as organizações devem investir em políticas claras de trabalho, na transparência das lideranças, além de bons pacotes de benefícios e remuneração, condizentes com as médias praticadas pelo mercado. “O panorama é favorável para os profissionais sintonizados com as exigências atuais das empresas, que concorrem de forma acirrada pelos melhores talentos do mercado. Tendo em vista que o capital humano constitui o recurso mais valioso de uma companhia, sugiro às lideranças a adoção de uma visão estratégica para evitar reconhecer colaboradores essenciais apenas quando estiverem prestes a sair”.   Tendências para 2025 A especialista avalia que setores como tecnologia, energia renovável, saúde e biotecnologia, educação, logística, comércio eletrônico, entretenimento digital e economia criativa devem atrair mais candidatos devido às tendências econômicas, tecnológicas e sociais. “Percebo que esses segmentos atraem maior interesse devido à promessa de crescimento e relevância no futuro”.

Estudo revela que educação integral é uma prioridade para as famílias

Segundo a pesquisa “Opinião das Famílias: Percepções e Contribuições para a Educação Municipal”, realizada pelo Instituto Datafolha, Fundação Itaú e movimento Todos Pela Educação, revelou que a expansão do número de escolas em tempo integral é apontada por 30% das famílias de estudantes do ensino fundamental da rede pública como ação prioritária para as próximas gestões municipais. Para os entrevistados, é essencial ampliar a carga horária, com no mínimo sete horas diárias. Entre os efeitos positivos enxergados pelas famílias estão o desenvolvimento socioemocional dos estudantes, como a promoção de habilidades de relacionamento, a expressão de emoções e a motivação para o futuro. O mestre em direito e professor universitário, Hellom Lopes Araújo, afirma que o ensino integral é a melhor alternativa para melhorar a educação no país. “Principalmente levando em consideração as características da nossa sociedade e do nosso estudante, elas clamam por essa modalidade. Porque retiramos o aluno das possibilidades de ser cooptado pela criminalidade, por atividades estéreis, sem nenhum tipo de propósito”. “Damos uma razão de ser e um sentido para a vida daquele estudante. Levando em consideração que o ensino integral tem o propósito de submeter o aluno não só aquela carga teórica ao longo de um dia inteiro de aula, mas também a outras áreas da educação que nós entendemos como importantes, como: as artes, a cultura, e a linguagem. Oportunizamos para o estudante essas outras vertentes que só dentro daquele ensino parcial, não conseguiríamos oferecer para ele”, pontua Araújo. O advogado especializado em Políticas Públicas, Marcello Rodante, revela que a principal dificuldade para implementar o ensino integral está na combinação de desafios financeiros, falta de planejamento estratégico e questões políticas. “O modelo exige investimentos robustos em infraestrutura, formação de professores, alimentação, transporte escolar e materiais pedagógicos, o que demanda um orçamento significativo que nem sempre é priorizado”. Ele complementa dizendo que há uma resistência política. “Que muitas vezes reflete a falta de compromisso com políticas públicas de longo prazo. Outro entrave é a desigualdade regional. Enquanto estados mais ricos conseguem implementar escolas em tempo integral de forma mais consistente, regiões mais pobres enfrentam dificuldades adicionais, como falta de estrutura básica e escassez de profissionais qualificados. Superar essas dificuldades exige um verdadeiro compromisso político, com investimentos contínuos, planejamento estratégico e engajamento das comunidades escolares”. Evasão escolar De acordo com a pesquisa, entre os responsáveis entrevistados, 51% concordam que “muitos estudantes estão abandonando a escola”. Esse receio é ainda mais evidente entre as famílias com menor rendimento: 53% com renda de até um salário mínimo concordam totalmente ou em parte com essa afirmação. Em contrapartida, 37% das famílias com renda superior a cinco salários mínimos, concordam com a mesma. Rodante explica que a evasão escolar é, de fato, um problema complexo e multifacetado que exige uma abordagem cuidadosa e integrada por parte do poder público. “Uma das estratégias frequentemente adotadas é a implementação de programas de transferência de renda condicionados à frequência escolar, como o Bolsa Família. No entanto, é fundamental que esses programas sejam rigorosamente planejados e fiscalizados, pois quando bem estruturados, podem aliviar a pressão econômica sobre famílias vulneráveis, garantindo que as crianças permaneçam na escola”. “Outro aspecto central é o acompanhamento psicológico e social dos estudantes e de suas famílias. É preciso reconhecer que programas de transferência de renda ou assistência psicológica isolados não são suficientes, eles devem estar integrados a um sistema educacional mais atrativo e adaptado às necessidades dos jovens. Apenas com um planejamento abrangente e investimentos robustos será possível enfrentar as causas profundas da evasão e garantir o direito à educação para todos”, finaliza.