Cerca de 12 médicos foram vítimas de violência por dia no Brasil em 2024

Um levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) revelou que, em 2024, foram registrados 4.562 boletins de ocorrência de médicos que sofreram algum tipo de violência (seja ameaça, injúria, desacato, agressão física, difamação, furto ou outros delitos) em estabelecimentos de saúde do país, como hospitais, clínicas, consultórios, prontos-socorros, laboratórios e outras instituições, tanto da rede pública quanto privada. O número trata-se do maior já registrado na série histórica do CFM. A análise da distribuição das ocorrências revela que 66% dos casos, ou seja, 2.551, aconteceram em cidades do interior, enquanto 1.337 episódios (34%) foram registrados nas capitais. Segundo os dados apurados pelo CFM, a maioria das agressões foi praticada por pacientes, seus familiares ou por indivíduos sem qualquer vínculo com os profissionais de saúde. Dos 4.562 boletins de ocorrência no ano passado, 256 (6%) foram registrados por crimes de calúnia, injúria, difamação e ameaça cometidos contra médicos na internet, seja em redes sociais ou em aplicativos de mensagens. Em 2024, São Paulo liderou o ranking nacional, com 832 boletins de ocorrência, o equivalente a 26% do total de notificações. O Paraná ficou em segundo lugar, com 767 registros, sendo que Curitiba responde por 11% desses casos. Minas Gerais ocupa o terceiro lugar em número de ocorrências. A Polícia Civil mineira contabilizou 460 boletins, dos quais 15% foram registrados na capital, Belo Horizonte. O psicólogo Marcos Figueiredo afirma que a “espera prolongada, incerteza do diagnóstico e estresse emocional de pacientes e familiares elevam o clima de tensão. Em momentos de fragilidade, um olhar torto, uma palavra mal interpretada pode ser um gatilho para explosões de violência”. “Vivemos uma era de maior intolerância e impaciência. Entre os principais motivos está a sobrecarga dos serviços de saúde, especialmente no sistema público, onde a alta demanda e a falta de recursos contribuem para longas esperas, atrasos em atendimentos e frustrações por parte dos pacientes e seus familiares. Essa insatisfação, muitas vezes, é descarregada nos profissionais da linha de frente, como os médicos”, completa. Ele explica ainda que há uma crescente intolerância social e dificuldade de lidar com frustrações, o que tem se refletido em comportamentos agressivos em diversos contextos, incluindo o ambiente hospitalar. “Outro fator relevante é a desinformação sobre o papel e os limites da atuação médica, o que pode gerar expectativas irreais por parte dos pacientes e levar à hostilidade quando os resultados esperados não são alcançados”. Para o especialista em segurança pública, Marcelo Cunha, é fundamental adotar uma série de medidas integradas que envolvam tanto ações de segurança quanto mudanças estruturais e culturais no sistema de atendimento. “Em primeiro lugar, é preciso reforçar a segurança nos ambientes de saúde, com a presença de equipes treinadas, instalação de câmeras de monitoramento e protocolos claros para lidar com situações de risco. A criação de canais de denúncia eficazes e a garantia de que os casos serão investigados e punidos com rigor também são essenciais para desencorajar novas agressões”. “Outro ponto importante é melhorar as condições de trabalho dos profissionais, reduzindo a sobrecarga, garantindo recursos adequados e promovendo um ambiente de trabalho mais saudável e cooperativo. Investimentos em gestão e organização dos atendimentos, que ampliem o acesso da população a serviços de saúde de qualidade, com estrutura adequada e tempo de espera reduzido, contribuem para diminuir o clima de insatisfação que pode levar à violência”, ressalta. Cunha destaca que campanhas de conscientização pública sobre o respeito aos profissionais de saúde e sobre os limites da atuação médica também podem ser úteis, ajudando a construir uma relação mais equilibrada entre pacientes e equipes de atendimento. Além disso, o CFM tem se posicionado favorável à aprovação de Projetos de Lei em tramitação no Congresso Nacional que aumentam as penalidades para agressores de médicos em exercício profissional, como é o caso do PL nº 6.749/2016, já aprovado pela Câmara dos Deputados. A entidade também vem atuando junto a governadores e representantes da Polícia Civil nos estados para promover a criação de delegacias especializadas em investigar crimes cometidos contra profissionais da saúde.

Postagens com ameaças a escolas nas redes sociais crescem 360% em 4 anos

Um estudo realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou um crescimento de 360% nas publicações com ameaças direcionadas a escolas nas principais redes sociais brasileiras entre 2021 e 2025. A pesquisa teve como objetivo analisar tanto a forma como as plataformas digitais respondem a ataques violentos contra instituições de ensino quanto a abordagem de temas como o bullying nesses espaços virtuais. Conforme os dados, em 2023, cerca de 90% das postagens com discurso de ódio estavam concentradas na deep web, área da internet que não é indexada por mecanismos de busca convencionais. Já em 2025, esse percentual caiu para 78%, o que indica que esse tipo de conteúdo está cada vez mais presente na internet aberta, circulando sem controle ou moderação adequados. De acordo com o levantamento, até o dia 21 de maio deste ano, já haviam sido registradas mais de 88 mil publicações com ameaças direcionadas a estudantes, professores e diretores nas redes sociais. Para efeito comparativo, durante todo o ano de 2024 foram identificadas 105.192 menções desse tipo, enquanto em 2021 o número mal ultrapassava 43.830. O crescimento expressivo evidencia de forma contundente a necessidade de uma resposta articulada para frear esse avanço. Outro aspecto alarmante revelado pelos dados é o aumento expressivo na proporção de comentários que enaltecem os autores de ataques. Em 2011, ano em que ocorreu o massacre de Realengo (RJ), apenas 0,2% das interações nas redes exaltavam os agressores. Já em 2025, esse índice saltou para 21%, representando mais de um quinto do total. A maioria desses elogios é voltada a jovens que, supostamente, teriam reagido de forma violenta após enfrentarem traumas psicológicos e emocionais relacionados ao bullying. A psicóloga Ellen Oliveira acrescenta que os adolescentes são mais suscetíveis a discursos radicais, o que pode colocá-los em risco. “Devido ao desenvolvimento incompleto do cérebro e à necessidade de se identificar com grupos, os jovens podem embarcar em ideias, inclusive a de aceitar ideologias extremas, situações que os adultos já sabem que passam dos limites”. “Além disso, há um perfil mais frequente entre os autores dos ataques: homens jovens geralmente com baixa autoestima e sem popularidade na escola. Eles têm muitas relações virtuais e nutrem uma falta de perspectiva e propósito em termos de futuro. Esses jovens podem ser vítimas de bullying, viver em ambientes familiares violentos ou negligentes e ter acesso a conteúdos violentos na internet, o que contribui para o desenvolvimento de um perfil agressivo”. Os ataques violentos em escolas têm consequências devastadoras para as vítimas, suas famílias e a comunidade escolar como um todo, salienta Ellen. “Além das lesões físicas, muitos sobreviventes enfrentam traumas psicológicos duradouros. A sensação de insegurança permeia o ambiente escolar, afetando o desempenho acadêmico e o bem-estar emocional dos estudantes”. A pedagoga Beatriz Lima ressalta que a inserção de programas de educação socioemocional nos currículos escolares é fundamental. “Esses programas ensinam habilidades, como empatia, resolução de conflitos, autocontrole e cooperação, promovendo um ambiente mais harmonioso e respeitoso. A infância e a adolescência são momentos cruciais para a construção da personalidade e é essencial que todos recebam apoio”. Ela afirma que é essencial treinar professores e profissionais da educação para identificar sinais de problemas emocionais entre os alunos e lidar com situações de violência e bullying, criando um ambiente escolar seguro e inclusivo. “O diálogo constante entre escola e família também é crucial para garantir que os alunos recebam o apoio necessário tanto no ambiente escolar quanto no familiar. Os pais devem estar atentos ao comportamento dos filhos, estabelecer horários para o uso de dispositivos eletrônicos e monitorar o conteúdo acessado na internet, orientando-os sobre os riscos de grupos de ódio e discursos extremistas. É importante denunciar conteúdos violentos ou de incitação ao ódio nas redes sociais para que sejam removidos”, conclui.

Justiça do Trabalho alerta para retrocessos após decisão do STF

Desde abril, após uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, todos os processos que questionam contratos de prestação de serviços firmados com pessoas jurídicas estão suspensos em todo o país. Em sua justificativa, o magistrado destacou que a controvérsia sobre a legalidade desses contratos tem sobrecarregado o STF diante do elevado número de reclamações contra decisões da Justiça do Trabalho que, em diferentes instâncias, deixam de aplicar entendimento já consolidado pela Corte sobre a matéria. “O descumprimento sistemático da orientação do Supremo Tribunal Federal pela Justiça do Trabalho tem contribuído para um cenário de grande insegurança jurídica, resultando na multiplicação de demandas que chegam ao STF, transformando-o, na prática, em instância revisora de decisões trabalhistas”, afirmou o ministro. Só em Minas Gerais, são 619 processos no 1º grau e 351 no segundo que estão paralisados, segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG). A presidente da Corte, desembargadora Denise Alves Horta, expressa preocupação com os impactos da suspensão das ações para os trabalhadores e com o que considera um “esvaziamento” da missão constitucional da Justiça especializada. “A demora nos julgamentos pode favorecer a ocorrência de fraudes, a ocultação ou esvaziamento do patrimônio de devedores e o desaparecimento de provas. Isso traz insegurança jurídica e agrava a vulnerabilidade do trabalhador hipossuficiente”. “Além disso, a paralisação de processos com temas sensíveis, nos quais foi constatada a existência de fraude para subtração de direitos ou de condições análogas ao trabalho escravo, por exemplo, intensifica a fragilidade dos trabalhadores inseridos em tais contextos”, complementa. A magistrada não nega a importância do STF como guardião da Constituição, mas alerta para uma mudança de enfoque nas decisões da Suprema Corte. “Há um crescente afastamento dos princípios fundamentais do Direito do Trabalho, em nome de uma abordagem mais civil e comercial das relações laborais. Tem prevalecido no STF uma análise baseada em perspectivas comerciais e civis, em detrimento dos princípios trabalhistas. Isso fragiliza direitos sociais conquistados ao longo de décadas e precariza as relações de trabalho”. Situações que envolvem motoristas de aplicativos, contratos com salões de beleza, sociedades de advogados ou transportadoras de carga têm sido exemplos dessa nova orientação. A Justiça do Trabalho, que tradicionalmente analisava esses vínculos com base no princípio da primazia da realidade, agora vê sua competência ser contestada. Mesmo com a suspensão imposta pelo Supremo, Denise reforça que o TRT-MG vem participando de eventos, seminários e articulações institucionais que discutem os efeitos da decisão, e que o tribunal segue empenhado em alternativas como a conciliação para mitigar os efeitos da paralisação dos processos. “Estamos acompanhando os impactos e avaliando estratégias. Também incentivamos a solução consensual dos litígios como forma de reduzir a morosidade”. Quando o STF julgar definitivamente o Tema 1.389 e publicar a ata do julgamento, os processos suspensos poderão ser retomados automaticamente pelo sistema do Nugep Nacional. A presidente do TRT-MG é enfática ao defender o papel da Justiça do Trabalho. “A existência e a atuação da Justiça do Trabalho são essenciais para o equilíbrio das relações laborais, a dignidade do trabalhador e o fortalecimento da democracia. Nossa função não é apenas aplicar a lei, mas garantir trabalho decente, justiça social e proteção a quem mais precisa”, conclui.

Estudo mostra que 92% dos brasileiros apoiam aumento da licença-paternidade

Uma pesquisa realizada pela Coalizão Licença Paternidade (CoPai) revela que 92% dos brasileiros apoiam o Projeto de Lei (PL) que aumenta o tempo de licença-paternidade custeado pelo governo. Outro dado do levantamento aponta que 63% dos entrevistados aprovam o aumento da licença para 30 dias. O estudo mostra também que 35% das pessoas alegam ter pouco ou nenhum conhecimento sobre o tema, em comparação com os 26% sobre a licença-maternidade. A atual regra estabelecida pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é que todo trabalhador tem direito a cinco dias corridos de licença-paternidade. Por ora, o programa Empresa Cidadã permite que a licença seja estendida em até 20 dias para as instituições participantes. No entanto, segundo a Andi Comunicação e Direitos, apenas 16%, dos empreendimentos aptos a participarem, aderem ao programa. Em 2024, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou o projeto que aumenta a duração da licença-paternidade e cria o salário-paternidade. O PL 3.773/2023 determina que o prazo da licença pode ser ampliado gradualmente, chegando a até 60 dias. Atualmente, o texto está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas existem outros projetos sobre o assunto no Congresso. A presidente adjunta da CoPai, Caroline Burle, pontua que a mudança na legislação é de suma importância e multifacetada. “Impactando diretamente o desenvolvimento infantil, a saúde familiar e a economia do país. Atualmente, a licença de apenas cinco dias é comprovadamente insuficiente para promover o vínculo paterno e apoiar a família nos primeiros e cruciais momentos da vida de um bebê”. “O Congresso Nacional tem um prazo, que vence no final de junho, para regulamentar a licença-paternidade, que foi definida em 1988 de forma transitória, e desde então segue sem a regulamentação devida. Precisamos aproveitar este momento para aprovar uma licença de pelo menos 30 dias, condizente com os desafios dos dias atuais”, acrescenta. Ela esclarece também que estudos e experiências internacionais demonstram que a licença-paternidade ampliada gera impactos econômicos positivos para a sociedade. “A ampliação é vantajosa para as empresas, ao contrário do que muitos pensam, os dados mostram que essa medida gera ganhos em engajamento, reputação e produtividade, sem custos adicionais para o empregador”. “Portanto, é uma política de ‘ganha-ganha’, beneficiando tanto os colaboradores quanto às empresas, ao promover um ambiente de trabalho mais motivador, produtivo e com maior retenção de talentos, sem onerar diretamente o caixa corporativo”, observa Caroline. Na avaliação da advogada especialista em direito da família, Adriana Galon, o Brasil ainda se encontra em posição bastante tímida no cenário internacional. “Nações como Suécia, Noruega, Alemanha e Espanha adotam modelos amplos e igualitários de licença parental, permitindo que pais e mães compartilhem de forma equilibrada o tempo de cuidado com os filhos, com remuneração garantida pelo Estado”. Adriana ressalta que, dessa forma, o modelo brasileiro revela-se ainda conservador e restritivo. “Sem previsão de licença compartilhada, sem política universalizada e com alcance limitado. Para alcançar os padrões internacionais de equidade de gênero e proteção à infância, seria necessário adotar reformas legislativas que ampliem e tornem efetivo o direito à paternidade ativa desde os primeiros dias de vida da criança”. Impacto A advogada destaca como argumentos jurídicos favoráveis ao aumento da licença-paternidade a igualdade de gênero e corresponsabilidade parental. “Além da proteção integral da criança e do adolescente, dignidade da pessoa humana, normas internacionais de direitos humanos, igualdade de oportunidades no mercado de trabalho, precedentes legislativos e políticas públicas e efetividade dos direitos sociais fundamentais”. “Ampliar a licença-paternidade por meio de lei é muito mais do que estender um benefício trabalhista, trata-se de uma medida estruturante, com forte impacto na construção de famílias mais saudáveis, na promoção da igualdade de gênero e no desenvolvimento integral das crianças. É uma transformação que repercute diretamente na qualidade das relações familiares e no avanço da sociedade como um todo”, finaliza.

Área desmatada no Brasil registra redução de 32,4% no ano passado

Houve uma queda de 32,4% na área desmatada e de 26,9% no número de alertas de desmatamento em 2024. No total, foram desmatados 1.242.079 hectares no Brasil, com 60.983 alertas registrados em todo o país ao longo do ano. De acordo com o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD) da Mapbiomas, ocorreu redução no desmatamento em cinco dos seis biomas do país. A única exceção foi a Mata Atlântica, que apresentou níveis semelhantes aos registrados em 2023. Entre os dois anos analisados, os biomas Pantanal e Pampa lideraram a redução nas áreas desmatadas. Em seguida, vieram o Cerrado, a Amazônia e a Caatinga. Já a Mata Atlântica foi o único bioma a registrar aumento, com crescimento de 2%. Ao longo de 2024, a média diária de desmatamento foi de 3.403 hectares, o que equivale a cerca de 141,8 hectares por hora. O dia com maior registro de desmatamento foi 21 de junho, quando 3.542 hectares de vegetação nativa foram derrubados em apenas 24 horas. No bioma Cerrado, o ritmo de destruição foi ainda mais acelerado, com uma média de 1.786 hectares perdidos por dia. No ano de 2024, 43% da área desmatada no país contou com algum tipo de autorização legal. O Cerrado foi o bioma com o maior número de desmatamentos autorizados, representando 66% da vegetação nativa suprimida. Já na Amazônia, apenas 14% das áreas desmatadas possuíam autorização. De acordo com o Mapbiomas, mais de 97% da perda de vegetação nativa registrada no Brasil nos últimos seis anos está relacionada à pressão das atividades agropecuárias. Segundo o engenheiro ambiental Mauro Fagundes, o desmatamento no Brasil tem consequências graves para o meio ambiente e para a sociedade. “A Floresta Amazônica, por exemplo, desempenha um papel crucial na regulação do clima, na manutenção do ciclo hidrológico e na preservação da biodiversidade. A perda de vegetação nativa compromete esses serviços ecossistêmicos, aumentando a vulnerabilidade a desastres naturais e acelerando as mudanças climáticas”. Fagundes ressalta que o governo brasileiro implementou políticas de combate ao desmatamento, como o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas na Amazônia (PPCDAm), que visa reduzir a destruição da floresta por meio de ações coordenadas entre diferentes esferas governamentais. “Também houve um aumento na fiscalização e embargos de propriedades que desrespeitam a legislação ambiental, dificultando a expansão ilegal da fronteira agrícola”. “Além disso, modelos como a Integração Lavoura-Pecuária- -Floresta (ILPF) têm sido promovidos por instituições como a Embrapa. Essas práticas permitem a produção agrícola e pecuária sem a necessidade de expandir a área desmatada, melhorando a produtividade e a sustentabilidade dos sistemas de produção”, diz. A geógrafa Rita Pereira explica que para continuar diminuindo esses números é necessário reforço na fiscalização e monitoramento ambiental. “Ampliar o uso de tecnologias, como satélites e inteligência artificial, para detecção em tempo real de desmatamento ilegal, investir em órgãos fiscalizadores, como IBAMA e ICMBio, com mais pessoal, estrutura e orçamento e aplicar punições efetivas e ágeis para crimes ambientais, com bloqueio de bens e embargo imediato de áreas ilegais”. Na avaliação de Rita, é importante trabalhar no controle do uso da terra, incentivos à produção sustentável, valorização das florestas e proteção dos povos indígenas e comunidades tradicionais. “Concluir o cadastro ambiental rural (CAR) e cruzar os dados com áreas desmatadas para responsabilizar infratores, promover a titulação de terras com condicionantes ambientais, garantindo que apenas áreas regularizadas possam receber financiamento público ou privado. Fomentar práticas como agrofloresta, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e sistemas de manejo sustentável e oferecer crédito rural e benefícios fiscais apenas a produtores que comprovem boas práticas ambientais”. “Expandir programas de pagamento por serviços ambientais (PSA), como o Floresta+, fomentar cadeias produtivas sustentáveis da floresta, como açaí, castanha-do- -pará e borracha natural, e garantir e respeitar a demarcação de terras indígenas e territórios quilombolas, que têm taxas muito menores de desmatamento”, conclui.

Minas registra 530 acidentes de trânsito no primeiro trimestre

  De acordo com dados compilados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o número de acidentes envolvendo motoristas sem habilitação tem crescido em Minas Gerais. Nos três primeiros meses deste ano, foram contabilizadas 530 ocorrências em municípios mineiros, o equivalente a uma média diária de seis casos. Esse total representa um aumento de 2,5% em comparação com o mesmo período de 2024. Entre janeiro e março, foram registrados pelo menos 418 acidentes com vítimas, o que representa um aumento de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os acidentes envolveram um total de 629 vítimas. Desse número, 532 pessoas ficaram feridas, com lesões leves ou graves, um crescimento de 4,1% em comparação ao ano de 2024, enquanto outras 10 perderam a vida, representando uma redução de 47,4% nos óbitos. As ações de fiscalização realizadas pelas forças de segurança de Minas Gerais identificaram 2.041 condutores dirigindo veículos de forma irregular, o que indica um aumento de 1%. A falta de habilitação é um fator de risco significativo no trânsito. Segundo o especialista em segurança viária e trânsito, José Carlos Souza, a ausência de formação adequada compromete a capacidade do motorista de reagir a situações imprevistas e de respeitar as normas de trânsito. “Sem a habilitação, o motorista não possui o conhecimento necessário para conduzir com segurança, o que aumenta consideravelmente o risco de acidentes”. Ele defende a implementação de ações integradas para combater o problema. “É necessário uma abordagem multifacetada, que inclua fiscalização rigorosa, educação no trânsito e melhorias na infraestrutura viária. É fundamental que haja um esforço conjunto entre órgãos de trânsito, sociedade e governo para promover um trânsito mais seguro, além da necessidade de políticas públicas mais eficazes, como campanhas educativas contínuas e fiscalização intensificada, para combater a direção sem habilitação e outros comportamentos de risco. Somente com ações coordenadas será possível reverter esse quadro alarmante”. O professor de direção, Leonardo Silveira, diz que o elevado número de acidentes envolvendo motoristas sem habilitação em Minas Gerais é um reflexo de falhas no sistema de trânsito e na conscientização dos condutores. “É importante que o Estado adote medidas mais eficazes para combater a direção irregular e promover a segurança viária. Somente com ações integradas e contínuas será possível reduzir significativamente os índices de acidentes e salvar vidas no trânsito mineiro”. Para Silveira, promover campanhas educativas em escolas, empresas e comunidades para conscientizar sobre as normas de trânsito é uma das principais atitudes. “A fiscalização rigorosa também é essencial. Intensificar a fiscalização para coibir a condução de veículos por motoristas inabilitados e o cumprimento das leis de trânsito”. “Investir em melhorias na infraestrutura viária, como sinalização adequada, iluminação pública e manutenção das vias, para proporcionar um ambiente mais seguro para todos, estabelecer parcerias entre diferentes órgãos e entidades, como polícia, saúde, educação e sociedade civil, para ações integradas de prevenção e conscientização e oferecer suporte psicológico para vítimas de acidentes e seus familiares, auxiliando na recuperação e enfrentamento das consequências traumáticas são ações que podem fazer a diferença”, conclui.

Excesso de velocidade lidera as infrações nas rodovias federais

  As infrações de trânsito nas rodovias federais registraram alta de 39% no primeiro trimestre de 2025. Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foram emitidos 2.578.333 autos de infração, contra 1.859.028 registrados em 2024. Em Minas Gerais, foram 299.106 infrações, um aumento de 79,8% em comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com a PRF, o excesso de velocidade representou 66,9% (1.724.833) das autuações. Em seguida, aparecem condução de veículo sem licenciamento (65.856) e ultrapassagens em trechos de faixa contínua (55.230). A presidente da Associação de Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans), Adalgisa Lopes, avalia que o elevado número de infrações nos primeiros meses de 2025 é um indicativo de que os condutores estão vivendo em um ritmo acelerado. “Esse é um comportamento comum não só do brasileiro, mas de motoristas no mundo todo. No entanto, é importante ressaltar que a ação do condutor brasileiro é, muitas vezes, mais imprudente que o dos motoristas de países desenvolvidos”. A psicóloga especialista em trânsito, Giovanna Varoni, aponta que a correria diária, com prazos apertados e excesso de compromissos, tem deixado o motorista mais estressado. “Isso interfere diretamente no comportamento ao volante, levando frequentemente a decisões impulsivas, falta de tolerância e maior propensão a infrações”. O excesso de velocidade foi a quarta principal causa de acidentes nas rodovias, resultando em 99 mortes em 1.012 ocorrências. Para Adalgisa, a sensação de impunidade é um dos principais fatores para o mau comportamento no trânsito. “O Código de Trânsito Brasileiro é bem rígido, mas a fiscalização é falha e, quando o caso vai para a Justiça, quem tem melhores advogados se sai melhor do que quem não tem. Em alguns países, uma infração grave, como dirigir alcoolizado, pode levar à prisão. Precisamos reduzir essa impunidade no Brasil”. “Os jovens, especialmente entre 18 e 27 anos, têm uma tendência maior ao comportamento de risco, o que se reflete até no valor mais alto dos seguros para essa faixa etária. Isso se deve tanto à impulsividade natural da idade quanto a traços de personalidade que identificamos nas avaliações psicológicas. Muitos buscam sensações prazerosas e estímulos constantes, o que os leva a atitudes perigosas no trânsito. Também observamos que os homens, em geral, assumem mais riscos do que as mulheres, que costumam ser mais prudentes. Essa diferença tem raízes culturais e precisa ser debatida. O trânsito é a principal causa de morte entre os jovens, e precisamos discutir isso com mais seriedade na sociedade, na imprensa, nas escolas e dentro das famílias”, acrescenta. A desatenção também é apontada como um fator significativo para os acidentes. A psicóloga explica que a mente sobrecarregada, o estresse contínuo e o cansaço físico e emocional são inimigos da direção segura. “Muitos motoristas estão fisicamente presentes, mas mentalmente ausentes, o que compromete totalmente a atenção e a capacidade de reagir a imprevistos”. Para a presidente da Actrans, uma maior periodicidade nas avaliações médicas e psicológicas dos condutores pode ajudar na redução dos acidentes. “Ao longo da vida, o motorista sofre perdas cognitivas e emocionais que afetam sua atenção e comportamento no trânsito. Estamos vendo um aumento de 39% nas infrações. As avaliações psicológicas analisam aspectos como atenção, memória e personalidade, fundamentais para entender a conduta ao volante. Já os exames médicos, que agora ocorrem a cada 10 anos para motoristas com mais de 55 anos, ignoram problemas de saúde que podem surgir nesse intervalo, como diabetes e doenças cardíacas. A saúde física e mental do condutor está comprometida, e reavaliar com mais frequência é essencial para prevenir acidentes”.   Maio Amarelo Giovanna defende que ações educativas, como o Maio Amarelo, cujo tema deste ano é Mobilidade humana, responsabilidade humana são essenciais. “Elas provocam uma reflexão, lembrando que o trânsito é feito por pessoas e que cada escolha pode salvar ou colocar vidas em risco. Ao falar sobre respeito, empatia e responsabilidade, essas campanhas geram impacto e promovem uma mudança de mentalidade, não só ao volante, mas também na forma como lidamos com o ritmo da vida”.

76% dos jovens brasileiros apoiam a redução da jornada de trabalho

Uma pesquisa inédita da Nexus revelou que 76% dos brasileiros com idades entre 16 e 24 anos apoiam a redução da carga horária semanal de trabalho. A aprovação é expressiva, mas diminui com o aumento da idade: entre os brasileiros de 25 a 40 anos, 69% apoiam as mudanças; entre os de 42 a 59 anos, o índice cai para 63%; e entre os que têm 60 anos ou mais, 54% aprovam. Nesse último grupo, 34% se declararam contrários às mudanças, enquanto entre os mais jovens, a rejeição é de apenas 16%. Aqueles que estão em busca de emprego são os que mais apoiam a proposta de redução da jornada de trabalho: 73% manifestam concordância. Já entre os que estão atualmente empregados, esse apoio recua para 66%, e entre os que não fazem parte da força de trabalho ativa, como aposentados, pensionistas, estudantes e pessoas que se dedicam aos afazeres domésticos, o índice é de 61%. A melhora na qualidade de vida é apontada como o principal motivo para apoiar a redução da jornada semanal de trabalho, sendo mencionada por 65% dos entrevistados. Para 55%, a mudança tende a aumentar a produtividade dos trabalhadores; 45% acreditam que ela pode favorecer o progresso social no país; e 40% enxergam impactos positivos também no desenvolvimento da economia. A psicóloga Silvia Saldanha destaca que a diminuição da jornada pode contribuir para a redução de doenças mentais, como ansiedade e burnout, que são prevalentes no Brasil. Ela observa que “as empresas podem se beneficiar com o aumento da produtividade dos colaboradores, a maior qualidade nas entregas, que resulta em aumento da receita, e a diminuição da falta de pontualidade e até dos desligamentos voluntários”. “Além disso, a redução da jornada de trabalho pode ser um fator decisivo na atração e retenção de talentos, especialmente entre jovens profissionais que valorizam a qualidade de vida, o que diminui a rotatividade e deixa processos internos mais fluídos”, ressalta. A consultora de Recursos Humanos Karine Soares também aponta que a jornada reduzida tem sido uma das alternativas para melhorar a situação enfrentada por empregadores e trabalhadores. Ela destaca que os benefícios incluem “a satisfação geral do funcionário com as atividades e o aumento do seu bem-estar físico, emocional e mental que se traduz em mais concentração, criatividade e inovação para as empresas”. Para Karine, apesar dos benefícios apontados, a implementação da redução da jornada de trabalho enfrenta desafios no Brasil. “A realidade de alta taxa de desemprego e a sobrecarga de trabalho em muitos setores dificultam a adoção dessa medida. A redução de jornada só traz benefícios à saúde do trabalhador se a empresa não diminuir os salários e impor condições adequadas de trabalho aos empregados”. No entanto, a tendência global e o apoio crescente da população, especialmente entre os jovens, indicam que a redução da jornada de trabalho pode ser uma realidade no futuro próximo. A discussão sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais está em andamento no Congresso Nacional. Se aprovada, essa medida pode representar um avanço significativo na busca por um equilíbrio entre trabalho e qualidade de vida. Em resumo, a pesquisa da Nexus reflete uma mudança nas expectativas dos jovens brasileiros em relação ao trabalho. “A busca por qualidade de vida, saúde mental e equilíbrio entre vida profissional e pessoal está moldando as novas demandas do mercado de trabalho. A redução da jornada de trabalho pode ser uma solução eficaz para atender a essas demandas, beneficiando tanto os trabalhadores quanto as empresas”, conclui a psicóloga.

Carnaval 2025 transforma Minas em um dos maiores destinos culturais do Brasil

Minas Gerais se consolidou como um dos maiores e mais diversos destinos culturais do Brasil durante a Semana do Carnaval 2025. Unindo a folia tradicional dos blocos de rua, escolas de samba e festas populares ao chamado Carnaval da Tranquilidade, com experiências de música clássica, visitas a museus, arte contemporânea e turismo de bem-estar, o Estado apresentou um modelo único que atraiu milhões de pessoas e movimentou a economia regional. A combinação entre o Carnaval da Liberdade e o Carnaval da Tranquilidade gerou um impacto direto superior a R$ 5 bilhões em todo o território mineiro, segundo dados do Observatório do Turismo de Minas Gerais, pesquisa Datafolha, APPA e prefeituras municipais. A distribuição da receita evidencia a diversidade do setor: a hospedagem respondeu por 27%, seguida de alimentação e bares (25%), transporte (18%), compras e serviços (15%) e atividades culturais (15%). A edição deste ano foi marcada pela alta satisfação do público. Cerca de 97% dos foliões e turistas disseram que a experiência atendeu ou superou as expectativas, enquanto 91% avaliaram a segurança como boa ou ótima, e 93% destacaram a organização do evento como eficiente. A movimentação turística foi expressiva. Durante dezembro, janeiro e a semana do Carnaval, as taxas de ocupação superaram os 85% nas principais cidades turísticas, com pico próximo de 100% em Belo Horizonte, Ouro Preto, Tiradentes e Diamantina. Hospedagens alternativas, como o Airbnb, também apresentaram crescimento de 20% no volume de reservas. Mais de 5 milhões de foliões tomaram as ruas da capital e Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), participando de desfiles de blocos tradicionais e contemporâneos, além de escolas de samba que resgataram e reforçaram a tradição local. A Via das Artes, iniciativa que reuniu música alternativa, gastronomia e cultura, atraiu um público diversificado (70% moradores da capital e 30% de outras regiões do Sudeste e Centro-Oeste). A maioria (68%) tinha ensino superior completo e buscava experiências ligadas à arte e à gastronomia. Enquanto isso, o Carnaval da Tranquilidade atraiu um público crescente com concertos de música clássica em igrejas históricas, visitas a museus e exposições de arte contemporânea. Cidades históricas e do interior investiram em turismo de natureza, bem-estar e eventos de reflexão cultural, abrindo espaço para um novo perfil de turista. Impacto econômico O Carnaval foi um catalisador de renda em diversas regiões mineiras. Belo Horizonte e RMBH tiveram R$ 1,5 bilhão em receita e 98% de ocupação hoteleira, as cidades históricas (Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, Congonhas) registraram 100% de ocupação e R$ 800 milhões arrecadados, enquanto o Sul de Minas (Poços de Caldas, São Lourenço) teve 90% de ocupação, com R$ 500 milhões de receita. O Triângulo Mineiro (Uberlândia, Uberaba): 80% de ocupação e R$ 400 milhões, Norte de Minas e Jequitinhonha (Montes Claros, Salinas): 75% de ocupação, com R$ 200 milhões e a Zona da Mata e Vertentes (Juiz de Fora, São João del-Rei, Barbacena): 85% de ocupação e R$ 400 milhões em movimentação econômica. Durante o pré-Carnaval e a Semana Oficial, Minas Gerais registrou mais de 13 milhões de pessoas em deslocamento entre eventos culturais, blocos de rua, desfiles, museus, festas religiosas e experiências de tranquilidade. O número equivale a mais de 50% da população do Estado, consolidando Minas como o território brasileiro com maior mobilização cultural e turística proporcional no Carnaval. Perspectivas A edição de 2025 reforçou a vocação mineira para o turismo cultural e de experiência. Entre as tendências para os próximos anos estão a ampliação dos roteiros do Carnaval da Tranquilidade, o fortalecimento da Via das Artes como polo cultural permanente e a consolidação de Minas Gerais como destino internacional no calendário carnavalesco.

Atualização da NR-1 obriga atenção à saúde mental dos trabalhadores

A partir de 26 de maio, entra em vigor a atualização da Norma Regulamentadora nº 01 (NR-1), que passa a incluir fatores de risco psicossociais no ambiente de trabalho, por meio do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Conforme estabelece a Portaria MTE nº 1.419/2024, esses elementos deverão constar no inventário de riscos ocupacionais, juntamente com os já reconhecidos riscos físicos, químicos, biológicos, de acidentes e ergonômicos. Os fatores psicossociais envolvem a forma como as atividades são planejadas, organizadas e executadas. Quando mal conduzidas, essas condições podem afetar a saúde mental, física e social dos trabalhadores. Exemplos incluem metas inalcançáveis, sobrecarga de tarefas, assédio moral e falhas na comunicação interna. “A proposta de atualização da NR-1 é o reconhecimento expresso da responsabilidade das empresas pela saúde integral dos trabalhadores, exigindo que realizem o mapeamento dos riscos à saúde mental e proponham planos de ação para neutralizá-los ou mitigá-los”, explica a advogada Patricia Barboza. Para a psicóloga e especialista em saúde mental no trabalho, Janaína Fidelis, a mudança poderá transformar profundamente a cultura das organizações. “Ela obriga as empresas a olharem para a saúde mental como parte da gestão de riscos. Isso significa que segurança e bem-estar deixam de ser apenas obrigações formais e passam a integrar a estratégia de cuidado com as pessoas no cotidiano”. Ela lembra que mesmo o Ministério do Trabalho ainda não tenha sugerido uma metodologia para o mapeamento, registro e proposta de combate aos riscos à saúde mental no ambiente de trabalho, as empresas devem iniciar esse processo desde já, começando com uma análise especializada por parte de profissionais com especialização em saúde e segurança do trabalho e saúde mental. “A atualização da NR-1 exige uma preparação cuidadosa, que deve começar o quanto antes. As empresas podem iniciar com entrevistas e pesquisas de clima para entender a carga mental e os impactos das dinâmicas de trabalho na saúde dos colaboradores. Também é essencial capacitar as lideranças em temas como comunicação não violenta e prevenção ao assédio moral. O que não dá é deixar isso para a última hora, porque após o mapeamento inicial ainda há um longo caminho pela frente”. Janaína recomenda que as organizações promovam ações contínuas de conscientização, como palestras e campanhas internas. “As empresas devem revisar metas e cargas de trabalho para evitar a sobrecarga, além de criar canais de denúncia e incorporar a saúde mental na gestão de riscos como parte da estratégia, não apenas como ações pontuais”. A inclusão dos riscos psicossociais no GRO reforça que a responsabilidade pela saúde dos trabalhadores deve ser compartilhada por todos na empresa, destaca Janaína. “Essa é uma oportunidade real de transformar o ambiente de trabalho em um espaço mais saudável, produtivo e humano”. Afastamentos em 2024 De acordo com o Ministério da Previdência Social, no ano passado foram concedidas 472.328 licenças médicas por motivos relacionados à ansiedade e depressão, alta de 68% em comparação a 2023. Janaína aponta que fatores como o ritmo acelerado, a pressão por resultados, jornadas exaustivas e a dificuldade de conciliar vida pessoal e profissional contribuíram para esse cenário. “Muita gente atribui esse crescimento à pandemia, mas os dados mostram uma tendência contínua. Ainda há muitos ambientes de trabalho que não reconhecem o impacto da saúde mental na produtividade. O que vemos é o acúmulo de estresse crônico, falta de apoio emocional e culturas organizacionais tóxicas”, finaliza.