Ao menos 56 crianças morreram em desafios on-line nos últimos anos

Segundo o Instituto DimiCuida, de 2014 a 2025, ao menos 56 crianças e adolescentes, com idades entre 7 e 18 anos, morreram no Brasil em decorrência de desafios compartilhados nas redes sociais. Os dados se baseiam em relatos de famílias e casos noticiados em jornais. A ocorrência mais recente foi a da menina de 8 anos, Sarah Raissa, do Distrito Federal, que morreu após inalar um desodorante aerossol. A tia da menina disse nas redes sociais que a garota participou de um desafio no Tik Tok que consiste em inalar o produto pelo máximo tempo possível. Porém, esse não é um caso isolado, segundo a Polícia do Rio de Janeiro, nos últimos anos, 50 menores de idade, entre crianças e adolescentes, morreram depois de serem induzidas a cometer crimes em plataformas digitais. No início do ano, por exemplo, um adolescente de 14 anos, Davi Nunes Moreira, morreu após misturar uma borboleta morta com água e injetar no próprio corpo em Vitória da Conquista, na Bahia, o denominado “Desafio da Borboleta”. A advogada civilista, Gabriela Maciel Campos, explica que embora não haja uma legislação específica para punir esses desafios que colocam em risco a vida ou a integridade física das pessoas, quem cria ou divulga esse tipo de conteúdo não fica impune. “Os artigos 122 e 132 do Código Penal, por exemplo, punem o induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, bem como, quem expõe a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente”. “Cabe destacar que, recentemente, foi criado um Projeto de Lei que propõe alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), pois as crianças e jovens são as vítimas mais afetadas por esse tipo de conduta. O projeto visa criminalizar a criação e o incentivo, além do compartilhamento desses desafios que o induzem a participar de jogos perigosos de forma on-line ou off-line com consequências prejudiciais à saúde física ou mental”, afirma a profissional. Ela ressalta também que as plataformas podem sim sofrer sanções e serem responsabilizadas pelos conteúdos postados e veiculados por seus usuários. “Contudo, é necessário que haja omissão, ou seja, só podem ser responsabilizadas civilmente pelos conteúdos postados por terceiros se não tomarem providências após uma ordem judicial que determine a remoção”. Recentemente, o governo federal disse que pretende retomar a discussão da regulamentação das redes no Congresso. A advogada afirma que essa retomada do debate no Congresso Nacional pode ajudar significativamente a reduzir crimes ligados a esses desafios perigosos na internet. “Isso porque podem ser criadas normas que imponham deveres e responsabilidades a plataformas como Tik Tok, YouTube, Instagram, entre outras, quanto ao conteúdo que circula nelas, além de regras que obriguem as plataformas a monitorar e bloquear preventivamente conteúdos de alto risco, com algoritmos de moderação reforçados”. Cuidados O psicólogo e professor da Faseh, Welder Vicente, pontua os sinais comportamentais que os pais devem prestar a atenção. “Isolamento repentino ou evitação de interações familiares; mudanças no sono, alimentação ou humor; uso excessivo de dispositivos digitais, especialmente em segredo; mentiras frequentes sobre o que está fazendo on-line; participação em brincadeiras perigosas ou com riscos físicos; e interesse por conteúdos sombrios, violentos ou autodepreciativos. Esses indícios, quando aparecem juntos e de forma persistente, indicam que algo precisa ser investigado com cuidado”. Vicente esclarece que a prevenção começa com a educação emocional e digital. “Criar um espaço seguro de diálogo em casa, onde o jovem se sinta ouvido sem julgamento; estimular o pensamento crítico; ensinar habilidades sociais e de enfrentamento, que fortalecem a autoestima e a capacidade de dizer ‘não’; entre outras medidas”. “Vale lembrar que esses desafios on-line muitas vezes exploram uma fase de maior vulnerabilidade emocional. Crianças e adolescentes estão construindo sua identidade e precisam de modelos seguros, limites claros e escuta ativa. A prevenção mais poderosa ainda é o vínculo: jovens que se sentem pertencentes, valorizados e compreendidos tendem a buscar menos esses caminhos perigosos”, alerta.
Censo Escolar mostra aumento nas matrículas no ensino médio

De acordo com os dados do Censo Escolar 2024, houve crescimento no total de matrículas no ensino médio no ano passado, tanto nas redes públicas quanto nas privadas. Ao todo, foram contabilizadas 7,8 milhões de matrículas nessa etapa final da educação básica, representando um aumento de 1,5% em comparação com o ano anterior, que registrou 7,6 milhões de estudantes matriculados. Ainda de acordo com o Censo, conduzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a maioria dos estudantes do ensino médio, cerca de 82,5%, estava matriculada em turmas do período diurno. Já os demais 17,5% (aproximadamente 1,4 milhão de alunos) frequentavam as aulas à noite. Essa é a única fase da educação básica que apresenta uma proporção tão significativa de estudantes no turno noturno. No Brasil, a maior parte dos alunos do ensino médio regular está concentrada em áreas urbanas, representando 94,5% do total de matrículas. Quando se observa a distribuição por redes de ensino, as escolas estaduais lideram, atendendo cerca de 6,5 milhões de estudantes (83,1% das matrículas nessa etapa). Dentro da rede pública, os estados são responsáveis por 95,8% dos alunos, enquanto a rede federal contabiliza aproximadamente 243,6 mil matrículas, ou 3,1% do total. Já a rede privada reunia, em 2024, cerca de 1 milhão de estudantes, o que corresponde a 13,2% do total de matrículas no ensino médio. Para a coordenadora pedagógica Alessandra Diniz, o incremento nas matrículas do ensino médio indica uma recuperação do sistema educacional brasileiro. “Este crescimento reflete a confiança das famílias na educação básica e destaca a relevância do ensino médio para o desenvolvimento social e econômico do país, sinalizando uma recuperação após os desafios impostos pela pandemia e uma tendência de crescimento é clara, especialmente nas escolas públicas. Investir na educação é investir no futuro do país. Quanto mais jovens tiverem acesso e concluir o ensino médio, mais o Brasil avançará em termos de justiça social e desenvolvimento sustentável”. A expansão do ensino médio traz diversos benefícios para o país. “Primeiramente, contribui para a formação de uma força de trabalho mais qualificada, essencial para o desenvolvimento econômico. Além disso, a conclusão do ensino médio está associada a melhores indicadores de saúde, redução da criminalidade e maior participação cidadã”, destaca Alessandra. Apesar do crescimento, ainda existem desafios significativos a serem enfrentados. A oferta de vagas é insuficiente em algumas regiões, e a evasão escolar continua sendo um problema. Além disso, a qualidade do ensino precisa ser constantemente aprimorada. A professora Magna Ribeiro diz que é importante a implementação de políticas públicas para enfrentar esses desafios. “Entre as iniciativas estão a ampliação das escolas em tempo integral, investimentos na formação continuada de professores e gestores, e a melhoria da infraestrutura escolar. O Programa Escola em Tempo Integral, por exemplo, visa aumentar o número de matrículas nessa modalidade, proporcionando uma educação mais completa e integrada”. Ela também ressalta os programas de apoio à permanência dos estudantes, como bolsas de estudo e transporte escolar, além de ações de sensibilização para a importância da conclusão do ensino médio. “O Programa Pé-de-Meia, se bem conduzido, pode ajudar a reduzir a evasão prematura escolar. É necessário um esforço conjunto entre governo, escolas e comunidade para garantir que todos os jovens tenham acesso e permaneçam na escola até a conclusão do ensino médio”.
PEC das Domésticas faz 12 anos e informalidade ainda preocupa

A Emenda Constitucional nº 72/2013, conhecida como PEC das Domésticas, completou no início de abril 12 anos da promulgação. A partir de sua regulamentação, com a Lei Complementar nº 150/2015, os trabalhadores domésticos passaram a ter uma série de direitos trabalhistas, como o estabelecimento de jornada padrão de 8 horas diárias e 44 horas semanais, com possibilidade de regime de tempo parcial (até 25 horas semanais), o pagamento de horas extras, adicional noturno, o recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o direito a receberem o seguro-desemprego e o salário-família. O advogado trabalhista Bernardo Lage destaca que essa legislação específica trouxe um marco civilizatório no reconhecimento dos trabalhadores domésticos como sujeitos plenos de direitos trabalhistas. “As regras trouxeram uma série de direitos inéditos ou ampliados para esses trabalhadores. A jornada de trabalho, por exemplo, era frequentemente flexível e sem limites claros, levando a longas horas de trabalho sem a devida remuneração”. O presidente do Instituto Doméstica Legal, Mario Avelino, avalia como positivo o impacto causado pela PEC. “Antes da promulgação, tínhamos um milhão de trabalhadores e, no máximo, 100 mil eram formalizados. No último balanço da PNAD, esse número estava em 1,3 milhão, entre dezembro de 2024 e fevereiro deste ano”. Apesar do crescimento no número de trabalhadores formais, a informalidade ainda é alta. Segundo o Instituto, 75,64% dos 4,3 milhões de trabalhadores da categoria estão na informalidade. De acordo com Avelino, a diminuição da renda dos empregadores foi um dos motivos para esse aumento. “Eles estão procurando opções de automatizar as casas com utensílios eletrônicos. A pandemia mexeu com a economia e gerou muitas demissões”. Lage destaca que os custos para o pagamento dos encargos sociais são um obstáculo para os patrões. “A complexidade burocrática atrapalha a formalidade. Embora o eSocial Doméstico tenha simplificado alguns procedimentos, muitos empregadores ainda encontram dificuldades em entender e cumprir todas as obrigações cadastrais, de folha de pagamento, registro da jornada e recolhimento de tributos. A falta de familiaridade com plataformas digitais e a necessidade de informações detalhadas podem ser consideradas grandes barreiras”. “O desconhecimento da lei contribui para a alta informalidade. Tanto empregadores quanto empregados podem desconhecer integralmente seus direitos e deveres previstos na Lei Complementar nº 150/2015. A falta de informação clara e acessível sobre os benefícios da formalização e os riscos da informalidade contribui para a perpetuação do problema”, acrescenta. Avelino ressalta que o momento é de incentivar empregadores e empregados a estarem na formalidade. “No caso do empregado, estamos trabalhando desde 2023 para que ele tenha o abono salarial, único direito que ele ainda não tem. Para o empregador, uma sugestão é voltar a dedução do INSS no Imposto de Renda. Isso diminuiria o custo do empregador e estimularia a formalidade. O governo tem que ser eficaz na fiscalização para pressionar os empregadores ilegais”. Erros comuns Mesmo com os avanços trazidos pela PEC das Domésticas, algumas falhas ainda ocorrem devido à falta de informação e à resistência à formalização da relação de trabalho, explica Lage. “O principal erro ainda é não registrar o empregado doméstico. Muitos acham que manter na informalidade ajuda a evitar as questões de burocracia e custos, mas é justamente o contrário. A informalidade expõe o empregador a ações trabalhistas na Justiça e multas que, a longo prazo, acabam saindo muito mais caras”. A ausência de controle de jornada e o desrespeito aos intervalos de descanso e alimentação, além de falhas na concessão de férias e no pagamento de benefícios obrigatórios, são erros frequentes. “O ideal é se planejar para conceder as férias no prazo legal e pagar os direitos no tempo correto”, conclui.
75% dos rios da Mata Atlântica apresentam qualidade regular

Análises feitas entre janeiro e dezembro de 2024 indicam uma estagnação na qualidade da água dos rios da Mata Atlântica monitorados, conforme aponta o relatório “O Retrato da Qualidade da Água nas Bacias Hidrográficas da Mata Atlântica”, produzido pelo programa Observando os Rios, da SOS Mata Atlântica. O trabalho foi realizado por voluntários em 145 pontos de coleta, em 67 municípios de 14 estados, e mostram que apenas 7,6% dos pontos (11) apresentaram qualidade boa, enquanto 13,8% (20) foram classificados como ruins e 3,4% (5) péssima. A predominância foi da qualidade regular, em 75,2% dos pontos (109) e nenhuma amostra apresentou classificação ótima. A comparação com os dados do ano anterior revela um cenário ainda mais desafiador. Entre os 127 pontos monitorados nos dois anos consecutivos, houve um aumento no número de rios com qualidade ruim e a permanência de quatro pontos com qualidade péssima. Novamente, nenhum ponto analisado atingiu a classificação de qualidade ótima. Para Gustavo Veronesi, coordenador da causa Água Limpa da SOS Mata Atlântica, os resultados evidenciam que os esforços para melhorar a qualidade da água não têm sido suficientes. “O monitoramento deste ano deixa claro que a situação é grave. A estagnação dos índices de qualidade da água e o aumento de pontos classificados como ruins mostram que não há avanço real. Precisamos de ações mais eficazes e de investimentos urgentes em saneamento, porque enquanto não resolvermos isso, nossos rios continuam ameaçados”. O geólogo da Keystone, Guilherme dos Anjos, destaca que esses dados são preocupantes, porque mostram que a maioria dos rios da Mata Atlântica estão em condições alarmantes. “Provavelmente, isso é um reflexo da degradação ambiental provocada pela poluição, pelo desmatamento das matas ciliares e pela falta de saneamento, o que afeta tanto a biodiversidade quanto a saúde das pessoas”. “Os rios da Mata Atlântica desempenham um papel vital para a sociedade. Eles fornecem água potável para milhões de pessoas, sustentam a agricultura e a indústria e são essenciais para a preservação da biodiversidade. Além disso, ajudam a prevenir desastres naturais, como enchentes e secas. Se a qualidade continuar a piorar, as consequências serão graves. Podemos enfrentar escassez de água, racionamento, impactos econômicos na agricultura, perda de biodiversidade e o agravamento de eventos climáticos extremos, como ondas de calor e secas prolongadas”, pontua o profissional. Ele ressalta que para restaurar a qualidade da água é preciso investir na ampliação do saneamento básico. “E também na recuperação das matas ciliares e em uma fiscalização ambiental mais rigorosa. Além disso, é essencial promover campanhas de conscientização para que a população entenda a importância de preservar nossos rios”. Saneamento básico O estudo reforça que o principal entrave para a recuperação da qualidade da água ainda é o saneamento básico insuficiente. Apesar das promessas de universalização do serviço até 2033, cerca de 35 milhões de brasileiros seguem sem acesso à água potável e metade da população do país não tem seu esgoto tratado. A poluição ainda é despejada sem controle em muitos cursos d’água, agravando um quadro que já é crítico. Para o presidente do Instituto Redemar Brasil, William Freitas, o saneamento básico é um direito universal garantido. “No entanto, na prática, sua cobertura ainda é insuficiente, tornando essencial o aumento dos investimentos para expandi-la. A desestatização do serviço de água não é recebida com entusiasmo, pois pode agravar a desigualdade social em um país já marcado por profundas injustiças. Essa não é uma equação simples e exige o desenvolvimento de tecnologias sociais eficazes”. “O Marco do Saneamento Básico foi aprovado nacionalmente, mas é fundamental que suas diretrizes sejam aplicadas de forma eficaz nos municípios, onde a vida de fato acontece. Precisamos garantir a integração dessas leis considerando as nuances e complexidades de um país culturalmente diverso e de dimensões continentais. Além disso, as soluções devem ser socialmente justas e economicamente viáveis, o que representa um grande desafio”, finaliza Freitas.
Brasil registrou quase 500 mil acidentes de trabalho em 2023

Dados do sistema eSocial, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), demonstram que foi registrado um total de 499.955 acidentes de trabalho e 2.888 óbitos no Brasil em 2023. O quarto mês do ano é marcado pela campanha “Abril Verde”, uma ação nacional de conscientização da segurança e saúde no trabalho. O objetivo é alertar sobre a importância da prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, que afetam milhares de trabalhadores todos os anos. O advogado trabalhista João Castro alerta que a segurança do trabalho no país precisa ser tratada com mais seriedade. “Embora haja legislações e normas que buscam proteger o trabalhador, ainda vemos muitos acidentes que poderiam ser evitados. O não cumprimento das normas de segurança é uma das principais causas, sendo necessário que as empresas e os próprios trabalhadores se conscientizem sobre os riscos presentes no ambiente de trabalho”. Quando um acidente de trabalho ocorre, o funcionário tem uma série de direitos assegurados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pela Lei 8.213/91, que trata dos benefícios da Previdência Social. Segundo Castro, o primeiro passo é o preenchimento da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). “É obrigatório e deve ser feito pelo empregador, mesmo que o trabalhador não tenha falecido ou sido afastado das suas atividades. O documento é essencial para garantir o acesso a benefícios, como o auxílio-doença acidentário (B91), se o acidente resultar em afastamento, o trabalhador tem direito a receber o auxílio, benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para garantir sua subsistência enquanto se recupera”. Após a alta do auxílio-doença acidentário, o trabalhador tem direito à estabilidade no emprego por 12 meses. “Ou seja, ele não pode ser demitido sem justa causa nesse período, conforme prevê a legislação trabalhista. Caso o acidente de trabalho resulte em sequelas permanentes, o empregado tem direito a uma indenização por danos morais e materiais, de acordo com a gravidade das lesões e o impacto na sua vida profissional e pessoal”. Ele enfatiza a importância da documentação adequada. “É essencial que o trabalhador tenha todos os registros e laudos médicos que comprovem a relação do acidente com o ambiente de trabalho. Isso facilita o acesso aos benefícios e à reparação dos danos causados”. A diretora de recursos humanos, Letícia Figueiredo, explica que as empresas têm a responsabilidade legal de oferecer um ambiente seguro para seus funcionários e tomar medidas para evitar acidentes. Isso inclui a adoção de medidas preventivas, treinamentos periódicos, e o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados. “Entre os deveres da empresa, destacam-se o cumprimento das Normas Regulamentadoras (NRs), treinamento e capacitação, fornecimento de um ambiente seguro e acomodações adequadas e realização de exames periódicos”. Para Letícia, a prevenção de acidentes passa por uma combinação de ações e medidas que devem ser incorporadas ao dia a dia das empresas e dos trabalhadores. “A primeira etapa na prevenção é identificar situações que podem oferecer riscos à saúde e segurança dos trabalhadores, promover uma cultura organizacional de segurança desde os gestores até os colaboradores, realizar manutenção preventiva dos equipamentos utilizados nas atividades de trabalho e campanhas educativas internas para conscientização da importância de seguir as normas de segurança”.
Regulamentação do carbono deve trazer oportunidades ao Brasil

Iniciativa que busca estabelecer maior transparência, integridade e eficácia nas reduções de emissões, evitando fraudes e assegurando ganhos reais e verificáveis, a Lei 15.042/24 visa o controle das Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) e o combate às mudanças climáticas. A legislação também criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), que se baseará no conceito cap-and-trade. Ou seja, aqueles que ultrapassarem os limites de emissões estipulados pelo governo. Na prática, quem emite mais de 25 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano poderão adquirir ativos do SBCE, como as Cotas Brasileiras de Emissão (CBE) e os Certificados de Redução ou Remoção Verificada de Emissões (CRVE), de empresas que emitirem menos. Segundo a professora do curso de Mercado e Regulação de Carbono, Daniela Stump, esse conceito ajudará o país a alcançar as metas do Acordo de Paris. “A cada cinco anos, os países renovam seus compromissos. O Brasil renovou e aumentou sua ambição no ano passado, antecipando a nova rodada de renovação das metas, que deve acontecer este ano”. Na opinião de Daniela, a regulamentação pode impactar positivamente a competitividade das empresas brasileiras no cenário internacional. “Alguns exportadores brasileiros já estão sujeitos ao ônus da precificação de carbono imposto pela União Europeia. Caso essa precificação seja regulamentada no Brasil, é possível argumentar junto à União Europeia que o produto brasileiro já está sujeito à precificação de carbono, não precisando se submeter às imposições europeias”. Ela avalia que o Brasil tem grandes oportunidades de remoção e sequestro de emissões de CO2 devido às possibilidades de restauração florestal e conservação das florestas. “O país pode se tornar protagonista na geração de reduções e remoções de emissões, transferindo esses créditos para outras nações que não conseguem cumprir suas metas dentro do próprio território”. O vice-presidente da Câmara Internacional de Meio Ambiente e Energia da Câmara de Comércio Internacional (ICC), Keyvan Macedo, explica que a implementação do mercado ocorrerá em cinco fases, cada uma com duração de um a dois anos. Ele lembra que ainda há uma série de pontos a serem definidos para garantir a efetividade do SBCE. “Uma delas é a própria instituição e funcionamento dos órgãos de governança, incluindo consultas ao Comitê Técnico Permanente, além dos mecanismos de autorização e ajustes correspondentes para a transferência internacional de resultados de mitigação. Outro ponto que precisa ser definido é como se dará o uso de CBEs em períodos distintos daqueles em que foram distribuídas. A transferência de titularidade e o cancelamento de operações sobre os ativos integrantes do SBCE também precisam ser claramente regulamentados”. Macedo afirma que alguns aspectos ainda necessitam de ajustes para garantir transparência e segurança jurídica aos agentes do mercado. “Além do funcionamento dos órgãos de governança e da transferência de titularidade e cancelamento de operações sobre os ativos do SBCE, outro ponto crucial a ser regulamentado refere-se às normas sobre escrituração e circulação desses ativos e dos créditos de carbono no mercado financeiro e de capitais. Também é essencial definir com clareza as infrações administrativas e os procedimentos para apuração e aplicação de penalidades”. As empresas que possuem um plano de transição climática estão mais preparadas para a regulamentação da lei, segundo explica Macedo. “No entanto, isso não significa que elas não serão afetadas, pois é necessário compreender o impacto da legislação sobre os negócios. Para as empresas que não têm um plano climático, é fundamental que conheçam as emissões diretas de suas operações e, a partir desse mapeamento, criem um plano de ação para gerenciar suas emissões. Se não houver uma integração entre a agenda climática e o modelo de negócio, podem surgir riscos financeiros, inclusive à continuidade da empresa”.
Setor cinematográfico ultrapassou a renda de R$ 428 milhões em 2025

De acordo com dados do Sistema de Controle de Bilheteria (SBC), o setor cinematográfico brasileiro atingiu, desde o início de 2025, a renda de R$ 428,76 milhões; foram 212 títulos exibidos, sendo 29% da receita vinda das produções nacionais; e o público foi de 22,61 milhões de pessoas. Em 2024, os índices chegaram a R$ 2,49 bilhões, sendo 10% de participação das produções nacionais e o público de 125,35 milhões. A Agência Nacional do Cinema (Ancine) também divulgou que o setor bateu recorde de salas de cinema em funcionamento. Em 1º de janeiro deste ano, o país tinha 3.509 salas em atividade, 31 a mais do que o registrado em 2019, antes da pandemia de COVID-19. Cidades como Monte Carmelo e Ponte Nova, em Minas Gerais, e Miracema, no Rio de Janeiro, ganharam suas primeiras salas, enquanto Viçosa, em Alagoas, celebrou a reabertura de um cinema que estava fechado há 30 anos. A secretária da Secretaria do Audiovisual, Joelma Gonzaga, destaca que o impacto vai além do aumento de números. “As novas salas tornaram o cinema acessível a públicos historicamente excluídos, o Brasil precisa manter e ampliar suas telas. Esse é o compromisso da Secretaria com a distribuição e exibição cinematográfica desse país. O cinema gera encontros, emprego, renda, e conhecimento da população com a arte produzida aqui”. O crítico de cinema, Raphael Camacho, avalia que o mercado vem melhorando e ficando em maior evidência ao longo dos últimos anos. “A presença no Oscar e em outras premiações/festivais é uma oportunidade de aumentar esse alcance. Nosso cinema sempre teve ótimas produções, mas não se reflete em bilheteria, em muitos casos. Temos que insistir, porque nossos filmes são tão bons ou melhores que muitos internacionais que chegam a todo vapor semana após semana”. Ele pontua que as produções nacionais ainda não têm sido capazes de competir com as internacionais. “É uma situação difícil. Filmes brasileiros são marcados e desmarcados pelos programadores de sala de cinema que sempre dão preferência ao blockbuster do momento. O cinema nacional não é tratado como deveria pela maioria dos exibidores. Porém, há muitos caminhos possíveis para aumentar a competitividade, como continuar produzindo, levando nossas histórias para todos os cantos, e fazer coproduções com outros países”. Sobre as salas de cinema, o crítico explica que mesmo com esse recorde, ainda é pouco. “Muitas cidades não têm cinema, principalmente no interior. Durante muito tempo, as salas ficaram acomodadas e não perceberam as mudanças que seriam necessárias com a chegada dos streamings. As que não forem criativas em sua programação, tendem a fracassar, pois não é um negócio barato, e é preciso gerar alta demanda”. “Ainda Estou Aqui” Segundo a Secretaria de Audiovisual do Ministério da Cultura, o sucesso do longa-metragem estimulou o público a ver outras produções nacionais. Desde sua estreia mundial no Festival de Veneza, onde levou o prêmio de Melhor Roteiro, “Ainda Estou Aqui” tem atingido um desempenho notável. No Brasil começou a ser exibido em setembro de 2024. Com a vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro, o longa registrou um crescimento expressivo de público: 57% na semana seguinte ao anúncio do prêmio, e um salto de 122% na semana subsequente. Com a indicação ao Oscar, anunciada em 23 de janeiro, um novo aumento: 89% no público semanal. Sobre esse sucesso, Camacho afirma que já impacta positivamente o setor, desde os primeiros prêmios e a vitória no Globo de Ouro. “É uma visibilidade enorme. Muitos filmes vão ter chances de sair da gaveta depois desse êxito”. “Continuar em crescimento e evidência é uma perspectiva de futuro. Mas, precisa haver mais diálogos entre todos os segmentos importantes no caminho de um filme: produção, exibição, divulgação e distribuição. Em relação ao nosso mercado cinematográfico, como um todo, sinto que falta diálogo, há grupos de pessoas competentes da indústria com ótimas ideias e relevância, mais isolados”, finaliza. Conforme a pasta, a expectativa é de que, nos próximos anos, sejam lançados 1.100 séries e filmes produzidos no país. Para isso, o Ministério da Cultura e a Ancine investiram, em 2024, o total de R$ 2,6 bilhões em fomento destinado a mais de 600 produtores.
Proibição de celular nas escolas pode ajudar no aprendizado e interação

Em uma tentativa de combater a distração e melhorar o ambiente educacional, uma nova lei foi sancionada, proibindo o uso de celulares nas escolas públicas e privadas de todo o país. De acordo com a Lei nº 15.100/2025, está proibido o uso de “dispositivos eletrônicos portáteis pessoais durante as aulas, intervalos e recreios, abrangendo todas as fases da educação básica”. A norma tem como objetivo diminuir a dispersão dos estudantes durante as aulas, promovendo uma maior concentração no aprendizado. A medida foi elaborada diante do crescente uso de dispositivos móveis como fonte de distração, com jovens muitas vezes acessando redes sociais, jogando e conversando durante os períodos escolares. Para a psicóloga educacional Carla Silva, a proibição pode trazer benefícios importantes. “O celular é uma das maiores fontes de distração para os jovens. Ao ser proibido durante as aulas, o estudante fica mais concentrado nas atividades escolares, participando mais ativamente e absorvendo melhor o conteúdo”. “Além disso, a medida pode melhorar a socialização entre os alunos, ao reduzir o tempo que eles passam conectados ao mundo virtual e incentivá-los a interagir de maneira mais direta com os colegas. Com a proibição do celular, a escola se torna um ambiente onde o foco é no aprendizado e na troca de experiências, ao invés de nas distrações digitais”, completa. Embora a proibição do celular tenha benefícios claros no que diz respeito ao aumento da concentração e melhoria nas relações sociais, especialistas alertam que ela, sozinha, pode não ser suficiente para garantir uma melhora substancial no aprendizado dos jovens. A pedagoga e consultora educacional, Ana Maria Costa, aponta que a medida precisa ser parte de um esforço maior para transformar a educação. “O sistema educacional precisa de mudanças estruturais que vão além disso. A qualidade do ensino, a formação dos professores e o investimento em tecnologias educacionais adequadas são fatores que também precisam ser levados em conta para que o aprendizado seja realmente potencializado”. Há quem defenda que o celular, quando utilizado de maneira controlada e pedagógica, pode ser uma ferramenta poderosa para o aprendizado. O uso de aplicativos educacionais, por exemplo, pode auxiliar na pesquisa e na interação com conteúdos mais dinâmicos. “O problema não está no dispositivo em si, mas no uso indiscriminado e sem orientação. A proibição deve ser vista como uma medida para o momento de aula, mas o uso controlado do celular pode complementar o ensino, especialmente em tempos de inovação tecnológica. O desafio está em melhorar a forma de utilizar a tecnologia em favor da educação”, argumenta Ana. Além da ação das escolas, a questão do uso de celulares e o controle do tempo de tela não se restringem apenas ao ambiente escolar. A responsabilidade dos pais no acompanhamento do tempo que os filhos passam nas telas é fundamental para um desenvolvimento equilibrado. De acordo com Carla, a parceria entre escola e família é essencial. “Os pais desempenham um papel crucial na definição de limites para o uso do celular fora da escola. É importante que haja uma combinação de regras em casa e na escola para que os jovens aprendam a usar a tecnologia de forma responsável e saudável, evitando até mesmo casos de ansiedade nesses jovens”. A psicóloga destaca que o controle parental deve ser equilibrado. “Proibir o celular de forma rígida pode gerar resistência nos filhos, principalmente em adolescentes, que têm uma necessidade de socialização online. O mais importante é estabelecer uma comunicação aberta, onde os pais possam orientar os filhos sobre o uso responsável da tecnologia”.
Mais brasileiros acreditam que é necessário aprendizado contínuo

Nove em cada dez brasileiros consideram importante aprender novas habilidades independentemente da idade, segundo o Indicador de Longevidade Pessoal (ILP). O levantamento, que avalia aspectos como saúde física e mental, interações sociais e educação financeira em uma escala de 0 a 100, também revelou que 78% dos entrevistados afirmaram buscar constantemente novos conhecimentos. Para o especialista em longevidade, Alexandre Kalache, o resultado demonstra que o Brasil está acompanhando uma tendência chamada lifelong learning (aprendizagem ao longo da vida, em tradução livre). “Esse conceito defende o aprendizado contínuo, desde a infância até a velhice. Ou seja, o processo educativo não se encerra com a conclusão do ensino médio, da graduação ou da pós-graduação, mas se estende ao longo da vida em diferentes contextos”. “Como essa aprendizagem não se limita aos formatos tradicionais de ensino, especialmente o presencial, ela permite que as pessoas se adaptem com mais rapidez e eficiência às transformações do mercado de trabalho e da sociedade”, acrescenta. O programador João Carlos Ferreira trabalhou no setor comercial de uma grande empresa por mais de 20 anos, até perceber que a tecnologia estava transformando sua área. “Comecei a estudar por conta própria, assistindo a vídeos e fazendo cursos on-line. No início, achei que não conseguiria, que já era tarde demais. Mas descobri que aprender é um processo contínuo e sempre há espaço para se reinventar. Hoje, atuo em uma área que me motiva e vejo que fiz a escolha certa”. Ferreira ressalta que o conhecimento é essencial para acompanhar as mudanças no mundo. “No começo, acreditava que aprender algo completamente novo depois dos 40 anos era impossível. Entendo que me manter atualizado e aberto a novas habilidades não é apenas um diferencial, mas uma necessidade. A aprendizagem contínua nos mantém ativos, relevantes e, acima de tudo, confiantes para enfrentar qualquer desafio”. Ensino superior Segundo dados do Censo da Educação Superior de 2023, os cursos de educação a distância (EAD) registraram um aumento de 474% nos últimos dez anos. Além disso, o Brasil contava com 51.369 estudantes com 60 anos ou mais matriculados em cursos de graduação em 2023, um crescimento de 56% em comparação com 2012. Um exemplo é a estudante de psicologia Maria Helena Santos. Após anos dedicados à família e ao trabalho como costureira, ela foi incentivada por filhos e netos a retomar os estudos. “Sempre tive curiosidade sobre o comportamento humano, mas não tive oportunidade de estudar quando era mais jovem. Quando meus netos começaram a faculdade, percebi que eu também podia fazer isso. No início, tive receio de não acompanhar as aulas, mas me surpreendi. Aprender me deu um novo propósito”. “Em um ambiente de trabalho que exige cada vez mais flexibilidade e adaptação, o aprendizado contínuo é fundamental para manter a competitividade. Vivemos a Revolução da Longevidade em paralelo à Revolução Tecnológica. Novas ferramentas estão transformando a forma como trabalhamos e interagimos profissionalmente. As habilidades valorizadas hoje podem não ser as mesmas em cinco ou dez anos. Além disso, aprender continuamente aprimora a capacidade de resolver problemas, estimula a criatividade e permite que cada profissional se destaque em sua área, independentemente da idade”, conclui Kalache. Metodologia do ILP O Indicador de Longevidade Pessoal foi desenvolvido com base em parâmetros e metodologias de instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Seu objetivo é aproximar o conceito de longevidade de todas as faixas etárias. O índice, que varia de zero a 100 pontos, avalia 31 variáveis distribuídas em seis pilares: atitudes em relação à longevidade, saúde física e mental, interações sociais e meio ambiente, cuidados de saúde e prevenção, e finanças.
Estudo revela que apenas 8% do lixo gerado no Brasil é reciclado

O Brasil recicla apenas 8,3% do lixo gerado, e cerca de 41% dos municípios ainda recorrem a lixões como destino final dos resíduos, de acordo com estudo Panorama dos Resíduos Sólidos de 2024, da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema). São mais de 6,7 milhões de toneladas que foram avaliados para serem inseridos na cadeia produtiva, sendo que a maior parte desse encaminhamento, 67,2% foi realizada por coletores informais e 32,8% pelos serviços públicos de coleta, associações e cooperativas. O especialista em gestão de resíduos, Eduardo Nascimento, afirma que nos últimos anos, o cenário tem se transformado positivamente, principalmente com o avanço das legislações que tratam da gestão de resíduos e da logística reversa. “O Brasil tem experimentado um aumento nas atualizações legislativas, com ênfase no sistema de rastreamento de resíduos, um passo fundamental para garantir que os materiais destinados à reciclagem realmente sejam processados de maneira correta e eficiente. Temos grandes avanços nas legislações federais, tanto para a gestão de resíduos quanto para a logística reversa”. Para o analista ambiental e professor de Responsabilidade Social e Meio Ambiente nou UniArnaldo, Alexandre Magrineli dos Reis, já houve avanços, como as negociações que levaram aos acordos setoriais com setores geradores de resíduos quanto à responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. “Mas, falta a ampliação das redes de coleta, e formas de tornar mais fácil ao consumidor final descartar corretamente seus resíduos ou produtos pós consumo. Outros pontos são a pouca infraestrutura adequada em muitos municípios, falta de incentivos na mídia para adesão da população à coleta seletiva e a necessidade de maior fiscalização quanto ao cumprimento da legislação”. Reis explica que o aumento da reciclagem de resíduos no país esbarra ainda em políticas públicas que são pouco efetivas nos aspectos iniciais. “Como o incentivo à catação, a efetivação e cobrança da responsabilidade de fabricantes e vendedores quanto a logística reversa pós-consumo. Além do prejuízo econômico, porque destinar resíduo sem reciclar é, de uma forma simples, enterrar dinheiro”. “Isto representa um risco ambiental e à saúde pública, e demonstra que estamos longe de efetivar a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Enquanto alguns países já trabalham com modelos econômicos que buscam zerar a geração de resíduos ou reintroduzi-los ao máximo no processo produtivo, como a economia circular, ainda estamos buscando formas de tornar isto viável no Brasil”, acrescenta. Melhorias O analista destaca duas ações necessárias para melhorar a taxa de reciclagem no país. “Mudanças na legislação tributária para estimular a utilização de matéria-prima reciclada, tornando mais atrativo para o mercado e o incentivo a formação e trabalho de cooperativas de catadores de materiais reciclados, que são a grande força e mão de obra responsável pela reinserção de resíduos nos processos produtivos”. “Minas Gerais inovou em 2011 quando implantou uma política de pagamento por serviços ambientais urbanos, reconhecendo a catação de resíduos como tal serviço, e remunerando cooperativas de catadores trimestralmente por esta atividade. A lei da ‘Bolsa Reciclagem’, como é chamada, é uma política pública que poderia ser replicada em outros Estados e Municípios”, finaliza. Produção de lixo Segundo a estimativa apresentada no panorama, o brasileiro gerou, em média, 1,047 quilos de resíduos sólidos urbanos por dia, o que leva a uma geração equivalente a mais de 221 mil toneladas de resíduos e de 81 milhões de toneladas ao longo do ano, em todo o país. A região brasileira responsável pelo maior volume de resíduo sólido urbano é o Sudeste, que gerou quase 40 milhões de toneladas, representando 49,3% do total gerado no país. A região Norte foi a que menos gerou resíduos, tendo sido responsável por 7,5%, com produção de 16,5 mil toneladas diárias e pouco mais de 6 milhões de toneladas em todo ano. Em números absolutos, o Centro-Oeste foi responsável por 7,7%, a região Sul, por 10,8%, e o Nordeste, por 24,7% do total de resíduos sólidos urbanos do país.