Não a “direita” e não a “esquerda”
As consequências do tarifaço nas exportações de produtos e serviços do Brasil para os Estados Unidos trouxeram um período de inquietação ao segmento industrial nacional. Os reflexos dessa realidade vão impactar negativamente a economia brasileira, através da redução no número de empregos, além da dificuldade de realocar as mercadorias na direção de outros países compradores. O ideal é minimizar a crise estabelecida entre as duas nações, independente dos motivos e do viés político. Uma vez sanadas as divergências, as razões dessa insana e desnecessária incursão norte-americana serão esclarecidas pela história. No calor dessa escalada de narrativas fica difícil saber quem tem razão, mas não é certo alguns políticos brasileiros agirem contra os interesses nacionais, inclusive, colocando a nossa soberania em risco. Apesar de reconhecer a importância dos EUA no atinente à economia, o presidente Donald Trump tem acionado dispositivos com o objetivo explícito de tentar colocar de joelhos qualquer país. Quando se denota resistência, logo acontecem ameaças e retaliações. Nos capítulos finais desse epílogo não há como deixar de mencionar alguns nomes de personagens, a começar pela figura do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL), perpassando pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, destacando como protagonistas principais os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto o filme embaralha as mentes de nossa população, a geopolítica vai dominando o roteiro sem um final feliz, onde os dois lados podem sair perdendo pela falta de habilidade dos homens públicos. Ao invés dos dirigentes se aterem aos quadrantes de terras nacionais, propalam dilemas por outras nações, como se as lideranças não fossem capazes de dirimir os problemas e demandas internas na política e economia. Essa polarização política entre “direita” e “esquerda” em nada contribui para o devido e exponencial desenvolvimento de nosso Brasil. Pelo contrário, tem servido para disseminar o ódio entre as pessoas.
Privatização geral
Foi dada a largada no âmbito da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o processo que visa confirmar a pretensão do governador Romeu Zema (Novo) em promover uma ampla e irrestrita privatização dos bens públicos do Estado. A pegadinha pode estar em um dos vários projetos de lei a serem debatidos em breve, estabelecendo mudanças nos artigos da Constituição Mineira, com o objetivo de retirar do texto a necessidade de realização de referendo quando se trata de aprovar a venda ou transferência das ações da Cemig. O governo induz os parlamentares com a informação de que a alteração do conteúdo, através de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), seria necessária para viabilizar a entrega da estatal mineira ao governo federal, como forma de amortização da dívida bilionária entre Estado e União. Em verdade, são meras suposições difundidas pelos articuladores do governo, porque não existe a mínima garantia de que, uma vez com a autorização em seu poder, o Executivo seja obrigado a indicar a Cemig como um ativo nessa compensação de moedas de troca. Em síntese, tudo é muito nebuloso. Porém, circulam informações nos bastidores da Assembleia que esse projeto de alteração constitucional, assim como outras negociações com Brasília, será aprovado, sendo apenas uma questão de tempo. A não ser que os poucos parlamentares de oposição consigam mobilizar a opinião pública para não vender a estatal mineira. Se o governo não está agindo com segundas intenções, não seria o caso de embutir uma cláusula indicando que o projeto tem finalidade exclusiva de transferir a empresa como pagamento da dívida ao governo federal. Essa novela envolvendo o erário público de Minas é um tema polêmico nos bastidores. Para atender às exigências da lei, no sentido de garantir a quitação de parte da pendência de R$ 170 bilhões, o Executivo estadual listou centenas de empresas e imóveis, incluindo o prédio onde funciona a Cidade Administrativa. Quem conhece os meandros desta empreitada, fica nítida a impressão de que a vontade do governador é apenas ganhar tempo para tentar outro caminho, onde pudesse ficar com uma Carta Autorizativa de vender as estatais, sem o compromisso de incluir algumas delas no rol da quitação do montante. É um jogo político que está sendo jogado. Neste xadrez, quem for mais sagaz erguerá a taça de campeão da esperteza. Já o interesse coletivo é outra história.
Festas juninas em Minas
Em Minas Gerais, assim como em grande parte do Brasil, os tradicionais eventos juninos já começam a acontecer. Este ano, segundo a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), uma média de 400 cidades mineiras estão envolvidas nas comemorações, com previsão de atrair 3 milhões de visitantes e gerar um movimento financeiro de R$ 20 milhões. Na atual gestão do secretário Leônidas Oliveira, no comando da Secult-MG, eventos populares têm sido apoiados pela pasta. Isso vai transformando e garantindo a realização dessas celebrações em verdadeiros espetáculos festivos, com o objetivo de incentivar a denominada diversidade cultural. O especialista em turismo, Frederico da Costa, destaca a importância de políticas públicas que reconheçam o valor das festas tradicionais para atender às comunidades. Em sua fala, o profissional lembra que as festas juninas atraem milhares de pessoas para diversas cidades mineiras, mas também já existem no Estado alguns eventos que são tradicionais, a exemplo do Festival de Quadrilhas do Vale do Jequitinhonha, o Forró do Regaço, a Festa de Santo Antônio de Roças Grande e a Festa do Divino. É necessário reconhecer a importância das celebrações para as comunidades, para a geração de emprego e renda, além do legado cultural que preservam. Um detalhe importante é que as festividades do mês de junho têm um papel social, envolvendo diferentes setores da sociedade, visto que muitas são organizadas por escolas, igrejas e comunidades locais, mediante até mesmo o incentivo à participação de crianças, jovens e idosos. Tudo isso valoriza o envolvimento e o vínculo comunitário. Especificamente em Belo Horizonte, o Arraiá da Liberdade ocorrerá nos dias 27, 28 e 29 deste mês, nos esplendorosos jardins do Palácio do Governo, sob o comandado da Fundação Clóvis Salgado. A sugestão é reunir a família e os amigos para curtir a alegria proporcionada por este acontecimento popular, saborear as comidas típicas e curtir as quadrilhas juninas que alegram e aquecem os nossos corpos nas noites frias.
O tema é meio ambiente
Cientistas de todo o mundo reconhecem a importância da preservação da Amazônia, porque a floresta contribui para a regulação do clima, além de manter viva a biodiversidade. Por outro lado, o desmatamento desenfreado no Brasil causa devastação e acelera as mudanças climáticas. A dificuldade encontrada por parte de quem lida com o assunto é desenvolver ações capazes de garantir o equilíbrio entre as perspectivas coletivas e o interesse econômico, conflito de instância sempre presente nas discussões referentes à preservação do meio ambiente. Enquanto isso, o governo federal, por meio dos mais diferentes institutos, propala que ocorreu a diminuição de 32,4% no total de área desmatada no ano passado. Mesmo assim, no período de 2024, foram destruídos 1.242.079 hectares, cujo espaço de tempo aconteceram uma média de 60.983 alertas de registros relacionados ao tema. Já a Mata Atlântica apresentou níveis semelhantes aos registrados em 2023. O engenheiro ambiental Mauro Fernandes comenta sobre a importância das ações fiscalizadoras, implementadas pelo governo federal, para mitigar a destruição das florestas em todo o país. Ele enumera iniciativas preponderantes, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, modelo implementado pela Embrapa, visando garantir a produção agrícola e pecuária sem a necessidade de expandir a área desmatada. A geógrafa Rita Pereira sugere o uso da tecnologia, como satélite e inteligência artificial, permitindo a detecção em tempo real do desmatamento ilegal, além de investir em órgãos fiscalizadores e aplicar punições efetivas e ágeis para crimes ambientais. Para Rita, o importante é trabalhar no controle do uso da terra, valorização da floresta, incentivos à produção sustentável, bem como proteger os povos indígenas e as comunidades tradicionais. O debate sobre o meio ambiente no Brasil não é novo, porém, escalou sua relevância diante de exigências internacionais, especialmente do mercado consumidor europeu, ao exigir uma certificação constatando que os produtos do agronegócio do nosso país não estejam ocorrendo em áreas procedentes de desmatamento ilegal.
Adesão ao Propag
A semana foi de debates e votações na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), cujo assunto do momento é a adesão do governo mineiro ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, do governo federal, codinome Propag. Trata-se de um passivo da ordem de R$ 170 bilhões, uma dívida que vem crescendo nos últimos 30 anos e chegando ao ponto de se tornar impagável, sendo necessário haver negociações. O problema é que entra em cena um viés ideológico incomensurável, o que tem postergado o entendimento final entre o governo mineiro e o governo federal. O Congresso Nacional, por sugestão de políticos mineiros e considerando a gravidade do certame, votou projeto de lei alterando os prazos para cumprimento da quitação de parcelas dos respectivos pagamentos. Abriu-se uma espécie de janela, onde os bens do Estado podem ser transferidos para a nação como forma de amortizar o passivo. Nos bastidores do Legislativo mineiro, os parlamentares governistas sempre defendem a boa vontade do Governo do Estado quanto à adaptação ao Regime proposto pelo Poder Central. Por parte da oposição, há uma desconfiança de que o governador Romeu Zema (Novo) almeja passar a régua e privatizar todos os bens possíveis, especialmente a Cemig, Copasa, Codemig, UEMG, entre outros ativos. Na semana passada, os parlamentares estaduais passaram a exigir os nomes e a localização dos imóveis a serem listados na proposta de transferência de ativos entre as partes. Os políticos estaduais, opostos ao Palácio Tiradentes, se esquivam de assinar uma espécie de cheque em branco, pois isso pode levar Minas a perder suas principais estatais e ainda não resolver o compromisso com a União. Enquanto um duelo de palavras e insinuações continua acontecendo nos bastidores da Assembleia, os prazos para definição do cronograma de adesão vão se encurtando: 30 de outubro a 30 de dezembro e por aí vai. Em nome da democracia sem mácula, sugere-se que ambos os lados deixem para discutir os seus projetos políticos e pessoais para o próximo ano e, no momento, tomem decisões para evitar um colapso financeiro do Estado. O assunto é muito peculiar e não deve servir de futrica entre alas conservadoras e progressistas. Está em jogo o futuro de Minas Gerais, um Estado síntese do Brasil, celeiro onde foram forjados grandes líderes que sempre se destacaram por suas proezas eivadas de inteligência e descortino.
Promessas do governador
A imprensa de Belo Horizonte tem cobrado o cumprimento das promessas feitas durante a campanha eleitoral do atual governador Romeu Zema (Novo). Quando era candidato à reeleição, o chefe do Executivo fez compromissos públicos, como mandar construir seis hospitais regionais, para minimizar os problemas atinentes à Secretaria de Estado de Saúde. Essas edificações deveriam ocorrer nas cidades de Divinópolis, Governador Valadares, Teófilo Otoni, Sete Lagoas e Conselheiro Lafaiete, além da reconstrução da Unidade Regional de Juiz de Fora. Essas providências públicas seriam de grande valia para minorar o sofrimento de milhares de pacientes que abarrotam as unidades de atendimento em todas as cidades mineiras. Quando erguidos, os hospitais irão funcionar também como uma espécie de barreira de contenção, atendendo às demandas zonais. É bom que o governo não se atenha apenas às declarações desconexas e falácias, pois o assunto é sério e exige uma posição sincera do chefe do Executivo mineiro. Rememoremos o fato sobre o rompimento da Barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho. Houve um acordo bilionário, realizado pelo Judiciário, onde a Vale destinou uma vultuosa quantia para obras de reparação. Parte dessa cifra bilionária foi alocada em nome do Governo de Minas, e entre as ações listadas, à época, constava também a construção dessas unidades hospitalares. Decorridos cerca de cinco anos do episódio, nada se fala a respeito do uso do montante procedente do acordo com a Vale. Neste sentido, seria salutar um esclarecimento do Poder Central do Estado sobre outra grande obra: a construção do Rodoanel de 100 km de extensão, perpassando por 37 cidades da Região Metropolitana. A população vê apenas comentários vagos de que o projeto está sendo debatido com os municípios, contudo, não tem veracidade constatada na contrapartida financeira do governo estadual para garantir os seis hospitais regionais e o Rodoanel. Nos bastidores da Assembleia Legislativa, há um verdadeiro embate quando se discute essas e outras demandas sérias, mas tudo parece ser um jogo de cena. Na verdade, as partes querem apenas gerar conteúdo para as redes sociais. Fazer publicações nas mídias não irá minimizar os efeitos maléficos da ausência de importantes obras públicas. A população mineira espera uma resposta positiva sobre essas demandas.
Redução da jornada de trabalho
Pesquisas se avolumam sobre a sugestão de especialistas propondo a redução da jornada de trabalho, um tema em debate no Brasil, mas que já é realidade há muitos anos em países desenvolvidos. Os levantamentos têm sido realizados preferencialmente entre jovens, sem, contudo, levar em consideração uma validação por parte dos empregadores. As firmas já possuem uma série de obrigações perpetradas pela legislação brasileira, razão apontada por especialistas como um item encarecedor dos produtos brasileiros, inclusive para as exportações. Ou seja, a carga de compromissos ocasionados por conta das leis trabalhistas está configurada na lista indicativa que o Brasil é um dos grandes exportadores de impostos do mundo. O contratempo desse debate é a possibilidade de encaminhar para a denominada precarização do emprego formal. Grande parte das pessoas com idade ideal para o mercado de trabalho prefere atuar através de CNPJ, enquanto cresce a adesão às plataformas de aplicativos, tanto nas vendas de produtos assim como também em relação ao transporte de passageiros. Seria bom os empresários/empregadores se prepararem, pois a tendência mundial é pela adesão à diminuição das horas laborais por semana. Em Brasília, já se propala sobre a conveniência de alterar a Constituição Federal para se adaptar a essa nova tendência. Uma pesquisa da Nexus, realizada recentemente, constata uma ambição neste sentido, especialmente por parte de 76% dos jovens, sob alegação da busca pelo equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Nos próximos meses, o debate sobre a possibilidade da redução da jornada de trabalho de 40 horas por semana, certamente irá impregnar os meandros do Congresso Nacional, cujos parlamentares estão sendo instigados pela força das redes sociais. A diminuição de jornada é a preferência na faixa etária de 16 a 24 anos. Como um tom conciliador, a consultora de Recursos Humanos, Karine Soares, pondera que apesar dos benefícios apontados, a implementação da jornada de trabalho enfrenta desafios no Brasil. Ela acredita que a alta taxa de desemprego e sobrecarga de trabalho em muitos setores dificultam a adoção da medida. Essa pauta deve ter mais eloquência ideológica, com possibilidade de um acirramento entre políticos de alas mais progressistas e parlamentares da direita brasileira. Uma espécie de bandeira do trabalhador contra o empregador. Tomara Deus que surja algum mediador sensato para evitar a radicalização política sobre o tema que interessa a milhões de brasileiros.
Uberlândia, primeiro mundo de Minas
Capital do Triângulo Mineiro, Uberlândia, cujo município é um dos desbravadores no mundo do agronegócio, agora também é avaliada como a Capital Nacional de Logística. Ao rememorar sobre o tema, o prefeito Paulo Sérgio (PP) apresentou números positivos, especialmente diante de uma recente assinatura de um protocolo de cooperação institucional, com o objetivo de fomentar o crescimento econômico e social da cidade. A partir dessa concretização, o setor logístico prevê um investimento da ordem de R$ 150 milhões, e o empreendimento da Supporte Logística e da Raizz Capital significa uma geração de l.800 empregos diretos e indiretos. Durante a concorrida solenidade, o prefeito Paulo Sérgio mencionou que ao comemorar os seus primeiros quatro meses no comando da administração municipal, já contabilizou um montante de R$ 2 bilhões de investimentos, e agrega-se a esse processo uma enorme oferta de emprego, renda e oportunidade às pessoas. “É desenvolvimento para a cidade e qualidade de vida para as pessoas em geral”, sentencia o chefe do Executivo. Um novo galpão logístico será construído pela Raizz Capital, para efetivamente ser usado pela Supporte Logística. Pelos dados técnicos, o espaço terá mais de 50 mil metros quadrados, a ser instalado nas proximidades do aeroporto da cidade, com o objetivo de facilitar a chegada e escoamento de mercadorias. A obra deverá estar concluída até meados do próximo ano. Com mais de 700 mil moradores, Uberlândia é um sinônimo de desenvolvimento e progresso. Para palmear esse patamar superior, se preparou ao longo de décadas, criando infraestrutura, incentivando atividades urbanas e nos meandros rurais. Aliado à sua estratégica localização, transformou-se em um destacado polo do crescimento no Sudeste do país, para orgulho de seus administradores, gerando oportunidades para quem empreende e, consequentemente, ampliando o nível de vida de seus habitantes. Nos próximos anos, roga-se que as manchetes dos matutinos sejam sempre com notícias alvissareiras e proativas relativamente ao fenômeno desenvolvimentista, codinome Uberlândia, uma cidade perfeitamente enquadrada nos índices e parâmetros de primeiro mundo, mesmo estando em solo mineiro.
Revitalização do Centro de BH
O aumento da violência em Belo Horizonte pode ser avaliado como um retrato do que vem acontecendo com as megalópoles brasileiras. Esse desassossego tem motivos diversos, perpassando pela pobreza, falta de ação social visando oferecer mais oportunidades a trabalhadores semiqualificados, além de uma série de ações que envolvem o poder público, mas também a iniciativa privada. Mesmo assim, a capital mineira ainda é uma boa cidade para se viver, na comparação com suas coirmãs Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza, Salvador, entre outras urbes. A insegurança dos belo-horizontinos elenca itens diferentes, como a degradação do hipercentro. Para minimizar os crimes ali praticados cotidianamente, entidades estão se unindo à Prefeitura de BH para concatenar ideias e teses, sendo mencionada a revitalização da Cidade do México como exemplo. Esse movimento tem a liderança da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), em parceria com o Sindicato da Construção Civil. O presidente da entidade, empresário Marcelo de Souza e Silva, vaticina que o objetivo dessa empreitada é tornar o espaço central em um local seguro e atrativo para empresas e moradores. O dirigente adiantou que a missão mineira irá à cidade mexicana em novembro, com a finalidade de conhecer as práticas do programa de revitalização de lá, e tem garantida a participação de 20 representantes do poder público e sociedade civil. Segundo se propalou, até mesmo o prefeito Álvaro Damião já se prontificou a fazer parte da comitiva. Raphael Rocha Lafetá, presidente do Sindicato da Construção Civil, detalha que é importante atrair pessoas para ocupação do espaço urbano, através da restauração de prédios e edifícios para moradias. O prefeito Álvaro Damião rememorou que é preciso unir forças para buscar soluções dessas demandas. Segundo avaliação do chefe do Executivo, está sendo feito de tudo para ter destreza nas decisões e desafios destinados a melhorar a vida das pessoas que moram e visitam BH. A curadoria da missão ficará sob os auspícios do jornalista e pesquisador de arquitetura e urbanismo, Raul Juste Lores. Ele garante que a ideia é promover conversas francas com os protagonistas das transformações. A visita à Cidade do México pode inspirar políticos, empresários e entidades interessadas na recuperação do Centro da capital mineira. Se trata de uma tarefa efetivamente desafiante, mas abre caminho para novos horizontes. Indubitavelmente, essa intenção de revitalização é salutar.
Sobre o transporte coletivo
As autoridades brasileiras continuam estudando alternativas para atenuar as demandas atinentes ao transporte coletivo nas grandes cidades do país. O desafio ganhou propulsão após a pandemia de COVID-19, quando se agravou o problema por conta da falta de estrutura das empresas concessionárias de ônibus. As firmas fazem de conta que são sensíveis às demandas populares, enquanto o poder público sinaliza para um fim positivo do episódio, mas na realidade tudo pode ser avaliado como uma mera jogada de cena. Os dirigentes dos sindicatos patronais exprimem um discurso pré-fabricado, quando alegam existir uma espécie de desidratação do processo de atendimento em geral, visto que as empresas de ônibus estão sucateadas e com falta de passageiros que efetivamente pagam. Neste debate, constata-se o enfraquecimento do sistema, por conta da concorrência advinda do volume de carros por aplicativos, mototaxistas, transporte clandestino, entre outros itens que, segundo avaliação de lideranças, retiram dinheiro destinado ao financiamento do setor formalmente credenciado. Estudiosos e analistas do assunto propõem um debate mais amplo, inclusive, se possível, com a presença dos parlamentares federais. O objetivo é conceber uma solução definitiva para a demanda. Na planilha de sugestões está a ideia de aumentar os investimentos públicos para garantir esse modal de transporte coletivo. Resta saber de onde retirar dinheiro para financiar o sistema. Em Belo Horizonte, assim como nas demais metrópoles, as estatísticas indicam que uma média de 30% dos usuários já circula sem pagar na bilheteria. São estudantes, pessoas maiores de 60 anos, muitos profissionais procedentes do sistema de segurança e do judiciário, além dos moradores das proximidades das comunidades. Também é comum observar indivíduos, sem o devido benefício da lei, entrarem e saírem pela porta da frente dos veículos. Uma das alternativas pode ser o aumento das linhas de metrô. Aí vem a questão: a iniciativa privada teria capacidade de atendimento? Por todos os títulos, a questão requer atenção de empresários, líderes sindicais, representantes dos trabalhadores e especialmente dos políticos. Isoladamente, nenhuma cidade de grande porte e com uma massa trabalhadora preponderante terá condições de encontrar uma resolução afirmativa. O conjunto da sociedade é desafiado a discutir e implementar a decisão acertada para beneficiar as próximas gerações. Pelo visto, o atual modelo de transporte coletivo já está exaurido.