Parlamentares e o saneamento
O diplomata Carlos Alves de Souza Filho costumava falar que o Brasil não é um país sério. Ele estava errado, pois nesta Terra descoberta por Pedro Álvares Cabral, o que sempre existiu são alguns dirigentes com má intenção, procurando usurpar o poder em detrimento dos interesses coletivos. São mais de 520 anos de história e o Brasil continua na penumbra do subdesenvolvimento, não havendo, com raras exceções, um grupo de homens públicos benfeitores, capaz de romper a inércia e alçar o nome do nosso país ao lado de nações mais avançadas, seja no desenvolvimento humano, economia, ciência e tecnologia. É desalentador observar os números difundidos pelas entidades oficiais, apontando a existência de 90 milhões de brasileiros que ainda sofrem com as consequências da falta de coleta de esgoto em suas residências. A vida dos moradores dessa aludidas regiões tende a ser de sacrifícios, pois a ausência desse item básico compromete a saúde pública e pode causar doenças. Especialistas reafirmam que seriam necessários grandes investimentos para minimizar esse drama, mas o poder público nunca levou o tema com seriedade. Atualmente, o governo federal ensaia uma aproximação com o setor privado, inclusive com abertura para a participação de capital financeiro internacional. Talvez não seja o caminho ideal, mas é melhor do que ficar sem uma solução para a demanda. Seria oportuno debater esse e outros tópicos de instância comum, evitando que senadores e deputados federais se revelem tão somente preocupados em implementar projetos oriundos do legislativo para promover uma verdadeira “blindagem” entre eles. Segundo avaliação dos bastidores, isso tem a ver com a necessidade de encobrir transferências de valores dos cofres públicos federais rumo aos municípios, associações e outras entidades, através de emendas parlamentares. Esse modus operandi dos congressistas serve para ajudar na perpetuação em seus respectivos postos, usurpando a chance de melhorar a vida dos seus semelhantes nos diversos rincões brasileiros, inclusive nas comunidades rurais, onde não há qualquer infraestrutura digna. Como as obras de saneamento em geral são subterrâneas, não oferecem muito potencial de votos para os parlamentares. Na visão deles, as intervenções debaixo do chão têm pouco resultado prático e, assim, tudo vai sendo deixado para depois.
Minas X Brasília
Ao longo de décadas, era comum ouvir nos meandros públicos a respeito da importância de uma convivência harmônica entre o Governo do Estado e o Poder Central. Essa realidade termina sempre em uma atuação mais consequente nos investimentos do governo federal e Minas Gerais, avaliado por todos os títulos como um Estado síntese do país. Mas, os resultados positivos dessa simbiose de boa política de vizinhança entre os dois entes já não acontecem na realidade de hoje, com prejuízo para ambos os lados. Em verdade, o que está em evidência em Minas e no Brasil é um indesejado viés ideológico entre direita e esquerda, provocando desentendimentos constantes. Isso termina por distanciar a concretização de concepções estruturantes, advindas da ausência de parcerias entre Brasília e Minas Gerais. Basta ver que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já veio diversas vezes ao Estado para anunciar planos e investimentos, mas, por questões meramente políticas, nunca conta com a presença do governador Romeu Zema (Novo) no seu palanque. Como não poderia deixar de ser, Lula e Zema têm as suas ambições peculiares. Se não é possível harmonia no tangente à política, roga-se pela civilidade do convívio institucional para que Minas não seja prejudicada como está ocorrendo. Até porque, as verbas vindas de Brasília fariam muito bem ao povo mineiro. No momento, é impossível nutrir expectativas positivas sobre essa realidade. O diálogo deve sempre prevalecer e quem sabe ainda não podemos pensar na chance de uma atuação nas raízes da diplomacia. Mesmo porque, as intenções relacionadas à peleja de 2026 e a vaidade dos homens sempre passam, mas o Estado e as pessoas continuam testemunhando uma comunidade ordeira, digna e trabalhadora. Não é imperativo assistir a essa disputa, em detrimento das necessidades e anseios de nossa gente. No regime democrático, é inconcebível esse tipo de comportamento. Por parte do governador do Estado, pede-se parcimônia, porque apenas fustigar o presidente da República não garante permear resultados positivos para incrementar mais ajuda para levar avante os projetos estruturantes de Minas. É hora de baixar as armas e caminhar para um debate mais franco, ao invés desse projeto político/eleitoral exacerbado.
Zema sem internautas
Ao longo de cinco anos e meio de gestão, o chefe do Executivo de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), adotou medidas de austeridade e recebeu o reconhecimento da população mineira, com reverberação perante todo o país. Também inaugurou um período em que a corrupção era uma expressão marginal, sem ressonância nos meandros da Cidade Administrativa. Esse legado de cidadão honrado ficou no “colo” do governador, até porque, como homem milionário, dificilmente careceria das migalhas de negociações escusas da área pública. Com o passar do tempo, Zema tomou gosto pelo cargo e logo começou a ser cortejado por companheiros da política nacional. Com certeza, devido ao fato de administrar um estado com a segunda maior economia do país e também o segundo colégio eleitoral. À época, o chefe do Executivo se intitulava como homem público sem efetivo interesse pela política partidária. Muito provavelmente, o erro do ilustre governador foi abandonar, assim que começou a atuar no Palácio Tiradentes, o modelo de comunicação tradicional através da imprensa, passando a utilizar as redes sociais. Nesta toada, gastou grande parte de seu tempo no ambiente digital, publicando vídeos engraçados e instigando seus adversários. Ao se lançar como pré-candidato à Presidência da República, o governador sentiu a sua incomensurável falta de liderança perante outros políticos brasileiros, inclusive em relação ao bolsonarismo. Parentes do ex-presidente até ironizaram a posição do mineiro, considerando que ele é um aproveitador da situação vivida por Jair Bolsonaro (PL), atualmente cumprindo prisão domiciliar e com futuro incerto. Se a sua incursão nacional na política não galgou o sucesso esperado, também foi abandonado no mundo digital pelos seus supostos seguidores. De acordo com as redes sociais, foi sofrível a adesão dos internautas ao ato acontecido na cidade paulistana. Certamente, o pré-candidato vai precisar fazer um rearranjo para turbinar o seu projeto eleitoral. Já existem jornalistas da crônica política de Brasília e de Minas, expressando que a candidatura de Zema pode ser natimorta, ou seja, pode morrer nas entranhas das membranas. Isso será analisado no segundo semestre, mas, o planejado grande evento não passou de uma reunião de pequeno porte, com a presença de empresários bem-sucedidos e poucas lideranças do povão. É importante evitar encontros públicos como o que aconteceu recentemente, pois o ato foi considerado um fiasco.
Itatiaia nas eleições
Supostamente com o objetivo de demarcar terreno, a Rádio Itatiaia, diante de sua incontestável liderança como um veículo de comunicação de prestígio nacional, tomou a iniciativa de contratar pesquisas de opinião dos eleitores. As sondagens dizem respeito ao pleito à Presidência da República e ao governo estadual, cujo resultado serviu para “sacudir” os meandros políticos mineiros. A opção da emissora foi pela contratação do Instituto Ver, sob a batuta do professor da PUC Minas e cientista político Malco Camargos. A credibilidade do mestre o levou a ser parceiro do veículo de comunicação de maior expressão em nosso Estado. É como se a junção dessas duas partes colocasse oficialmente em andamento a pauta referente ao pleito de 2026. Inclusive, serviu de informação para alguns nomes interessados em conquistar o Palácio Tiradentes no próximo ano. O trabalho de Malco Camargos espelha a expertise dos pesquisadores mineiros, com relevância no plano nacional. Vale rememorar o quanto foi influente o professor Marcus Coimbra, do Instituto Vox Populi, e agora, nesta fase atual, podemos citar o propalado cientista político Filipe Nunes, da Quaest. Sobre a pesquisa divulgada pela Itatiaia, não causou qualquer tipo de surpresa a avaliação dos entrevistados, quando destacaram os nomes do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Por razões perceptíveis, quem deve ter se sentido um “peixe fora d’água” foi o vice-governador Mateus Simões (Novo), mencionado por apenas 1% dos eleitores. Logo que os dados foram difundidos, amigos de Simões comentaram que ainda não há clima de eleição, pois a disputa acontecerá somente no final de 2026. Pessoas próximas arrematam que o vice, supostamente, assumiria o comando do Governo de Minas na virada deste ano, assim, poderia reverter o cenário eleitoral de agora. Desde janeiro, o nome de Simões vem sendo exposto ao público, inclusive com impulsionamento do próprio governador Romeu Zema (Novo). A aludida pesquisa de intenção de voto sacudiu os meandros da política, para o regozijo de poucos e desespero de vários dos engajados nesta matéria. No âmago da sondagem, também houve a avaliação para saber em quem o eleitor votaria para o Senado. E, como era esperado, surge a preferência pela prefeita de Contagem, Marília Campos (PT).
Não a “direita” e não a “esquerda”
As consequências do tarifaço nas exportações de produtos e serviços do Brasil para os Estados Unidos trouxeram um período de inquietação ao segmento industrial nacional. Os reflexos dessa realidade vão impactar negativamente a economia brasileira, através da redução no número de empregos, além da dificuldade de realocar as mercadorias na direção de outros países compradores. O ideal é minimizar a crise estabelecida entre as duas nações, independente dos motivos e do viés político. Uma vez sanadas as divergências, as razões dessa insana e desnecessária incursão norte-americana serão esclarecidas pela história. No calor dessa escalada de narrativas fica difícil saber quem tem razão, mas não é certo alguns políticos brasileiros agirem contra os interesses nacionais, inclusive, colocando a nossa soberania em risco. Apesar de reconhecer a importância dos EUA no atinente à economia, o presidente Donald Trump tem acionado dispositivos com o objetivo explícito de tentar colocar de joelhos qualquer país. Quando se denota resistência, logo acontecem ameaças e retaliações. Nos capítulos finais desse epílogo não há como deixar de mencionar alguns nomes de personagens, a começar pela figura do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL), perpassando pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, destacando como protagonistas principais os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto o filme embaralha as mentes de nossa população, a geopolítica vai dominando o roteiro sem um final feliz, onde os dois lados podem sair perdendo pela falta de habilidade dos homens públicos. Ao invés dos dirigentes se aterem aos quadrantes de terras nacionais, propalam dilemas por outras nações, como se as lideranças não fossem capazes de dirimir os problemas e demandas internas na política e economia. Essa polarização política entre “direita” e “esquerda” em nada contribui para o devido e exponencial desenvolvimento de nosso Brasil. Pelo contrário, tem servido para disseminar o ódio entre as pessoas.
Privatização geral
Foi dada a largada no âmbito da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o processo que visa confirmar a pretensão do governador Romeu Zema (Novo) em promover uma ampla e irrestrita privatização dos bens públicos do Estado. A pegadinha pode estar em um dos vários projetos de lei a serem debatidos em breve, estabelecendo mudanças nos artigos da Constituição Mineira, com o objetivo de retirar do texto a necessidade de realização de referendo quando se trata de aprovar a venda ou transferência das ações da Cemig. O governo induz os parlamentares com a informação de que a alteração do conteúdo, através de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), seria necessária para viabilizar a entrega da estatal mineira ao governo federal, como forma de amortização da dívida bilionária entre Estado e União. Em verdade, são meras suposições difundidas pelos articuladores do governo, porque não existe a mínima garantia de que, uma vez com a autorização em seu poder, o Executivo seja obrigado a indicar a Cemig como um ativo nessa compensação de moedas de troca. Em síntese, tudo é muito nebuloso. Porém, circulam informações nos bastidores da Assembleia que esse projeto de alteração constitucional, assim como outras negociações com Brasília, será aprovado, sendo apenas uma questão de tempo. A não ser que os poucos parlamentares de oposição consigam mobilizar a opinião pública para não vender a estatal mineira. Se o governo não está agindo com segundas intenções, não seria o caso de embutir uma cláusula indicando que o projeto tem finalidade exclusiva de transferir a empresa como pagamento da dívida ao governo federal. Essa novela envolvendo o erário público de Minas é um tema polêmico nos bastidores. Para atender às exigências da lei, no sentido de garantir a quitação de parte da pendência de R$ 170 bilhões, o Executivo estadual listou centenas de empresas e imóveis, incluindo o prédio onde funciona a Cidade Administrativa. Quem conhece os meandros desta empreitada, fica nítida a impressão de que a vontade do governador é apenas ganhar tempo para tentar outro caminho, onde pudesse ficar com uma Carta Autorizativa de vender as estatais, sem o compromisso de incluir algumas delas no rol da quitação do montante. É um jogo político que está sendo jogado. Neste xadrez, quem for mais sagaz erguerá a taça de campeão da esperteza. Já o interesse coletivo é outra história.
Festas juninas em Minas
Em Minas Gerais, assim como em grande parte do Brasil, os tradicionais eventos juninos já começam a acontecer. Este ano, segundo a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), uma média de 400 cidades mineiras estão envolvidas nas comemorações, com previsão de atrair 3 milhões de visitantes e gerar um movimento financeiro de R$ 20 milhões. Na atual gestão do secretário Leônidas Oliveira, no comando da Secult-MG, eventos populares têm sido apoiados pela pasta. Isso vai transformando e garantindo a realização dessas celebrações em verdadeiros espetáculos festivos, com o objetivo de incentivar a denominada diversidade cultural. O especialista em turismo, Frederico da Costa, destaca a importância de políticas públicas que reconheçam o valor das festas tradicionais para atender às comunidades. Em sua fala, o profissional lembra que as festas juninas atraem milhares de pessoas para diversas cidades mineiras, mas também já existem no Estado alguns eventos que são tradicionais, a exemplo do Festival de Quadrilhas do Vale do Jequitinhonha, o Forró do Regaço, a Festa de Santo Antônio de Roças Grande e a Festa do Divino. É necessário reconhecer a importância das celebrações para as comunidades, para a geração de emprego e renda, além do legado cultural que preservam. Um detalhe importante é que as festividades do mês de junho têm um papel social, envolvendo diferentes setores da sociedade, visto que muitas são organizadas por escolas, igrejas e comunidades locais, mediante até mesmo o incentivo à participação de crianças, jovens e idosos. Tudo isso valoriza o envolvimento e o vínculo comunitário. Especificamente em Belo Horizonte, o Arraiá da Liberdade ocorrerá nos dias 27, 28 e 29 deste mês, nos esplendorosos jardins do Palácio do Governo, sob o comandado da Fundação Clóvis Salgado. A sugestão é reunir a família e os amigos para curtir a alegria proporcionada por este acontecimento popular, saborear as comidas típicas e curtir as quadrilhas juninas que alegram e aquecem os nossos corpos nas noites frias.
O tema é meio ambiente
Cientistas de todo o mundo reconhecem a importância da preservação da Amazônia, porque a floresta contribui para a regulação do clima, além de manter viva a biodiversidade. Por outro lado, o desmatamento desenfreado no Brasil causa devastação e acelera as mudanças climáticas. A dificuldade encontrada por parte de quem lida com o assunto é desenvolver ações capazes de garantir o equilíbrio entre as perspectivas coletivas e o interesse econômico, conflito de instância sempre presente nas discussões referentes à preservação do meio ambiente. Enquanto isso, o governo federal, por meio dos mais diferentes institutos, propala que ocorreu a diminuição de 32,4% no total de área desmatada no ano passado. Mesmo assim, no período de 2024, foram destruídos 1.242.079 hectares, cujo espaço de tempo aconteceram uma média de 60.983 alertas de registros relacionados ao tema. Já a Mata Atlântica apresentou níveis semelhantes aos registrados em 2023. O engenheiro ambiental Mauro Fernandes comenta sobre a importância das ações fiscalizadoras, implementadas pelo governo federal, para mitigar a destruição das florestas em todo o país. Ele enumera iniciativas preponderantes, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, modelo implementado pela Embrapa, visando garantir a produção agrícola e pecuária sem a necessidade de expandir a área desmatada. A geógrafa Rita Pereira sugere o uso da tecnologia, como satélite e inteligência artificial, permitindo a detecção em tempo real do desmatamento ilegal, além de investir em órgãos fiscalizadores e aplicar punições efetivas e ágeis para crimes ambientais. Para Rita, o importante é trabalhar no controle do uso da terra, valorização da floresta, incentivos à produção sustentável, bem como proteger os povos indígenas e as comunidades tradicionais. O debate sobre o meio ambiente no Brasil não é novo, porém, escalou sua relevância diante de exigências internacionais, especialmente do mercado consumidor europeu, ao exigir uma certificação constatando que os produtos do agronegócio do nosso país não estejam ocorrendo em áreas procedentes de desmatamento ilegal.
Adesão ao Propag
A semana foi de debates e votações na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), cujo assunto do momento é a adesão do governo mineiro ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, do governo federal, codinome Propag. Trata-se de um passivo da ordem de R$ 170 bilhões, uma dívida que vem crescendo nos últimos 30 anos e chegando ao ponto de se tornar impagável, sendo necessário haver negociações. O problema é que entra em cena um viés ideológico incomensurável, o que tem postergado o entendimento final entre o governo mineiro e o governo federal. O Congresso Nacional, por sugestão de políticos mineiros e considerando a gravidade do certame, votou projeto de lei alterando os prazos para cumprimento da quitação de parcelas dos respectivos pagamentos. Abriu-se uma espécie de janela, onde os bens do Estado podem ser transferidos para a nação como forma de amortizar o passivo. Nos bastidores do Legislativo mineiro, os parlamentares governistas sempre defendem a boa vontade do Governo do Estado quanto à adaptação ao Regime proposto pelo Poder Central. Por parte da oposição, há uma desconfiança de que o governador Romeu Zema (Novo) almeja passar a régua e privatizar todos os bens possíveis, especialmente a Cemig, Copasa, Codemig, UEMG, entre outros ativos. Na semana passada, os parlamentares estaduais passaram a exigir os nomes e a localização dos imóveis a serem listados na proposta de transferência de ativos entre as partes. Os políticos estaduais, opostos ao Palácio Tiradentes, se esquivam de assinar uma espécie de cheque em branco, pois isso pode levar Minas a perder suas principais estatais e ainda não resolver o compromisso com a União. Enquanto um duelo de palavras e insinuações continua acontecendo nos bastidores da Assembleia, os prazos para definição do cronograma de adesão vão se encurtando: 30 de outubro a 30 de dezembro e por aí vai. Em nome da democracia sem mácula, sugere-se que ambos os lados deixem para discutir os seus projetos políticos e pessoais para o próximo ano e, no momento, tomem decisões para evitar um colapso financeiro do Estado. O assunto é muito peculiar e não deve servir de futrica entre alas conservadoras e progressistas. Está em jogo o futuro de Minas Gerais, um Estado síntese do Brasil, celeiro onde foram forjados grandes líderes que sempre se destacaram por suas proezas eivadas de inteligência e descortino.
Promessas do governador
A imprensa de Belo Horizonte tem cobrado o cumprimento das promessas feitas durante a campanha eleitoral do atual governador Romeu Zema (Novo). Quando era candidato à reeleição, o chefe do Executivo fez compromissos públicos, como mandar construir seis hospitais regionais, para minimizar os problemas atinentes à Secretaria de Estado de Saúde. Essas edificações deveriam ocorrer nas cidades de Divinópolis, Governador Valadares, Teófilo Otoni, Sete Lagoas e Conselheiro Lafaiete, além da reconstrução da Unidade Regional de Juiz de Fora. Essas providências públicas seriam de grande valia para minorar o sofrimento de milhares de pacientes que abarrotam as unidades de atendimento em todas as cidades mineiras. Quando erguidos, os hospitais irão funcionar também como uma espécie de barreira de contenção, atendendo às demandas zonais. É bom que o governo não se atenha apenas às declarações desconexas e falácias, pois o assunto é sério e exige uma posição sincera do chefe do Executivo mineiro. Rememoremos o fato sobre o rompimento da Barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho. Houve um acordo bilionário, realizado pelo Judiciário, onde a Vale destinou uma vultuosa quantia para obras de reparação. Parte dessa cifra bilionária foi alocada em nome do Governo de Minas, e entre as ações listadas, à época, constava também a construção dessas unidades hospitalares. Decorridos cerca de cinco anos do episódio, nada se fala a respeito do uso do montante procedente do acordo com a Vale. Neste sentido, seria salutar um esclarecimento do Poder Central do Estado sobre outra grande obra: a construção do Rodoanel de 100 km de extensão, perpassando por 37 cidades da Região Metropolitana. A população vê apenas comentários vagos de que o projeto está sendo debatido com os municípios, contudo, não tem veracidade constatada na contrapartida financeira do governo estadual para garantir os seis hospitais regionais e o Rodoanel. Nos bastidores da Assembleia Legislativa, há um verdadeiro embate quando se discute essas e outras demandas sérias, mas tudo parece ser um jogo de cena. Na verdade, as partes querem apenas gerar conteúdo para as redes sociais. Fazer publicações nas mídias não irá minimizar os efeitos maléficos da ausência de importantes obras públicas. A população mineira espera uma resposta positiva sobre essas demandas.