Congresso discute novas regras para trabalho por aplicativo

Em tramitação no Congresso Nacional, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 12/2024 busca regulamentar a atividade de motoristas de aplicativos de transporte individual de passageiros. O texto foi elaborado a partir de debates entre governo, empresas e representantes da categoria. O PLP estabelece como um de seus principais pontos a definição da atividade como “trabalho autônomo por plataforma”, além de prever uma remuneração mínima por hora trabalhada e a inclusão dos motoristas no sistema previdenciário, garantindo acesso a benefícios como aposentadoria e auxílio-doença. A proposta também exige que as plataformas forneçam informações transparentes sobre as regras de trabalho, critérios de pagamento e formas de avaliação dos condutores. Sobre o tema, o Edição do Brasil conversou com o advogado especialista em direito do trabalho, Conrado Di Mambro. Como você avalia a proposta em discussão no Congresso Nacional? Essa pauta reflete a tentativa de construir um arcabouço jurídico que traga segurança tanto para os trabalhadores quanto para as empresas de tecnologia. A regulamentação desse setor busca equilibrar inovação tecnológica e proteção dos direitos trabalhistas. Qual tem sido o papel do STF e do TST nas decisões sobre o trabalho por aplicativo? O Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido fundamental na análise constitucional das novas relações de trabalho. Recentemente, suas decisões vêm sinalizando a necessidade de equilibrar inovação e proteção social, colocando em debate os limites da chamada “pejotização” no setor. Já o Tribunal Superior do Trabalho (TST) desempenha um papel relevante na uniformização das decisões trabalhistas, avaliando casos específicos para determinar a existência de subordinação, habitualidade e onerosidade – critérios clássicos para o reconhecimento do vínculo empregatício. Uma das principais questões em debate é se os profissionais por aplicativo se enquadram no conceito de “trabalho subordinado” ou se devem ser tratados como “trabalhadores autônomos”. A partir desse entendimento, define-se o conjunto de direitos aplicáveis, como férias, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). As decisões do Judiciário trouxeram avanços para esses trabalhadores? O principal avanço tem sido o reconhecimento, por parte de algumas decisões judiciais, da necessidade de garantir direitos mínimos, como previdência social, seguro contra acidentes e condições seguras de trabalho. Essas garantias visam proteger os profissionais, que frequentemente enfrentam jornadas exaustivas e riscos elevados nas atividades de transporte e entrega. Quais desafios ainda precisam ser superados nesse modelo de trabalho? Um dos principais entraves é a resistência das plataformas em reconhecer qualquer forma de vínculo empregatício, sob o argumento de que os motoristas são autônomos. Se esse posicionamento for consolidado sem a imposição de garantias mínimas, o trabalho por aplicativo pode se tornar ainda mais precarizado, afastando-se de qualquer proteção trabalhista. Outro desafio é a falta de uniformidade nas decisões judiciais. Enquanto alguns tribunais reconhecem o vínculo empregatício em determinadas circunstâncias, outros reforçam a autonomia dos motoristas, gerando insegurança jurídica tanto para trabalhadores quanto para empregadores.
Especialista chama a atenção para as doenças transmitidas pelo beijo

O Carnaval é uma das festas mais esperadas do ano, marcada pela diversão, aglomerações e a celebração em blocos de rua. No entanto, é importante estar atento aos cuidados com a saúde, especialmente em relação às doenças contagiosas que são mais facilmente transmitidas durante a folia. Entre elas, o herpes labial e a mononucleose, duas condições que podem ser evitadas com simples precauções. Herpes O herpes labial é causado pelo vírus Herpes simplex tipo 1 (HSV-1), que afeta principalmente a região da boca. De acordo com a dermatologista Luciana Oliveira, especialista em doenças virais de pele, o herpes é altamente contagioso e é transmitido por meio do contato direto com as lesões ou até mesmo pela troca de objetos, como copos e utensílios. “É muito comum que as pessoas desenvolvam herpes labial quando estão com o sistema imunológico enfraquecido, o que pode ocorrer no Carnaval. A aglomeração e o contato próximo entre as pessoas contribuem para a propagação do vírus”. “Os sintomas do herpes labial incluem pequenas bolhas doloridas que aparecem na boca, gengiva ou língua, seguidas por crostas e desconforto, podendo também aparecer vermelhidão e até febre. O diagnóstico é geralmente baseado nos sintomas e na aparência das lesões (em alguns casos, exames adicionais podem ser feitos), e embora não exista cura definitiva, o tratamento com medicamentos e pomadas antivirais pode ser usado para reduzir a duração e a gravidade do surto”, explica. Luciana recomenta evitar beijar pessoas que tenham lesões visíveis na boca. “Mesmo que as bolhas não estejam presentes, o vírus pode ser transmitido, especialmente no período de surto. Também não compartilhe utensílios pessoais, como copos, talheres, toalhas, batons ou qualquer outro objeto que possa ter tido contato com a boca”. Mononucleose A mononucleose, também conhecida como ‘doença do beijo”, é causada pelo vírus Epstein-Barr e é transmitida principalmente pela saliva. Embora o nome remeta ao beijo, a transmissão também pode ocorrer por meio de utensílios compartilhados, como copos, garrafas e até toalhas. A infectologista Fernanda Diniz explica que, embora os sintomas da mononucleose possam se assemelhar a um resfriado comum, a doença geralmente apresenta febre alta, dor de garganta intensa, aumento dos gânglios linfáticos e fadiga extrema. “Em alguns casos, pode haver inchaço do fígado e/ou baço, que pode ser acompanhado de dor abdominal”. “O diagnóstico é feito através de uma combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais. Um teste físico verifica sinais como febre, linfonodos inchados e amígdalas inflamadas. Já o de sangue, como o hemograma completo, pode mostrar um aumento no número de linfócitos e a presença de linfócitos, que são típicos da mononucleose. Por último, o exame de anticorpos detecta anticorpos específicos contra o vírus Epstein-Barr”, completa. Fernanda ressalta que não há um tratamento antiviral específico para a mononucleose. O objetivo é aliviar os sintomas e promover a recuperação. As principais abordagens incluem repouso, devido à fadiga extrema que pode acompanhar a doença, controle da febre e dor com anti-inflamatórios e analgésicos, além da hidratação adequada”. Como a mononucleose é transmitida principalmente por saliva, as medidas de prevenção são praticamente as mesmas do herpes labial, como evitar beijos e o compartilhamento de utensílios, contato próximo com pessoas infectadas e cuidados com sistema imunológico e higiene pessoal.
Candidatura de Pacheco ao governo pode atrapalhar planos de Alexandre Silveira
O Palácio do Planalto aguarda uma resposta do senador Rodrigo Pacheco (PSD), para saber se ele efetivamente aceitaria o desafio de se tornar candidato a governador, conforme propalado pelo presidente Lula, com o apoio de seu grupo político, inclusive do Partido dos Trabalhadores. E, só a partir de um possível sim, Pacheco se tornaria ministro de alguma pasta, ainda em fase de estudos para saber onde o político mineiro se encaixaria. Quem não estaria gostando nada desse novo arranjo político em relação à sucessão estadual de 2026 é o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Secretário-geral do PSD nacional, Silveira tem feito muitas incursões pelo interior mineiro, deixando clara a sua pretensão de ser candidato a um posto majoritário no próximo ano. Falta espaço para os dois Pacheco e Alexandre Silveira pertencem ao mesmo grupo político, aliás, são filiados ao PSD de Gilberto Kassab. Mas, quando o assunto é a sucessão estadual em Minas, tem componentes que carecem ser analisados com mais detalhes. Por exemplo, seria praticamente difícil Pacheco pleitear o governo tendo Silveira disputando o Senado. Esse posto, assim como a vaga de vice-governador, tende a ser uma moeda de troca de uma composição política, uma mega aliança, como prevê o presidente Lula, envolvendo as forças políticas de centro e também o PT. As sugestões são no sentido de que o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Martins Leite (MDB), seria o nome ideal para compor a chapa como vice, enquanto o Senado poderia ficar sob a responsabilidade da prefeita de Contagem, a petista Marília Campos. Neste cenário, ainda existe a possibilidade de uma aproximação com o ex-prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão (PP), embora, segundo informações do Triângulo Mineiro, Leão tenha mantido contatos frequentes com o vice-governador Mateus Simões (Novo), com quem teria uma ideologia de centro-direita. O jogo poderá ficar ainda mais nítido, caso o prefeito de BH, Fuad Noman (PSD), tenha condições de voltar à cena política. Na avaliação do Planalto, essa realidade fortaleceria a tese do presidente da República, no sentido de se concretizar uma mega aliança no Estado para enfrentar grupos poderosos, como o vice-governador Simões e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).
97% dos brasileiros de 16 a 34 anos sonham conseguir a casa própria

Segundo uma pesquisa do Datafolha, 97% dos jovens, de 16 a 34, possuem o sonho de adquirir a casa própria. Entre o grupo de 16 a 24 anos, 57% têm planos de comprar um imóvel residencial, índice similar ao registrado na faixa de 25 a 34 anos (55%). Considerando todos os brasileiros, 43% pretendem comprar uma casa, sendo que, destes, 57% querem fazer negócio em até três anos, e 24%, ainda neste ano. No total, quase dois terços (65%) dos brasileiros já possuem a casa em que moram. São 29% os que pagam aluguel e outros 5% moram em um imóvel cedido. A fatia dos que moram em casa alugada decresce com a idade: 38% dos que têm de 16 a 24 anos, 37% dos 25 aos 34, 31% dos 35 aos 44 e 22% a partir dos 45 anos de idade. Para debater o assunto, o Edição do Brasil conversou com Jonata Tribioli, diretor de investimentos imobiliários e de educação financeira. Comprar um imóvel ficou mais difícil para o público jovem, se comparado com as décadas passadas? Sim, adquirir um imóvel tornou- -se mais desafiador para os jovens de 16 a 34 anos em comparação com décadas anteriores. Fatores como o aumento significativo dos preços dos imóveis, e a elevação das taxas de juros, dificultam o acesso ao financiamento imobiliário. Além disso, a renda média desse público não acompanhou o ritmo de valorização imobiliária, fazendo com que muitos jovens possuam rendimentos que não atendem aos critérios exigidos pelas instituições financeiras para a liberação de crédito imobiliário, e a exigência de um valor considerável para a entrada dificulta a aquisição, especialmente para aqueles que não possuem reservas financeiras mais significativas. Existem fatores, além do econômico, que impactam na dificuldade dessa geração de conseguir um imóvel? Sim, além dos fatores econômicos, aspectos comportamentais influenciam essa dificuldade. Muitos jovens priorizam experiências, como viagens e educação, ao invés da aquisição de bens duráveis. A busca por oportunidades de trabalho em diferentes localidades desestimula o compromisso com a compra de um imóvel fixo, e há uma tendência crescente de optar pelo aluguel que oferece maior flexibilidade e menos responsabilidades associadas à propriedade. O financiamento de imóveis é mais acessível atualmente? Hoje, o financiamento de imóveis enfrenta alguns desafios. Embora existam diversas modalidades de crédito disponíveis, as altas taxas de juros e os critérios mais rigorosos de concessão tornam o acesso ao financiamento menos acessível para uma parcela da população, especialmente para os jovens com renda mais baixa. Programas habitacionais, como o “Minha Casa, Minha Vida”, facilitaram a realização desse sonho? Sim, programas habitacionais como o “Minha Casa, Minha Vida” desempenharam um papel crucial na facilitação do acesso à casa própria para famílias de baixa renda. Eles oferecem subsídios e condições de financiamento mais favoráveis, permitindo que muitos brasileiros realizem o sonho da casa própria. No entanto, a demanda ainda supera a oferta, e muitos aguardam por oportunidades dentro desses programas. Quais estratégias esse público pode adotar para conseguir realizar o sonho da casa própria? Algumas estratégias recomendadas incluem elaborar um orçamento com economia mensal destinada à compra do imóvel. Participar de consórcios imobiliários também pode ser uma alternativa ao financiamento tradicional, e programas governamentais que ofereçam subsídios e condições facilitadas. Além disso, buscar conhecimento sobre investimentos e gestão financeira para aumentar o poder de compra, e considerar áreas emergentes ou periféricas, onde os preços são mais acessíveis, podem ser abordagens eficazes. Analisando o momento atual, você acredita que será mais fácil ou mais difícil adquirir um imóvel nos próximos anos? A perspectiva para os próximos anos é mista. Por um lado, espera-se que a redução das taxas de juros torne o crédito imobiliário mais acessível, estimulando a demanda por imóveis. Por outro lado, a valorização contínua dos imóveis e possíveis restrições econômicas podem contrabalançar esse efeito. Portanto, embora haja sinais positivos, a aquisição de um imóvel continuará exigindo planejamento e preparação financeira por parte dos interessados.
23 milhões de crianças em idade escolar têm problemas de visão

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, cerca de 23 milhões de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos apresentam problemas como miopia, hipermetropia e astigmatismo. A ausência de um acompanhamento adequado pode impactar o desempenho em sala de aula e reduzir a motivação delas para ir à escola e estudar em casa. Segundo a oftalmopediatra Lara Seixas, é fundamental que pais e responsáveis fiquem atentos a possíveis sinais de dificuldades visuais nos filhos. “Em casa, eles devem observar se a criança ou adolescente se aproxima demais da televisão ou de objetos, lacrimejam excessivamente, demonstra sensibilidade à luz, reclama de dor de cabeça e nos olhos, sofre quedas frequentes, desvia os olhos involuntariamente ou fecha os olhos para tentar enxergar melhor”. “Na escola, sinais como baixo rendimento acadêmico, dificuldade de aprendizado, necessidade de sentar-se mais próximo ao quadro para acompanhar a aula ou copiar do caderno do colega também são indicativos da necessidade de uma avaliação oftalmológica”, acrescenta. A oftalmopediatra reforça que crianças e adolescentes devem passar por consultas oftalmológicas de rotina periodicamente, mesmo na ausência de queixas, e a qualquer momento em que apresentem algum sintoma ou sinal de problema visual. “Muitas vezes, esse público ainda não tem a percepção da dificuldade visual e, por isso, não se manifesta. Os cuidados com a saúde ocular devem incluir uma alimentação equilibrada, o uso moderado de telas conforme a faixa etária e o estímulo a atividades ao ar livre e em contato com a natureza”. Uso de telas Lara explica que o uso excessivo de telas pode comprometer a visão de crianças e adolescentes. “Isso pode causar distúrbios na superfície ocular, como olho seco, e, quando utilizadas muito próximas aos olhos, favorecer ou agravar a miopia e o estrabismo. Para minimizar os impactos, é essencial respeitar o tempo máximo de uso por faixa etária, além de adotar medidas como fazer pausas regulares e optar por ambientes bem iluminados”. Passar tempo excessivo diante das telas também pode gerar impactos psicológicos e comportamentais nesse público. “O primeiro deles é a desatenção. Elas podem desenvolver um quadro de distração acentuado e, em alguns casos, até apresentar sinais semelhantes a um vício. A criança pode ficar mais irritada, ansiosa e ter dificuldades de concentração e socialização, prejudicando o desenvolvimento de habilidades interpessoais. A longo prazo, o uso demasiado pode levar à dependência de telas e comprometer o crescimento social e emocional, uma vez que ela não estará interagindo com outras pessoas”, explica a doutora em psicologia Catiele Reis. Ela recomenda que crianças e adolescentes utilizem telas por, no máximo, duas horas diárias. “Os pais também devem dar o exemplo. Não adianta impor limites se eles próprios estão sempre no celular. É importante reservar um tempo para interagir com os filhos. Estratégias como restringir o uso, principalmente à noite, próximo à hora de dormir, e oferecer alternativas como jogos de tabuleiro e quebra-cabeças para reduzir o tempo de tela”. “Os pais também precisam incentivar atividades ao ar livre e investir em momentos de qualidade com os filhos, promovendo passeios e estimulando um equilíbrio maior entre a conectividade e a vida real”, acrescenta. Sobre a proibição dos celulares nas escolas, Catiele avalia que a medida é um primeiro passo. “As escolas têm exigido muito a utilização das tecnologias. É necessário um trabalho de conscientização sobre o uso responsável dos dispositivos e a importância do retorno à socialização”, conclui.
Possível filiação de Bolsonaro ao PP movimenta a política mineira
As rusgas entre os deputados estaduais do Partido Liberal, no âmbito da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), foram atenuadas para acomodar os protagonistas da cena. O motivo é validar o prosseguimento do trabalho interno, visando as indicações técnicas para as Comissões Permanentes da Casa. Porém, o final desse conflito ainda está longe de terminar, segundo analisam pessoas que militam nos bastidores da política mineira. Este pode ter sido o primeiro capítulo envolvendo a discórdia entre o grupo do PL, composto por 11 parlamentares. Há uma informação, ainda em fase de especulação, mas com possibilidade de se tornar realidade, envolvendo a possível saída do ex-presidente Jair Bolsonaro da sigla. Se isso for confirmado, o tema irá reverberar imediatamente em Minas. O deputado Bruno Engler, muito ligado à família do ex-presidente, e candidato derrotado à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) no ano passado, estaria por trás dessa tese de debandada de, pelo menos, cinco dos atuais deputados que acompanhariam o ex-chefe da nação no caminho de filiar-se ao PP. Não se sabe a posição, especificamente a respeito dessa conjectura, por parte do deputado Antônio Carlos Arantes, um dos nomes fortes do bolsonarismo no Estado. Com vários mandatos representando o povo mineiro, o político é da ala moderada desse embate. Por seu turno, outro parlamentar liberal, o atual primeiro-secretário da ALMG, Gustavo Santana, caso esse racha venha a se configurar, tende a seguir as orientações do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, com quem familiares de Santana mantêm uma boa relação de amizade. Do ponto de vista do governo mineiro, a atuação dos assessores do governador Romeu Zema (Novo) foi intensa, no sentido de debelar essa fervura, até porque, os 11 deputados citados, até agora, fizeram toda a diferença no apoio e adesão incondicional à base de sustentação do Executivo estadual na Assembleia. “Vamos torcer para que tudo termine bem e sem maiores consequências, afinal, são apenas opiniões divergentes”, comentou o secretário de Governo, Gustavo Valadares.
Extintor de incêndio em carros pode voltar a ser obrigatório

A exigência do uso de extintores de incêndio em veículos foi anulada em 2015, com a publicação da Resolução nº 556/2015 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que passou a tornar o equipamento opcional para carros de passeio. No entanto, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 159/2017, elaborado pelo deputado federal Moses Rodrigues (MDB), propõe que a obrigatoriedade do item seja restabelecida em breve. Atualmente, ele está em fase final de tramitação no Senado Federal. Se for aprovado, o projeto irá exigir que os extintores de incêndio sigam o padrão ABC. Além disso, caso o item volte a ser obrigatório, o Contran precisará estabelecer regras para os veículos fabricados entre 2015 e 2025 que não possuem o extintor. Muitos modelos, inclusive, não contam nem mesmo com o espaço ou o suporte necessário para a instalação do equipamento. Para discutir o tema, o Edição do Brasil conversou com Ronaldo Cardoso, especialista pós-graduado em Gestão e Segurança no Trânsito. Como a mudança na legislação deve afetar motoristas e fabricantes de automóveis no Brasil? É importante esclarecer que, em 2015, o extintor deixou de ser obrigatório, mas a sua utilização não é proibida. A decisão de torná-lo não obrigatório se deu por conta de estudos terem comprovado que o seu uso era inviável financeiramente e tecnicamente. Financeiramente porque o custo para manter esse equipamento em uma escala nacional é muito maior que os possíveis danos causados pelos poucos casos de incêndio em veículos. Tecnicamente porque os condutores não sabiam utilizar corretamente o extintor e isso gerava riscos maiores para os usuários. Existem novas tecnologias ou alternativas aos extintores tradicionais que poderiam ser consideradas para a segurança dos motoristas? Esse é outro dilema, pois o mercado está recebendo uma nova geração de veículos elétricos e híbridos, para os quais o extintor do tipo ABC não tem qualquer eficácia. Para esse tipo de bateria o extintor é de um tipo bem restrito, o qual só pode ser manuseado por profissionais treinados. Na sua opinião, haveria um impacto real na redução de incêndios e danos em acidentes com a volta dessa medida? Que viabilize a obrigatoriedade do extintor, posso garantir que não. A única coisa que realmente terá uma grande mudança com a volta dos extintores será a ampliação de bilhões de reais em multas por inadequações com o equipamento, não tenho dúvida disso. O projeto inclui alguma forma de acompanhamento de treinamentos para os motoristas sobre o uso adequado do extintor de incêndio? Não, e caso isso fosse adicionado no PLC durante o seu trâmite no Senado e Câmara, representaria mais um custo adicional para os usuários. Acho que o brasileiro já está cheio de lidar com exigências que só servem para tirar dinheiro do seu bolso. Essa proposta está sendo bem recebida pelos especialistas em segurança veicular e pelos órgãos responsáveis pela fiscalização no Brasil? Conforme já citado anteriormente, o extintor deixou de ser obrigatório em 2015, justamente porque especialistas chegaram à conclusão de que a sua utilização estava sendo mais prejudicial do que benéfica. Quais são os maiores desafios para a adoção dessa proposta de forma eficaz e quais ajustes poderiam ser feitos para torná-la mais prática e eficiente? Acredito que não há melhoria nessa proposta que a justifique. Vejo nesse PL indícios de favorecimento à indústria de extintores, o que pode estar beneficiando o parlamentar que a propôs e seus pares que vierem a votar em seu favor.
Estudos apontam conexão entre diabetes mellitus e a demência

Pesquisas científicas identificaram a existência de uma conexão entre o diabetes mellitus e a demência. O estudo revelou que pessoas com baixo controle do diabetes têm de 22% a 78% mais risco de evoluir a demência, e que outras pessoas portadoras de Alzheimer e sem diabetes mostraram uma velocidade menor de desenvolver um declínio cognitivo importante. O índice elevado de açúcar no sangue pode ser um fator significativo para a incidência de Alzheimer, bem como uma causa secundária de demência. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, o diabetes mellitus e a doença de Alzheimer são condições relacionadas com a idade e ambas são caracterizadas por aumento de incidência e de prevalência ao longo do envelhecimento. O diabetes tem sido fortemente associado ao declínio cognitivo e ao risco aumentado de desenvolver todos os tipos de demência, incluindo o Alzheimer. Segundo a entidade, em uma pesquisa recente, foram reunidos dados de vários estudos de coorte do diabetes e de Alzheimer e uma metanálise contendo 1.746.777 indivíduos para investigar as evidências que relacionam o diabetes como um fator de risco para o desenvolvimento da doença de Alzheimer. “Os resultados da pesquisa mostraram que o risco de desenvolver a patologia é maior entre as pessoas com diabetes do que na sociedade em geral, especialmente nas populações orientais”. A médica geriatra da Saúde no Lar, Simone de Paula Pessoa Lima, explica que a diabetes mellitus, especialmente o tipo 2, pode causar ou contribuir para o desenvolvimento de demência. “Isso ocorre devido aos efeitos deletérios que a hiperglicemia crônica, a resistência à insulina e as complicações vasculares associadas à diabetes exercem no cérebro, comprometendo a saúde dos neurônios e da circulação cerebral”. “A diabetes está associada a alterações metabólicas e vasculares que afetam diretamente o cérebro. A hiperglicemia crônica promove o estresse oxidativo e a inflamação, que causam danos neuronais e vasculares. A resistência à insulina interfere no metabolismo energético cerebral e favorece o acúmulo de proteínas tóxicas, como a beta- -amiloide, associada ao Alzheimer. Além do mais, o diabetes contribui para doenças nos vasos sanguíneos cerebrais, como aterosclerose e microangiopatia, que podem levar a infartos cerebrais silenciosos ou acidente vascular cerebral (AVC), típicos da demência vascular. Esses processos, somados, aumentam significativamente o risco de déficits cognitivos”, acrescenta. Sintomas e tratamento Os sintomas, em pessoas com diabetes, variam dependendo do tipo de demência, revela Simone. “Mas, os mais comuns incluem perda progressiva de memória, dificuldade em planejar ou realizar atividades cotidianas e alterações na linguagem, com muitas repetições e dificuldade em reconhecer lugares ou pessoas. Além disso, mudanças de humor, desorientação e perda de habilidades sociais, também podem ocorrer. Em casos de demência vascular, os indícios podem surgir de forma mais abrupta e incluir déficits neurológicos, como fraqueza em um lado do corpo, dificuldade de equilíbrio ou marcha instável”. “O tratamento da demência vascular, especialmente quando associada à diabetes, é focado na prevenção da progressão da doença, no controle dos sintomas e na promoção da qualidade de vida. Embora não exista uma cura, a estabilização do quadro pode ser alcançada por meio de uma abordagem multidisciplinar. O principal objetivo é o controle rigoroso dos fatores de risco vascular, como hipertensão arterial, diabetes e dislipidemia”, afirma a profissional. Ela termina destacando as principais formas de prevenção. “Mudanças no estilo de vida têm papel fundamental. Adotar uma dieta saudável; prática regular de exercícios físicos aeróbicos, como caminhadas, também melhora o fluxo sanguíneo cerebral e auxilia no controle glicêmico e da pressão arterial; e estimulação cognitiva por meio de atividades que desafiem o cérebro, como leitura, jogos e aprendizado de novas habilidades, pode ajudar a preservar as funções mentais. Além disso, um sono de qualidade deve ser incentivado, pois distúrbios como apneia obstrutiva estão associados ao declínio cognitivo; entre outros”.
Alguns nomes de prefeito podem liderar a política em Minas

A imprensa tem mencionado muito o nome da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), como uma expoente à cena política majoritária de Minas, inclusive com chances de se tornar ainda mais influente politicamente, já no pleito de 2026. A titular da Prefeitura de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), permanece sendo propalada apenas em seu município, não se projetando, sequer, na região da Zona da Mata. Enquanto isso, e tendo como base a última eleição municipal, já é possível elencar nomes de prefeitos com possibilidade de se tornarem protagonistas na liderança política do Estado. Alguns deles ainda jovens, como o chefe do Executivo de Nova Lima, João Marcelo Dieguez (Cidadania); de Ipatinga, Gustavo Nunes (PL); de Uberlândia, Paulo Sérgio (PP); de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB); de Montes Claros, Guilherme Guimarães (União Brasil); e Betim, Heron Guimarães (União Brasil). A dificuldade desses e de outros nomes no cargo de dirigente municipal é se projetar para além da fronteira de suas respectivas cidades. Isso iria incomodar muito os parlamentares e outras lideranças já consolidadas, inclusive em posição de comando, em postos importantes, como de senador, governador, vice-governador e deputado federal. Mas em uma projeção não muito distante, não há como negar a possibilidade de despontar como líderes os nomes já mencionados: o prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio, foi eleito no final do ano passado ainda no primeiro turno, em uma cidade que é o segundo maior colégio eleitoral de Minas. Também em um grande colégio eleitoral, destaca-se a eleição, na primeira leva, de Heron Guimarães, em Betim. Na Grande BH, o nome mais badalado nos meandros políticos é o prefeito de Nova Lima, João Marcelo Dieguez, reeleito com mais de 80% dos votos. De Itabira, surge o titular Marco Antônio Lage, também reeleito com facilidade. Um destaque especial para o jovem prefeito de Ipatinga, Gustavo Nunes, que mesmo enfrentando uma enorme oposição, se reelegeu para o posto, em uma cidade onde a política local é decididamente complexa, devido às forças de muitas lideranças locais. O prefeito de Montes Claros, Guilherme Guimarães, também foi outro a ser eleito no primeiro turno da peleja do ano passado. A cidade é considerada a capital do Norte de Minas, cujas ações locais reverberam em mais de 40 municípios da região Norte do Estado.
Fortunas bilionárias cresceram três vezes mais rápido em 2024

Segundo um relatório da Organização Não Governamental (ONG) Oxfam, o mundo registrou, em média, quatro novos bilionários por semana em 2024. No total, esse número aumentou de 2.565 em 2023 para 2.769 no ano passado. Juntas, essas fortunas alcançaram a marca de US$ 15 trilhões. Por dia, o patrimônio dessas pessoas cresceu US$ 5,7 bilhões, em uma taxa três vezes superior à do ano anterior. Por outro lado, o documento destaca que, conforme o Banco Mundial, o número de pessoas que vivem na pobreza se manteve igual. Para discutir o tema, o Edição do Brasil conversou com a diretora-executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago. O relatório aponta que a riqueza dos bilionários aumentou três vezes mais rápido em 2024 do que em 2023. O que impulsionou esse crescimento e quais seriam as principais consequências para a economia? Esse fenômeno pode ser explicado pela concentração crescente de riqueza desde a década de 1980. De acordo com o economista Gabriel Zucman, as fortunas dos bilionários expandiram-se mais rapidamente do que a economia global como um todo. Esse padrão reflete um aumento desigual, no qual as famílias mais ricas têm acumulado uma parcela cada vez maior do patrimônio mundial. Por exemplo, a riqueza dos 0,0001% mais abastados, que representava 3% do Produto Interno Bruto (PIB) global em 1987, agora corresponde a 13%. Quase quatro novos bilionários surgiram por semana em 2024. Como essa velocidade na criação de fortunas extremas reflete a estrutura econômica global atual e o impacto das políticas públicas?A riqueza está crescendo muito mais rápido do que prevíamos. Isso significa que a taxa média de avanço anual das grandes fortunas disparou. Apenas os dez homens mais ricos do mundo viram seu patrimônio aumentar, em média, quase US$ 100 milhões por dia em 2024. A rápida criação de novos bilionários evidencia um sistema econômico global que concentra cada vez mais recursos no topo, favorecendo aqueles que já possuem grandes fortunas. A ausência de políticas públicas eficazes desempenha um papel central nesse cenário. Baixos impostos sobre riqueza, falhas na regulação de monopólios e a falta de mecanismos de redistribuição contribuem para essa concentração. Sem medidas governamentais para regular essas práticas e distribuir recursos de maneira mais equitativa, a desigualdade tende a se aprofundar. Pelo menos cinco trilionários devem surgir na próxima década. Que medidas podem ser adotadas para evitar a concentração extrema de riqueza e seus impactos na desigualdade?Primeiro, é essencial que os governos implementem políticas para garantir que a renda dos 10% mais ricos não ultrapasse a dos 40% mais pobres, acelerando a erradicação da pobreza. É fundamental reformar a tributação global, assegurando que os mais ricos paguem sua parcela justa e combatendo os paraísos fiscais. Além disso, tributar grandes heranças ajudaria a desmontar uma nova aristocracia econômica. Também é necessário desmantelar monopólios, democratizar as regras comerciais e garantir que as corporações paguem salários dignos, ao mesmo tempo em que se reestruturam instituições financeiras internacionais para garantir uma representação mais justa dos países do Sul Global. Atualmente, 60% da riqueza dos bilionários provêm de herança, monopólios ou conexões políticas. Como enfrentar essa grande concentração de recursos?Reformas tributárias são fundamentais para reduzir a extrema concentração de riqueza e promover maior justiça econômica. Impostos progressivos sobre grandes heranças ajudariam a mitigar esse efeito, garantindo que o patrimônio acumulado beneficie a sociedade como um todo. Uma tributação mais rigorosa sobre grandes fortunas poderia financiar políticas públicas essenciais, como educação, saúde e proteção social, reduzindo desigualdades estruturais. No Brasil, como a concentração de riqueza e a criação de novos bilionários têm impactado a desigualdade social? A concentração de riqueza no Brasil está profundamente ligada a um histórico de exclusão social, no qual populações negras, indígenas e periféricas têm menos acesso a oportunidades econômicas e educacionais. Além disso, o sistema tributário brasileiro é altamente regressivo, com elevados impostos sobre o consumo e baixa tributação sobre renda e patrimônio, o que aprofunda ainda mais a desigualdade, tornando-o um dos mais injustos do mundo.