Prosseguem os entendimentos entre Mateus Simões e PSD rumo a 2026
Uma super aliança política, com a finalidade de projetar condições para enfrentar adversários poderosos, tem sido pensada para a sucessão estadual mineira de 2026. Esse argumento se desenrola a partir de Brasília, com a participação de personalidades ligadas ao Palácio Tiradentes, em Belo Horizonte. No centro das discussões está o poderoso ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD). Ele possui acesso direto ao presidente Lula (PT), com quem se comunica diariamente, além da simpatia do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e também as bênçãos da primeira-dama Janja. Silveira tem se destacado cada vez mais no âmbito do governo federal, o que lhe concede o privilégio de se envolver em assuntos políticos mineiros. Secretário-geral do PSD nacional, o segundo cargo da importância na estrutura partidária, ficando atrás apenas do presidente Gilberto Kassab, Silveira tem em sua mesa a sugestão de uma parceria com o vice-governador Mateus Simões (Novo). Não há definição de qual cargo seria disputado, até porque a ideia ainda é embrionária. No entanto, essa seria uma forma de barrar o projeto do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), tido como um nome popular de prestígio para pleitear a cadeira de governador do Estado. Já se projeta inclusive uma aliança, onde Simões se candidataria ao governo, tendo a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), como vice na chapa. As duas vagas ao Senado seriam disputadas exatamente por Alexandre Silveira e o ex-prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão (PP). Pelo lado da extrema-direita, pode haver uma definição dos nomes do aludido Cleitinho ao governo, tendo como companheiro de chapa, para o Senado, o super deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Seria uma espécie de partida a ser jogada por nomes experientes na administração e na vida política contra dois jovens, forjados pelas redes sociais, e que, até o momento, não esboçaram projetos estruturantes para o Estado de Minas Gerais. O presidente do PSD estadual, deputado Cássio Soares, indagado sobre o assunto, nada comenta, embora tenha sido visto na semana passada ao lado do governador Romeu Zema (Novo), durante viagens pelo Sul de Minas. O PSD é uma espécie de noiva cobiçada para este sugerido casamento, pelo fato de ser a sigla com maior número de prefeitos, atualmente são mais 140. Além disso, sua capilaridade só aumenta, quando somado também ao enorme contingente de vereadores. Nesta lista de nomes e sugestões de alianças, por enquanto, estão ficando de fora nomes importantes, como o próprio senador Rodrigo Pacheco (PSD); o ex-governador e deputado federal, Aécio Neves (PSDB); e o popular presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Martins Leite (MDB).
Estudo revela queda no percentual de usuários do transporte público

Segundo a pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) de Mobilidade da População Urbana, o percentual de pessoas que utilizam o ônibus diminuiu. Em 2024, o quantitativo foi 14,3 pontos percentuais menor em comparação com 2017, quando a parcela que utilizava esse veículo era de 45,2%. Nesse mesmo sentido, o uso do metrô também reduziu de 4,6% para 4,2%. O estudo aponta também, analisando o mesmo período, que a parcela da população que considera o transporte público um problema quase dobrou, passando de 12,4% para 24,3%. Em 2024, 29,4% dos entrevistados afirmaram que deixaram de usar totalmente o ônibus e 27,5% diminuíram o uso. O membro da Comissão Técnica de Transporte da Sociedade Mineira de Engenheiros e do Observatório da Mobilidade de Belo Horizonte, José Aparecido Ribeiro, conversou com o Edição do Brasil sobre o tema. Quais são os pontos que explicam a elevação dos preços do transporte público?A qualidade do transporte público, que é ruim, e por isso, as pessoas estão deixando de usar. Com as facilidades de crédito e de parcelamento, especialmente da motocicleta, os usuários deixam de usar o transporte público. Então, no meu entendimento, a qualidade piorou e vem piorando. Cidades como Belo Horizonte, que o metrô transporta 200 mil pessoas por dia, perto do que é necessário, que é de 1 milhão e 500 mil, ele não serve, pois não tem utilidade, do ponto de vista da mobilidade. Teríamos que ter mais linhas. Qual seria a melhor solução para driblar o problema da diminuição de passageiros para não impactar na tarifa?Qualidade, as pessoas querem um transporte público de boa qualidade. Outro ponto é que a nossa cultura tem muito mais a ver com o modelo americano do que o europeu. Para o brasileiro, o carro não significa só transporte, significa status. E mapeamento de origem/destino, precisamos saber de onde as pessoas saem e para onde elas vão, isso bem mapeado ajuda a incentivar o uso do transporte público. Quais são os principais problemas de financiamento?O problema de financiamento do transporte público é que alguém tem que pagar a conta. Nos países desenvolvidos temos exemplos de governos que investem na infraestrutura e fazem concessão, para a iniciativa privada, para a manutenção, porque os investimentos são muito caros. As cidades, infelizmente, estão quebradas e o Pacto Federativo do Brasil concentra o dinheiro em Brasília e deixa os municípios à míngua. E o transporte coletivo é um problema do Executivo municipal, não do governo federal. Por que o subsídio dado pelas prefeituras não consegue manter o preço das passagens aos passageiros?Não é simples subsidiar um transporte coletivo para uma cidade que tem uma demanda, por dia, de 1,2 milhão de pessoas, por exemplo. É ilusão de que dos nossos impostos é possível dar transporte coletivo para a população. Aqueles países que fizeram investimento em infraestrutura de metrô, monotrilho e Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), conseguem administrar melhor a situação. Os que dependem da iniciativa privada com carrocerias de ônibus estão em situações mais difíceis. Quais são as principais dificuldades para implantar a Tarifa Zero?O sistema custa caro, a prefeitura tem outras prioridades e alguém precisa pagar a conta para que haja transporte coletivo, ou seja, alguns têm que pagar pelos outros, os que não usam têm que pagar pelos que usam. Nós pagamos 35% de impostos, mas as demandas são maiores. As contas precisam ser refeitas, sob demanda e oferta, para que haja um equilíbrio de preço. Qual seria a melhor solução para melhorar o sistema de transporte público no país?A diversificação dos modais, oferecendo mais conforto e preço justo. Investir em modais de transporte que têm apelos capazes de fazer as pessoas, que andam de carro, pensarem em mudar de comportamento. Que seriam: o metrô, em primeiro lugar; o monotrilho e VLT, em segundo; e só em terceiro, o ônibus, montados com mais comodidade.
Otite externa: inflamação no ouvido é bem comum no verão

No verão, a maioria das pessoas aproveitam o clima quente para se refrescar em piscinas e praias. No entanto, essa temporada de lazer também pode trazer consigo um problema de saúde, a otite. A infecção no ouvido, muitas vezes associada à exposição excessiva à água, é comum para quem frequenta ambientes aquáticos. A otorrinolaringologista, Laura Dias, esclarece que o tipo mais comum durante o verão é a otite externa, popularmente conhecida como ouvido de nadador. Ela ocorre quando a água entra no canal auditivo, criando um ambiente propício para o crescimento de bactérias ou fungos”. “Os sintomas são dor no ouvido, que pode ser intensa e aumentar com a movimentação da mandíbula; coceira ou sensação de pressão no ouvido; secreção ou secreção purulenta (em casos mais graves); sensação de ouvido tampado ou comprometimento da audição”, completa. Ela reforça que o diagnóstico da otite é feito por meio de exame clínico. “O médico otorrinolaringologista utiliza um otoscópio para observar o canal auditivo e verificar sinais de inflamação ou infecção. Em alguns casos, podem ser realizados exames laboratoriais ou culturas da secreção para identificar o agente causador da infecção (bactéria ou fungo)”. Laura explica que o tratamento da otite depende do tipo e da gravidade da infecção. “Nos casos de otite externa, o médico pode prescrever gotas otológicas com antibióticos ou antifúngicos, além de analgésicos para aliviar a dor. Se a infecção for mais grave, pode ser necessário o uso de antibióticos orais”. Embora a otite seja uma condição comum durante o verão, a adoção de hábitos de prevenção e cuidados com a higiene dos ouvidos pode minimizar o risco de infecção. Laura recomenda secar bem os ouvidos após nadar ou tomar banho de mar. “Opte por locais que ofereçam boa qualidade da água. Piscinas maltratadas ou com cloro em excesso também podem causar irritação nos ouvidos; use protetores auriculares como alternativa para evitar o contato direto da água com o canal auditivo. Em caso de histórico de otites frequentes, a consulta periódica com um otorrinolaringologista pode ajudar na detecção precoce de problemas”. A publicitária Fernanda Fagundes fez uma viagem para curtir a praia e aproveitou bastante o passeio. Depois de alguns dias, começou a sentir dor no ouvido. “Parecia que estava ‘entupido’ e a sensibilidade aumentava toda vez que tentava falar ou mastigar. Quando voltei para casa, fui ao médico e descobri que era otite externa, provavelmente por causa da água do mar. O otorrinolaringologista receitou gotas antibióticas para combater a infecção e analgésicos para aliviar a dor. Seguindo as orientações corretamente, o problema melhorou em poucos dias”, ressalta. “Ao notar sintomas de dor ou desconforto, é importante procurar orientação médica rapidamente, garantindo o diagnóstico e tratamento adequados para evitar complicações. Com esses cuidados simples, é possível aproveitar a estação mais quente do ano sem preocupações com a saúde auditiva”, conclui Laura.
Tempo de tela em excesso causa impactos na saúde física e mental

Considerada a palavra do último ano pela Universidade de Oxford, brain rot, ou podridão cerebral na tradução literal, é um termo que tem ganhado destaque. Apesar de ainda não ser uma condição clinicamente reconhecida, os sintomas associados são alarmantes e incluem dificuldade de concentração, redução da produtividade, aumento da agitação e quadros de ansiedade e depressão. O psiquiatra Ricardo Assmé destaca que, antes de compreender o que é o brain rot, é essencial entender o funcionamento do cérebro. “Ele foi projetado com o objetivo de manutenção da espécie humana, possuindo como funções secundárias as cognitivas superiores. O cérebro consegue preservar a espécie humana gerando prazer, por meio da liberação de dopamina. Atualmente, algumas situações também fornecem essa descarga, como jogos eletrônicos, jogos de azar e consumo de vídeos curtos”. “O brain rot pode impactar nossas vidas a partir de mudanças comportamentais. A capacidade de uma pessoa agir, analisar as coisas e socializar se degrada, pois, com a inércia desse comportamento, alguns hábitos e aprendizados antigos são perdidos. A habilidade de compreensão social muitas vezes é prejudicada em quem tem contato excessivo com a internet e pouca socialização. Mudanças comportamentais se tornam mais difíceis se a pessoa não acostuma o cérebro com atividades que demandam esforço e proporcionam prazer”, acrescenta. A condição também pode trazer impactos significativos aos motoristas. “Costuma ocorrer uma deterioração cognitiva, afetando o raciocínio crítico. O cérebro, condicionado a funcionar em modo automático devido ao uso excessivo de telas, perde a capacidade de atenção plena e decisões rápidas. No trânsito, a situação pode ser fatal, pois exige concentração e respostas imediatas. Nessas circunstâncias, o brain rot mina essas capacidades, transformando os motoristas em potenciais agentes de risco e aumentando as chances de acidentes”, explica a psicóloga e diretora da Associação de Clínicas de Trânsito do Estado de Minas Gerais (Actrans-MG), Giovanna Varoni. Ela ressalta que cerca de 90% dos acidentes no trânsito são provocados por fatores humanos, e as principais vítimas têm entre 18 e 35 anos. “O declínio da saúde mental gera impactos desastrosos. Motoristas distraídos tendem a provocar mais acidentes, exceder os limites de velocidade e até mesmo desrespeitar a sinalização de trânsito. Por outro lado, irritação e estresse geram comportamentos agressivos e imprudentes, aumentando as chances de acidentes graves. As pessoas subestimam o efeito da saúde mental na capacidade de dirigir com segurança”. O adoecimento mental também pode acarretar outras consequências, como a privação do sono, segundo a presidente da Actrans-MG, Adalgisa Lopes. “Ao assistir vídeos no celular à noite, o cérebro não está relaxando, mas sendo estimulado o tempo inteiro. A pessoa demora a dormir e, consequentemente, tem menos horas de sono. Isso compromete a atenção e memória. No trânsito, o tempo de reação será reduzido, o que é extremamente perigoso”. Como prevenir Uma das maneiras de reverter o brain rot é limitar o tempo de uso de telas, segundo Ricardo Assmé. “Fuja de conteúdos rápidos e superficiais. Evite atividades que demandam muito tempo, como jogos eletrônicos em excesso, e engaje-se em práticas prazerosas, como socializar, conversar olhando nos olhos e abraçar as pessoas”. Adalgisa complementa que as telas devem ser desligadas entre 30 a 40 minutos antes de dormir. Além disso, ela defende a necessidade de campanhas consistentes para mostrar como o uso excessivo pode ser prejudicial ao ser humano.
Ano novo com velhas especulações relacionadas à sucessão estadual

O ano de 2025 começa com as mesmas especulações, quando o assunto é a sucessão estadual, porém, com uma constatação: os bolsonaristas, que segundo os matemáticos da política mineira representam uma média de 30% do eleitorado, caso o pleito fosse hoje, votariam de olhos fechados no atual senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Essa é a percepção junto ao público formador de opinião em Belo Horizonte, Montes Claros, Uberlândia, Juiz de Fora, Ipatinga e especialmente no Sul do Estado. O parlamentar tem sido o rei das redes sociais, cujo espaço virtual é usado para propalar suas ideias. Mas, os seus adversários rebatem: são comentários lacônicos, desprovidos, em muitos casos, de verdades, com a finalidade de incentivar, amplificar a sua conexão com os seus milhares de internautas. Polêmica à parte, em Brasília, personalidades próximas ao Palácio do Planalto analisam que a única chance de conquistar espaço na política mineira, por parte do Partido dos Trabalhadores, seria por intermédio de uma aliança com o senador Rodrigo Pacheco (PSD). Já que a sigla está sem um nome de proa para reunir condições de caminhar na direção de um embate pesado. Mesmo assim, tem alguns defendendo a possibilidade da candidatura da prefeita Contagem, Marília Campos (PT), mas há quem discorde dessa tese, por entender que ela não teria, se fosse nesta ocasião, condições de enfrentamentos pesados com os oponentes, inclusive, sem muita chance de minimizar a influência do senador Cleitinho, junto ao eleitorado jovem, em quase todas as regiões do Estado. O problema do senador Pacheco seria dentro de seu próprio partido. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), tem participado ativamente dos eventos políticos mineiros em diferentes instâncias. Em Brasília, não é novidade para ninguém que Silveira namora uma possível aliança do PSD, com o atual vice-governador Mateus Simões, ainda filiado ao Partido Novo. Vale dizer que Pacheco pode atrapalhar Silveira e vice-versa. Outros nomes A lista de nomes disponíveis para o pleito majoritário de 2026 não é tão extensa. Mas além de Mateus Simões, Rodrigo Pacheco/Alexandre Silveira, e o senador Cleitinho, vem sempre à tona, personalidades como o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Martins Leite, cujo partido, o MDB, está em frangalho no Estado e tem um dono, o deputado federal Newton Cardoso Júnior. No final do ano passado, o presidente da Federação das Indústrias, Flávio Roscoe, disse que não está fora de cogitação a sua participação na cena política durante a peleja de 2026, mas tudo vai depender do cenário à época. No escopo desse projeto para daqui a dois anos cabe listar nomes de reconhecida capilaridade eleitoral, como o ex-prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão (PP). Ele comandou o município por várias vezes, foi deputado federal e é um empresário de sucesso. Em seu currículo consta que nunca perdeu uma eleição, inclusive quando participou de pleitos para dirigir entidades do setor privado, como a Federação da Agricultura de Minas. Quem acompanha o movimento nas redes sociais, tem notado a pretensão do ex-senador Clésio Andrade em colocar o seu nome à disposição do eleitor. No âmbito dos tucanos, continuam fortes as discussões nos bastidores, cuja finalidade é turbinar o nome do deputado e ex-governador Aécio Neves para disputar o Palácio Tiradentes. Esses são os nomes sempre recomendados com vistas a ocuparem os cargos de governador, vice- -governador e duas vagas ao Senado. Ou seja, tem espaço para muita gente.
Empresa Meta anuncia o fim das ferramentas de checagem de fatos

No dia 7 de janeiro, Mark Zuckerberg, fundador e líder da Meta (dona do Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp), anunciou que a empresa vai abandonar o programa de checagem de fatos, que será substituído por um sistema conhecido como “Notas da Comunidade”. A decisão pode ser um retrocesso no combate contra as fake news e mostra um alinhamento de Zuckerberg e da Meta com o governo Donald Trump. O Ministério Público Federal (MPF) enviou um ofício à Meta solicitando esclarecimentos se as mudanças anunciadas pela empresa nos Estados Unidos afetarão os direitos dos usuários dessas plataformas no Brasil. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com Chayana de Rezende, advogada especialista em direito digital. A decisão da Meta de encerrar o sistema de checagem de fake news pode trazer implicações jurídicas para a plataforma? A Meta, ao abandonar a checagem, parece optar por se afastar de um papel mais ativo na moderação de conteúdo, possivelmente para evitar acusações de censura ou enviesamento político. Contudo, isso pode enfraquecer os esforços para conter a disseminação de fake news e gerar implicações jurídicas. No governo atual, onde existe uma maior vigilância sobre os discursos de ódio e desinformação, a decisão da Meta pode ser vista como um retrocesso. O desafio está em encontrar o equilíbrio entre garantir a liberdade de expressão e adotar mecanismos que evitem que essa liberdade seja utilizada para desinformar ou incitar violência. Essa mudança na política de moderação pode abrir precedente para ações judiciais contra a Meta no Brasil, especialmente em relação ao cumprimento do Marco Civil da Internet e da Lei Geral de Proteção de ados (LGP)? Sim, essa mudança pode levar a um aumento de ações judiciais, especialmente se ficar demonstrado que a ausência de mecanismos de moderação contribuiu para danos a terceiros. O Marco Civil da Internet impõe a responsabilidade das plataformas em remover conteúdo após ordem judicial. Já a LGPD pode ser invocada se os dados pessoais de usuários forem usados indevidamente para impulsionar a disseminação de fake news, especialmente se causarem danos morais ou materiais. Qual a sua opinião sobre a compatibilidade entre a nova política da Meta e as obrigações que a empresa tem com a legislação brasileira? Embora a LGPD não trate diretamente de fake news, os impactos causados por informações falsas baseadas em dados pessoais podem ser interpretados como uma violação aos princípios da transparência, segurança, e prevenção, previstos na lei. Nesse contexto, se a disseminação de notícias falsas envolver o uso indevido de dados pessoais ou algoritmos que amplifiquem conteúdos prejudiciais, a Meta pode ser responsabilizada por omissão ou má gestão desses dados. A empresa pode perder dinheiro de publicidade com a saída de empresas anunciantes? Sim, há um risco significativo de perda de receita publicitária. Muitas empresas estão cada vez mais preocupadas com a reputação de suas marcas e buscam associar suas campanhas às plataformas que demonstrem compromisso com o combate à desinformação e ao discurso de ódio. Com a decisão da Meta de abandonar a checagem de fake news, empresas anunciantes podem interpretar isso como uma postura negligente ou um enfraquecimento dos esforços para garantir um ambiente digital seguro e ético. Quais são os direitos dos usuários que se sentem prejudicados por fake news ou ofensas publicadas nas redes sociais? Os usuários têm direito à reparação por danos morais, materiais ou à sua reputação quando prejudicados por fake news ou ofensas nas redes sociais. A legislação brasileira oferece diversas ferramentas para que as vítimas busquem justiça: Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), Código Civil e LGPD. Mas é essencial que as vítimas sejam proativas na defesa de seus interesses. A busca pela justiça também contribui para o fortalecimento de um ambiente digital mais responsável e ético. Há uma lacuna jurídica no Brasil sobre a responsabilidade das plataformas em relação à moderação de conteúdo, que facilita decisões como a da Meta? Sim, a legislação brasileira ainda apresenta lacunas em relação à responsabilidade das plataformas na moderação de conteúdo. O Marco Civil da Internet, por exemplo, foca na retirada de conteúdos apenas após ordem judicial, mas não estabelece critérios claros para a autorregulação ou checagem prévia. Isso abre margem para decisões como a da Meta, que, apesar de polêmicas, não necessariamente infringem a legislação atual.
Estado teve 1,8 milhão de casos prováveis de arboviroses em 2024

As características do verão brasileiro, com altas temperaturas, associadas à grande incidência de chuvas, criam um ambiente ideal para o surgimento das arboviroses, um grupo de doenças virais transmitidas principalmente por mosquitos. Entre elas, destacam-se a dengue, a zika e a chikungunya. De acordo com o Boletim Epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Minas Gerais registrou, em 2024, 1.861.150 casos prováveis de arboviroses. Sendo 1.695.098 de dengue, 165.859 da febre chikungunya e 193 registros do vírus zika. Os óbitos confirmados por dengue somaram 1.124. O presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), Adelino de Melo Freire Júnior, ressalta que os dados de 2024 são alarmantes. “O número de casos de arboviroses foi muito superior ao nosso recorde histórico. São índices, que há uma década, não podíamos sequer imaginar e agora estão com tendência de crescimento. Esses dados mostram como as nossas medidas não têm sido suficientes para conter o avanço das arboviroses no ambiente urbano”. “No momento em que acontece o pico da incidência desses casos, o resultado é uma crise no sistema de saúde. Há uma sobrecarga enorme na rede, tanto privada quanto pública, com pessoas esperando para serem atendidas, com quadros potencialmente graves, que não conseguem suporte adequado e, com isso, tem complicações. Não é à toa que tivemos também o recorde do número de óbitos em 2024”, esclarece o presidente. Pico de registros O infectologista da Unimed-BH, Frederico Figueiredo Amâncio, explica que o pico de registros das arboviroses é comum nesta época, que vai de dezembro a março. “Em períodos de chuvas e calor, há maior proliferação do vetor e, consequentemente, dessas doenças. No caso da dengue, por exemplo, já há alguns estudos em andamento que mostram que as mudanças climáticas, acúmulo de água parada e dificuldade de controle do vetor são condições que aumentam o risco de epidemias”. Geralmente, existem grupos com maior propensão a formas graves da enfermidade. “Além das gestantes, pessoas com mais de 65 anos, crianças e pacientes com comorbidades como hipertensão, diabetes, doença renal crônica e com anemia falciforme são grupos de risco. Embora demandem acompanhamento médico, não existe tratamento específico para as arboviroses, a hidratação é o ponto chave para evitar complicações graves”, afirma Amâncio. Freire destaca que a dengue pode trazer complicações neurológicas. “Algumas sequelas não são tão comuns, mas acontecem. Para a zika, o alerta é para as gestantes, pois sabemos do impacto severo nos bebês, com a malformação da criança, a microcefalia. E a chikungunya talvez seja a que tem maior potencial de trazer doença crônica. Enfermidades articulares persistentes que podem levar à dor, à perda da qualidade de vida de forma permanente, necessitando de suporte de saúde, assistência com fisioterapia, médicos e uso de medicação”. Vacina contra dengue O infectologista pontua que existem duas vacinas disponíveis no Brasil. “Mas nem todos podem receber a dose, pois são imunizantes de vírus vivo atenuado. Desta forma, estão contraindicadas para gestantes e lactantes, como também para pessoas com imunossupressão. É importante destacar que existem faixas etárias específicas para uso e outras particularidades. Uma das vacinas, por exemplo, pode ser administrada apenas para pacientes que já tiveram dengue comprovada anteriormente”. “A vacinação é uma ferramenta muito importante para reduzir o número de casos e internações por dengue. Desde o início da campanha, o Ministério da Saúde estipulou que o público-alvo no Brasil, para receber a imunização gratuita, será crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre elas. A pasta divulgou recentemente que adquiriu 9 milhões de doses para 2025, mas ainda não disponibilizou o cronograma”, acrescentou. Entretanto, ele observa que as medidas de combate ao vetor devem ser mantidas. “Principalmente porque a vacina contra a dengue não chega a 100% de cobertura e não tem proteção contra outras arboviroses. O controle requer esforços coordenados, incluindo medidas de prevenção, como a eliminação de criadouros de mosquitos e a implementação de estratégias de controle vetorial”, conclui.
PIB pode crescer até 2,5% este ano

A primeira edição de 2025 do Boletim Focus, publicada pelo Banco Central (BC), trouxe projeções de mais de cem instituições financeiras e consultorias para os principais indicadores econômicos do Brasil ao longo do ano. Uma das expectativas dos economistas é que o Produto Interno Bruto (PIB) alcance um crescimento de 2% até o encerramento de 2025. Enquanto isso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta uma expansão de 2,5%, e o governo federal estima um aumento de 2,6%. O economista Fábio Ongaro explica que, para que essas projeções se concretizem, fatores como a manutenção de um ambiente macroeconômico estável, controle da inflação e equilíbrio fiscal serão fundamentais para atrair investimentos e manter a confiança do mercado. “Além disso, a continuidade de reformas estruturais, como a tributária e a administrativa, poderá melhorar a eficiência do setor público e reduzir custos para as empresas. Investimentos em infraestrutura e tecnologia também desempenharão um papel crucial, impulsionando a produtividade e a competitividade do país”. Já na avaliação do economista Gelton Pinto Coelho Filho, as projeções dos últimos anos frequentemente divergiram dos resultados reais obtidos. “Com a mudança de governo e das políticas econômicas, houve um acréscimo de renda e da massa salarial. Assim, o consumo e o crescimento se sustentaram de forma mais consistente. A manutenção da atual política econômica é essencial para o crescimento e o controle da inflação”. Atualmente em 12,25%, a projeção do Boletim Focus é que a taxa Selic alcance 15% ao final de 2025. Gelton Pinto Coelho Filho avalia que as decisões do Conselho de Política Monetária (Copom) em manter a taxa de juros elevada são equivocadas. “O BC, de maneira incorreta, acaba elevando a taxa de juros para conter uma inflação que não é controlada com esse tipo de instrumento. O que precisa ser ajustado é a meta de inflação e, a partir disso, a readequação da Selic”. Fábio Ongaro destaca que a flexibilização da política monetária ao longo do ano dependerá do comportamento da inflação e das expectativas do mercado. “Se a inflação estiver desacelerando e permanecendo dentro da meta estabelecida, o BC poderá reduzir gradualmente a taxa Selic. Fatores como a estabilidade fiscal, a evolução dos preços internacionais de commodities e a dinâmica do câmbio também influenciarão essa decisão. O ritmo de crescimento econômico será considerado, especialmente se sinais de desaceleração exigirem estímulos para a atividade produtiva”. “Qualquer decisão do Banco Central deve ser cautelosa e dependente de dados concretos sobre a economia, garantindo equilíbrio entre estímulo ao crescimento e estabilidade de preços”, complementa. Em relação à cotação do dólar, a expectativa é que US$ 1 atinja R$ 6 até o término de 2025. Fábio Ongaro espera que o Brasil busque medidas para uma política fiscal responsável, assegurando equilíbrio nas contas públicas. “Reforçar a autonomia do BC e seguir com políticas monetárias previsíveis também é essencial. Avançar em reformas aumenta a eficiência econômica e atrai investimentos. A segurança jurídica no Brasil é um dos fatores-chave para manter o investidor estrangeiro motivado a investir aqui, garantindo regras estáveis e permanentes”. Por outro lado, Gelton Pinto Coelho Filho avalia que, na reta final de 2024, houve um ataque especulativo contra o Real, e o BC não tomou as medidas necessárias para conter a alta do dólar. Ele lembra que as movimentações típicas de fim de ano também contribuíram para a valorização da moeda americana. “Outras moedas também sofreram com o crescimento do dólar. Precisamos aguardar a posse de Donald Trump para termos uma análise mais precisa sobre o futuro da economia americana e como os outros países ajustarão suas políticas”. Equilíbrio fiscal Os dois economistas destacam que, para 2025, será necessário que o Brasil encontre um equilíbrio entre entradas e saídas de recursos. Fábio Ongaro ressalta que esse exercício é complexo. “Ainda mais quando o Brasil exige expressivos investimentos em infraestrutura para melhorar a competitividade e fomentar o crescimento econômico. Uma gestão eficiente dos recursos, evitando gastos desnecessários e buscando parcerias público-privadas adequadas, é a solução mais saudável para essa necessidade”. “O equilíbrio fiscal é fundamental, apesar da redução no déficit nos últimos anos. Uma taxa de juros elevada gera um custo adicional para o país, desequilibrando suas contas. Um ajuste fino é essencial para que a economia continue funcionando bem, gerando crescimento e aumento nas receitas. Além de equilibrar as contas, isso cria oportunidades para novos investimentos”, finaliza Gelton Pinto Coelho Filho.
Adalclever volta à Assembleia e já almeja o Tribunal de Contas

Aproxima-se a data em que acontecerá o retorno dos trabalhos dos deputados estaduais mineiros. Na sessão a ser realizada no início de fevereiro, ocorrerá o período pleno da atuação dos parlamentares, com instalação de comissões, implementação de agenda destinada às reuniões, votações e convocação de autoridades para esclarecimentos, nos eventos atinentes a temas diversos. Neste limiar de 2025, um assunto em especial tem chamado a atenção nos bastidores da Casa Legislativa. Trata-se do regresso do deputado Adalclever Lopes ao posto de parlamentar, para cumprir um mandato suplementar de dois anos, beneficiado em função de prefeitos que eram do Legislativo estadual e agora se tornaram titulares das prefeituras municipais. O novo deputado ficou seis anos fora do poder. Ex-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Adalclever foi candidato a governador em 2018, obtendo uma votação pífia. Em 2022, buscou a eleição ao Legislativo, mas sem sucesso. Com isso, ficou esse longo tempo fora de combate. Mesmo assim, seus amigos propalam que ele está voltando para ser protagonista junto aos colegas, embora, segundo levantamento de bastidores, encontrará um ambiente completamente diferente de outrora. Até porque, nessas duas legislaturas, foram renovados mandatos de pelo menos 60% dos cargos. Enfim, Adalclever já não teria mais a chance de tentar voos mais altos. Contudo, já tem pessoas dizendo que no meio do ano, tentará ser indicado ao Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCE-MG). Um dos defensores de Adalclever é o presidente do Republicanos no Estado, deputado federal Gilberto Abramo. Ele lembra que se trata de um nome de respeito com chances de se revitalizar politicamente. Com pouca dose de otimismo dos amigos e antigos parceiros, o agora novo deputado não encontrará lugar nos postos de direção da Assembleia, cujos cargos já foram todos preenchidos. Até mesmo seu antigo ninho, o MDB, não o aceitaria de volta, de acordo com sondagens feitas junto ao presidente da sigla, Newton Cardoso Júnior. Ele ressente da decisão de Adalclever, à época, em que tinha muito prestígio e deixou o partido para ser candidato por sigla diferente. Muito provavelmente, o caminho para o recém- -chegado deverá ser efetivamente o aludido partido Republicanos, apostam pessoas que o conhecem. Na última eleição à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) coube a ele coordenar a campanha do então candidato, o deputado estadual Mauro Tramonte, de quem ficou e continua muito próximo. A importância da retomada do ex-presidente à vida pública está minimizada a partir da decisão da Mesa Diretora do Legislativo, que no final do ano, definiu a data de dezembro, para eleição da presidência e demais membros da cúpula da instituição. Isso terminou por seccionar as especulações no caminho de uma possível pretensão do antigo emedebista de voltar ao comando do poder local. Certamente, não ficará completamente isolado, mas diante da ausência de seu antigo companheiro, como o ex- -presidente Agostinho Patrus, agora no Tribunal de Contas, o espaço de Adalclever Lopes como político pode se tornar mais curto, possivelmente, sem muita expectativa de glamour e o brilho do passado.