Setor têxtil e de confecção faturou R$ 215 bilhões no ano passado

Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o setor registrou um faturamento de R$ 215 bilhões em 2024, um aumento se comparado com 2023, que atingiu R$ 203,9 bilhões. Na produção, o segmento têxtil também apresentou crescimento de 4% nos 11 primeiros meses do ano passado, em relação ao mesmo período de 2023, enquanto o vestuário avançou 3,8%. Em termos de empregos, o setor apresentou resultados positivos. De janeiro a outubro de 2024, foram criados 30,7 mil postos de trabalho, sendo 14,2 mil no segmento têxtil e 16,5 mil na confecção. No período de dezembro de 2023 a novembro de 2024, o saldo positivo do segmento, como um todo, foi de 7,1 mil vagas. O diretor superintendente da Abit, Fernando Valente Pimentel, pontua que a economia brasileira, o que deve ter crescido em torno de 3,5%; o grande aumento na quantidade de pessoas empregadas; da massa salarial; dos programas sociais e de incentivos fiscais, fizeram com que houvesse uma aceleração e a alta da capacidade de consumo da sociedade brasileira. “É verdade que do lado da confecção, que cresceu em torno de 3,8%, vinha de um tombo de 7,3%, em 2023. Portanto, recuperou metade daquilo que caiu no período. Já o têxtil aumentou 3,9% e vinha de uma expansão de 0,9%, foi um crescimento sobre o crescimento”. Sobre a geração de empregos, Pimentel destaca que é um número positivo e a perda do ano anterior foi recuperada, cerca de 3 mil postos formais de trabalho. “Teríamos muito mais capacidade de gerar empregos formais, a respeito das dificuldades que nós temos com relação à contratação de pessoas, caso não tivéssemos tido tanta importação. Para 2025, estamos estimando uma contratação no campo positivo, mas menor do que a ocorrida em 2024”. “Estamos com uma previsão de expansão do setor em torno da metade do indicador de 2024, que foi entre 3,1% e 3,9%, para 1,4%, em média. Por isso, é natural imaginar que a geração de postos formais de trabalho vai acompanhar esse ritmo menor do desenvolvimento da nossa indústria, que vai repetir, da mesma forma, o crescimento menor do Produto Interno Bruto (PIB)”, acrescenta. Exportações Nas exportações, os produtos têxteis e de confecção totalizaram US$ 908 milhões, enquanto as importações chegaram a US$ 6,6 bilhões, resultando em um saldo negativo de US$ 5,7 bilhões. Em relação ao ano anterior, o volume das importações aumentou 20,8% e o das exportações diminuiu em 3,8%. As compras externas de roupas tiveram expansão de 21,4%, sendo a maior parcela advinda da China. O economista Gelton Pinto Coelho explica que grande parte da queda das exportações se deve à crise enfrentada pela Argentina. “No mesmo período de 2023, o país vizinho importou US$ 40,9 milhões deste produto, e no ano de 2024 foi apenas US$ 17,2 milhões, ou seja, uma queda de 58%. Ao contrário do Brasil, a Argentina adota um modelo mais radical de combate à inflação. O empobrecimento da população e o encarecimento dos produtos impede maior demanda”. “Com base no crescimento dos últimos anos e no avanço da renda, é provável a manutenção deste avanço no faturamento. Há possibilidade de pós-implementação da reforma tributária, de um crescimento contínuo e ainda maior do mercado interno. Porém, existem desafios e os maiores deles são as condições de financiamento, a concorrência internacional e a manutenção da política de salários e renda”, acredita o profissional. Expectativas Para 2025, segundo levantamento feito pela Abit com empresários do setor, as perspectivas são otimistas. Dentre os entrevistados, 45% preveem crescimento moderado do mercado interno, entre 2,1% e 4%, e 8% acreditam em um aumento significativo das exportações. Investimentos também estão no horizonte, com 42% das empresas planejando aportar recursos moderadamente, priorizando maquinário, tecnologia e automação, e 31% focando na expansão da capacidade produtiva.
Minas tem mais professores temporários do que efetivos na rede estadual de ensino

Minas Gerais é o Estado com o maior número de professores temporários. O índice chega a 80%, contra 19% de profissionais efetivos, é o que diz um levantamento feito pela organização Todos pela Educação. O crescimento estimado de temporários, entre 2013 e 2023, foi de 540%, em meio a um corte de 69,3 mil efetivos, queda de 77%. A psicopedagoga Ângela Mathylde Soares diz que o impacto no ensino de ter mais temporários que efetivos é péssimo. “Porque o temporário não tem comprometimento com a sala de aula, alunos e com a escola, já que pode perder o lugar na instituição quando o professor efetivo voltar. O profissional vai ter comprometimento com o salário e de passar o conteúdo, mas de se envolver, trabalhar as habilidades, as competências, as questões socioemocionais, fica muito a desejar”. Para Ângela, o magistério não é mais uma carreira promissora, tanto na questão de envolvimento e formação quanto em retorno e reconhecimento. “O professor hoje, não é bem assistido. Então, as outras profissões estão sendo mais procuradas e as pessoas não estão mais fazendo concurso. E a forma de reverter esse quadro é realmente assumir a pedagogia como ciência científica e de embasamento, e formalizar e identificar o objetivo do professor”. Brasil No país, o cenário é o mesmo, visto que o número de professores concursados nas redes estaduais de ensino caiu ao menor patamar em 10 anos, enquanto o total de temporários cresceu de forma significativa entre 2013 e 2023. Desde 2022, o total de docentes contratados superou o de concursados nas redes estaduais. Em 2023, as redes contavam com 356 mil temporários (alta de 55%), contra 321 mil professores efetivos (queda de 36%). De acordo com o estudo, o aumento das contratações temporárias é um dos principais motivos para o crescimento do quadro geral de professores nas redes estaduais nos últimos anos. Entre 2020 e 2023, por exemplo, houve acréscimo de quase 30 mil profissionais no corpo docente das redes. Apesar disso, ao longo da década, o número geral teve redução de 57 mil docentes, movimento alinhado com a diminuição de matrículas da educação básica. Segundo o gerente de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, Ivan Gontijo, a contratação de professores temporários é um elemento importante para garantir que as redes de ensino consigam compor o seu quadro completo de docentes. “No entanto, esse tipo de contratação deveria ser uma exceção, a ser utilizada em casos específicos previstos na legislação, mas o que vemos é que ela tem se tornado a regra nas redes estaduais de ensino”. “Isso está relacionado com a baixa frequência de realização de concursos públicos para docentes, motivada por diversas questões, como a proibição de novos concursos em decorrência da pandemia, desafios fiscais nos estados e a própria preferência de alguns gestores pelo modelo de contratação mais flexível. Isso pode trazer impactos negativos para a educação, em especial quando se observa que em muitas redes é baixa a qualidade das políticas de seleção, alocação, remuneração e formação para esses profissionais”, afirma Gontijo. Ângela reforça que a contra- -tação temporária não é positiva. “Porque o profissional não sabe quando será trocado pelo efetivo e, muitas vezes, o professor é despreparado. Essa ação é um ‘tapa-buraco’ para o estudante completar a carga horária e a escola também. Isso acontece muito na rede estadual, diferente da rede municipal, onde todos os professores são efetivos, o que facilita muito para a qualidade de ensino. Pois, a pessoa não perde seu cargo”. Estados O estudo também mostra que a proporção de docentes temporários e efetivos varia de acordo com a Unidade Federativa (UF) do país. Em 2023, 15 unidades federativas possuíam mais professores temporários do que efetivos e, ao longo da década, 16 UFs aumentaram o número de professores temporários e diminuíram o quadro de concursados. Para finalizar, a psicopedagoga afirma que a tendência é o índice de temporários continuar a crescer. “Enquanto não tiver material humano qualificado, será necessário buscar mais temporários e não capacitados para preencher essas vagas”.
Estudos apontam conexão entre diabetes mellitus e a demência

Pesquisas científicas identificaram a existência de uma conexão entre o diabetes mellitus e a demência. O estudo revelou que pessoas com baixo controle do diabetes têm de 22% a 78% mais risco de evoluir a demência, e que outras pessoas portadoras de Alzheimer e sem diabetes mostraram uma velocidade menor de desenvolver um declínio cognitivo importante. O índice elevado de açúcar no sangue pode ser um fator significativo para a incidência de Alzheimer, bem como uma causa secundária de demência. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, o diabetes mellitus e a doença de Alzheimer são condições relacionadas com a idade e ambas são caracterizadas por aumento de incidência e de prevalência ao longo do envelhecimento. O diabetes tem sido fortemente associado ao declínio cognitivo e ao risco aumentado de desenvolver todos os tipos de demência, incluindo o Alzheimer. Segundo a entidade, em uma pesquisa recente, foram reunidos dados de vários estudos de coorte do diabetes e de Alzheimer e uma metanálise contendo 1.746.777 indivíduos para investigar as evidências que relacionam o diabetes como um fator de risco para o desenvolvimento da doença de Alzheimer. “Os resultados da pesquisa mostraram que o risco de desenvolver a patologia é maior entre as pessoas com diabetes do que na sociedade em geral, especialmente nas populações orientais”. A médica geriatra da Saúde no Lar, Simone de Paula Pessoa Lima, explica que a diabetes mellitus, especialmente o tipo 2, pode causar ou contribuir para o desenvolvimento de demência. “Isso ocorre devido aos efeitos deletérios que a hiperglicemia crônica, a resistência à insulina e as complicações vasculares associadas à diabetes exercem no cérebro, comprometendo a saúde dos neurônios e da circulação cerebral”. “A diabetes está associada a alterações metabólicas e vasculares que afetam diretamente o cérebro. A hiperglicemia crônica promove o estresse oxidativo e a inflamação, que causam danos neuronais e vasculares. A resistência à insulina interfere no metabolismo energético cerebral e favorece o acúmulo de proteínas tóxicas, como a beta- -amiloide, associada ao Alzheimer. Além do mais, o diabetes contribui para doenças nos vasos sanguíneos cerebrais, como aterosclerose e microangiopatia, que podem levar a infartos cerebrais silenciosos ou acidente vascular cerebral (AVC), típicos da demência vascular. Esses processos, somados, aumentam significativamente o risco de déficits cognitivos”, acrescenta. Sintomas e tratamento Os sintomas, em pessoas com diabetes, variam dependendo do tipo de demência, revela Simone. “Mas, os mais comuns incluem perda progressiva de memória, dificuldade em planejar ou realizar atividades cotidianas e alterações na linguagem, com muitas repetições e dificuldade em reconhecer lugares ou pessoas. Além disso, mudanças de humor, desorientação e perda de habilidades sociais, também podem ocorrer. Em casos de demência vascular, os indícios podem surgir de forma mais abrupta e incluir déficits neurológicos, como fraqueza em um lado do corpo, dificuldade de equilíbrio ou marcha instável”. “O tratamento da demência vascular, especialmente quando associada à diabetes, é focado na prevenção da progressão da doença, no controle dos sintomas e na promoção da qualidade de vida. Embora não exista uma cura, a estabilização do quadro pode ser alcançada por meio de uma abordagem multidisciplinar. O principal objetivo é o controle rigoroso dos fatores de risco vascular, como hipertensão arterial, diabetes e dislipidemia”, afirma a profissional. Ela termina destacando as principais formas de prevenção. “Mudanças no estilo de vida têm papel fundamental. Adotar uma dieta saudável; prática regular de exercícios físicos aeróbicos, como caminhadas, também melhora o fluxo sanguíneo cerebral e auxilia no controle glicêmico e da pressão arterial; e estimulação cognitiva por meio de atividades que desafiem o cérebro, como leitura, jogos e aprendizado de novas habilidades, pode ajudar a preservar as funções mentais. Além disso, um sono de qualidade deve ser incentivado, pois distúrbios como apneia obstrutiva estão associados ao declínio cognitivo; entre outros”.
Plantio de maçã é uma alternativa para a agricultura no Sul de Minas

Para diversificar a produção agrícola e garantir renda aos agricultores, as cidades de Alfenas, Guaxupé, Monte Santo de Minas, Guaranésia e Aerado, no Sul de Minas, conhecidas como produtoras de café, estão fazendo parte de um projeto da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) de plantio de maçã. Os produtores participantes finalizaram a colheita da primeira safra, que somou 30 toneladas da fruta. Ao todo, foram plantados 1,5 mil pés de maçã em uma área de aproximadamente dois hectares. Em Alfenas e Guaxupé, as duas propriedades participantes também servem de Unidades Demonstrativas, recebendo visitas de outros produtores da região interessados em conhecer a cultura e suas técnicas de manejo. O projeto teve início em 2023, e promove a compra conjunta de mudas e garante assistência técnica aos agricultores, desde a escolha da área de plantio até o manejo das árvores. As variedades cultivadas, Eva e Princesa, foram desenvolvidas pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), e a produção inicial aponta potencial para atender programas institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). A proposta busca abastecer o mercado regional, com o fornecimento de frutas frescas. O coordenador técnico da Emater-MG e responsável pelo projeto, Kleso Franco Júnior, explica que a produção de maçã exige dedicação e acompanhamento técnico. “No primeiro ano de colheita, algumas plantas chegaram a produzir 15 quilos de frutos por pé, o que é muito significativo para uma cultura ainda em fase de teste nas propriedades dos agricultores”. Ele destaca ainda que a ideia surgiu com a proposta de desenvolver a cultura no Estado como forma de mais uma possibilidade de renda e emprego. “Está sendo transmitida aos produtores a possibilidade de mais uma cultura como opção, pois as condições climáticas na região são boas, desde que utilizando técnicas e variedades adequadas”. Diversificação Em Guaranésia, o cafeicultor Luís Celso Pedroso diversificou sua propriedade com maçã, pêssego e uva, em uma pequena área de 0,5 hectare. Segundo ele, a ideia é testar qual a fruta melhor se adapta ao local. “A área que tenho é pequena para o plantio de milho e soja. E também muito sujeita a geadas, o que não é bom para o café. Então, estou fazendo estes testes e a experiência com a maçã tem sido boa. A primeira colheita de maçã rendeu 170 quilos e foi vendida para um feirante do município”, afirma o produtor. Em Areado, a Emater fez uma parceria com a prefeitura, que forneceu mudas e insumos para 20 produtores em 2023. “Lá não ficamos focados somente na maçã. Também está sendo incentivado o plantio de goiaba, maracujá, citros, banana e outras frutas”, pontua Kleso Franco Júnior. Os resultados mostram que a maçã pode ser uma alternativa viável no Sul de Minas, proporcionando maior rentabilidade aos pequenos produtores. A expectativa é ampliar o alcance em 2025, beneficiando outros 20 agricultores e expandindo a área plantada. Números De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui mais de 32 mil hectares cultivados com pomares de macieira, com capacidade anual superior a 1,3 milhão de toneladas. São mais de três mil produtores, sendo que a maioria está localizada no Estado de Santa Catarina por meio de pequenos produtores. Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), em 2022, o país foi o segundo maior produtor da fruta de todo o hemisfério Sul, e o 15º principal produtor em nível mundial. Em 2023, conforme a ABPM, o Brasil exportou mais de US$ 30 milhões em maçãs, cerca de 36 mil toneladas. Os principais importadores foram Índia (US$ 11.929.258), Bangladesh (US$ 5.280.245), Emirados Árabes (US$ 2.876.274), Portugal (US$ 2.730.715) e Irlanda (US$ 2.146.688). O Rio Grande do Sul é o principal Estado exportador, que detém cerca de 80% das exportações.
Estudo revela queda no percentual de usuários do transporte público

Segundo a pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) de Mobilidade da População Urbana, o percentual de pessoas que utilizam o ônibus diminuiu. Em 2024, o quantitativo foi 14,3 pontos percentuais menor em comparação com 2017, quando a parcela que utilizava esse veículo era de 45,2%. Nesse mesmo sentido, o uso do metrô também reduziu de 4,6% para 4,2%. O estudo aponta também, analisando o mesmo período, que a parcela da população que considera o transporte público um problema quase dobrou, passando de 12,4% para 24,3%. Em 2024, 29,4% dos entrevistados afirmaram que deixaram de usar totalmente o ônibus e 27,5% diminuíram o uso. O membro da Comissão Técnica de Transporte da Sociedade Mineira de Engenheiros e do Observatório da Mobilidade de Belo Horizonte, José Aparecido Ribeiro, conversou com o Edição do Brasil sobre o tema. Quais são os pontos que explicam a elevação dos preços do transporte público?A qualidade do transporte público, que é ruim, e por isso, as pessoas estão deixando de usar. Com as facilidades de crédito e de parcelamento, especialmente da motocicleta, os usuários deixam de usar o transporte público. Então, no meu entendimento, a qualidade piorou e vem piorando. Cidades como Belo Horizonte, que o metrô transporta 200 mil pessoas por dia, perto do que é necessário, que é de 1 milhão e 500 mil, ele não serve, pois não tem utilidade, do ponto de vista da mobilidade. Teríamos que ter mais linhas. Qual seria a melhor solução para driblar o problema da diminuição de passageiros para não impactar na tarifa?Qualidade, as pessoas querem um transporte público de boa qualidade. Outro ponto é que a nossa cultura tem muito mais a ver com o modelo americano do que o europeu. Para o brasileiro, o carro não significa só transporte, significa status. E mapeamento de origem/destino, precisamos saber de onde as pessoas saem e para onde elas vão, isso bem mapeado ajuda a incentivar o uso do transporte público. Quais são os principais problemas de financiamento?O problema de financiamento do transporte público é que alguém tem que pagar a conta. Nos países desenvolvidos temos exemplos de governos que investem na infraestrutura e fazem concessão, para a iniciativa privada, para a manutenção, porque os investimentos são muito caros. As cidades, infelizmente, estão quebradas e o Pacto Federativo do Brasil concentra o dinheiro em Brasília e deixa os municípios à míngua. E o transporte coletivo é um problema do Executivo municipal, não do governo federal. Por que o subsídio dado pelas prefeituras não consegue manter o preço das passagens aos passageiros?Não é simples subsidiar um transporte coletivo para uma cidade que tem uma demanda, por dia, de 1,2 milhão de pessoas, por exemplo. É ilusão de que dos nossos impostos é possível dar transporte coletivo para a população. Aqueles países que fizeram investimento em infraestrutura de metrô, monotrilho e Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), conseguem administrar melhor a situação. Os que dependem da iniciativa privada com carrocerias de ônibus estão em situações mais difíceis. Quais são as principais dificuldades para implantar a Tarifa Zero?O sistema custa caro, a prefeitura tem outras prioridades e alguém precisa pagar a conta para que haja transporte coletivo, ou seja, alguns têm que pagar pelos outros, os que não usam têm que pagar pelos que usam. Nós pagamos 35% de impostos, mas as demandas são maiores. As contas precisam ser refeitas, sob demanda e oferta, para que haja um equilíbrio de preço. Qual seria a melhor solução para melhorar o sistema de transporte público no país?A diversificação dos modais, oferecendo mais conforto e preço justo. Investir em modais de transporte que têm apelos capazes de fazer as pessoas, que andam de carro, pensarem em mudar de comportamento. Que seriam: o metrô, em primeiro lugar; o monotrilho e VLT, em segundo; e só em terceiro, o ônibus, montados com mais comodidade.
Produção de veículos atinge a marca de 2,5 milhões em 2024

A produção de veículos no Brasil apresentou alta de 9,7%, se comparado com 2023. Foram 2.550 milhões de produção total, segundo o levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Isso fez com que o país retomasse da Espanha o posto de oitavo maior produtor de veículos em 2024. O fato mais representativo foi que a soma de vendas de novos e usados chegou à marca de 14,2 milhões de veículos leves vendidos, maior resultado na história do país. Nos emplacamentos, o fechamento foi de 2.635 milhões de unidades, volume 14,1% mais alto que o do ano anterior, e bem superior à média global, que foi de +2%. Foi o maior aumento no ritmo de vendas internas desde 2007. De acordo com o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, há uma demanda reprimida por transporte individual que vem sendo atendida de forma crescente, graças às melhores condições de crédito. “Se essas condições melhorarem e se houver uma política de renovação de frota, mais pessoas poderão optar por veículos zero quilômetro”, ressalta. Já para o economista Paulo Roberto Paixão Bretas, a economia brasileira vem crescendo pelo lado da demanda. “O desemprego atingiu níveis bem baixos e o governo tem irrigado o consumo com o fortalecimento do salário mínimo e os programas sociais. A classe C voltou a crescer e com ela vem um maior consumo de bens duráveis”. “Também tivemos, até 2024, uma ampliação dos investimentos por parte da indústria. Só que as coisas vão mudando muito rapidamente e a partir do quarto trimestre já se pode perceber a perda de dinamismo da economia. A compra de bens duráveis é muito dependente de crédito, juros e do número de parcelas, e a facilitação desses fatores contribui para aumentar as vendas”, acrescenta. Porém, ele destaca que a tendência atual é de desaceleração. “O governo se vê pressionado a equacionar sua situação de endividamento e existe uma desconfiança crescente em relação ao arcabouço fiscal. Não adianta forçar a economia a crescer via consumo, quando ela não consegue responder com produção interna ou mais importações”. Exportações e importações Conforme a Anfavea, as exportações de dezembro confirmaram o forte viés de alta do segundo semestre, que compensaram o fraco desempenho do primeiro e praticamente igualaram o resultado de 2023, indicando um 2025 de recuperação nos embarques. Ao todo, 398,5 mil autoveículos foram enviados para outros países. Argentina e Uruguai foram os destaques em termos de crescimento, a ponto de compensar as quedas de envios para todos os outros países da América Latina. Já as importações tiveram o melhor período entre os últimos 10 anos, com 466,5 mil emplacamentos, alta de 33% impulsionada pela entrada maciça de eletrificados, em especial da China. Bretas ressalta que o Brasil se tornou uma das plataformas mundiais para montagem e exportação de veículos. “Faz parte da estratégia de muitas dessas multinacionais seguir produzindo e exportando. Temos mão de obra qualificada e o dólar pode favorecer um aumento de vendas. Mas, é bom lembrar que quando essas empresas importam componentes para a montagem de veículos, em especial os microeletrônicos e peças mais sofisticadas, também estará pagando um dólar mais caro”. Projeção para 2025 A Associação estima o emplacamento de 2.802 unidades para 2025, um aumento de 6,3%; a exportação de 428 mil autoveículos, crescimento de 7,4%; e a produção total de 2.749 novas unidades, um avanço de 7,8%, em relação a 2024. O economista aponta que o aumento da concorrência é um dos principais desafios do setor em 2025. “Além das taxas de juros mais elevadas, uma possível queda no poder de compra da população e a descontinuidade de algumas cadeias produtivas ocasionais”. “O governo federal precisa lidar com condições macroeconômicas difíceis em decorrência da falta de credibilidade disseminada, que decorre de uma dívida pública elevada, consequência de déficits primário e nominal. Estamos pagando muito para fazer a rolagem da dívida. O mercado desconfiado e criando desconfiança”, finaliza.
Estudo mostra que futebol feminino tem conquistado ainda mais público

O futebol feminino brasileiro foi medalha de prata nos jogos olímpicos de Paris 2024, e em 2027, o Brasil será sede da Copa do Mundo Feminina, esses motivos podem contribuir para um momento próspero para a modalidade. Dados mostram que o número de torcedores que assistem apenas a partidas do clube do coração cresceu e chegou a 21%. Em 2023, esse índice era de 18%. Já o percentual da torcida que assiste ao máximo de jogos que consegue foi de 18% para 17%, permanecendo na margem de erro. O estudo aponta ainda que a tendência é de queda nos números de quem não assiste a modalidade. Se em 2023, o percentual era de 62%, no levantamento atual, este número é de 59%, é o que revela a pesquisa “Maior Raio-X do Torcedor”, realizada pela Quaest. A jornalista esportiva Aline Teixeira acredita que o índice do público que acompanha a modalidade vai crescer ainda mais. “Embora caminhamos a passos muito mais lentos que poderia para a evolução tanto da modalidade tecnicamente quanto do número de adeptos ao futebol jogado por mulheres. Vivemos um processo mais desafiador e cheio de heranças negativas do que foi a evolução do futebol masculino. Porém, ainda assim, já começamos a fazer com que as pessoas entendam que a modalidade feminina veio para ficar”. Ela pontua que transpor as barreiras do machismo estrutural é o principal desafio. “Descartar essas heranças que o machismo deixa na sociedade, que trava a evolução e o desenvolvimento do futebol feminino. Parece que estamos na época quando a modalidade era proibida para mulheres. As pessoas ainda carregam esse estigma, mesmo que inconscientemente”. “Outro grande desafio é fazer com que mais mulheres estejam à frente, também, das grandes equipes. Ocupem cargos de gestão e de liderança, porque é com o olhar dessas mulheres que a visão geral do clube sobre a modalidade vai passar do cumprimento de uma obrigatoriedade para se transformar em algo estratégico, profissionalizado e sustentável”, acrescenta. Os clubes “Cito três equipes que já entenderam que o futebol feminino precisa ser encarado de forma profissionalizada. O Corinthians, que já é consagrado; o Palmeiras, principalmente depois da chegada da Leila Pereira; e o Cruzeiro. Temos que dar um destaque também para o Ferroviária, uma equipe tradicional e organizada. Existem outros times que também fazem um trabalho sério”, conclui Aline. Perfil Segundo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), há mais de 7.300 jogadoras amadoras no Brasil e 801 atuando em equipes profissionais. De acordo com o Diagnóstico do Futebol Feminino do Brasil, feito em 2023 pelo Ministério do Esporte, 84% das atletas nas categorias de base jogam em times do Sul e Sudeste (50% em cada). Deste total, 73% das meninas nasceram em estados das duas regiões, o restante é formado por jogadores emigrantes. A atacante Rayla Santana, de 24 anos, revela que desde pequena sempre teve paixão pelo futebol. “Assistia os meninos jogarem e me apaixonei pela forma que eles comemoravam. Via a felicidade neles e eu queria essa felicidade para mim”. Ela é profissional há seis anos e sempre disputou campeonatos nas favelas do Rio de Janeiro. “Comecei nas quadras, depois fui para o campo, onde me apaixonei de vez pelos gramados. Um belo dia, uma amiga me chamou para jogar pelo Foz Iguaçu e aceitei, mas tive muitos problemas e voltei para o Rio. Pouco tempo depois, a gerente do Fluminense me ligou querendo me contratar, e foi nesse momento que ganhei a oportunidade de virar uma profissional”. Atualmente, Rayla trabalha em Belo Horizonte. “Meu sonho é chegar à Seleção Brasileira e mudar o meu futuro e o da minha filha com o futebol. Pelo último Campeonato Mineiro, fui a primeira atleta da história a marcar um gol pelo time feminino do Itabirito e ganhei uma placa do clube”.
28ª Mostra de Cinema de Tiradentes abre o calendário audiovisual de 2025

Entre os dias 24 de janeiro e 1º de fevereiro será realizada a 28ª Mostra de Cinema de Tiradentes, na região Central do Estado, que abre o calendário audiovisual de 2025. Com programação totalmente gratuita, em formato on-line e presencial, o evento apresenta, exibe e debate o que há de mais inovador e promissor na produção audiovisual brasileira, em pré-estreias mundiais e nacionais. A Mostra oferece um espaço de formação, apreensão e discussão do cinema brasileiro, realiza a Mostrinha de Cinema, Mostra Valores, promove o 28º Seminário do Cinema Brasileiro, o 3º Fórum de Tiradentes, Rodas de Conversa, Programa de Formação, Conexão Brasil CineMundi, performances, lançamentos de livros, exposições, shows e atrações artísticas. Destaca e premia filmes eleitos pelo Júri Oficial, Jovem e Popular. Serão exibidos 140 filmes, sendo 43 longas, 1 média e 96 curtas- -metragens vindos de 21 estados, divididos em 62 sessões. Debates; bate-papos, após as sessões; e rodas de conversa completam a experiência cinematográfica. A coordenação espera, em média, 38 mil pessoas no evento, cinco vezes a população da cidade. A coordenadora-geral da Mostra de Cinema, Raquel Hallak, destaca que o evento tem um impacto significativo tanto para Tiradentes quanto para o Brasil, no ponto de vista econômico e cultural. “É um empreendimento reconhecido nacional e internacionalmente com foco na formação, reflexão, exibição, promoção e difusão do cinema brasileiro, criando oportunidades econômicas e culturais. Ao mesmo tempo em que facilita a troca e o desenvolvimento de ideias e produções cinematográficas”. “A Mostra Tiradentes contribui para a geração de turismo, movimenta a economia local, com mais empregos e renda. Atua como plataforma de lançamento do cinema brasileiro, especialmente para filmes independentes, gerando interesse e investimentos na produção cinematográfica nacional, além de contribuir para o aumento da visibilidade das produções no mercado internacional. O evento oferece oportunidades de aprendizado e de networking, o que favorece o fortalecimento do cinema nacional e o desenvolvimento de novos talentos”, acrescenta. Ela afirma também que a Mostra mantém sua essência como plataforma de lançamento do cinema brasileiro contemporâneo e como espaço de inovações e inquietações na cinematografia nacional. “A cada edição trazemos novidades com novas abordagens, sessões temáticas, revelamos novos talentos, provocamos novas discussões e tendências. Tem uma função de destaque na construção de um panorama contemporâneo do cinema brasileiro, refletindo temas sociais, culturais e estéticos da atualidade”. Que cinema é esse? Neste ano, a curadoria do evento adotou a temática “Que cinema é esse?”. O coordenador curatorial, Francis Vogner dos Reis, explica que a pergunta da temática estimula olhar uma multiplicidade de produções, muitas vezes desconhecidas ou fora do circuito tradicional. “O cinema não é ‘o’ cinema, mas ‘os’ cinemas, compostos por uma dinâmica povoada de olhares, práticas e ideias contrastantes”. “É necessário preservar e restaurar filmes, fazer pesquisa e crítica, programar obras e formar novos públicos. Tudo isso faz parte do ato de ‘fazer cinema’, porém, é preciso também reconhecer as distinções e hierarquias dentro dessa multiplicidade”, complementa o coordenador. Homenageada A Mostra homenageia, neste ano, a atriz Bruna Linzmeyer, um dos nomes mais representativos de sua geração. Com uma carreira marcada pela coragem e versatilidade, Bruna transita entre o cinema independente e produções televisivas de grande alcance. Nascida em Santa Catarina, começou sua trajetória artística aos 16 anos, estreou na televisão em 2010, e no cinema, tem uma filmografia significativa, com filmes como “Medusa” (2023), de Anita Rocha da Silveira, e “Cidade; Campo” (2024), de Juliana Rojas. Raquel ressalta que a homenagem a Bruna celebra não apenas sua trajetória como atriz, mas também o engajamento com um cinema inventivo, poético e provocador. “Ela não só é uma atriz talentosa, mas uma mulher de seu tempo, que se vincula às lutas e à criação de uma arte do prazer e da rebeldia. Bruna soma carisma rebelde, uma fotogenia rara e um talento mutante a cada projeto que faz”.
Turistas estrangeiros gastaram no Brasil US$ 6,62 bilhões em 2024

De acordo com dados do Ministério do Turismo, Embratur e Polícia Federal, até novembro de 2024, o valor gasto pelos turistas estrangeiros no país somou US$ 6,62 bilhões, sendo a maior cifra registrada para o período desde 1995. O índice é 5,3% superior ao de 2023 (US$ 6,29 bilhões) e ultrapassa o montante, da mesma época, em 2014 (US$ 6,30 bilhões), quando o país sediou a Copa do Mundo de Futebol. Segundo o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, os resultados são um acerto do trabalho realizado pela Agência nos últimos dois anos. “Conseguimos estruturar a promoção do Brasil no exterior com programas e projetos inovadores, e que estão sendo copiados mundo afora. É uma política eficiente e o resultado quem sente é o povo brasileiro em cada região do país. Esse crescimento expressivo que tivemos em 2023 e 2024 vai se manter nos próximos anos, e o turismo brasileiro começa a virar uma página importante de deixar de ser um potencial para se tornar uma realidade”. Para o economista Ricardo Paixão, o índice para a economia do Brasil é excelente. “Esse recurso movimenta uma cadeia muito grande, gerando uma quantidade significativa de vagas de trabalho no país. Quanto mais dinheiro os turistas gastarem aqui, mais emprego e renda para a nossa economia, mobilizando e gerando o que nós chamamos de força motriz que possibilita o crescimento econômico”. Índice de turistas Conforme a mesma pesquisa, 2024 foi o melhor da história para o turismo internacional no Brasil. O país alcançou a marca recorde de 6.657.377 turistas estrangeiros no ano, aumento de 12,6% em comparação ao ano anterior. Os estados de São Paulo (2.207.015), Rio de Janeiro (1.513.235), Paraná (894.536) e Rio Grande do Sul (879.412) foram as principais portas de entrada dos visitantes estrangeiros. Os argentinos continuam liderando o volume de visitantes internacionais que chegam ao Brasil, foram mais de 1.953.548 argentinos que desembarcaram no país. Os Estados Unidos ocupam a segunda posição, com 696.512 turistas, os chilenos vêm logo atrás, com 651.776 visitas. Já os vizinhos Paraguai e Uruguai, juntos, somaram mais de 833.412 visitantes. O economista explica que o país ter uma dimensão continental é um dos fatores que contribuem para o crescimento do setor. “Nós temos uma gama de possibilidades para o turista estrangeiro extraordinário. Outro ponto que podemos citar é o efeito da moeda americana mais valorizada. Com a troca de dólares por reais acaba sendo mais vantajoso, e incentiva o turismo, pois o turista é beneficiado”. Paixão acredita que os números do segmento continuarão a crescer. “Porém, nós temos que fazer mais, precisamos de ter uma ação coordenada do governo, sociedade civil e o setor privado, porque o turismo auxilia a todos, impacta positivamente em todos os agentes econômicos. Acredito em crescimento, mas acho que o poder público, que é o ator principal nesse processo, tem que coordenar, de maneira mais eficiente, para que tenha uma divulgação mais ampla”. O ministro do Turismo, Celso Sabino, por meio de nota, destaca que o crescimento no número de visitantes internacionais é uma das principais metas do Plano Nacional de Turismo (PNT) 2024-2027. “Que tem como objetivo consolidar o Brasil como o principal destino turístico da América do Sul. Nossa expectativa é superar a marca de 8,1 milhões de turistas estrangeiros por ano, gerando mais de US$ 8,1 bilhões em receitas e fortalecendo ainda mais a economia nacional”. Investimentos Para 2025, o governo federal anunciou que os novos editais regionalizados do Programa de Aceleração do Turismo Internacional têm previsão de R$ 63,6 milhões em investimentos para a atração de novos voos em rotas nacionais. A expectativa é que sejam ofertados pelo menos 500 mil novos assentos no período de um ano. Esse número já impacta o recorde de assentos de voos internacionais para a temporada de verão 2024/2025: serão 7,48 milhões, um crescimento de 19% em comparação com o período de 2023/2024.
Estudo revela que educação integral é uma prioridade para as famílias

Segundo a pesquisa “Opinião das Famílias: Percepções e Contribuições para a Educação Municipal”, realizada pelo Instituto Datafolha, Fundação Itaú e movimento Todos Pela Educação, revelou que a expansão do número de escolas em tempo integral é apontada por 30% das famílias de estudantes do ensino fundamental da rede pública como ação prioritária para as próximas gestões municipais. Para os entrevistados, é essencial ampliar a carga horária, com no mínimo sete horas diárias. Entre os efeitos positivos enxergados pelas famílias estão o desenvolvimento socioemocional dos estudantes, como a promoção de habilidades de relacionamento, a expressão de emoções e a motivação para o futuro. O mestre em direito e professor universitário, Hellom Lopes Araújo, afirma que o ensino integral é a melhor alternativa para melhorar a educação no país. “Principalmente levando em consideração as características da nossa sociedade e do nosso estudante, elas clamam por essa modalidade. Porque retiramos o aluno das possibilidades de ser cooptado pela criminalidade, por atividades estéreis, sem nenhum tipo de propósito”. “Damos uma razão de ser e um sentido para a vida daquele estudante. Levando em consideração que o ensino integral tem o propósito de submeter o aluno não só aquela carga teórica ao longo de um dia inteiro de aula, mas também a outras áreas da educação que nós entendemos como importantes, como: as artes, a cultura, e a linguagem. Oportunizamos para o estudante essas outras vertentes que só dentro daquele ensino parcial, não conseguiríamos oferecer para ele”, pontua Araújo. O advogado especializado em Políticas Públicas, Marcello Rodante, revela que a principal dificuldade para implementar o ensino integral está na combinação de desafios financeiros, falta de planejamento estratégico e questões políticas. “O modelo exige investimentos robustos em infraestrutura, formação de professores, alimentação, transporte escolar e materiais pedagógicos, o que demanda um orçamento significativo que nem sempre é priorizado”. Ele complementa dizendo que há uma resistência política. “Que muitas vezes reflete a falta de compromisso com políticas públicas de longo prazo. Outro entrave é a desigualdade regional. Enquanto estados mais ricos conseguem implementar escolas em tempo integral de forma mais consistente, regiões mais pobres enfrentam dificuldades adicionais, como falta de estrutura básica e escassez de profissionais qualificados. Superar essas dificuldades exige um verdadeiro compromisso político, com investimentos contínuos, planejamento estratégico e engajamento das comunidades escolares”. Evasão escolar De acordo com a pesquisa, entre os responsáveis entrevistados, 51% concordam que “muitos estudantes estão abandonando a escola”. Esse receio é ainda mais evidente entre as famílias com menor rendimento: 53% com renda de até um salário mínimo concordam totalmente ou em parte com essa afirmação. Em contrapartida, 37% das famílias com renda superior a cinco salários mínimos, concordam com a mesma. Rodante explica que a evasão escolar é, de fato, um problema complexo e multifacetado que exige uma abordagem cuidadosa e integrada por parte do poder público. “Uma das estratégias frequentemente adotadas é a implementação de programas de transferência de renda condicionados à frequência escolar, como o Bolsa Família. No entanto, é fundamental que esses programas sejam rigorosamente planejados e fiscalizados, pois quando bem estruturados, podem aliviar a pressão econômica sobre famílias vulneráveis, garantindo que as crianças permaneçam na escola”. “Outro aspecto central é o acompanhamento psicológico e social dos estudantes e de suas famílias. É preciso reconhecer que programas de transferência de renda ou assistência psicológica isolados não são suficientes, eles devem estar integrados a um sistema educacional mais atrativo e adaptado às necessidades dos jovens. Apenas com um planejamento abrangente e investimentos robustos será possível enfrentar as causas profundas da evasão e garantir o direito à educação para todos”, finaliza.