Preço do café provoca mudanças nos hábitos de consumo da bebida no país

O café, presente no cotidiano de 98% da população brasileira, atravessa uma transformação nos padrões de consumo. É o que aponta a pesquisa “Café – Hábitos e Preferências do Consumidor (2019-2025)”, encomendada pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) ao Instituto Axxus, em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e o Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia (NEIT) da Unicamp. Os dados mostram que a alta expressiva dos preços, superiores a 70% nos últimos dois anos, segundo IBGE e ABIC, impactou diretamente o comportamento dos consumidores. Em 2025, 24% reduziram o consumo, a maior taxa da série histórica. Em contrapartida, apenas 2% aumentaram a ingestão, contra 16% em 2023. “Os resultados mostram uma transformação nos hábitos de consumo. Porém, o brasileiro continua amando e comprando café, e o fato de 87% dos entrevistados reconhecerem o selo da ABIC como um guia de qualidade nos enche de orgulho”, afirma a gerente de Marketing da ABIC, Mônica Pinto. A pesquisa também mostrou que o brasileiro vem tomando menos xícaras de café. Em 2019, 29% tomavam mais de seis por dia. Esse índice caiu para 26% em 2025. Já o grupo que consome até duas xícaras cresceu de 8% em 2019 para 14% neste ano. O consumo matinal segue quase universal: 96% dos entrevistados disseram tomar café ao acordar. Por outro lado, 2% das pessoas aumentaram a ingestão em 2025, contra 16% em 2023. Preço redefine escolhas Quase quatro em cada dez consumidores (39%) afirmaram optar pela opção mais barata, número que mais que dobrou em relação a 2023 (16%). O hábito de escolher marcas favoritas cede espaço à busca pelo menor valor. A mudança também se reflete fora de casa. A frequência em cafeterias caiu de 51% em 2023 para 39% em 2025. Entre os principais motivos estão preços elevados, mau atendimento e qualidade inconsistente. Muitos consumidores têm preferido preparar o café em casa, motivados tanto pelo custo quanto pela conveniência. O pesquisador do IAC e coautor do estudo, Sérgio Parreiras Pereira, avalia que mesmo em um cenário de alta expressiva nos preços, o café segue presente no cotidiano dos brasileiros, mas de forma mais moderada e seletiva. “A pesquisa revela que o consumidor não abre mão da bebida, mas está adaptando seus hábitos ao novo contexto econômico”. Onde e como comprar mudou O levantamento revela também mudanças nos canais de compra. Os atacarejos aumentaram sua participação de 24,6% em 2023 para 28,2% em 2025. Já os pequenos varejistas perderam espaço, caindo de 6,4% para 2,2%. O ambiente digital também ganhou força. O YouTube se consolidou como principal fonte de informação sobre café para 13,2% dos consumidores, contra 8,6% em 2023, superando até redes sociais e sites especializados. Tradição em transformação Apesar da pressão econômica, o café segue como um dos símbolos culturais mais fortes do Brasil. O consumo diário se mantém estável em casa, no trabalho e entre amigos, e 87% dos entrevistados reconhecem o selo de qualidade da ABIC como referência de segurança e confiança. A pesquisa ouviu 4.200 pessoas durante o mês de setembro em todas as regiões do país. A amostra foi estratificada por gênero, faixa etária, renda e localidade, com nível de confiança de 99% e margem de erro de 2%. “O cuidado com a estratificação da amostra garante que o estudo reflita a realidade de diferentes perfis de consumidores em todo o Brasil. Trabalhamos com alto nível de confiança e margem de erro reduzida, o que nos permite comparar os resultados ao longo dos anos com segurança científica e identificar tendências consistentes”, destaca o coordenador do estudo, professor Rodnei Domingues.
Tradição e inovação marcam a nova fase do Café Nice em BH

Belo Horizonte ganha um novo motivo para celebrar sua história e cultura com a reabertura do tradicional Café Nice, localizado na Praça Sete. Após 86 anos de existência, o espaço foi revitalizado e agora inicia uma nova fase como ponto turístico, cultural e gastronômico da capital mineira. O projeto contou com patrocínio da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) e da Gerdau, além de apoio do Banco Mercantil e do ex-vereador Gabriel Azevedo. Também foi realizado um financiamento coletivo que mobilizou centenas de pessoas. A reforma preservou elementos históricos, como os azulejos originais e o icônico balcão, e acrescentou melhorias para receber melhor o público, como bancos, painel com fotos antigas, cardápio luminoso, nova fachada, expositores de souvenirs e até coquetéis autorais. Além da parte estética, foram feitas intervenções funcionais como a manutenção elétrica, modernização de maquinário, reforma de mobiliário e treinamento da equipe. Para o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, a revitalização tem impacto direto no Centro da cidade. “O Café Nice não é apenas dos proprietários, mas de todos nós, belo-horizontinos. Esse esforço coletivo mostra que o Hipercentro pode ser novamente um polo de convivência, cultura e negócios”. O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, destacou a conexão da empresa com Belo Horizonte. “Não nos sentimos apenas patrocinadores, mas privilegiados em participar desse momento. Preservar um espaço como o Café Nice é motivo de orgulho, especialmente para mim, que cresci frequentando este lugar com meu pai nas décadas de 1970 e 1980”. Já o coordenador do projeto pela Oficina Paraíso, Rafael Quick, falou sobre a realização do trabalho. “Quando recebemos o chamado, ficou claro que o fechamento do Nice seria uma perda enorme. Criamos uma campanha de financiamento coletivo e buscamos marcas e entidades parceiras. O objetivo é transformar o café em um destino, onde além de tomar um café e comer um pão de queijo, as pessoas possam levar souvenirs, camisetas e xícaras personalizadas para casa”. Um dos apoiadores da iniciativa, Gabriel Azevedo, ressaltou o valor afetivo do espaço. “Belo Horizonte perderia muito se essas portas permanecessem fechadas. O Nice é memória, é política e é também o coração da requalificação do Centro. Preservá-lo significa manter vivo o que é nosso”. Para os proprietários do Café Nice, os irmãos Renato e Tadeu Caldeira, a ajuda foi decisiva em um momento de dificuldade. “Eu estava desanimado, pensando em parar depois de mais de 50 anos de trabalho. Mas quando o Gabriel e o Rafael apareceram com o projeto, entreguei de olhos fechados. O resultado ficou maravilhoso, surpreendeu a todos nós e me trouxe confiança de que o retorno virá”, aponta Renato. Para Tadeu, o novo-velho Nice, além de contar a história da cidade e seus acontecimentos, terá como missão mostrar às novas gerações a força do coletivo na preservação de histórias. “A união dos patrocinadores e apoiadores foi fundamental para que a história não se perca. O Café Nice ajudou a contar a narrativa de Belo Horizonte e é isso que queremos mostrar aos futuros frequentadores: o coletivo salvou a nossa história e ela será preservada para o futuro”. Novidades O cardápio mantém os clássicos que atravessaram gerações como o café coado no pano, o creme de maizena com ameixa e o frapê de coco, mas agora também oferece três coquetéis exclusivos criados pelo bartender Albert Coelho. A nova gestão prevê ainda consultorias, reposicionamento da marca, venda de produtos personalizados e ampliação dos horários de funcionamento. O espaço está aberto ao público de segunda a sexta, das 8h às 19h, e aos sábados, das 8h às 13h.
Mudança na diretriz reforça prevenção contra a hipertensão

O tradicional “12 por 8” (120/80 mmHg), antes considerado normal, passou a ser classificado como pré-hipertensão, servindo como alerta precoce para cuidados de saúde. A mudança foi apresentada na nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, divulgada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), que altera a forma como a pressão arterial deve ser interpretada e acompanhada no país. O cardiologista Juan Ferreira explica que a mudança não significa que todos serão rotulados como doentes. “A mudança amplia a faixa de atenção para detectarmos mais cedo quem tende a subir a pressão nos próximos anos. O termo pré-hipertensão não é sinônimo de hipertensão; é um sinal para agir antes, com o objetivo de não atingirmos o corte de 140/90 mmHg. A finalidade é prevenção e personalização do cuidado, não medicalizar todo mundo”. Com a nova diretriz, pacientes na faixa de pré-hipertensão devem priorizar hábitos saudáveis para evitar a progressão do quadro. Mas nem sempre é fácil, segundo Ferreira. “As principais barreiras são a rotina exaustiva, custo e acesso restrito a alimentos in natura, falta de locais seguros para praticar atividade física, baixa informação em saúde e comorbidades, como ansiedade e obesidade. Estratégias simples funcionam: metas semanais pequenas, informações claras e acompanhamento por equipe multiprofissional”. Outro ponto que recebeu destaque na nova diretriz foi a aferição da pressão arterial em casa. Segundo o cardiologista, alguns erros são comuns ao fazer o procedimento por conta própria. “Manguito inadequado para o braço, braço sem apoio na altura do coração, falar ou se mexer durante a medida, medir logo após café ou exercício, bexiga cheia e fazer só uma leitura isolada. Esses erros podem criar a falsa ideia de hipertensão do avental branco ou mascarada, levando a diagnósticos equivocados”, alerta o cardiologista. Também mudou o início antecipado da medicação para pacientes de hipertensão estágio 1 e baixo risco. De acordo com Ferreira, essa alteração deve trazer alguns benefícios, como a queda adicional da pressão e a prevenção de eventos a longo prazo. “Muitos pacientes resistem às mudanças no estilo de vida e acabam ficando anos sem tratamento adequado. A nova diretriz busca corrigir essa leniência”. “A meta agora é manter a pressão abaixo de 130/80 mmHg para todos os hipertensos. Na prática, vamos intensificar o tratamento com alvo único e claro, usar mais combinações em dose fixa para facilitar a adesão e checar a tolerância, principalmente em idosos frágeis”, acrescenta. Impactos no Brasil O país tem cerca de 28% de adultos hipertensos, e apenas um terço mantém a pressão controlada. Na avaliação de Ferreira, a nova diretriz pode ajudar a reduzir complicações cardiovasculares graves. “As mudanças trazem três alavancas: diagnóstico mais cedo, alvos claros e estratificação de risco com terapias simplificadas. Isso melhora a adesão, reduz o subtratamento e aumenta a chance de desfechos melhores”. Mitos e verdades A cardiologista Fernanda Weiler esclarece equívocos comuns em relação à pressão arterial. Mito: 12 por 8 significa tranquilidade total. “Esse valor já indica maior risco do que números abaixo de 120/80 mmHg. É um sinal de alerta, não de normalidade”. Mito: pré-hipertensão leva automaticamente ao uso de remédios. “Em geral, o primeiro passo é mudar o estilo de vida. Medicamentos só são considerados em casos de alto risco cardiovascular ou se após meses de ajustes, os valores seguirem elevados”. Mito: só pessoas mais velhas precisam se preocupar. “A hipertensão pode aparecer em adultos jovens. Prevenir cedo reduz complicações como infarto e acidente vascular cerebral (AVC)”. Verdade: prevenir cedo traz benefícios duradouros. “A atualização nos dá uma janela de ação importante: intervir quando o quadro ainda é reversível pode salvar vidas”.
Audiência da ALMG alerta para golpes e saúde de idosos

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou uma audiência pública voltada ao Setembro Amarelo, com ênfase nos efeitos psicológicos, sociais e econômicos sofridos por idosos vítimas de fraudes e desinformação. O encontro buscou também propor políticas públicas e ações educativas voltadas à prevenção de golpes e à promoção da saúde mental dessa população. Dados apresentados na audiência reforçam a urgência do tema: a taxa de suicídio entre pessoas com mais de 60 anos é de 7,8 por 100 mil habitantes, acima da média nacional de 6. Entre os homens idosos, o índice chega a 14,8 por 100 mil, enquanto entre mulheres da mesma faixa etária é de 2,6. Especialistas apontam fatores como isolamento social, luto, perda de autonomia e, cada vez mais, os impactos emocionais de fraudes financeiras. A presidente da Comissão de Saúde Mental da OAB-MG, Luciana Garcia, alertou que a maior parte dos crimes contra idosos não chega às autoridades. “Cerca de 60% das vítimas de tentativas de golpe em instituições financeiras são idosos, mas os casos são subnotificados, porque muitos sentem vergonha de contar até mesmo para a família”. “A fraude não é apenas financeira. Ela atinge a autoestima, gera impotência e fragilidade. É fundamental criar canais de acolhimento e capacitar os profissionais para escuta humanizada”, acrescentou. A delegada Danúbia Quadros, chefe do Departamento Estadual de Investigação, Orientação e Proteção à Família da Polícia Civil, ressaltou a sofisticação das quadrilhas. “Os criminosos desenvolveram uma engenharia social cada vez mais apurada. Entre os golpes mais comuns estão os de empréstimos consignados e os de falsos namorados, em que mulheres idosas são seduzidas e enganadas”. Idealizador da audiência, o deputado Charles Santos (Republicanos) defendeu a criação de políticas públicas para proteção e apoio aos mais velhos. “Recebemos inúmeras denúncias de fraudes contra idosos. Mais do que novas leis, é preciso garantir que as já existentes sejam aplicadas. O silêncio é conivência. Precisamos denunciar e construir uma rede de cuidado que envolva família, Estado e comunidade”. A audiência destacou ainda a necessidade de fortalecer os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) para atendimento especializado de idosos, campanhas de alfabetização digital para prevenir golpes virtuais e a capacitação de bancários, policiais e profissionais de saúde no acolhimento de vítimas. O encontro foi marcado pela convergência de especialistas em saúde, representantes da sociedade civil e autoridades de segurança pública. A mensagem final reforçada pelos participantes foi de que escuta, empatia e conscientização podem salvar vidas. “Se o silêncio adoece, é no diálogo que transformamos dor em esperança”, resumiu a presidente da Comissão de Saúde Mental da OAB-MG, ao defender que a pauta seja tratada como prioridade de Estado.
Empresas veem no voluntariado estratégia para engajar equipes

O voluntariado empresarial vem se consolidando no Brasil como uma ferramenta estratégica para empresas que buscam gerar impacto social e, ao mesmo tempo, engajar seus colaboradores. De acordo com uma pesquisa da Deloitte, 92% dos líderes reconhecem o voluntariado como uma prática eficaz para o desenvolvimento de habilidades profissionais e de liderança. Além disso, 77% dos entrevistados apontam que essas ações contribuem diretamente para o bem-estar dos funcionários, evidenciando que as práticas voluntárias beneficiam tanto a comunidade quanto os próprios colaboradores. Segundo um site especializado em tendências de voluntariado e impacto social, mais de 70% das empresas brasileiras já têm programas formais de voluntariado, alinhados às pautas de ESG (Ambiental, Social e Governança) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “O voluntariado deve estar alinhado à estratégia social ou de ESG da empresa que, por sua vez, precisa estar conectada à estratégia macro do negócio como um todo. Muitas organizações estimulam que os próprios colaboradores criem ações independentes, o que amplia a diversidade do programa e torna o voluntário um cocriador, aumentando sua legitimidade”, aponta Bruno Ayres, fundador da V2V, plataforma especializada em voluntariado corporativo. As práticas voluntárias também desenvolvem competências relevantes para o mercado de trabalho, acrescenta Ayres. “São habilidades humanas, muitas vezes chamadas de soft skills, como liderança, trabalho em equipe, comunicação, escuta ativa e criatividade. Além disso, os voluntários aprendem a fazer mais com menos e a pensar de forma inovadora”. Bem-estar emocional Uma iniciativa recente mostrou de forma inédita o efeito imediato do voluntariado sobre o estado emocional dos participantes. O Speed Mentoring Experience, realizado em Brasília, monitorou em tempo real variáveis fisiológicas de voluntários durante sessões de mentoria para jovens em início de carreira. De acordo com o responsável pelo estudo, o neurocientista Ricardo Caiado, foi observado que o engajamento em atividades voluntárias gera uma resposta quase imediata no bem-estar emocional. “Em poucos minutos, sinais fisiológicos associados ao estresse diminuíram. O voluntariado atua como um gatilho positivo no cérebro: aumenta a sensação de propósito, pertencimento e conexão social”. Caiado destaca que o mais impressionante foi a velocidade da resposta. “Não estamos falando de semanas ou meses, mas de minutos. Isso comprova que pequenas ações de doação de tempo e conhecimento já têm efeito significativo no equilíbrio emocional”. Ele explica que o experimento também chamou atenção para o impacto cognitivo. “Os níveis de atenção e engajamento se mantiveram elevados durante todo o processo. Identificamos redução clara nos marcadores de estresse e melhora na autorregulação emocional, fundamentais para a saúde mental e prevenção do burnout”. “É a união entre ciência e gestão de pessoas. Não se trata apenas de fazer o bem, mas de gerar saúde emocional, engajamento e até reduzir custos relacionados a afastamentos e turnover”, complementa. Futuro do voluntariado Na avaliação de Ayres, o cenário aponta para transformações e o setor viverá grandes mudanças. “Vejo meios de engajamento mais descomplicados e atividades remotas, que já são bastante relevantes, crescerem ainda mais. Em um mundo em que o trabalho tende a se tornar gradativamente obsoleto, o voluntariado será cada vez mais fonte de propósito. Estamos estudando até formas de transformar esses impactos em recompensas por meio de tokenização e blockchain”. Para o neurocientista, a ciência pode ser uma aliada nesse processo. “Nossa tecnologia mede em tempo real padrões cerebrais, emocionais e de atenção, permitindo validar cientificamente os efeitos do voluntariado. É como se déssemos ‘voz’ ao corpo e ao cérebro. A liderança que entender isso estará mais preparada para os desafios humanos e sociais do futuro”, conclui.
Mulheres sofrem mais com a síndrome das pernas inquietas

A síndrome das pernas inquietas, também conhecida como doença de Willis-Ekbom, é uma condição neurológica que atinge entre 5% e 8% da população mundial. Caracterizada pela necessidade irresistível de movimentar as pernas, principalmente durante o repouso ou à noite, a enfermidade pode trazer impactos significativos para a qualidade de vida dos pacientes. Embora possa afetar qualquer pessoa, estudos indicam que a síndrome é mais frequente em mulheres, sobretudo naquelas que passaram por múltiplas gestações e em pessoas com mais de 40 anos. O desconforto costuma se intensificar à noite, prejudicando o sono e resultando em consequências como fadiga diurna, alterações de humor e dificuldades cognitivas. “É uma doença que pode ser primária, ligada a fatores genéticos e transmissão familiar, ou secundária, associada a patologias como deficiência de ferro e diabetes. Ela prejudica extremamente a qualidade do sono dessas pacientes, diminuindo a capacidade intelectual e aumentando a fadiga durante o dia”, explica o reumatologista Marcelo Cruz Rezende, membro da Comissão de Dor da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Entre as causas associadas à síndrome das pernas inquietas estão condições como artrite reumatoide, insuficiência renal, diabetes e algumas doenças neurológicas. A relação com distúrbios do sono é um dos pontos mais preocupantes, já que a privação do descanso adequado pode comprometer atividades cotidianas, produtividade no trabalho e até a saúde mental. De acordo com Rezende, os principais fatores de risco são a deficiência de ferro e a gravidez. “Cerca de 20% a 25% das mulheres apresentam sintomas durante a gestação, principalmente no terceiro trimestre. A menstruação reduz a concentração de ferro no organismo, tornando as mulheres mais vulneráveis à síndrome”. O diagnóstico ainda é um desafio, pois muitos confundem os sintomas com cãibras, má circulação ou simples nervosismo. Segundo Rezende, identificar os sinais de alerta é essencial para evitar a progressão e buscar tratamento adequado com um especialista. “Não existe um sinal de alerta específico. O que deve ser levado em conta é que, se o paciente não relatar a sensação de pernas inquietas, dificilmente o médico perguntará. Muitas vezes, o profissional trata o distúrbio do sono, mas não investiga a causa real”. O tratamento varia conforme a gravidade do quadro. Nos casos mais leves, recomenda-se investir em estratégias não farmacológicas, como massagens, alongamentos, exercícios aeróbicos e higiene do sono. Já para situações moderadas a graves, podem ser prescritos medicamentos de uso contínuo ou em períodos específicos. “Os principais tratamentos hoje incluem a pregabalina, medicamentos antiparkinsonianos e a reposição de ferro. Em casos muito refratários, até opioides podem ser usados para tentar melhorar a qualidade do sono. Além disso, terapias também podem auxiliar”, detalha o reumatologista. Apesar de a ciência avançar, o especialista afirma que ainda não existem grandes novidades no campo da síndrome das pernas inquietas. O diagnóstico continua sendo clínico, dependendo do relato do paciente, e o tratamento apresenta bons resultados em cerca de dois terços dos casos. “A importância de procurar um especialista é fundamental. Reumatologistas e neurologistas clínicos são os profissionais mais indicados para diagnosticar e tratar a síndrome, ajudando os pacientes a recuperar qualidade de vida”, finaliza.
Audiência na ALMG debate legislação que limita trabalho de taxistas

A dificuldade enfrentada por taxistas de Belo Horizonte para buscar passageiros no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, voltou ao centro do debate público. Em audiência realizada pela Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), profissionais da categoria, representantes do poder público e entidades jurídicas apontaram a urgência de rever a legislação que impede que motoristas da capital realizem corridas de retorno a partir do terminal. A regra é determinada pela Lei nº 15.775/2005, que regula o transporte individual metropolitano por táxi e delega ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG) a gestão do serviço. Apesar de ter sido criada em outro contexto, antes da expansão dos aplicativos e do aumento da mobilidade entre cidades vizinhas, a norma continua limitando a atuação dos motoristas de Belo Horizonte. Segundo os representantes da categoria, essa restrição já não dialoga com a realidade atual. Leandro de Faria, da Start Táxis, criticou a defasagem normativa. “Temos hoje um serviço remodelado, tecnológico, pronto para atender empresas e clientes que exigem confiança. Mas a lei nos prende a um modelo criado há 20 anos. Isso inviabiliza o crescimento e até prejudica relações de trabalho já consolidadas”. Na mesma linha, Robson Eduardo Lins, da B2B Táxi Premium, reforçou que a regra compromete a imagem de Minas Gerais e afeta diretamente a vida de trabalhadores. “A legislação ultrapassada coloca o taxista de BH em situação de irregularidade ao atender clientes que confiam em seu serviço. Não se trata de competir com colegas de Confins, mas de garantir o direito de buscar quem já contratou o nosso trabalho”. A crítica também foi reforçada por entidades jurídicas. Alice Araújo Oliveira Pedrosa, presidente da Comissão de Trânsito e Enfrentamento à Violência no Trânsito da OAB-MG, declarou que a lei estadual é um entrave. “Ela não atende mais ao interesse público e nem garante equilíbrio entre as categorias. É preciso revê-la para assegurar segurança jurídica e igualdade”. Representando a Superintendência de Mobilidade do Município de Belo Horizonte, Gabriela Pereira Lopes, diretora de Planejamento e Controle de Mobilidade, manifestou disposição em articular uma solução conjunta. “Existe interesse em firmar um convênio entre Belo Horizonte, Lagoa Santa e Confins para que todos os profissionais atuem em condições de igualdade no aeroporto”. Já o deputado Leleco Pimentel (PT) destacou que a questão precisa ser incorporada ao Plano Metropolitano de Mobilidade, sob responsabilidade do Estado. “Não se pode tratar a mobilidade de forma fragmentada. O aeroporto é uma infraestrutura metropolitana e exige integração. O Plano Diretor deve ser o instrumento para superar esses conflitos e garantir o direito de ir e vir de todos”. Autor do requerimento que originou a audiência, o deputado Professor Wendel Mesquita (Solidariedade), em entrevista ao Edição do Brasil, avaliou o encontro como um avanço no diálogo. “Saímos daqui com a construção de uma mesa de negociação. O objetivo é quebrar o impasse, viabilizar convênios e assegurar que os taxistas da capital e da região metropolitana tenham as mesmas condições de trabalho”. Próximos passos Como encaminhamentos, foram definidos a criação de uma mesa de negociação entre ALMG, DER-MG, prefeituras de BH, Confins e Lagoa Santa, um pedido a Comissão de um estudo técnico-jurídico para revisão da Lei nº 15.775/2005 e a formação de grupo de trabalho para avaliar modelos de convênio que assegurem equilíbrio entre taxistas da capital e da região.
Projeto “Vrum, Vrum” ensina regras de trânsito de uma maneira divertida

A educação para o trânsito está sendo levada de forma lúdica e divertida a milhares de crianças da rede pública em Minas Gerais. O projeto “Turma da Ação – Vrum, Vrum Trânsito Legal”, já percorreu cidades como Santos Dumont, Carandaí e Juiz de Fora. Agora, segue para outros municípios da Zona da Mata e Região Metropolitana de Belo Horizonte. A iniciativa conta com o patrocínio do governo federal, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, organização da Porto Cultural e apoio da EPR Via Mineira. Entre os dias 2 e 4 de setembro, as apresentações serão em Ewbank da Câmara. Depois serão em Ressaquinha (5, 8 e 9 de setembro), Moeda (10 a 12 de setembro), Itabirito (15 a 17 de setembro) e encerra a temporada em Nova Lima (18 a 20 de setembro). Cada cidade recebe sessões teatrais voltadas para estudantes entre 6 e 12 anos, com encenações que misturam música, humor e situações do dia a dia no trânsito. A diretora de produção artística da Turma da Ação, Luciane Ortiz, explica que a iniciativa nasceu em 2018 e já alcançou mais de 170 mil crianças em todo o Brasil. “Criamos um grupo de personagens com quem os estudantes se identificam. Através do teatro, abordamos temas como sustentabilidade, alimentação saudável, energia renovável e, agora, a educação para o trânsito”. O espetáculo “Vrum, Vrum – Trânsito Legal” mostra uma família em viagem de férias, na qual o pai comete diversas infrações ao volante, como não usar o cinto, dirigir após beber refrigerante ou desrespeitar sinais de trânsito. No enredo, as crianças aprendem o que está certo e errado de forma divertida. “A estrutura foi pensada para que os alunos vivenciem na prática conceitos como travessia correta, respeito à faixa, uso do cinto e do capacete. É uma experiência concreta e divertida, que eles levam para casa e acabam multiplicando com a família”, afirma Luciane. Além da peça, algumas cidades também receberam uma minipista de trânsito que simula uma pequena cidade, com faixa de pedestres, semáforos e placas. Nela, os alunos podem dirigir carrinhos, bicicletas e motos infantis. A diretora revela que as crianças literalmente viajam nesse universo. “Temos monitores que acompanham todo o percurso e no final ainda entregamos uma cartilha educativa. As crianças saem felizes e conscientes, e muitas querem assistir novamente”. Ela reforça que o teatro pedagógico tem papel fundamental na formação cidadã. “O espetáculo estimula a empatia, a responsabilidade e a capacidade de trabalhar em grupo. O aprendizado fica muito mais leve e marcante quando é transmitido de maneira lúdica”, conclui.
Projeção aponta para movimentação de R$ 55,6 bilhões no varejo mineiro

O consumo no varejo em Minas Gerais deve crescer acima da média nacional em 2025. De acordo com um estudo elaborado pelo IPC Maps, o setor movimentará cerca de R$ 55,6 bilhões, o que representa uma alta de 12,2% em relação ao ano passado. O desempenho coloca o Estado na segunda posição no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo, e reflete a maior predisposição das famílias mineiras ao consumo, mesmo em um cenário econômico de juros elevados e inflação persistente. “O varejo em Minas terá desempenho superior ao da média nacional, graças ao papel do Estado no contexto econômico do país, puxando o crescimento da maioria das 22 categorias avaliadas. Enquanto o consumo no Brasil deve crescer em termos reais 3,01%, em Minas essa alta será de 3,37%”, aponta o responsável pelo levantamento, Marcos Pazzini. Entre os segmentos de maior destaque, o vestuário confeccionado lidera o consumo, com previsão de movimentar R$ 19,6 bilhões em 2025. Em seguida aparecem os mobiliários e artigos do lar (R$ 12 bilhões), os eletroeletrônicos (R$ 10,4 bilhões) e os calçados (R$ 6,9 bilhões). Categorias como artigos de limpeza devem crescer 11,5% no período, somando R$ 4,2 bilhões, enquanto joias, bijuterias e armarinhos registram expansão de 14,3%, chegando a R$ 1,3 bilhão. Para Pazzini, essa diversificação no consumo reflete o fortalecimento da renda e do emprego formal. “Com a melhoria da quantidade de trabalhadores com carteira assinada, a propensão ao consumo é maior. As famílias voltam a considerar categorias que ficaram em segundo plano nos últimos anos e até produtos de valor mais alto, devido à recuperação do poder aquisitivo”, comenta. O pesquisador também lembra que o consumo está concentrado em alguns polos regionais. “Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Juiz de Fora e Uberaba são os cinco maiores municípios de Minas e, apesar de estarem em regiões distintas, atraem consumidores de cidades menores ao seu redor. Por isso, são estratégicos para redes varejistas e franquias”. Dados nacionais No Brasil, o consumo das famílias deve atingir R$ 8,2 trilhões em 2025, com o varejo alcançando R$ 532,1 bilhões, uma expansão de 11,3% frente ao ano anterior. Entre os setores, o vestuário também lidera, com R$ 182,7 bilhões, seguido por móveis e artigos do lar (R$ 113 bilhões), eletroeletrônicos (R$ 110 bilhões), calçados (R$ 73 bilhões) e artigos de limpeza (R$ 40 bilhões). Desafios Apesar da expansão do consumo, o setor convive com obstáculos importantes. As taxas de juros seguem em patamar elevado e a inflação ainda pressiona o orçamento das famílias. O economista Gelton Pinto Coelho Filho avalia que esse cenário afeta principalmente os pequenos empreendedores. “A manutenção dos juros dificulta o crédito e gera um freio de arrumação na economia. Na categoria MEI, muitas iniciativas surgem sem estudos de mercado, o que aumenta o risco de mortalidade precoce dessas empresas”. Ele ressalta ainda que mesmo com a limitação do crédito, há sinais de recuperação do consumo. “Após um longo período de privação, a retomada de programas sociais e de transferência de renda, como o ‘Minha Casa Minha Vida’, gerou transbordamento de renda. Isso abriu novas possibilidades de negócios e permitiu que as famílias voltassem a consumir, mesmo convivendo com dívidas”. Perspectivas para o ano A expectativa é de que o crescimento do consumo siga sustentado pela melhora no mercado de trabalho e por medidas de incentivo à renda. Para o economista, esse movimento pode ganhar ainda mais força caso medidas como a ampliação da isenção tributária para quem recebe até R$ 5 mil por mês. “Pagando menos impostos, maiores possibilidades de consumo surgem. Isso equivale a um décimo terceiro salário dividido ao longo do ano, ampliando a capacidade de compra da população”.
Aprovação de lei marca início para a proteção das crianças nas redes

A aprovação do Projeto de Lei (PL) 2.628/2022 pelo Congresso Nacional nos últimos dias marcou mais um passo na proteção de crianças e adolescentes no ambiente on-line. A tramitação ganhou força após a repercussão do vídeo “Adultização” do influenciador Felca, que expôs como o chamado “Algoritmo P” poderia estar colocando menores em contato com conteúdos exploratórios e sexualizados. O texto aprovado traz medidas como a proibição de publicidade segmentada a crianças, bloqueio de técnicas de perfilamento e realidade aumentada para indução comercial, exigência de verificação de idade e vínculo das contas de menores a responsáveis legais, além da criação de uma autoridade independente de fiscalização. Prevê ainda a publicação de relatórios de transparência pelas plataformas e estabelece critérios claros para remoção de conteúdos nocivos, como exploração sexual, assédio e incentivo à automutilação, sem afetar o direito à crítica e à liberdade de imprensa. Para entender os impactos da medida, o Edição do Brasil entrevistou a coordenadora de Digital do Instituto Alana, Maria Mello. Como você avalia a aprovação do PL e quais pontos merecem destaque? O texto é um grande avanço e uma conquista da sociedade civil. Ele resulta de cinco anos de debates entre organizações, academia e poder público, e foi aprovado em rara unanimidade. Mantém garantias fundamentais, como o conceito de “acesso provável”, que inclui serviços usados por crianças mesmo quando as plataformas dizem o contrário; a vedação do perfilamento comercial; e a exigência de relatórios de transparência. Também é importante destacar que o PL concilia a proteção da infância com a liberdade de expressão, já que só permite a remoção de conteúdos nocivos muito específicos. O projeto proíbe práticas como perfilamento de dados e uso de realidade aumentada para publicidade. Que impacto isso deve trazer? Essa regra impede que empresas explorem dados e emoções de crianças e adolescentes para direcionar anúncios. Já houve casos em que plataformas usaram sinais de insegurança de jovens para vender produtos de beleza e medicamentos para emagrecer. O PL coloca limites claros a esse tipo de exploração, protegendo vulnerabilidades que não devem ser exploradas comercialmente. A exigência de vincular perfis de menores de 16 anos a um responsável legal é suficiente? É um avanço importante. A lei exige não só o vínculo com responsáveis, mas também que as empresas informem claramente quando o serviço não é adequado para menores, monitorem conteúdos atrativos a crianças e aprimorem mecanismos de verificação de idade. Ou seja, a supervisão parental é reforçada, mas também acompanhada de obrigações para as próprias plataformas. O texto cria uma autoridade independente para fiscalização. Qual seria o modelo ideal? Uma autoridade independente é essencial porque garante autonomia frente a governos e empresas. Defendemos que seja um órgão multissetorial, com participação da sociedade civil e estrutura robusta para agir com agilidade. Agora, é preciso definir rapidamente sua composição e funcionamento para que a lei seja efetiva. Você acredita que além da legislação seria preciso investir em educação digital? O PL avança ao proibir a monetização e o impulsionamento de conteúdos sexualizados envolvendo crianças e ao exigir relatórios de transparência. Mas o problema é multifatorial. Além da lei, seria necessário investir em educação digital, diálogo com famílias e crianças e políticas de prevenção que envolvam também as próprias plataformas. Quais são os próximos passos agora que o projeto segue para o Senado? A sociedade civil teve papel fundamental na construção do texto e continuará acompanhando sua tramitação. Estamos confiantes de que os senadores manterão o compromisso com a celeridade, para que o PL seja sancionado o quanto antes. O desafio seguinte será garantir uma regulamentação eficaz e a implementação das medidas aprovadas.