“Vou Fazer de Mim um Mundo” une Zezé Motta e Maya Angelou no palco

Após uma temporada em Brasília, o espetáculo “Vou Fazer de Mim um Mundo” estreia em Belo Horizonte para uma temporada no Teatro I do CCBB BH, de 21 de junho a 14 de julho, sempre de sábado a segunda-feira, às 20h. O monólogo marca o retorno de Zezé Motta aos palcos depois de dez anos e celebra os 81 anos de uma das maiores artistas do país. Com adaptação e direção de Elissandro de Aquino, a montagem é baseada no livro autobiográfico “Eu sei por que o pássaro canta na gaiola”, de Maya Angelou, autora norte-americana que se tornou ícone da luta antirracista e dos direitos civis nos EUA. A narrativa entrelaça a trajetória de Angelou com a de Zezé, unindo temas como racismo, exclusão, ancestralidade e resistência. A palavra – recitada com intensidade e emoção – é o fio condutor do espetáculo, que tem trilha sonora ao vivo executada pelos músicos Pedro Leal David e Mila Moura, numa fusão entre o blues e a música brasileira. Elissandro conta que a ideia de adaptar a obra nasceu de um desejo antigo. “Já venho investigando esse trabalho há algum tempo. Comecei com Carolina Maria de Jesus, depois com Aline Bei, e agora fecho essa trilogia com Maya Angelou”. “Para mim, o espetáculo se divide entre o micro e o macro. O micro trata da solidão de uma menina que, mesmo amada, se sente rejeitada. Já o macro aborda as questões políticas e de segregação racial. Buscar esse equilíbrio foi muito delicado, e a sequência das cenas, além da música, ajudou muito a compor isso”, acrescenta. Segundo o diretor, o processo foi emocionalmente exigente para Zezé Motta. “Foi um laboratório devastador para ela. Muitas das vivências narradas por Maya ressoam com as experiências da Zezé. Ela mesma chegou a dizer que, ao ler o texto, sente como se Maya fosse brasileira”. Apesar de conhecida pelo carisma e alegria contagiante, Elissandro descreve que o espetáculo revela uma nova faceta da atriz. “Zezé é um raio de luz, mas aqui ela se apresenta com uma energia lunar. É uma entrega econômica, contida, mas profundamente tocante. O público se sente atravessado pelas palavras”. A cenografia minimalista, assinada por Claudio Partes, reforça essa intimidade cênica. O palco é povoado por uma plantação de algodão e uma nuvem, elementos carregados de simbolismo. “O algodão é macio ao toque, mas fere na colheita. Isso está no livro e representa a dor e a beleza da experiência negra. O Claudio soube traduzir isso visualmente com muita delicadeza”, explica Elissandro. A música desempenha papel fundamental no espetáculo, costurando tempos e espaços, e promovendo o encontro simbólico entre Maya e Zezé. “É a confluência de dois rios: Maya Angelou e Zezé Motta. Com suas carreiras atravessadas pela música, é natural que se buscasse, em antigas gravações, pistas para esse processo de criação”, afirma Pedro Leal David, que assina a direção musical. Ele esclarece que a trilha vai além da atmosfera dos anos 1930 e 1940 dos Estados Unidos. “As musicalidades de Maya e Zezé nos dão notícias distintas sobre como os ritmos, sons, tons da diáspora africana foram abrindo caminho ao longo do século 20, tanto nos Estados Unidos como no Brasil”. A ideia foi construir pontes sonoras entre os dois continentes, segundo o diretor musical. “Nossa proposta foi deixar esses rios se encontrarem, trazendo o blues para o violão de nylon, como quem levasse Baden Powell para um passeio nas margens do Mississippi, ou como quem imaginasse os Tincoãs, em uma manhã de domingo, com suas vozes e atabaques, em uma igreja da Louisiana”. Serviço: “Vou Fazer de Mim um Mundo”Temporada: De 21 de junho a 14 de julhoHorário: Sábados, domingos e segundas, às 20hLocal: Teatro I do CCBB BH (Praça da Liberdade, 450 – Funcionários)Ingressos: R$ 30 (inteira) | R$ 15 (meia-entrada), disponíveis no ccbb.com.br/bh ou na bilheteria do CCBB

Energia sobe acima da inflação e mercado livre ganha espaço

Aconta de luz tem pesado cada vez mais no bolso dos brasileiros. Segundo levantamento da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), entre 2010 e 2024, a tarifa média no mercado regulado saltou de R$ 112/MWh para R$ 310/MWh, aumento de 177%, contra uma inflação acumulada de 122% no mesmo período. Isso significa que a energia ficou 45% mais cara do que o avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em contraste, o mercado livre de energia registrou alta de 44% no mesmo intervalo. De acordo com a Abraceel, o aumento no mercado regulado se deve a uma combinação de fatores estruturais, como a contratação compulsória de usinas térmicas, a indexação de contratos por até 30 anos à inflação, a existência de reservas de mercado para fontes mais caras, além de decisões políticas e alocação indevida de riscos ao consumidor. “A contratação de energia elétrica indexada à inflação por 30 anos tornou-se um peso para o consumidor regulado. A energia das hidrelétricas do Rio Madeira, contratada a preços baixos, hoje custa mais que a energia do mercado livre por causa dessa atualização inflacionária”, afirma Rodrigo Ferreira, presidente-executivo da Abraceel. Outro exemplo citado por Ferreira é a usina hidrelétrica de Itaipu, cujos investimentos já foram amortizados, mas cujas tarifas continuam altas. “Se houvesse apenas o mercado livre, Itaipu teria que oferecer preços mais competitivos. No entanto, como sua energia será comprada compulsoriamente no ambiente regulado, os consumidores continuam pagando encargos socioambientais e governamentais incorporados à tarifa”. Tarifa menor Dados recentes da Abraceel mostram que a tendência de maior competitividade se mantém. No acumulado de 12 meses até abril, a tarifa média para clientes do mercado livre subiu 5%, enquanto no ambiente regulado a alta foi de 10,4%. Segundo a entidade, essa vantagem decorre da própria dinâmica de funcionamento do mercado livre, no qual mais da metade dos contratos têm prazos de até quatro anos. Isso aumenta a frequência com que a energia volta ao mercado e é renegociada sob novas condições, o que estimula a competição entre fornecedores e gera preços mais baixos para o consumidor. “No mercado regulado, o risco hidrológico, por exemplo, foi retirado dos geradores e repassado ao consumidor, como ocorreu com a Medida Provisória 579. Mas o consumidor não tem meios para gerir esse tipo de risco, o que acaba onerando ainda mais a tarifa”, explicou a associação por meio de nota ao Edição do Brasil. “Cliente no centro” Para o CEO da TYR Energia, Eduardo Miranda, o diferencial do Ambiente de Contratação Livre (ACL) vai além da economia imediata. “No mercado livre, o cliente pode aproveitar momentos em que os reservatórios estão cheios e a energia está mais barata. A contratação é personalizada e leva em conta o perfil, a sazonalidade e a flexibilidade de consumo de cada cliente”, diz. Miranda reforça que o modelo empodera o consumidor ao permitir o monitoramento em tempo real do consumo e a adoção de metas e alertas automáticos. “O cliente deixa de ser um passageiro das revisões tarifárias e passa a ter controle. Isso é possível graças ao uso de medidores digitais, softwares de gestão e produtos como o boleto único, que simplifica o pagamento de todas as componentes da conta de luz em uma única fatura”. Ele também aponta o impacto da digitalização e da inteligência artificial como potencializadores da eficiência energética. “A energia mais barata é aquela que não é desperdiçada. O futuro está em operar a flexibilidade do consumidor, e isso só é viável em um mercado verdadeiramente livre”. Além de benefícios econômicos, Miranda defende que a expansão do ACL é estratégica para o país. “Estamos diante de uma oportunidade única. A abertura do mercado não é só sobre energia, mas sobre inovação, ciência, tecnologia e educação. O Brasil precisa aproveitar esse momento para transformar seu modelo energético e se projetar globalmente”, finaliza.

Justiça do Trabalho alerta para retrocessos após decisão do STF

Desde abril, após uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, todos os processos que questionam contratos de prestação de serviços firmados com pessoas jurídicas estão suspensos em todo o país. Em sua justificativa, o magistrado destacou que a controvérsia sobre a legalidade desses contratos tem sobrecarregado o STF diante do elevado número de reclamações contra decisões da Justiça do Trabalho que, em diferentes instâncias, deixam de aplicar entendimento já consolidado pela Corte sobre a matéria. “O descumprimento sistemático da orientação do Supremo Tribunal Federal pela Justiça do Trabalho tem contribuído para um cenário de grande insegurança jurídica, resultando na multiplicação de demandas que chegam ao STF, transformando-o, na prática, em instância revisora de decisões trabalhistas”, afirmou o ministro. Só em Minas Gerais, são 619 processos no 1º grau e 351 no segundo que estão paralisados, segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG). A presidente da Corte, desembargadora Denise Alves Horta, expressa preocupação com os impactos da suspensão das ações para os trabalhadores e com o que considera um “esvaziamento” da missão constitucional da Justiça especializada. “A demora nos julgamentos pode favorecer a ocorrência de fraudes, a ocultação ou esvaziamento do patrimônio de devedores e o desaparecimento de provas. Isso traz insegurança jurídica e agrava a vulnerabilidade do trabalhador hipossuficiente”. “Além disso, a paralisação de processos com temas sensíveis, nos quais foi constatada a existência de fraude para subtração de direitos ou de condições análogas ao trabalho escravo, por exemplo, intensifica a fragilidade dos trabalhadores inseridos em tais contextos”, complementa. A magistrada não nega a importância do STF como guardião da Constituição, mas alerta para uma mudança de enfoque nas decisões da Suprema Corte. “Há um crescente afastamento dos princípios fundamentais do Direito do Trabalho, em nome de uma abordagem mais civil e comercial das relações laborais. Tem prevalecido no STF uma análise baseada em perspectivas comerciais e civis, em detrimento dos princípios trabalhistas. Isso fragiliza direitos sociais conquistados ao longo de décadas e precariza as relações de trabalho”. Situações que envolvem motoristas de aplicativos, contratos com salões de beleza, sociedades de advogados ou transportadoras de carga têm sido exemplos dessa nova orientação. A Justiça do Trabalho, que tradicionalmente analisava esses vínculos com base no princípio da primazia da realidade, agora vê sua competência ser contestada. Mesmo com a suspensão imposta pelo Supremo, Denise reforça que o TRT-MG vem participando de eventos, seminários e articulações institucionais que discutem os efeitos da decisão, e que o tribunal segue empenhado em alternativas como a conciliação para mitigar os efeitos da paralisação dos processos. “Estamos acompanhando os impactos e avaliando estratégias. Também incentivamos a solução consensual dos litígios como forma de reduzir a morosidade”. Quando o STF julgar definitivamente o Tema 1.389 e publicar a ata do julgamento, os processos suspensos poderão ser retomados automaticamente pelo sistema do Nugep Nacional. A presidente do TRT-MG é enfática ao defender o papel da Justiça do Trabalho. “A existência e a atuação da Justiça do Trabalho são essenciais para o equilíbrio das relações laborais, a dignidade do trabalhador e o fortalecimento da democracia. Nossa função não é apenas aplicar a lei, mas garantir trabalho decente, justiça social e proteção a quem mais precisa”, conclui.

Secretários apresentam ações e defendem o Propag na ALMG

Os titulares das secretarias de Planejamento e Gestão (Seplag), Silvia Listgarten, e da Fazenda, Luiz Claudio Gomes, compareceram à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para apresentar aos deputados as ações realizadas pelas duas pastas ao longo dos quatro primeiros meses de 2025. A audiência pública integrou o 1º ciclo de prestação de contas no âmbito do Assembleia Fiscaliza neste ano. Silvia Listgarten traçou um panorama abrangente da atuação da Seplag, com ênfase no fortalecimento do planejamento orçamentário, na modernização da gestão pública e na digitalização dos serviços estaduais. Ela destacou a atualização do sistema de compras governamentais, a transição da frota oficial para o uso de etanol e a coordenação dos acordos de reparação de Brumadinho e do Rio Doce. “São mais de 160 projetos em andamento, e só em Brumadinho já repassamos quase R$ 800 milhões desde 2023”, pontuou. A secretária também ressaltou o empenho da pasta na organização da carteira de imóveis que poderá ser utilizada na adesão de Minas ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag). “Estamos lapidando uma base com mais de 300 imóveis, em diálogo com a Assembleia, para cumprir o prazo de entrega à União até o fim de outubro. É um desafio técnico e institucional imenso”. Durante sua exposição, Luiz Claudio Gomes informou que a expectativa de arrecadação tributária do Estado para 2025 é de R$ 105,8 bilhões. Em relação ao Propag, classificou o programa como uma “ponte segura” para a sustentabilidade fiscal de Minas. “O Regime de Recuperação Fiscal (RRF) nos deu um alívio emergencial, mas é o Propag que permitirá uma reorganização estrutural das finanças mineiras”. Ele afirmou que a meta é alcançar ao menos 10% de amortização da dívida, percentual mínimo exigido para redução dos encargos financeiros. “Mas trabalhamos para atingir 20%, o que nos daria a condição ideal: IPCA mais juros reais de 0%”. Gomes ainda alertou para os prazos curtos e a complexidade das etapas necessárias. “É o maior esforço técnico da história recente do Estado. Precisamos da colaboração de todos os Poderes para que Minas não perca essa janela de oportunidade”, completou. “O encontro foi muito produtivo. A presença da secretária Silvia também evidenciou os avanços em modernização da Seplag e a atuação na implantação das Empresas Credenciadas de Vistoria (ECVs), tema no qual a Assembleia teve participação ativa ao ajudar a solucionar o problema do fechamento em massa dessas empresas. Hoje, já há presença em mais de 400 municípios, e pesquisas mostram que a população aprovou o serviço”, avaliou o presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, deputado Leonídio Bouças (PSDB), em entrevista ao Edição do Brasil. Sobre a participação do secretário da Fazenda, o parlamentar afirmou que foi essencial para esclarecer a proposta de adesão ao Propag. “Ficou claro que, se conseguirmos pagar 20% da dívida com bens do Estado à vista, poderemos nos beneficiar da isenção de 4% dos juros, pagando apenas o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Só essa diferença representa uma redução de mais de R$ 6 bilhões por ano no que Minas teria que desembolsar. Se esse valor fosse direcionado para educação, saúde, segurança pública e infraestrutura, o Estado poderia atingir um novo patamar”, concluiu.

Diagnóstico precoce é chave para combater o lipedema

Doença crônica, progressiva e ainda pouco conhecida, o lipedema atinge principalmente mulheres e é comumente confundido com obesidade ou linfedema. Segundo o estudo Prevalência e Fatores de Risco para Lipedema no Brasil, estima-se que 12,3% das brasileiras convivam com essa condição, caracterizada pelo acúmulo simétrico de gordura subcutânea, especialmente nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços, provocando dor, sensibilidade e comprometimento da qualidade de vida. Ao longo do mês, a campanha “Junho Roxo” promove ações de conscientização em todo o país, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o lipedema, incentivar o diagnóstico precoce e estimular a empatia em relação às mulheres que enfrentam a doença. “Lipedema é uma gordura fibrosada, necrosada, que não responde a qualquer tipo de dieta, atividade física ou plano alimentar hipocalórico. Já a obesidade responde bem. O linfedema, por outro lado, é uma alteração dos vasos linfáticos, geralmente assimétrica. O lipedema se manifesta de forma simétrica, como nas duas pernas ou nos dois braços”, explica o médico Diego Torrico. Ele aponta que os pacientes apresentam sintomas como sensação de peso, dor latejante, celulites que não são celulites, aspecto em “casca de laranja”, queimação, coceira, hematomas espontâneos e cansaço. Segundo Torrico, a doença tem origem hereditária e o diagnóstico precoce é fundamental para evitar sua progressão. “Se não cuidar e tratar, a doença evolui. Não tem cura, mas podemos controlar sua progressão. É preciso apalpar as pernas, sentir as modulações, observar a evolução ao longo da vida da pessoa. Além disso, complementamos com exames como densitometria corporal e bioimpedância”. O médico também chama atenção para os impactos psicológicos causados pela enfermidade. “Muitas mulheres deixam de usar vestidos, de ir à praia, de participar de eventos sociais. Se veem como desleixadas, mesmo seguindo dieta e praticando atividade física sem obter resultados. São pacientes que já foram julgadas por profissionais e familiares, e que muitas vezes nem sabem que têm uma doença real”. Alimentação como ferramenta Para a nutricionista Aline Quissak, uma alimentação personalizada pode ajudar a reduzir a inflamação e os sintomas do lipedema. “O detox terapêutico vai muito além de tomar suco verde. É uma estratégia baseada em testes genéticos, análises de sangue e da microbiota intestinal. Isso permite montar um plano alimentar terapêutico individualizado, que ajude a reduzir a inflamação, equilibrar os hormônios e melhorar a qualidade de vida”. Ela salienta que polimorfismos genéticos podem comprometer as vias de detoxificação e o metabolismo hormonal, e que alimentos específicos, como vegetais crucíferos, ricos em indóis e glucosinolatos, favorecem a eliminação de estrogênios inflamatórios. Além disso, nutrientes como glutationa, N-acetilcisteína, vitaminas B6, B12, ácido fólico, colina e sulforafano desempenham papel essencial na detoxificação hepática. “A detoxificação hepática é fundamental no manejo do lipedema, pois a doença está frequentemente associada à sobrecarga estrogênica, inflamação crônica e acúmulo de toxinas nos tecidos adiposos”, explica Aline. A especialista também alerta para os efeitos de intolerâncias alimentares. “Glúten, leite e frutose podem ser gatilhos silenciosos, mas altamente inflamatórios. Eles aumentam a permeabilidade intestinal e estimulam a liberação de citocinas inflamatórias como IL-6 e TNF-alfa, agravando dor, inchaço e inflamação”. Por fim, a nutricionista reforça que o futuro do tratamento passa por abordagens integrativas. “Genética, nutrigenômica, compostos bioativos e microbiota intestinal formam a base de um cuidado realmente eficaz. Não tratamos apenas os sintomas, mas a causa bioquímica da doença”, finaliza.

Circuito Nacional do Café propõe rota de experiências além da bebida

Lançado oficialmente no final de maio, o Circuito Nacional do Café surge como uma das mais ambiciosas iniciativas de valorização do turismo, cultura e economia criativa em torno do principal símbolo da identidade brasileira: o café. Com 51 cidades já integradas, sendo 49 em Minas Gerais e duas no Estado de São Paulo, o projeto propõe uma rota de experiências imersivas que vai muito além da bebida. De acordo com o idealizador e gestor cultural do projeto, Edgar Bessa, a inspiração para o Circuito veio de rotas consagradas, como a Estrada Real e os caminhos do vinho na Itália. “Minas e São Paulo já são os maiores produtores de café do planeta. Temos o sabor, o saber e o território. Faltava uma rota que ligasse tudo isso às pessoas, aos sentimentos e às oportunidades. O Circuito nasce assim, vivo, colaborativo, respeitando as raízes de cada cidade e celebrando o café como potência cultural, econômica e afetiva do nosso país”. O diferencial do Circuito está na proposta colaborativa. Pequenos produtores, grandes marcas, gestores públicos e o trade turístico atuam em sinergia. “Unimos esses mundos por meio de experiências integradas, roteiros colaborativos e ações que geram valor compartilhado. O Circuito é uma rede que pulsa em conjunto, onde todos crescem juntos”, destaca Bessa. “A curadoria das experiências é feita cidade a cidade, ouvindo moradores, artistas, produtores e mestres da culinária. Cada cidade tem um café que é só seu. As experiências são cocriadas com os territórios, respeitando seus ritmos, sotaques e saberes”, completa. Experiências e inovação A rota inclui visitas a fazendas produtoras, oficinas culturais, trilhas ecológicas, cavalgadas, passeios de bike, automóveis e motos, além de eventos como a Corrida do Café. Durante o lançamento na Expocafé, um estande de 500 metros quadrados apresentou essas vivências ao público. O gestor conta que a apresentação do projeto foi como plantar uma semente em solo fértil. “A receptividade foi emocionante e sentimos que esse projeto é de todos. Quando as pessoas se reconhecem em uma ideia, ela ganha força e sentido”. A tecnologia também tem papel estratégico. Um aplicativo com audioguias e roteiros, além de um passaporte turístico com QR Codes para “carimbar” a passagem por cada cidade, vai aproximar visitantes e moradores. Segundo Bessa, o passaporte transforma a viagem em aventura interativa, onde cada selo carimbado é uma história vivida. “São ferramentas que ampliam a experiência e democratizam o acesso, sem perder a alma artesanal do café. É o passado se encontrando com o futuro, com poesia e praticidade”. Potencial econômico O Circuito foi reconhecido pela Lei 14.718/2023 como o 14º Monumento Nacional e já conta com um calendário anual de eventos. De acordo com o gestor cultural, a expectativa é de um aumento de 33,5% no fluxo turístico nas regiões participantes, com impacto direto na geração de emprego, renda e visibilidade internacional do café brasileiro como ativo cultural. “Nosso sonho é grande e com os pés firmes na terra. Queremos inserir o Brasil no mapa do turismo cafeeiro mundial, mostrando que nosso café vai além da exportação: carrega cultura, afeto e identidade”, finaliza. Cidades integrantes Minas Gerais: Patrocínio, Elói Mendes, Patos de Minas, Paraguaçu, Lagoa Formosa, Alfenas, Carmo do Paranaíba, Areado, São Gotardo, Monte Belo, Araxá, Muzambinho, Campos Altos, Guaxupé, Tapiraí, Guaranésia, Bambuí, São Sebastião do Paraíso, Iguatama, Cabo Verde, Arcos, Botelhos, Formiga, Bandeira do Sul, Alpinópolis, Campestre, Carmo do Rio Claro, Machado, Ilicínea, Três Corações, Boa Esperança, Campanha, Cristais, Cambuquira, Aguanil, Conceição do Rio Verde, Campo Belo, São Lourenço, São Francisco de Paula, Carmo de Minas, Oliveira, Cristina, Santana da Vargem, Pedralva, Três Pontas, São José do Alegre, Varginha, Santa Rita do Sapucaí e Pouso Alegre. São Paulo: São Paulo e Santos.

IOF mais alto deve trazer riscos à economia e atratividade do Brasil

As recentes propostas de aumento na alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com o objetivo de ampliar a arrecadação do governo federal, têm gerado reações intensas no mercado e preocupação no meio jurídico. Como a primeira proposta não agradou ao Congresso Nacional, uma nova alternativa deve ser apresentada na próxima semana. Diante dos reajustes em diversas modalidades, especialistas alertam que o país pode estar comprometendo pilares essenciais da economia, como o tripé macroeconômico, além de afetar a segurança jurídica e a atratividade para investidores estrangeiros. O especialista de mercado, Cesar Queiroz, aponta que a elevação do IOF interfere diretamente na liberdade de movimentação de capitais, encarecendo operações financeiras e impactando negativamente o custo de captação e investimento. “Estamos nos afastando do livre mercado e flertando com um modelo intervencionista”. Queiroz também chama a atenção para a insegurança jurídica que pode ser gerada. “O investidor precisa confiar nas regras do jogo. O que temos visto é um ambiente instável, em que decisões econômicas são tomadas sem diálogo e sem previsibilidade. Esse cenário hostil contribui para a saída de capital estrangeiro, pressionando o câmbio e elevando a inflação”. A advogada tributarista Maria Carolina Bachur concorda que a medida enfraquece a atratividade do país. “O IOF deveria ser um instrumento extrafiscal, utilizado para regular o mercado. A utilização do imposto com finalidade arrecadatória não é novidade, mas seu uso recorrente com esse objetivo pode levantar questionamentos jurídicos”. Ela destaca que a medida pode gerar impactos diretos sobre operações empresariais. “A inclusão de modalidades como o risco sacado no escopo do IOF afeta o fluxo de caixa das empresas, dificultando o planejamento. Estamos diante de uma ação que atinge diretamente setores como a indústria e o varejo, que utilizam essa antecipação de recebíveis para se financiar. A imposição de IOF de 3,5% sobre empréstimos externos de curto prazo torna a captação internacional mais onerosa. Do ponto de vista tributário, ainda é mais barato tomar recursos no exterior do que no Brasil, mas o cenário atual encarece tudo”. As mudanças nas alíquotas dos fundos de investimento podem afastar investidores, especialmente em um momento de transição com a reforma tributária, ressalta Maria Carolina. “As idas e vindas na tributação passam uma mensagem contraditória e podem impactar a entrada de recursos”. Segundo Queiroz, a solução não está no aumento de impostos. “O governo precisa fazer o dever de casa, cortar gastos e promover uma reforma administrativa. A majoração do IOF é um reflexo do desespero fiscal. Antes de buscar mais receita, é preciso cortar desperdícios. Só após um diagnóstico transparente do déficit é que se deve discutir complementos, mas com responsabilidade e diálogo. Do jeito que está, estamos punindo quem gera riqueza para sustentar um modelo ultrapassado e oneroso”. Apesar disso, a elevação do IOF já produz efeitos no mercado. Queiroz prevê volatilidade cambial, fuga de capitais e necessidade de uma política monetária mais rígida. “Estamos brincando com fogo”, alerta. Apostas como compensação? Nos últimos dias, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, sugeriu o aumento da carga tributária sobre as apostas esportivas on-line como forma de evitar a alta do IOF. Para o especialista em direito tributário Alexandre Mazza, a proposta é viável, mas deve ser analisada com cautela. Mazza avalia que o possível aumento na tributação das bets pode ser uma medida acertada. “O setor de apostas tem um movimento financeiro espetacular, que cobriria até com folga uma eventual compensação. Além disso, as apostas não envolvem uma cadeia produtiva nem uma grande quantidade de empregos, como em outros setores”. “Essa tributação das apostas pode ser algo positivo, porque é um setor que vem se esquivando de uma regulamentação mais efetiva. A incidência do novo imposto seletivo seria uma excelente opção. Não vejo grandes dificuldades jurídicas ou práticas para que isso ocorra”, finaliza.

Campanha Junho Vermelho reforça a urgência da doação de sangue

Com a chegada do inverno e o aumento dos casos de doenças respiratórias, a Fundação Hemominas faz um alerta: os estoques de sangue dos hemocentros de Minas Gerais estão em situação crítica. Os tipos A positivo, A negativo e O positivo são os mais afetados. A instituição reforça a importância das doações contínuas para garantir o atendimento a pacientes em todo o estado. De acordo com a Fundação, os tipos O negativo, B negativo e AB negativo estão em nível de alerta. Já o tipo AB positivo se encontra em situação estável. “A situação é de alerta, com moderada queda em relação ao mesmo período do ano passado e também ao mês anterior. Os tipos sanguíneos A positivo, A negativo e O positivo estão em níveis críticos”, afirma Nivaldo Junior, assessor de Captação e Cadastro da Hemominas. Ele afirma que, além das doenças típicas do inverno, que impedem temporariamente muitos voluntários de doar, o excesso de feriados prolongados entre abril e maio também prejudicou a frequência dos doadores. “Viemos de um período de muitos feriados que impactaram o comparecimento nas semanas anteriores. Ao longo de maio, também não observamos um retorno satisfatório nas nossas unidades, o que resultou nessa queda nos estoques”. Para reverter o quadro, a fundação tem reforçado sua estratégia de captação. Junior destaca que ações como ligações telefônicas, coletas externas e parcerias com empresas e instituições têm sido intensificadas. A mais recente novidade é o uso de inteligência artificial para facilitar o contato com os doadores cadastrados. “Criamos um robô que faz contato com nossos doadores via WhatsApp, ajudando no agendamento, cancelamento ou consulta de doações. É uma ferramenta que está facilitando o acesso”. Junho Vermelho O mês ganhou cor e significado com a campanha Junho Vermelho, uma mobilização nacional em torno da causa da doação de sangue, em alusão ao Dia Mundial do Doador, celebrado no dia 14 de junho. A Hemominas aproveita o momento para reforçar a visibilidade da causa. “É uma campanha que mobiliza principalmente os doadores fidelizados, mas também uma oportunidade de atrair novos doadores, esclarecer dúvidas e mostrar a importância desse gesto”, diz Junior. Exemplo de solidariedade A recepcionista Ana Clara Souza começou a doar sangue após um amigo sofrer um acidente e precisar de transfusões urgentes. Desde então, tornou-se uma defensora da causa. “Aquela situação me mostrou como uma bolsa de sangue pode fazer diferença entre a vida e a morte. Hoje, é um compromisso meu. Já usei o novo assistente virtual da Hemominas e incentivo todos ao meu redor a doar”, conta. “As doações são uma necessidade contínua. Todos os dias temos pacientes precisando de transfusões. Por isso, a solidariedade precisa ser diária, não apenas nas campanhas ou datas comemorativas”, reforça o assessor. Como doarPara doar sangue é necessário estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos (menores de idade com autorização dos responsáveis), pesar acima de 50 kg, ter dormido bem e estar alimentado e apresentar documento original com foto. O agendamento pode ser feito pelo site www.hemominas.mg.gov.br no aplicativo MGapp Cidadão, WhatsApp: (31) 4042-7157 ou pelo e-mail: doesangue@hemominas.mg.gov.br

Brasileiros veem redes sociais como ambiente inseguro para adolescentes

Um levantamento realizado pela Ipsos-Ipec revelou que 55% dos brasileiros consideram as redes sociais ambientes inseguros para adolescentes. Entre os jovens, essa sensação é ainda maior: 32% avaliam essas plataformas como muito inseguras. Quando o assunto é bullying virtual, 82% dos entrevistados afirmam já ter ouvido falar sobre casos em redes sociais, grupos de WhatsApp ou outros ambientes digitais. Além disso, 24% relataram ter sido vítimas de cyberbullying. As situações mais comuns incluem: disseminação de mentiras (15%), exposição de fotos ou vídeos constrangedores (4%), mensagens ofensivas (13%), uso indevido do nome (9%) e vazamento de dados pessoais (7%). As principais vítimas estão na faixa dos 16 a 24 anos (37%), seguidas pelo grupo de 25 a 34 anos (28%). Para discutir o tema, o Edição do Brasil conversou com o advogado especialista em Direito Digital, Jean Túlio Cardoso Neto. Como o Marco Civil da Internet e a LGPD podem proteger adolescentes do cyberbullying e do vazamento de dados nas redes?Ambos são pilares essenciais da proteção digital no país. O Marco Civil assegura princípios como privacidade, proteção de dados e responsabilização por atos ilícitos. Já a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) traz regras específicas para o tratamento de informações de menores, exigindo consentimento dos pais ou responsáveis. Diante de situações de exposição indevida ou cyberbullying, essas normas oferecem meios legais para responsabilizar infratores, solicitar a remoção de conteúdo e buscar reparação. No entanto, é fundamental reforçar essa proteção com educação digital e atuação eficaz das autoridades. A Lei nº 14.811/2024 trata do combate ao cyberbullying. Quais são os avanços e desafios dessa legislação?A lei representa avanço significativo ao reconhecer o cyberbullying como questão jurídica e social, inserindo-o no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Isso amplia a base legal de proteção e fortalece a atuação do Ministério Público, Judiciário e instituições de ensino. O desafio está na aplicação, pois ainda há carência de delegacias especializadas e lentidão na remoção de conteúdos prejudiciais pelas plataformas. A norma é positiva, mas precisa ser acompanhada de políticas públicas efetivas. Com 24% relatando ter sido vítima de cyberbullying, quais medidas podem ser tomadas?O primeiro passo é preservar as provas: capturas de tela, links, mensagens e qualquer indício de autoria devem ser documentados. Em seguida, deve-se registrar boletim de ocorrência, preferencialmente em delegacia especializada. Menores, com o apoio de seus responsáveis, podem mover ação judicial para exigir a retirada do conteúdo, reparação por danos morais e até responsabilizar os pais do agressor, com base no Código Civil, no ECA e em jurisprudência consolidada. As plataformas podem ser responsabilizadas por não adotarem medidas de proteção?Sim. O Marco Civil da Internet determina que as plataformas só se isentam de responsabilidade se removerem o conteúdo inapropriado após notificação judicial. A LGPD, por sua vez, impõe obrigações específicas sobre o tratamento de dados de menores de idade, priorizando o melhor interesse da criança e do adolescente. Se a empresa não oferece canais acessíveis de denúncia, apresenta demora na moderação ou trata dados com negligência, pode ser responsabilizada civilmente e acionada pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Já existem várias decisões judiciais que já reconhecem esse tipo de responsabilidade. Como fortalecer a colaboração entre Estado, sociedade civil e empresas para garantir um ambiente digital mais seguro?É essencial estabelecer uma cooperação contínua e bem estruturada. O Estado deve agir com rapidez na regulamentação e fiscalização; a sociedade civil tem papel crucial na educação digital e no controle social; e as empresas precisam adotar uma cultura de responsabilidade. A criação de comitês multissetoriais, fóruns de cooperação e códigos de conduta compartilhados pode contribuir para um ecossistema digital mais seguro e ético. Proteger adolescentes no ambiente virtual não é tarefa isolada, mas um compromisso coletivo entre instituições públicas, privadas e a sociedade.

Trabalho tático fora dos clubes transforma atuação de atletas

O futebol brasileiro vive um momento de amadurecimento em suas estruturas de análise e preparação. Entre os sinais dessa evolução está a presença crescente das consultorias táticas individuais, um modelo de trabalho voltado para o desenvolvimento técnico e cognitivo do atleta fora do ambiente do clube. O serviço, ainda recente no país, vem ganhando corpo e apresentando resultados concretos. Um dos nomes que atua nessa frente é Ronaldo Sambinelli Filho, analista de desempenho e fundador da RS.Performance, empresa especializada em consultorias táticas semanais para jogadores profissionais e de base. Desde 2021, ele e sua equipe realizam um trabalho minucioso de orientação individual, com foco na leitura de jogo, posicionamento e tomada de decisão. Filho esclarece que o jogador tem dois, três segundos para decidir o que fazer com a bola. “Nosso papel é ampliar a visão dele sobre as possibilidades naquele momento. Não se trata de apontar erros, mas de construir junto com ele alternativas melhores em cada situação de jogo”. O acompanhamento é feito por videoconferência e tem como base softwares que fornecem estatísticas, vídeos e recortes específicos das atuações dos atletas e seus adversários. A partir dessa análise, são elaborados materiais que ajudam o jogador a compreender melhor sua performance e os ajustes necessários. A proposta se diferencia por considerar também aspectos pessoais e contextuais, como o tempo disponível do atleta, a cultura do clube e o momento da carreira, segundo Filho. “Nem sempre o jogador consegue fazer isso em casa, por causa da rotina com a família. Às vezes a reunião só acontece na concentração”. Essa prática tem sido adotada tanto por jovens em formação quanto por atletas experientes. Um dos exemplos mais emblemáticos do trabalho desenvolvido por Sambinelli foi o do lateral Caio Garcez, revelado pelo Corinthians. Durante a última edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior, Caio, originalmente lateral-esquerdo, foi deslocado para atuar como zagueiro pela esquerda, por necessidade do time. “Trabalhamos com ele durante os sete jogos da Copinha. Foi um processo intenso, mas que deu resultado. Ele se destacou na função e hoje está no elenco profissional do São Bernardo, na Série C, um clube que tem pretensões de subir de divisão para o próximo ano”, afirma Filho. A consultoria não se limita ao desempenho técnico. O trabalho funciona como apoio à adaptação de atletas que chegam de outras culturas futebolísticas como sul-americanos em clubes brasileiros ou jogadores que saem do Brasil e vão atuar em outros lugares. “Esses jogadores lidam com pressões diferentes. Entender o jogo em um novo contexto é essencial para se manter competitivo”. Embora ainda restrito a um número seleto de jogadores, o modelo de consultoria tática individual vem se firmando como uma ferramenta complementar ao trabalho realizado pelos clubes. Para Filho, esse tipo de apoio revela também o comprometimento dos próprios atletas. “É um mérito deles. Procurar esse tipo de orientação é sinal de que querem evoluir, mesmo fora da estrutura do clube”, conclui.