Santa Rita do Sapucaí sedia maior competição nacional de robótica

Entre os dias 6 e 8 de março, o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) realiza, em Santa Rita do Sapucaí (MG), a 10ª edição da IronCup (Inatel Robotics National Cup), considerada a maior competição de robótica de Minas Gerais e a única do país com 15 categorias em disputa. O evento reúne mais de 600 competidores e cerca de 500 robôs inscritos, considerado um recorde. Os interessados podem se inscrever no endereço inatel.br/ironcup. Para o coordenador da competição, Alexandre Baratella, a dimensão alcançada ao longo da década. “Começamos em 2017 com cerca de 70 pessoas e poucas equipes de fora. Hoje são mais de 600 competidores e quase 500 robôs. Se considerar o número de categorias, é a maior competição do Brasil”. O crescimento acima de 10% em relação ao ano passado reflete a consolidação do evento no cenário nacional, pontua Baratella. “O aumento no número de robôs foi muito superior a 10%. Isso se deve à visibilidade das competições e ao interesse crescente dos estudantes por tecnologia e inovação”, pontua. Baratella explica que a IronCup também é uma das quatro competições brasileiras que classificam para o All Japan Robot Sumo Tournament, no Japão, nas categorias de Sumô Mini e 3 kg, rádio controlado e autônomo. “O campeão dessas categorias garante vaga para disputar o Mundial do Japão. Isso ajuda a elevar o nível técnico das disputas”. Além do aspecto competitivo, Baratella reforça o caráter formativo do evento. “A IronCup é um evento educativo. Mais do que colocar um robô para lutar, promovemos conexões, networking e desenvolvimento de soft skills. Os participantes aprendem a competir sob pressão, a trocar experiências e a trabalhar em equipe”. Entre os destaques técnicos está a equipe RobotBulls, atual tetracampeã na categoria Robô Trekking. A capitã da equipe, Mayara do Prado Almeida, conta que o interesse pela robótica começou ainda na infância. “Na escola, construíamos pequenos robôs movidos a pilha. Aquilo despertou minha curiosidade e no ensino médio tive certeza de que queria seguir na engenharia”. A RobotBulls competirá em todas as categorias da IronCup, incluindo Trekking, Sumô, Combate, Follow Line, VSS e Hóquei. “Os desafios técnicos são constantes. Observamos falhas nas competições e buscamos melhorias ao longo do ano. Estamos sempre evoluindo”, afirma Mayara. “A preparação inclui rigor na validação técnica. Nós utilizamos balanças, paquímetros e medidores para garantir que peso e dimensões estejam dentro das regras. Esse controle evita desclassificações”, complementa. Na avaliação de Mayara, o alto nível dos adversários é um estímulo. “O nível técnico é sempre altíssimo. Aprendemos muito com outras equipes e também compartilhamos conhecimento. A IronCup proporciona uma bagagem valiosa para a vida acadêmica e profissional”. Mesmo sendo uma competição “em casa”, a capitã da RobotBulls diz que a pressão é grande. “Existe uma responsabilidade adicional por representar o Inatel dentro da própria instituição. É uma das competições mais difíceis do nosso calendário”. Independentemente do resultado, Mayara revela que o aprendizado é garantido. “A IronCup nos ensina a tomar decisões sob pressão, resolver problemas rapidamente e lidar com frustrações e conquistas. É uma preparação intensa para a vida profissional”, conclui.

Liquidações extrajudiciais de bancos testam o Fundo Garantidor de Créditos

A sequência de liquidações extrajudiciais promovidas pelo Banco Central, envolvendo o Banco Master, o Will Bank e o Banco Pleno, colocou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no centro do debate sobre estabilidade e risco sistêmico no Brasil. Com pagamentos estimados em mais de R$ 40 bilhões apenas no caso Master e bilhões adicionais nas demais instituições, o fundo enfrenta o maior teste desde sua criação, em 1995. O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos, para produtos como CDB, LCI, LCA, poupança e conta corrente. O mecanismo é privado, financiado pelas próprias instituições associadas, e tem como missão preservar a confiança no sistema bancário. Para o advogado e doutor em Direito Civil, Vanderlei Garcia Júnior, o papel do fundo vai além do ressarcimento. “É um mecanismo privado de proteção ao sistema financeiro que tem como função principal garantir depósitos e determinados investimentos até os limites estabelecidos. Isso significa que, se um banco quebrar, o cidadão não perde automaticamente o dinheiro aplicado. Mas o papel do FGC vai muito além, atuando também como instrumento de estabilidade sistêmica, reduzindo o risco de corrida bancária e preservando a confiança no sistema financeiro como um todo”. A confiança é elemento central da engrenagem econômica, avalia Júnior. “Sem previsibilidade, o crédito encarece, a liquidez das instituições diminui drasticamente e a economia desacelera. O FGC funciona como amortecedor de crises e contribui para a segurança do ambiente financeiro brasileiro”. Limites do modelo atual O episódio recente também reacendeu o debate sobre governança e incentivos de risco. Para o CEO da Queiroz Investimentos e Participações, Cesar Queiroz, o caso evidencia a necessidade de aperfeiçoamentos. “O maior pagamento de garantias da história do sistema financeiro brasileiro não é apenas um episódio pontual”. “Ele reacende um debate essencial sobre risco sistêmico, governança e responsabilidade no uso dos mecanismos de proteção ao investidor. Quando o instrumento passa a ser utilizado como argumento mercadológico de proteção total, pode haver distorções que incentivem estratégias incompatíveis com o porte e a estrutura de determinadas instituições”, complementa. Queiroz defende que o fortalecimento do FGC passa por critérios proporcionais ao risco. “Experiências internacionais mostram que instituições com maior perfil de risco contribuem mais para fundos garantidores. Esse é um debate relevante para evitar concentração de risco sistêmico”. Já o especialista do mercado financeiro, Pedro Persichetti, destaca que parte do problema está na falta de compreensão das regras por investidores. “O erro mais comum é acreditar que qualquer investimento bancário está garantido. O FGC cobre produtos específicos e o limite é por CPF ou CNPJ, por instituição e por conglomerado financeiro. Diversificar apenas entre marcas diferentes não garante maior proteção se elas pertencem ao mesmo grupo econômico”. Persichetti reforça que o FGC deve ser visto como rede de segurança, não como estratégia de investimento. “A proteção do fundo é importante, mas não substitui análise de risco e diversificação adequada. O investidor precisa entender limites e exposições para não concentrar patrimônio acima do teto garantido”. Em meio às discussões sobre ajustes regulatórios, o consenso é que o FGC permanece peça-chave da estabilidade financeira e sua relevância ultrapassa o aspecto operacional. “O Fundo Garantidor de Créditos é um ativo institucional que sustenta o sistema bancário brasileiro. Ele não representa apenas uma garantia financeira, mas um instrumento de preservação da confiança coletiva. Sem esse mecanismo, o risco de instabilidade seria significativamente maior”, conclui Júnior.

Golpes digitais no país exploram falhas de conectividade

O Brasil registrou cerca de 553 milhões de tentativas de phishing, golpe digital em que criminosos se passam por fontes confiáveis – bancos, empresas ou instituições – para enganar vítimas e obter informações sensíveis como senhas, dados bancários ou números de cartão de crédito, seja por e-mail, SMS, ligações ou mensagens falsas entre 2024 e 2025, segundo levantamento da Kaspersky. Tecnologias como VoIP, números virtuais, spoofing de chamadas e redes Wi-Fi inseguras têm sido exploradas por criminosos para ocultar identidades, enganar usuários para roubar dados ou dinheiro, e dificultar o rastreamento dessas fraudes pelas autoridades competentes. Para entender o volume tão alto de phishing e como falhas na infraestrutura de redes e telecomunicações ampliam esse cenário, o Edição do Brasil conversou com o especialista em infraestrutura de redes e conectividade, Jander César Albuquerque Faria. Esse volume revela uma fragilidade estrutural da nossa infraestrutura de conectividade ou uma falha de governança e fiscalização no setor? O número é reflexo dos dois problemas. Existe uma fragilidade estrutural na forma como a conectividade foi construída, priorizando expansão e custo, mas isso é agravado por falhas de governança e fiscalização. A tecnologia evoluiu muito rápido no meu ponto de vista, enquanto os mecanismos de controle e segurança não acompanharam esse ritmo, criando um ambiente favorável para o crime digital. Como as tecnologias ampliam os golpes? Elas permitem escalar golpes e ocultar a origem das chamadas, tornando as fraudes mais convincentes. A regulamentação ainda não acompanha essa evolução e carece de exigências mais eficazes de controle, autenticação e rastreabilidade. O uso indevido dessas ferramentas facilita crimes como falso suporte bancário e cobranças fraudulentas, explorando falhas na validação de chamadas e na identificação da origem. Estamos lidando com um problema técnico ou cultural? É muito mais um problema cultural do que técnico. As soluções existem, mas ainda há uma mentalidade de tratar segurança como algo secundário, acionado só depois do incidente. Falta incorporar a segurança digital como parte da rotina e da estratégia das empresas e instituições públicas. Até que ponto operadoras devem assumir maior responsabilidade? Precisam assumir um papel mais ativo na proteção da infraestrutura, sem interferir no conteúdo. Isso passa por monitorar padrões de tráfego suspeitos, bloquear rotas fraudulentas conhecidas e fortalecer mecanismos de validação, porque hoje grande parte do risco acaba recaindo apenas sobre o usuário final. Você avalia que é necessário tratar a conectividade como ativo estratégico? Na prática, significa tratar a internet como infraestrutura crítica. Para pequenas e médias empresas, isso passa por escolher bons provedores, manter equipamentos atualizados e adotar controles básicos de segurança, porque uma falha de conectividade hoje pode impactar diretamente o negócio e trazer graves prejuízos financeiros. O que precisa ser feito para o Brasil deixar de ser um dos principais alvos das fraudes digitais? Hoje, em grande parte, estamos reagindo. Na minha avaliação, a conectividade precisa ser pensada de maneira preventiva e estratégica. Para deixarmos de ser um dos principais alvos de phishing, é necessário avançar em regras mais claras, melhorar a integração entre telecomunicações e segurança digital, elém de educação digital do usuário. Sem essa mudança de abordagem, os golpes continuarão evoluindo mais rápido do que as defesas.

SAF consolida uma nova era do esporte brasileiro

O modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) consolidou-se como uma das principais transformações estruturais do futebol brasileiro. Em 2025, o país alcançou a marca de 130 SAFs registradas até dezembro, segundo atualização do Mapa de Expansão divulgado pelo Observatório Social do Futebol. Esse avanço confirma a adesão crescente ao formato criado pela Lei 14.193/2021, sancionada para oferecer segurança jurídica, governança corporativa e previsibilidade econômica aos clubes. A legislação permitiu que associações civis sem fins lucrativos migrassem para o modelo empresarial. A mudança abriu caminho para a entrada de investidores e para a profissionalização da gestão. Para o advogado João de Almeida, especialista em direito societário esportivo, o diferencial foi a criação de um ambiente economicamente viável. “A Lei 14.193 trouxe incentivos para que clubes associativos se convertessem em sociedades anônimas. A grande diferença foi o regime de Tributação Específica do Futebol (TEF). Quando os projetos passaram a ser viáveis economicamente, o mercado reagiu e houve uma onda de investimentos”. O TEF prevê alíquota unificada de 5% sobre a receita nos cinco primeiros anos, reduzida para 4% a partir do sexto ano. Segundo Almeida, o modelo tornou-se peça-chave para a organização financeira das SAFs. “Ele facilita o planejamento, porque dá clareza sobre a carga tributária mensal e sua base de cálculo. Isso melhora a gestão de caixa, reduz riscos fiscais e torna o negócio mais competitivo frente a outras atividades”. Além do incentivo fiscal, Almeida explica que a lei instituiu instrumentos de reorganização financeira que ampliaram a segurança jurídica. Entre eles estão a recuperação judicial e o Regime Centralizado de Execuções (RCE). “A Lei das SAFs apresentou de forma clara essas possibilidades de reestruturação. O RCE organiza as execuções em um único juízo, evita bloqueios sucessivos de receitas e cria previsibilidade. Para o investidor, o passivo deixa de ser uma incerteza e passa a estar estruturado em um plano conhecido”. Segundo o advogado, o RCE não implica perdão de dívidas, mas estabelece regras objetivas para enfrentá-las, reduzindo o risco de decisões judiciais isoladas que comprometam o fluxo de caixa. Outro avanço relevante é a adoção de regras obrigatórias de governança corporativa, como conselho fiscal permanente, estruturas formais de gestão e divulgação periódica de informações. A lei também criou as ações ordinárias de classe A, que garantem à associação poder de veto sobre temas sensíveis. “As ações de classe A asseguram que elementos como nome, símbolos e tradição permaneçam preservados. Funcionam como uma salvaguarda institucional, conciliando identidade histórica, governança e profissionalismo”, afirma o especialista. Novo patamar Com maior transparência, previsibilidade tributária e organização do passivo, o modelo SAF elevou o patamar regulatório do futebol brasileiro. Para Almeida, o avanço é determinante para ampliar a atratividade ao capital estrangeiro. “O que faltava era um ambiente regulatório claro e previsível. A SAF cria bases mais sólidas para transformar o potencial do futebol brasileiro em projetos estruturados e atraentes para investimento”, conclui.

Livro “A Dança da Serpente” revisita repressões históricas do Brasil

O jornalista e psicanalista Paulo Stucchi lança em março o romance histórico “A Dança da Serpente”, pela Editora Jangada. Ambientado em Sabará, o livro cruza duas épocas marcadas por repressão. O Brasil colonial do século 18 e a Ditadura Militar em 1977, para discutir intolerância, espiritualidade e perseguição a mulheres. A obra recupera a trajetória real de Luzia Pinta, mulher escravizada trazida de Angola, ligada aos rituais de calundu e condenada pela Inquisição Portuguesa. Em paralelo, apresenta as gêmeas Cléo e Clarice, que enfrentam, em plena década de 1970, os conflitos de uma herança espiritual que desafia normas sociais e políticas. Ao explicar a estrutura narrativa, Stucchi destaca o paralelo histórico. “Acredito que sejam dois momentos de forte repressão, em épocas diferentes e por contextos distintos: um, de viés político, no Regime Militar brasileiro, e outro de viés religioso, no século 18, quando a Inquisição ainda agia com força. Em comum, está a intolerância e o medo diante do desconhecido”. Para Stucchi, a padronização do pensamento é sustentada por mecanismos de intimidação. “Quando se tem planificação de ideias, uma certa padronização por meio do medo – da tortura ou de um Deus punitivo – parece que nos sentimos mais seguros”. Sobre Luzia Pinta, o autor reconhece os limites documentais e o papel da ficção. “Existem poucos documentos sobre a Luzia Pinta real. A personagem histórica, na medida do possível, foi retratada com verossimilhança dentro do contexto de um romance histórico, não de uma biografia. São nas lacunas de sua vida que a ficção entra, para criar ligações para essa personagem simbólica da liberdade, do sincretismo religioso, da intolerância, do feminismo e das origens negras de nossa cultura”. No núcleo ambientado em 1977, as irmãs representam respostas distintas à ancestralidade feminina. “Talvez elas sejam dois lados de um mesmo contexto histórico e ancestralidade. Cléo encarna os medos e as consequências daqueles que tentam ir contra a maré; já Clarice assume a liberdade de seguir seu destino, apesar das consequências”, afirma Stucchi. Segundo o jornalista, a dualidade reflete conflitos ainda presentes. “Se pensarmos no ‘eu feminino’, ainda temos essa ambivalência entre as mulheres que se enquadram no que a sociedade espera e aquelas que rompem essa bolha e assumem os rótulos”. O romance também dialoga com a misoginia e o feminicídio contemporâneos. “O medo é fundamental para qualquer mecanismo de controle. Temos sistemas de controle na política, nos dogmas religiosos, na família e na escola. No caso do ‘feminino livre’, é inegável que, dentro de uma educação machista, isso assusta. Assusta os homens, que não sabem lidar com a nova mulher, e assusta as próprias mulheres, que ainda estão aprendendo a encontrar um meio termo”, analisa o autor. A simbologia da serpente, presente em uma das cenas centrais do livro, reforça essa leitura. “Ela simboliza o medo do místico e do feminino. A serpente é enigmática e sensual, atributos associados às ‘bruxas’. Pela moral judaico-cristã, aprendemos a vê-la como algo negativo, mas ela também está ligada ao conhecimento – e conhecimento liberta”, finaliza.

Renda fixa deve seguir forte em 2026 como estratégia de investidores

A renda fixa voltou ao centro das decisões do investidor brasileiro em 2025. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostraram que os fundos dessa categoria lideraram a captação da indústria, com entradas líquidas de R$ 84,3 bilhões. No consolidado, o setor fechou o ano com captação positiva de R$ 88,4 bilhões e patrimônio líquido de R$ 10,7 trilhões, alta de 15% em relação a 2024. O desempenho ocorreu em um ambiente de Certificado de Depósito Interbancário (CDI) acumulado de 14,3%. Fundos de renda fixa do tipo duração média grau de investimento entregaram 14,5% de retorno, superando o índice. “Mais uma vez, os fundos de renda fixa foram a locomotiva da indústria, com os investidores buscando retornos adicionais ao CDI nos fundos de crédito privado. Esse cenário tende a se manter em 2026, considerando o nível ainda elevado dos juros e uma postura mais prudente dos investidores em um ano eleitoral”, afirma o diretor da Anbima, Pedro Rudge. Para o economista e especialista em renda fixa da Me Poupe!, Gean Duarte, o movimento combina fatores conjunturais e estruturais. “É um reflexo das duas coisas. A Selic elevada tornou a renda fixa extremamente atrativa. Estamos falando de retornos acima de 1% ao mês em produtos conservadores. Naturalmente, isso desloca capital de ativos mais voláteis para alternativas previsíveis”. Ainda segundo Duarte, houve também amadurecimento do investidor. “Há uma mudança estrutural clara. O acesso à informação fez muita gente sair da poupança e migrar para Tesouro Selic e CDBs. Quando o investidor percebe que pode obter boa rentabilidade sem grande risco, ele prioriza segurança”. Em 2026, ano eleitoral, a cautela tende a aumentar. “Em períodos de incerteza econômica, prever o cenário é impossível. Por isso, a proteção vem da diversificação. O investidor não deve depender apenas do CDI. Uma carteira equilibrada combina pós-fixados, prefixados e títulos indexados à inflação”, analisa Duarte. Cautela aos iniciantes Apesar da forte captação em fundos de crédito privado, o economista recomenda prudência ao iniciante. “Para quem está começando, geralmente é mais seguro investir diretamente em títulos simples e transparentes. No Tesouro Selic há garantia do Tesouro Nacional. Nos CDBs, há cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Já fundos podem conter ativos que o investidor não compreende. Previsibilidade não significa ganhar pouco e sim ganhar de forma consistente acima da inflação”. Ele também alerta para o uso consciente da garantia do FGC. “É uma proteção, mas não substitui a análise do emissor. O rating é a qualidade do avião; o FGC é o paraquedas. O objetivo é não precisar usá-lo”. Na avaliação do economista, há uma lógica clara de progressão. “Primeiro, reserva de emergência, cerca de seis meses do custo de vida em Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária. Depois, definição de objetivos e diversificação por indexadores”. “Para metas longas, como aposentadoria, títulos atrelados ao IPCA ganham importância. Primeira proteção, depois objetivo, e só então otimização da rentabilidade”, conclui.

Congresso debate fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho

O debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais ganhou um novo capítulo no Congresso Nacional. Após aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2015 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que encaminhou o tema a plenário. A pauta também será analisada na CCJ da Câmara dos Deputados por dois textos em tramitação. A PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (PSOL), e a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT). O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), afirmou que a expectativa é que a matéria seja votada em maio, com ampla discussão entre parlamentares, representantes do setor produtivo e especialistas antes da deliberação em plenário. Para a consultora de recursos humanos Bia Tartuce, a mudança pode representar um avanço significativo na qualidade de vida dos trabalhadores, especialmente em setores com jornadas mais desgastantes. “O fim da escala 6×1 pode trazer impactos positivos tanto no engajamento quanto na saúde dos trabalhadores, especialmente em atividades que exigem esforço físico e alta demanda emocional. Com mais tempo de descanso, eles tendem a apresentar melhor concentração, menor índice de erros e maior satisfação”. Ela ressalta que o resultado não será automático. “Qualquer mudança nesse nível exigirá uma adaptação operacional das empresas, principalmente em setores que dependem de escala contínua, como varejo, serviços e indústria. Pode haver necessidade de revisão de processos, redistribuição de equipes e até aumento de custo operacional. O impacto final na produtividade dependerá menos da carga horária em si e mais da capacidade das organizações de reorganizarem seus fluxos de trabalho e modelos de gestão”. Sobre a redução gradual da jornada para 36 horas semanais, Bia avalia que os efeitos na saúde mental podem ser relevantes. “A redução pode favorecer o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, melhorar a qualidade do sono, reduzir o estresse e ampliar o tempo de qualidade com a família. Esses fatores influenciam diretamente o desempenho, a criatividade e a tomada de decisão. No entanto, é fundamental que a redução não resulte em sobrecarga de tarefas no tempo reduzido. O sucesso dessa transição dependerá de um bom desenho das atividades e da priorização de demandas”. A consultora defende que as empresas não esperem a aprovação final da PEC para agir. “O debate já sinaliza uma tendência global de revisão dos modelos tradicionais de trabalho. Revisar processos para identificar desperdícios, avaliar produtividade e investir no desenvolvimento das lideranças são medidas que podem ser adotadas desde já. Quem espera a mudança para rever a cultura organizacional já está atrasado”. Impactos para empresas No campo jurídico, a advogada trabalhista do Urbano Vitalino Advogados, Silvia Monteiro, explica que a implementação seguirá um cronograma previsto no texto aprovado no Senado. “Existe um prazo de transição. A jornada reduzida passará a valer a partir de 1º de janeiro do ano seguinte à promulgação, quando as empresas deverão passar de 44 para 40 horas. Após essa redução, a cada ano a jornada deverá ser diminuída em uma hora, até atingir 36 horas semanais”. O texto permite certa flexibilidade na organização das escalas, conforme destaca Silvia. “A proposta trata de jornada diária máxima de 8 horas e semanal de 36 horas. Isso não impede que haja trabalho de 6 horas por 6 dias na semana e uma folga semanal, por exemplo, desde que respeitado o limite semanal. Ou seja, podem existir modelos semelhantes ao 6×1 dentro das novas regras”. Silvia alerta para os riscos de dívidas trabalhistas caso a transição não seja bem planejada. “Além de reclamações individuais pleiteando horas extras, é possível a atuação de sindicatos e do Ministério Público do Trabalho, com ações coletivas exigindo o cumprimento da nova jornada, sob pena de multas e danos morais coletivos”. A advogada também chama atenção para o impacto financeiro. “Essa redução impactará de forma sensível os custos das empresas, podendo até inviabilizar operações. A legislação não prevê subsídio governamental. Se aprovada dessa maneira, pode haver aumento do desemprego e redução dos salários dos novos contratados”.

Hipertensão arterial já atinge três em cada 10 adultos brasileiros

A hipertensão arterial atinge 29,7% da população adulta brasileira, segundo dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2025. O levantamento do Ministério da Saúde monitora fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis. O índice representa crescimento em relação a 2006, quando 22,6% dos brasileiros relataram diagnóstico médico de pressão alta. O avanço da hipertensão no Brasil ocorre em paralelo ao aumento da obesidade e do diabetes, compondo um cenário preocupante para a saúde pública e ampliando o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Para a cardiologista e presidente do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Érika Campana, os números refletem um problema estrutural. “O fato de quase 3 em cada 10 adultos brasileiros terem hipertensão revela um quadro preocupante de saúde cardiovascular populacional. O aumento também está relacionado ao envelhecimento da população, alimentação rica em sal e ultraprocessados, sedentarismo, obesidade, estresse crônico e acesso irregular ao cuidado em saúde”. A especialista destaca ainda que o problema vai além do diagnóstico. “Apenas 3 em cada 10 brasileiros portadores de hipertensão estão com a pressão arterial controlada. É um marcador claro de que estamos falhando na prevenção, diagnóstico precoce e tratamento”. O crescimento mais recente entre as mulheres também chama atenção. De acordo com Érika, com a queda do estrogênio, há redução da proteção natural dos vasos sanguíneos. “Além do acúmulo de jornadas de trabalho, o estresse e a piora do sono contribuem para o avanço da pressão alta nesse público após os 40 anos”. Outro fator de risco é o calor intenso. “O estresse térmico e a desidratação podem levar a quedas bruscas ou picos de pressão. Esse desequilíbrio aumenta o risco de eventos como AVC e infarto, especialmente em idosos e pacientes crônicos”, explica a médica. Além das complicações graves, Érika afirma que hipertensão impacta a qualidade de vida. “Sono fragmentado, cansaço persistente e fadiga são sinais de que o corpo está sob estresse cardiovascular constante e ser o principal fator de risco para a morte cardiovascular”. Obesidade em alta O avanço da pressão alta também está diretamente ligado ao crescimento da obesidade no Brasil. Entre 2006 e 2024, o índice mais que dobrou, passando de 11,8% para 25,7%. Para o especialista em emagrecimento Marcelo Carneiro, a relação é clara. “A obesidade favorece alterações no funcionamento do organismo que elevam a pressão arterial, como inflamações e sobrecarga do coração e dos vasos sanguíneos”. Ele ressalta que se trata de um fator de risco evitável. “A obesidade é hoje um dos principais fatores de risco que podem ser prevenidos ou controlados. Perder peso já traz benefícios efetivos para o controle da hipertensão”. Segundo Carneiro, o excesso de peso dificulta a ação da insulina, favorece o acúmulo de sal e líquidos e compromete a flexibilidade das artérias, levando à elevação progressiva da pressão. Para o médico, o crescimento simultâneo de obesidade, diabetes e hipertensão evidencia fragilidades na prevenção. “Precisamos de políticas públicas que incentivem hábitos saudáveis desde a infância, além de acompanhamento regular da população”. Acompanhamento Érika destaca que a supervisão médica regular permite ajustar o tratamento de forma personalizada, identificar precocemente complicações e avaliar o risco cardiovascular global do paciente. “Quando esse cuidado é associado a mudanças de hábitos, como alimentação equilibrada, redução do sal, atividade física, controle do peso, sono adequado e redução do álcool, os benefícios são potencializados. Medicação e estilo de vida se complementam na proteção do coração, rim e cérebro”. “A obesidade é uma doença crônica, com múltiplas causas, e precisa de acompanhamento médico contínuo, assim como a hipertensão e o diabetes. As pessoas que sofrem de obesidade precisam de apoio familiar e não de julgamentos”, conclui Marcelo.

Tecnologia e prevenção antecipada ajudam cidades a conter a dengue

O uso de tecnologia e o planejamento antecipado têm se consolidado como estratégias centrais no combate à dengue nas cidades brasileiras. Com a chegada do período chuvoso, quando aumentam as condições favoráveis à proliferação do Aedes aegypti, municípios que investem em monitoramento contínuo, análise de dados e ações preventivas conseguem reduzir focos do mosquito, minimizar impactos sociais e aliviar a pressão sobre os serviços de saúde. Segundo o gestor do Techdengue, Cláudio Ribeiro, agir antes do pico da doença é decisivo para evitar cenários mais graves. “Quando o município age apenas após o crescimento dos casos, a resposta tende a ser mais cara e menos eficiente. A prevenção permite identificar áreas críticas antes do agravamento do cenário”. Dados operacionais do Techdengue mostram que municípios atendidos pelo programa registraram reduções superiores a 90% nos focos do mosquito em áreas tratadas, além de queda significativa nos casos da doença. A estratégia se baseia no monitoramento contínuo e no uso de ferramentas tecnológicas que permitem mapear territórios, identificar padrões de risco e direcionar equipes de campo com maior precisão. “A informação estruturada muda a lógica do combate à dengue. Em vez de agir no auge do problema, o município passa a atuar antes que o surto se estabeleça. A tecnologia tem papel central nesse processo, orientando decisões, otimizando recursos e aumentando a efetividade das ações em campo”, explica Ribeiro. Além dos benefícios diretos à saúde da população, a prevenção também gera impacto econômico positivo. Internações, afastamentos do trabalho e ações emergenciais representam custos elevados para os cofres públicos. “A dengue não é apenas um problema da saúde. Ela impacta o município como um todo, o que torna o planejamento antecipado uma necessidade”. Diagnóstico reforça vigilância Enquanto a tecnologia apoia a prevenção no território, os dados laboratoriais ajudam a monitorar a circulação do vírus. Informações da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) indicam que a taxa de positividade para dengue está em 9,4% até a segunda semana de janeiro de 2026, abaixo dos 17,7% registrados no mesmo período do ano passado. Para o líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed, Alex Galoro, o cenário inicial mais favorável deve ser interpretado com cautela. “A taxa de positividade permanece abaixo do que normalmente observamos em janeiro quando analisamos a média móvel. No entanto, os dados mais recentes já mostram uma retomada após queda pontual, em linha com o comportamento histórico deste início de ano”. “Um começo de ano com taxa de positividade mais baixa não afasta a possibilidade de crescimento sustentado nas semanas seguintes. Um acompanhamento contínuo é essencial”, acrescenta. Galoro destaca que fatores como ações preventivas mais intensas, maior conscientização da população e o início da vacinação em alguns municípios ajudam a explicar os números, mas o clima segue como variável determinante. “A dengue apresenta um padrão bem definido, relacionado ao regime de chuvas, à temperatura e à circulação do vetor”. A medicina diagnóstica desempenha papel estratégico na vigilância epidemiológica, salienta Galoro. “Os dados laboratoriais funcionam como um termômetro quase em tempo real da circulação do vírus. Eles permitem identificar mudanças de comportamento com antecedência, apoiar decisões em saúde pública e orientar a prática clínica”, conclui.

Carnaval deve movimentar cerca de R$ 1,2 bilhão em Belo Horizonte

O Carnaval de Belo Horizonte chega a 2026 consolidado não apenas como um dos maiores do país em número de foliões, mas também como um dos principais motores da economia local. A expectativa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) é de crescimento entre 10% e 15% na movimentação econômica durante o período, impulsionado pelo aumento do consumo, do turismo e da ocupação hoteleira. De acordo com o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, o Carnaval deixou de ser apenas um evento cultural para se tornar um vetor estratégico de desenvolvimento. “Ele movimenta o comércio, gera renda, cria oportunidades para pequenos empreendedores e fortalece a imagem da cidade como destino turístico”. Para Souza e Silva, o impacto é percebido principalmente no comércio de rua, nos serviços e na cadeia do turismo. “É um período em que o dinheiro circula mais rápido e atinge diferentes camadas da economia”. Um levantamento da CDL/BH aponta que 58,1% dos foliões pretendem aproveitar os blocos de rua e 48,8% devem participar de pré-carnavais gratuitos ou ensaios de blocos. Esse perfil favorece bares, restaurantes, ambulantes, supermercados, lojas de fantasias e serviços de transporte. “O Carnaval democrático, gratuito e de rua permite que mais pessoas participem e consumam. Isso amplia o alcance econômico da festa”, destaca. Outro ponto ressaltado pelo presidente da CDL/BH é a profissionalização dos ambulantes ao longo dos últimos anos. “A organização e a capacitação dos vendedores ambulantes têm sido fundamentais. Eles conseguem gerar renda extra com qualidade, enquanto o folião tem acesso a produtos e serviços mais confiáveis”. Segundo a pesquisa, 67,4% dos consumidores pretendem comprar diretamente com ambulantes. Em Minas Gerais, a secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, projeta que o Carnaval deve injetar cerca de R$ 6 bilhões, sendo R$ 1,2 bilhão apenas em BH. “A Folia movimenta a economia e diversas estruturas, tanto na esfera municipal quanto estadual. Esse trabalho em rede é o que tem consolidado Belo Horizonte como um destino estratégico do Carnaval”. Quanto o folião deve gastar Os gastos individuais ajudam a explicar o otimismo do setor produtivo. De acordo com a CDL/BH, os foliões devem investir entre R$ 100 e R$ 150 em fantasias e adereços, além de cerca de R$ 70 por dia com bebidas. O pagamento à vista será predominante, com destaque para Pix, cartão de débito e crédito à vista, enquanto o transporte por aplicativo aparece como o principal meio de locomoção. Esse comportamento mostra cautela do consumidor, sem perder o desejo de aproveitar a festa, avalia Souza e Silva. “O folião quer curtir o Carnaval, mas sem comprometer o orçamento. Ele busca opções acessíveis, o que favorece os pequenos negócios”. Nos bares e restaurantes, a expectativa também é positiva. A presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG), Karla Rocha, afirma que a maioria dos empresários espera crescimento no faturamento durante a Folia. “O Carnaval já está incorporado ao calendário econômico da cidade. Os estabelecimentos estão mais preparados para atender o público e transformar esse fluxo em resultados”, destaca. A hotelaria acompanha o mesmo ritmo. Segundo o diretor de Comunicação da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), Diego Pires Gomes, a ocupação média em Belo Horizonte deve alcançar 85%, com 60% dos hotéis já operando com 100% de ocupação, especialmente na região Centro-Sul. “O Carnaval de BH é a maior vitrine da hotelaria. Muitos turistas prolongam a estadia, o que aumenta o ticket médio e beneficia toda a cidade”, afirma.