Sacolão do futebol

Impressionante a quantidade de jogadores de futebol que deixam o Brasil todos os anos rumo à novas oportunidades mundo afora. E não só jovens atletas, captados e preparados mais ou menos para a aventura. Veteranos e alguns consagrados também buscam outros caminhos atrás de melhores salários e qualidade de vida mais confortável. Ao mesmo tempo, aumenta a cada ano o número de jogadores estrangeiros trabalhando no Brasil, em especial vindos dos países vizinhos. Mais do que intercâmbio ou qualquer outra coisa, trata- -se de um grande negócio. Movimenta montanhas de dinheiro e consegue aliviar problemas com impostos. É o tipo do comércio que faz alegria e riqueza para os empresários, investidores e demais empreendedores do mundo do esporte. Dados oficiais são difíceis de encontrar, o que existe são pesquisas realizadas por alguns institutos ou jornalistas interessados no tema. Dizem que cerca de 5 mil brasileiros jogam futebol de forma profissional em times estrangeiros. O jornalista Rafael Reis fez um estudo mais apurado e chegou ao número de quase 3 mil brasileiros jogando em times de variadas divisões em mais de 100 países. O destino principal da turma é Portugal. Depois aparecem os mercados emergentes e as ligas tradicionais. O Brasil lidera o ranking mundial de exportador de atletas para o futebol e outros esportes. A janela de transferência de jogadores do estrangeiro para o Brasil vem funcionando a pleno vapor a cada temporada. No momento, cerca de 151 profissionais atuam nos times que estão disputando nossas competições. Muitos outros vão chegar ao longo do ano. Os países que mais fornecem jogadores para o Brasil são Argentina, Uruguai, Colômbia, Paraguai e Equador. Alguns vindos de outros lugares estão chegando. Com toda esta crescente movimentação, a CBF precisou estabelecer algumas regras para as competições nacionais. Cada clube pode incluir no máximo nove atletas na súmula de cada jogo, considerando titulares e reservas. Caso queira, os nove podem ser escalados ao mesmo tempo. Fora essa informação, não existe limite para contratação de estrangeiros. Cada time pode formar seus elencos com quantos desejar, possibilitando mais opções para aguentar o calendário recheado de eventos. Só não pode registrar mais do que nove gringos na súmula para cada jogo. Esta regra só vale para as competições nacionais, organizadas pela CBF e suas federações. Tal regra ainda não existe nas competições internacionais de responsabilidade da Conmebol ou Fifa. O Conselho Técnico da CBF mantém estudos aprofundados para avaliar o atual quantitativo de jogadores de outros países em nossos times. O debate para redução é permanente com os clubes e demais especialistas. O grande desafio é o lado financeiro. A entrada dos estrangeiros, a maioria jovens promessas, outros mais experientes sem grandes oportunidades nos principais times do primeiro mundo, possibilita diminuir os custos. Do outro lado, a venda das chamadas joias gera bom lucro. Aí está o segredo da coisa. O maior problema é a parte técnica. Merece um estudo para analisar se o êxodo de atletas e a entrada de tantos estrangeiros vai melhorar ou deteriorar a qualidade futebol. Enquanto os especialistas não definem a situação, vamos tocando a bola e observando a movimentação do efervescente sacolão do futebol. E para fechar nosso papo, vem aí as semifinais do Mineiro. Os três da capital e o Pouso Alegre, o Dragão do Sul de Minas. Quem vai para a grande final? Façam suas apostas.

Apito profissional

A temporada esportiva começou com novidades. O calendário foi espremido ao máximo. Os regionais iniciaram mais cedo e já estão entrando em sua reta final. O Brasileiro da Série A também já deu a largada. Os principais times perderam espaço para uma pré-temporada elaborada, especialmente na parte física. Jogadores voltaram das férias direto para as competições. Algo complicado. Os treinadores, sem opção, se obrigam a rodar o elenco, tentando reduzir desgastes e contusões. Nem é planejamento, é necessidade. A maratona é longa. São várias competições simultâneas e viagens o tempo todo. Uma loucura total, haja logística. Tem mais jogos do que datas disponíveis. A parada obrigatória para realização da Copa do Mundo será um alívio. Tempo para recuperação dos atletas, acertos nos objetivos e possibilidade de respirar um pouquinho. No Brasil, os times que conseguem melhores resultados acabam sofrendo mais dentro de campo. Em compensação, a grana que entra no caixa salva a temporada. Temos algumas novidades este ano, além do novo calendário. Uma chama atenção especial: a profissionalização da arbitragem. Uma iniciativa discutida e desejada faz tempo, que agora vira projeto real. Erros de arbitragem são antigos e a cada ano parece que a coisa piora. Todo mundo reclama. Dirigentes, treinadores, jogadores, torcedores e imprensa não aguentam mais. Diversas tentativas já foram feitas e nada. Nem a introdução do VAR resolveu o problema. Pelo contrário, piorou. A CBF aumentou a equipe de arbitragem. Antes eram três, mas de uns tempos para cá virou uma equipe enorme, dentro do gramado e fora dele. Nada funciona. Erros de todos os tipos se acumulam, causando perda de credibilidade, tempo e paciência geral. Cansada de levar pancadas, a nova administração da CBF partiu para o tudo ou nada. Está profissionalizando a turma da arbitragem. A primeira etapa vai atingir a Série A, a mais importante. 72 profissionais foram selecionados (20 árbitros, 40 auxiliares e 12 para o VAR). Os escolhidos pertencem aos quadros da CBF e Fifa, obedecendo aos seguintes critérios: os mais escalados na Série A em 2024 e 2025, os que obtiveram melhores médias na avaliação geral. Os contratados se obrigam à dedicação integral ao ofício. Haverá treinamento físico, capacitação técnica, cuidados com a saúde e até psicólogos. A remuneração será fixa, de acordo com a função, podendo chegar a R$ 30 mil mensais, mais bônus. Além do custeio com transporte, hospedagem, alimentação, entre outros. Todos terão seus direitos trabalhistas conforme determina a lei. A avaliação do trabalho de cada um será permanente. Quem não atingir o mínimo necessário será dispensado. A CBF pretende investir R$ 195 milhões no projeto até 2027. Aos poucos pretende estender a ação de profissionalização da arbitragem para todas as competições nacionais. O projeto é excelente, baseado em estudos feitos nas confederações da Alemanha, Inglaterra, Espanha, México e consultoria de dezenas de especialistas. Penso que faltou ao projeto apenas um quesito importante de criação de palestras, cursos, seminários para os jogadores, comissões técnicas, dirigentes e imprensa, para orientar sobre regras e protocolos, assim como uma boa campanha explicativa para os torcedores. Não basta só profissionalizar a turma da arbitragem. O ciclo precisa ser completo. A falta de conhecimento, orientação e educação vem prejudicando demais os espetáculos do futebol. Infelizmente, nossos estádios estão deixando de ser um palco para divertimento, encontro de familiares e amigos, e se transformando em uma praça de horrores. No rastro de tantas mudanças, a CBF prepara também a introdução da tecnologia do impedimento semiautomático. A ideia é acabar com a terrível situação para saber se determinado jogador estava ou não impedido ao fazer um gol de forma rápida e segura. A entidade investe R$ 25 milhões para implantação da ferramenta. Os estádios estão sendo vistoriados e adaptados para que possam receber a novidade. Vamos torcer e apoiar para que todas estas novidades alcancem pleno sucesso. O futebol movimenta montanhas de dinheiro. Os torcedores compram ingressos, produtos diversos, comes e bebes. Tudo com preços salgados. Em troca recebem muito pouco ou às vezes quase nada. Passou do momento de tratar o público como cliente VIP e com total respeito. O profissionalismo da arbitragem é muito importante, mas é só um quesito da enorme engrenagem do mundo do futebol.

Reformular é preciso

A vida funciona em ciclos. Nada é eterno, ainda que seja algo muito bom. É uma pena, mas é assim que a banda toca e no futebol não é diferente. Mesmo aquele time famoso, cheio de craques, tradição, vitórias e conquistas, a situação começa a complicar em determinado momento, ficando pouco confortável e produzindo resultados mais fracos. É o danado do ciclo fechando o cerco e não existe saída. É preciso coragem e competência para iniciar o processo de reformas, sejam pontuais ou radicais. É tempo de começar de novo. Em Minas, o melhor exemplo é o Cruzeiro. Depois de muitos anos no topo, entrou em queda livre, desabou. Dentro e fora de campo. Teve força e muita sorte ao encontrar novos e bons líderes para iniciar um novo ciclo. Com profissionais gabaritados, montou um elenco qualificado. Não o melhor, nem o mais caro, mas o mais próximo do equilibrado. Lutou para subir degraus. Hoje está entre os três melhores do Brasil e volta à maior competição internacional da América do Sul. A reformulação que começou lá atrás continua fazendo efeito. Mudando para o América, a esperança é que seu novo ciclo seja de pleno sucesso. Faz bom tempo que o clube fica rodando, sem sair do lugar. A reforma iniciada agora tem sido radical. Dispensa de dezenas de atletas, manutenção da comissão técnica e ajustes na estrutura. Com história bonita e importante, o clube precisa realmente experimentar novas rotas. Sua tradição de formador de talentos precisa ser ativada ao grau máximo. Um elenco jovem, cheio de sonhos e energias, com amor pelo clube e necessidade de vencer na vida, com alguns mais experientes para oferecer o tempero ideal. Quem sabe se estruturando dentro desta filosofia, consiga angariar mais apoiadores em médio prazo, ganhar confiança dos patrocinadores e assim voltar à elite do futebol brasileiro com tranquilidade e segurança. No Atlético, a coisa é mais complexa. Mudou de ciclo de forma bem radical faz pouco tempo. Deixou de ser apenas um clube esportivo, administrado por voluntários, torcedores apaixonados, mas com dificuldades para sustentar tamanho empreendimento. Foi transformado em empresa, virou Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Tem donos. Deram início ao novo ciclo com sonhos elevados. Criaram altas expectativas de belas vitórias e muitas conquistas. Contrataram vários profissionais, alguns mais pela paixão do que pela razão. Construíram uma bela arena multiuso. Na teoria, era o melhor elenco do Brasil. Na prática, ficou bem distante do planejado ou sonhado. Inicia agora uma reforma mais pé no chão. Uma correção de rota no novo ciclo. O custo-benefício está sendo avaliado conforme a realidade da empresa e do mercado. Com mais experiência e boa dose de humildade, os dirigentes do Atlético, todos grandes empresários, têm plenas condições de conduzir o clube na trilha de um novo e positivo ciclo de conquistas. No interior de Minas, a reformulação dos principais times é intensa. Alguns se transformaram em SAFs. Os investimentos acontecem na formação de boas comissões técnicas e nos elencos, gramados e locais para treinamentos. Cuidados com a saúde, alimentação, logística e bem-estar dos atletas e, principalmente, o compromisso de pagamento em dia dos salários e demais obrigações precisa ser prioridade. As novidades são muitas. Temos a volta do tradicional URT, a estreia do North, a permanência do Betim e do Itabirito. A presença de times como Uberlândia, Pouso Alegre, Tombense, Democrata de Governador Valadares e Athletic. Tudo nos leva a crer que o novo ciclo do futebol mineiro será bom, porque possui todos os ingredientes para oferecer bons jogos e muita alegria. O desafio está começando. E como falamos de ciclos e estamos iniciando mais um, desejamos a todos os nossos amigos, companheiros e leitores um 2026 carregado de energias positivas. Viva a vida.

Boas novas no futebol

Temporada chegando ao fim e a nova gestão da CBF preocupada em melhorar o que não está nada bom. Começou mexendo no calendário. Espreme dali, espreme daqui, acabou conseguindo racionalizar a coisa. Mais por necessidade do que por vontade. Temos mais jogos do que datas disponíveis. Colocar tudo dentro da mesma sacola não é tarefa fácil. Vamos lá, os estaduais foram reduzidos. Na sequência vamos ter Brasileiro, Copa do Brasil, Recopas e os eventos da Conmebol. Além das famosas Datas Fifa e a grande parada para a Copa do Mundo. Como diria o caboclo da roça: Arre égua. Muito bem, deixando o danado do calendário de lado, vamos falar sobre os sopradores de apito. Um desastre na temporada atual. Se fosse tema no Enem, todos tomariam pau. Pois bem, minha gente, a CBF está ensaiando profissionalizar os apitadores. De início, a ideia é contratar 20 árbitros para formar o primeiro time. Os escolhidos, segundo o ranking da entidade, teriam bom salário fixo e demais vantagens trabalhistas como manda a lei. Aos poucos, o número de profissionais contratados iria aumentando. Os auxiliares também seriam profissionalizados dentro do mesmo critério. Existe até um projeto aprovado dentro da Lei Geral do Esporte, de autoria dos senadores Romário e Vital do Rêgo, que dá cobertura jurídica para a iniciativa. A ideia com a profissionalização dos árbitros e seus auxiliares é oferecer aos mesmos tempo e condições para estudar, fazer cursos de especialização, melhorar o condicionamento físico e mental, assegurar um futuro mais tranquilo e assim reunir condições para trabalhar melhor. Realmente, apesar do cachê ser bom, o pessoal da arbitragem trabalha como autônomo, sem nenhuma garantia. Se adoecer ou sofrer qualquer tipo de problema fica fora de escala e não ganha nada. Quase todos têm algum outro serviço para se garantir. Outra novidade que deve vingar no ano que vem é a instituição do fair play financeiro entre os clubes. Negócio danado, difícil e complicado para implantar. Imagine. Determinar limite de gastos com atletas, controlar dívidas e equilíbrio financeiro. O projeto pretende seguir o modelo usado pela UEFA, adaptado à realidade brasileira. O futebol brasileiro precisa urgente de algo assim, mas será uma briga de foice no escuro fazer funcionar na prática. Para fechar, a grande novidade será a implantação do impedimento automático. Depois do danado do VAR, vamos ter mais tecnologia no futebol. Tá na moda. É tempo de robotização geral. O sistema utiliza um punhado de câmeras e sensores com ampla possibilidade de detectar lance de impedimento com absoluta precisão. Acusa o momento exato do toque na bola para o passe e analisa se quem recebeu estava ou não impedido. Trem de doido. Envia a imagem em 3D para o VAR que decide com ajuda da inteligência artificial. Enquanto isso, o apitador para o jogo é cercado pelos jogadores e ficam discutindo sobre o sexo dos anjos. Os torcedores, sem saber direito o que rola, gritam, xingam e até aproveitam para arrumar uma briguinha. Segundo especialistas, tomara que seja verdade, tudo é feito em segundos. Em caso de impedimento, a imagem é exibida no telão do estádio para comprovar. Parece coisa de outro mundo, mas é daqui mesmo. Quando surgiu o VAR falaram que tudo seria rapidinho. A tecnologia iria garantir agilidade, rapidez e transparência. Na prática, o que acompanhamos é totalmente diferente, o VAR demora uma eternidade para decidir qualquer coisa e a suposta transparência só aparece no outro dia. Um horror. Tomara que este novo sistema de impedimento automático seja como o nome informa. Pior que já tem gente falando que o treco é semiautomático. Quer dizer, tem uma inteligência artificial meio burra. Como sou um otimista ferrenho, torço para que todos esses projetos e outros que estão em gestação se transformem em boa realidade. O futebol brasileiro está muito chato e nervoso, com qualidade muito baixa. Os times utilizam táticas sem criatividade, árbitros inseguros, erram aos montes. Torcedores brigam por qualquer coisa e vai por aí afora. É muito patati e patatá para pouco futebol. A esperança é que as boas novas anunciadas tragam mais eficiência e alegria para quem gosta do bom e velho jogo da bola.

Apito podre

Erros de arbitragem no futebol não são novidade recente. Remonta aos tempos da pedra lascada ou da bola de capotão, como queiram. Desde que resolveram colocar alguém com um apito na boca para tentar comandar um jogo, a coisa ferrou. Ao longo da história erros e mais erros podem ser listados. Alguns por ruindade mesmo, outros por falta de talento, má vontade e até por situações impossíveis de acreditar que sejam verdade. Dá para escrever um livro, ou melhor, uma enciclopédia. Milhares de resultados já foram modificados por causa de um árbitro fraco ou mal intencionado. Quantos títulos conquistados ou perdidos já aconteceram. Isso sem falar na quantidade de lances invertidos, cartões amarelos ou vermelhos sem o menor critério. Repito, marcados por falta de competência ou por algo estranho que ninguém sabe o que é ou se sabe prefere ficar de bico fechado. No passado mais recente, árbitros famosos, cheios de fama, tanto do Brasil como do exterior, já cometeram erros gigantes. Até a Copa do Mundo foi decidida no apito. E não foi uma só não. Basta fazer uma pesquisa mais apurada para descobrir a quantidade de erros e arranjos dos apitadores em todas as Copas. É de assustar. Nos Campeonatos Sul-Americanos a coisa é incrível. Árbitros deixam o pau comer solto, marcam coisas estranhas e acabam prejudicando o visitante. Muitos títulos destes eventos foram conquistados com a benção de vários apitadores. Antigamente era bem pior, mas continua acontecendo. Nos campeonatos e torneios dentro do Brasil não é diferente. Por medo, pressão ou sei lá o que, o time menor sempre é prejudicado. Para não falar outras coisas. O grande problema é que cada árbitro interpreta as regras oficiais e os muitos penduricalhos anexados do seu jeito. Algo simples, com poucos quesitos que se transformou em um monstrengo. Um calhamaço de orientações e determinações sem a menor necessidade. Vale a interpretação do apitador, abrindo margem para que ele faça o que achar certo. Virou o dono da verdade absoluta. E o mais grave, foi transformado em gênio, extraterrestre, robô de última geração, inteligência artificial em carne e osso. É capaz de interpretar a velocidade da bola, o ângulo da perna, do pé, do braço e da mão do jogador para marcar ou deixar de marcar alguma situação de jogo. Consegue ler o pensamento do atleta para saber sua intenção e domina até a lei da física. Tudo a olho nu em uma fração de segundos. É fantástico, extraordinário, incrível. Para dar uma mãozinha, inventaram o tal de VAR. Imprestável, mais atrapalha do que ajuda. Com todos os recursos da moderna tecnologia leva uma eternidade para tentar descobrir alguma coisa. Acaba errando também. Avacalha o andamento do jogo, reprime a emoção e com a desculpa da palavra, enche o saco. Custa caro, onera os clubes, os torcedores e não ajuda em nada. Devia ser eliminado do futebol. Existem coisas mais inteligentes. Por causa desta e outras bobagens, a turma jovem tem abandonado o futebol. Trocado por esportes sem tantas frescuras. Fato é que a arbitragem do futebol no Brasil que era ruim, vem piorando a cada temporada. Fico abismado com tantos apitadores desfilando com o escudo da Federação Internacional de Futebol Associação (Fifa) no uniforme, cometendo erros infantis dentro de campo. Vários não mostram o menor talento, não conseguem impor liderança e disciplina junto aos jogadores, treinadores e dirigentes. Parecem fantoches, correndo de um lado ao outro sem saber direito o que fazer. É uma pena. A situação é tão grave que, segundo dizem, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), agora sob nova gestão, pretende colocar a mão na massa. Investir na arbitragem. A ideia é reunir um grupo de até 100 apitadores e auxiliares para um curso de vários dias com o objetivo de buscar a padronização. Ensinar as regras de forma objetiva. Mostrar que interpretar não é inventar. Ao mesmo tempo, a dona do nosso futebol estuda viabilizar um cachê melhor para os árbitros, assim como estabelecer um plano de carreira, assistência de saúde, ajuda para treinamento físico, alimentação e outras vantagens para que ele possa desenvolver seu trabalho com tranquilidade e segurança. Bom que tudo isso e muito mais aconteça o mais rápido possível. A coisa não está nada boa. O apito está podre. É preciso agir antes que a credibilidade do futebol brasileiro vá para o espaço.

Novo calendário

A cada ano a novela se repete. Final de temporada se aproximando e as rodas de conversas se avolumando. A pauta é sempre a mesma: reformulação do calendário do futebol brasileiro. Dirigentes, jornalistas, treinadores, influenciadores, atletas, treinadores, torcedores, curiosos e palpiteiros defendem seus pontos de vista sobre o assunto. Os mais radicais querem uma transformação total, virar tudo de ponta cabeça. Outros, mais amenos, pregam ajustes. No fundo, quase sempre com base em teorias. Na maioria das vezes falando mais com o coração do que com a razão. Na prática, pouca coisa se aproveita. As entidades responsáveis pela organização do futebol têm os seus interesses, dando pouca atenção aos reclames ou sugestões. Pelo contrário, a cada ano acrescentam mais competições, mais times, mais jogos. O calendário vai ficando recheado, sobrecarregado. Sem contar os eventos internacionais promovidos pela Conmebol e Fifa. Na verdade, temos mais jogos do que datas disponíveis, o que provoca alterações constantes nas tabelas e outras situações. Os clubes, necessitando de mais faturamento para sustentar custos altamente inchados, ficam calados e vão rolando os problemas de viagens, desgaste físico, técnico e mental dos seus atletas, gramados ruins e outras situações para debaixo do tapete. Parece que agora começa a surgir uma luzinha no final do túnel. A CBF está com nova diretoria. O presidente é jovem e animado. Conta com vários bons dirigentes ao seu lado com desejo de alavancar melhorias. A entidade vem conversando com os segmentos do setor, buscando ideias com o objetivo de tentar racionalizar o tal calendário. A tarefa é gigantesca, os interesses são imensos, a política é brava e o custo para angariar patrocinadores é missão árdua. Existe um rascunho do que pode acontecer, como reduzir os estaduais de 16 para 11 datas. Evidente que muita gente que defende apenas os grandes clubes sempre é contra os estaduais. Esquecem que além de ser uma tradição, ajuda a manter a rivalidade regional, gerando trabalho e renda para muita gente e revelando oportunidade para o surgimento de novos talentos. Conta ainda com a força política das federações. Acabar jamais, o ideal é reformular e criar condições para viabilizar uma melhor presença da maioria dos times do interior. Em Minas, por exemplo, seria interessante uma competição ocupando a maior parte do ano com a presença de times de todas as regiões. Atlético e Cruzeiro só entrariam na etapa final. Vários formatos podem ser desenvolvidos com o objetivo de manter os times do interior em plena atividade, sem atrapalhar aqueles envolvidos em competições nacionais e internacionais. Evidente que é só uma sugestão. A efetivação merece um estudo técnico e econômico de maior profundidade. Outra competição que deve ser reformulada é a Copa do Brasil, o maior torneio de integração esportiva do Brasil, talvez do mundo. A ideia é dobrar o número de participantes, oferecendo espaço para que times menos conhecidos tenham boa visibilidade e faturamento. É importante também no aspecto social, cultural e turístico. Centenas de cidades ficam conhecidas graças a participação do time local recebendo ampla divulgação gratuita na mídia nacional. E temos o Brasileiro em quatro Séries. Na A e B não querem mexer. 40 participantes, de acordo com o formato atual. O que pode rolar é o crescimento de ligas para administrar, promover e valorizar. Na Série C, o número de participantes deve aumentar para 24 times. Na D para 96 times, com ajustes no formato. É legal, mas a dificuldade será levantar recursos para bancar os custos. Organizar um excelente calendário futebolístico em um país do tamanho do Brasil e com tantos times não é tarefa para amadores. Vamos esperar os próximos capítulos desta série interminável para sentir se o tal novo calendário do futebol vai ou não vingar.

Mão no bolso

A grande preocupação da nova diretoria da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é com a situação financeira dos clubes. Em geral, todos fazem altos investimentos sem a devida geração de receitas para cobrir tais custos, provocando déficit a cada ano. Com isso, a montanha de dívidas só aumenta de forma incontrolável. O pontapé inicial para estudar e tentar estancar a gravidade da situação foi dado pelo presidente da entidade, Samir Xaud. Um grupo de trabalho foi criado sob o comando de Ricardo Gluck Paul, vice-presidente da CBF, ex-presidente da Federação Paranaense e com larga experiência no segmento esportivo. Helder Melillo, diretor da entidade, foi escolhido relator do projeto. Este grupo tem adesão da maioria dos clubes das Séries A e B e de várias federações. A ideia é coletar o máximo de sugestões, tanto dos integrantes do mundo do futebol, como de especialistas em gestão e finanças. Ficou determinado que o grupo tem até meados de novembro para apresentar os primeiros resultados para o projeto do chamado Fair Play Financeiro. O ponto de partida será o modelo adotado na Europa pela União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) e por outros países. É algo já experimentado e com alguns ajustes pode ser um bom início. A princípio, segundo algumas fontes que consultamos, a proposta básica não pretende estabelecer teto para investimentos, mas colocar travas para gastos com percentuais de acordo com a receita. Simplificando, não permitir gastar mais do que arrecada. Os aportes de dinheiro dos donos ou sócios das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) merecem um capítulo especial. Do jeito que vem funcionando causa pouca transparência e muita ilusão. Esse chamado Fair Play Financeiro vai estabelecer também várias punições. Multas financeiras, restrição para inscrição de atletas, perda de pontos, descontos nos valores das premiações e até desclassificação de competições. O interessante do projeto é que os próprios dirigentes das federações sonham com uma boa solução para o drama. A bola de neve cresce a cada dia e as dívidas ultrapassam a casa dos bilhões. A galinha dos ovos de ouro está ficando fraca e adoentada. Se não for cuidada com responsabilidade, vai acabar morrendo. Vamos ficar atentos, aguardando os próximos passos do tal grupo de trabalho para sentir os avanços ou não da iniciativa. Acredito na boa evolução, mesmo porque, não tem outra saída. Enquanto isso, a CBF vai mexendo na sua arcaica estrutura. Pretende alterar o calendário, diminuir os regionais, aumentar o número de times na Série D e ampliar a Copa do Brasil. Além disso, maior incentivo para o futebol feminino, que vem crescendo, e bons programas para as categorias de base estão na pauta. Tudo bem encaminhado. Internamente, a CBF também mexe no seu time. Novos e bons profissionais vêm sendo contratados para renovar a gestão das competições, da comercialização de patrocínios e produtos, da tecnologia, da comunicação e de outras áreas. A venda dos direitos de transmissão dos seus eventos também sofre profunda agitação. Vai acabando a exclusividade e quem tem bala pode comprar pacotes variados, tanto as emissoras tradicionais como os canais digitais. Bom para o torcedor que pode escolher onde deseja assistir aos jogos, e excelente para os bons profissionais da imprensa esportiva. O mercado vem crescendo, pena que temos vários piratas no meio, transmitindo imagens dos jogos via internet, terra que parece sem dono. Transmitem sem prévia autorização, pagamento dos direitos e impostos, passando por cima das leis trabalhistas e das leis que regulam o trabalho dos verdadeiros profissionais de imprensa, causando prejuízo para todos. Uma situação que as autoridades competentes precisam entrar firme, cuidar e resolver. Enquanto isso, olho vivo e mão no bolso.

Apito complicado

Desde criancinha de calças curtas, indo aos jogos no velho campo do Sete com meus parentes, sempre gostei de observar o trabalho dos árbitros. Naquele tempo, eles eram mais gordinhos e usavam uniforme preto. Com apenas dois ajudantes, davam conta do recado e sem moleza. Entravam em campo sob vaias, xingados com palavrões impublicáveis em alto e bom som. Foi neste ambiente que aprendi bons impropérios. Os árbitros daquela época tinham coragem, encaravam os atletas, treinadores e dirigentes com bravura. Apitavam e assumiam a marcação no peito e na marra. Verdade que às vezes saíam do estádio correndo ou no carro da polícia. O tempo passou, o futebol evoluiu e novos protocolos foram criados para tentar amenizar o trabalho dos famosos sopradores de apito. Colocaram mais auxiliares em campo, surgiu o quarto árbitro com a função de cuidar das substituições, controlar o relógio e, quando necessário, substituir o titular. Melhorou um pouquinho, mas os problemas continuaram. Resolveram colocar mais dois auxiliares, um atrás de cada gol. O objetivo era ficar de olho bem aberto e conferir se a bola ultrapassou ou não a linha do gol ou da saída do campo, além dos empurrões e outras agressões dentro da área. Não funcionou bem, porque os tais dedos-duros foram alvos da ira dos torcedores e até mesmo da imprensa. O projeto morreu no nascedouro e foi uma iniciativa infeliz. Descobriram que a utilização de rádios comunicadores poderia ser uma boa solução. A nova ferramenta passou a ser utilizada. Árbitro e auxiliares se comunicavam durante o jogo para acertar decisões. Dizem que até gente de fora também participava, soprando coisas nos ouvidos dos apitadores. Até hoje essa tecnologia é usada, mas com equipamentos melhores e mais potentes. No final dos anos 1990, segundo o jornal esportivo Marca, o espanhol Francisco Lopes, que nem árbitro era, desenvolveu o projeto do árbitro de vídeo. Daí nasceu o conhecido VAR ou Árbitro Assistente de Vídeo em nossa língua. No Brasil, a novidade estreou em 2017 e aos poucos foi sendo implementada nas principais competições oficiais. Utiliza um árbitro de vídeo, três assistentes e um observador. Com várias câmeras, pegando todos os ângulos e um complexo sistema de linhas, gráficos, medidores e outros recursos, o VAR tenta ser o olho eletrônico definitivo para dirimir dúvidas que o árbitro de campo possa ter. Gols, pênaltis, expulsões e identidades equivocadas precisam de auxílio do olho do VAR, ainda que o árbitro principal seja o único que pode consultar e solicitar alguma revisão. Lembrando sempre que a definição final da marcação tem que ser sempre do apitador principal. Infelizmente, não é. Temos acompanhado na maioria dos jogos a transferência de responsabilidade. Dificilmente o árbitro assume o que marca ou não marca e empurra o problema para o VAR. Começa um jogo de empurra danado. A partida fica parada por um bom tempo. Os caras ficam discutindo se foi ou não foi, jogadores formam bolinhos para pressionar e todo mundo palpita. O soprador de apito fica com cara de bobo, andando para lá e para cá, tentando ouvir quais são as orientações. Depois de longo e tenebroso tempo perdido, vem alguma decisão, muitas vezes errada. O que era para ser um recurso inteligente, moderno e rápido vem se transformando em um sofrimento, um circo dentro de campo. Total falta de respeito com o público que paga pelo ingresso caro para ver bola rolando e não para acompanhar reunião de arbitragem. Os árbitros atuais usam uniformes coloridos, cabelos cortados na régua ou raspados, instrumentos importados e só. Recebem boas diárias e cachês, mas não conseguem entregar o básico da profissão: atuar conforme determina as regras do jogo. Preferem falar em interpretação, intenção e outros termos na tentativa de fugir da responsabilidade e tocar o problema para frente. Difícil saber se é falta de qualificação ou medo de perder lugar ou promoção. Sei não, do jeito que a coisa caminha, penso que o árbitro, seus auxiliares e turma do VAR, em breve serão eliminados do futebol. No lugar, vão encher jogadores e bolas com chips e colocar um robô para comandar o espetáculo. Tudo com base na inteligência artificial. Quando isso acontecer, o mais chato será não ter para quem gritar palavrões. A não ser que inventem nomes bem feios em linguagem de robótica.

Futebol amador em destaque

Como todo mundo sabe, a categoria principal do futebol brasileiro, conhecida como Série A, está de recesso devido ao Mundial de Clubes Fifa que acontece até meados de julho. Quatro times brasileiros participam do evento: Palmeiras, Flamengo, Fluminense e Botafogo. Os demais curtem férias ou alguns torneios amistosos por aí. Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana também estão com atividades paralisadas. As Séries B, C e D do Brasileiro seguem normais, assim como as competições do futebol feminino e das categorias de base. Tempo especial para que possamos dedicar um pouco deste precioso espaço para falar um pouco do nosso futebol amador. O futebol raiz, tão carente em termos de apoio dos governos municipal, estadual e federal. Recebe também pouca divulgação, apesar de movimentar muita gente em cada comunidade. Dirigentes, treinadores, auxiliares, jogadores e torcedores. Um batalhão de voluntários em favor do futebol amador. Da base ao máster. É sempre uma bela festa em cada final de semana e feriados. Neste cenário, Minas Gerais dá show. Pouca gente sabe que aqui se realiza um grande campeonato estadual de futebol amador na categoria adulto. Certamente, o melhor do Brasil, idealizado e organizado pela Federação Mineira de Futebol (FMF) que tem dois setores dedicados exclusivamente ao amadorismo. O Setor de Futebol Amador do Interior (SFAI) e o Setor de Futebol Amador da Capital (SFAC). O resultado é sempre um sucesso, garantindo a sobrevivência de vários times, estimulando a prática do esporte e o convívio social e cultural pelo imenso território mineiro. Em 2025, 74 times participam do nosso campeonato amador. Os indicados pelas ligas do interior, os melhores classificados da capital e o campeão de 2024. As cidades que têm times representados no evento deste ano são as seguintes: Abaeté, Além Paraíba, Andrelândia, Araxá, Arcos, Betim, Bom Despacho, Brumadinho, Caeté, Cataguases, Conselheiro Lafaiete, Contagem, Coronel Fabriciano, Curvelo, Divinópolis, Esmeraldas, Ibirité, Ipatinga, Itabira, Itabirito, Itatiaiuçu, Ituiutaba, João Monlevade, Juatuba, Lagoa Santa, Leopoldina, Mário Campos, Mateus Leme, Matozinhos, Nova Lima, Nova Serrana, Oliveira, Ouro Preto, Pará de Minas, Pedro Leopoldo, Pirapora, Pompéu, Raposos, Neves, Rio Acima, Sabará, Santa Luzia, São João del-Rei, São João Evangelista, São José da Lapa, Sarzedo, Sete Lagoas, Timóteo, Três Marias, Turmalina, Uberaba, Uberlândia, Urucânia, Vespasiano e Viçosa, além de 16 times de Belo Horizonte e o campeão do ano passado. Como se observa, apesar das dimensões continentais de Minas, o que dificulta e muito a logística e o custo para a participação de mais regiões, a quantidade de cidades representadas é impressionante. Participam times tradicionais ou mais novos, sempre classificados de acordo com os resultados que apresentam nas diversas disputas locais. Todos são orgulho das suas cidades, abraçados pelas famílias e comandados por dirigentes voluntários, verdadeiros heróis do esporte. Importante citar que alguns times amadores, além do futebol, estimulam e apoiam outras modalidades esportivas, inclusive no segmento feminino. É um celeiro imenso de talentos. Não só para o esporte, mas principalmente na formação de pessoas melhores. Na melhoria da qualidade de vida. Pena que a maioria dos governantes não tem isso na conta do investimento de alto retorno. O melhor mesmo é graças à FMF que temos o nosso excelente campeonato de futebol amador. O evento começa em junho, passa por várias fases e tem final previsto para setembro. Vale a pena conferir, porque é muito legal. A bola rolando e famílias inteiras vibrando na beira do campo ao som das charangas e do tempero especial dos comes e bebes. E tem mais, várias emissoras de rádio das comunidades, canais digitais e até mesmo transmissão via alto falantes, transmitem os jogos, revelando talentos para a crônica esportiva. Na verdade, o futebol amador é nossa raiz. A nossa verdadeira Copa do Mundo.

A bola não para

Tudo quase certo no reino do futebol no Brasil. Parece que sim. Rapidamente, o rei Ednaldo foi deposto e o rei Samir assumiu o poder na milionária Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Um rei jovem, com nome pomposo, Samir Xaud. Vem do distante Estado de Rondônia, onde seu pai comanda o futebol desde os anos 1970. Ele representa a federação de futebol da sua terra natal. Até então um ilustre desconhecido da maioria dos jornalistas esportivos e dos torcedores, o moço é médico, especialista em medicina esportiva. É também empresário, dono de centro de treinamentos e saúde na bela Boa Vista. Dizem as boas línguas que é bom de serviço, conhece os bastidores da CBF, transita bem nos corredores do Distrito Federal, tem boa relação com vários políticos e gosta muito de futebol. Samir Xaud foi eleito em chapa única pela maioria absoluta dos eleitores que representam as federações estaduais e os clubes das séries A e B. O Atlético votou nele, Athletic ficou neutro, América não apoiou e o Cruzeiro não votou, mas marcou presença no pleito. Oposição declarada só de duas federações e alguns clubes. Acredito que em pouco tempo todos estarão navegando no mesmo barco. Sempre foi assim. Boas conversas, alguns ajustes e segue o jogo. O lema da nova gestão é: “Futebol para Todos – Transparência, Inclusão e Modernização”. Muito bom, e se realmente for colocado em prática, estamos salvos. A nova turma que assume a CBF ao lado do presidente Samir é composta pelos seguintes desportistas. Vices: Ednailson Leite (Amazonas), Fernando Sarney (ex-dirigente), Flávio Zveiter (ex-presidente do STJD), Gustavo Henrique (diretor da CBF), José Vanildo da Silva (RG Norte), Michelle Ramalho (Paraíba), Ricardo Augusto Paul (Pará) e Rubens Angelotti (Santa Catarina). Conselheiros: Simon Riemann Costa e Silva, Eduardo Rigotto Netto e Frederico Ferreira Pedrosa. Suplentes: Francinaldo Kennedy Lima Barbosa, Manoel Rodrigues Neto e Rodrigo Ferreira La Rosa. Samir Xaud já anunciou alguns projetos importantes para sua gestão que vai até 2029. A atualização do estatuto da entidade é mais do que necessária, porque o texto é confuso, remendado e cheio de casuísmos. Dá margem para várias interpretações, principalmente jurídicas. Profissionalização dos árbitros. Um tema complexo, sempre falado, nunca resolvido. O nível do trabalho dos árbitros e seus auxiliares piora a cada temporada, incluindo o pessoal do VAR. É muita gente batendo cabeça, atrapalhando e atrasando o jogo, cometendo erros primários. Mais do que simplesmente profissionalizar, será preciso qualificar o pessoal em todos os aspectos. Tem muita gente na arbitragem só porque o cachê é muito bom. A criação de uma liga para organizar as principais competições já existe algo parecido em funcionamento, mesmo que de forma informal. O ideal é ter uma liga para cada série do Brasileirão, administrada por profissionais independentes e bem qualificados. Gente especializada em racionalizar e organizar o calendário, as tabelas e demais necessidades do futebol, com capacidade para respeitar o torcedor como cliente VIP. Apenas vender cotas de patrocínios e promover ações de marketing em nada vai ajudar. Pode até causar a morte da galinha dos ovos de ouro. Um projeto que provoca arrepios é o desejo de estabelecer o fair play financeiro entre os clubes. Mais do que necessário. A desigualdade econômica é um assombro e os clubes estão cada vez mais endividados ou falidos. O faturamento não cobre os custos, mesmo assim, dirigentes continuam gastando os tubos com contratações malucas e salários astronômicos. Tudo absolutamente fora da realidade. Uma aberração. Outro problema é colocar a seleção nos trilhos. A nova gestão já ganhou um bom presente. O treinador Ancelotti já assumiu e convocou os craques. Que tenha muita sorte, pois competência ele tem até de sobra. Vamos torcer para que tudo funcione bem. Mesmo porque, tanto dentro quanto fora dos gramados, o mundo gira e a bola não para.