Valadares X Uberlândia
Neste final de ano, reserva-se espaço para definições dos projetos nos diferentes campos políticos de Minas Gerais. No momento, propala-se sobre a implementação de três grupos, cada um com seu planejamento estratégico visando conquistar o Palácio Tiradentes no pleito de 2026. Muitas informações ainda carecem de confirmação, como o comentário apontando que o empresário de Governador Valadares, Alex Coelho Diniz, estaria acertando para ser o candidato a vice-governador na possível chapa a ser encabeçada por Mateus Simões (PSD). Figura enigmática, Alex Coelho é o atual suplente do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Nos entendimentos preliminares, o denominado grupo do Leste, composto pelo alusivo suplente, o seu irmão, o deputado federal Hercílio Diniz (MDB), e o parlamentar federal Euclydes Pettersen (Republicanos), querem jogar o jogo unidos, demonstrando nova força política. Não há certeza de como essas conversações se desenvolverão, mas alguns interlocutores já antecipam com relação à chance de Cleitinho abdicar de sua pretensão de ser candidato ao Governo do Estado, agregando-se em uma chapa nacional, possivelmente na condição de vice de Ratinho Júnior (PSD), do Paraná. Tudo isso pode não passar de especulação, mesmo porque, se quiser ter chance de disputar o pleito com intenção de vencer, Mateus Simões careceria de se aliar com alguém sabidamente de popularidade na Região Metropolitana, com seus quatro milhões de eleitores. Em Brasília, o Palácio do Planalto observa esse movimento no tabuleiro político mineiro para entrar em cena. Interlocutores palacianos apontam para uma mega aliança com partidos e lideranças de prestígio em Minas, para implementar uma chapa competitiva da denominada centro-esquerda, unindo a classe média e os trabalhadores. Recentemente, o conservador deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL), esteve com Jair Bolsonaro, em Brasília, e teria ouvido dele a promessa de apoiá-lo para uma disputa ao posto de senador. Só para rememorar, Uberlândia, terra do deputado estadual, é o segundo colégio eleitoral de Minas. Mesmo diante dos fatos acontecidos com o ex-presidente da República, em toda a região o movimento do denominado bolsonarismo encontra uma preponderante caixa de ressonância. Se existe o movimento do Leste, pode existir o movimento da Grande Belo Horizonte e também um grupo incrementado por lideranças do Triângulo Mineiro, tido como o “Triângulo da Prosperidade”.
Vigílias – 1º a 8 de novembro de 2025
Simões no PSD O poderoso secretário de Governo, Marcelo Aro (Podemos), segundo comentários ouvidos nos corredores da Assembleia Legislativa, teria sido um dos articuladores que culminou com a ida do vice-governador Mateus Simões para o PSD. Isso será cobrado politicamente logo no início do ano. Juliano e as redes sociais O presidente da Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, Juliano Lopes (Podemos), é suspeito de agredir um policial militar em uma festa de aniversário na Pampulha. Mesmo que tenha tentado evitar o escândalo, o vídeo da confusão circulou na internet. Ex-deputados Procurador licenciado na Assembleia Legislativa, o vice-governador Mateus Simões (PSD), conforme fontes desta coluna, tem encontrado dificuldades de reunir um número expressivo de ex-deputados estaduais, para engajar o seu projeto eleitoral de 2026. Dinis humilhado? Após ocupar o cargo de presidente da Assembleia Legislativa, além de aceitar o desafio de empreender outros projetos políticos, certamente, não tem nada de humilhação o fato de Dinis Pinheiro ter sido eleito prefeito de sua cidade, Ibirité, mesmo depois de ter exercido cargos de maior expressão. Futuro de Tadeu Leite Talvez nem mesmo os melhores amigos possam definir qual vai ser o futuro político do presidente do Parlamento mineiro, Tadeu Leite (MDB). Ele tem prestígio junto aos seus pares, além de uma imagem positiva perante as lideranças municipais. No entanto, tudo isso ainda é pouco para incentivá-lo a ser cabeça de chapa em uma possível disputa ao Governo de Minas. Aviões do senador A disputa à sucessão estadual vai ganhando um perfil mais definido. Por parte dos agourentos de plantão, já se fala em pessoas que estariam bisbilhotando para saber de quem era o avião que, no pleito municipal do ano passado, serviu ao senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) em muitas de suas viagens. Emendas parlamentares Para o jornalista Fernando Abrucio, as decisões do ministro Flávio Dino, com o objetivo de aumentar a transparência na execução das emendas parlamentares, podem ficar no esquecimento, a não ser que a imprensa também possa exercer o papel fiscalizador. Insegurança em salas de aula Especialistas mencionam que o Brasil discute o avanço da tecnologia, com investimentos bilionários para turbinar o setor. Por outro lado, ainda existem milhares de escolas sem qualquer tipo de segurança, expondo professores e alunos à própria sorte. Candidatura de Lula “Quando Lula (PT) disse que vai ser candidato à reeleição, acho que o presidente tentou dar uma injeção de ânimo em seus apoiadores e evitar um esvaziamento do governo, coisa que sempre ocorre no último ano de administração, tanto em Brasília quanto nos estados”. Opinião do ex-deputado e empresário Emerson Kapaz. Negócios ilegais Além de faturar muito dinheiro, os autores das transações comerciais ilegais provocam um rombo de R$ 8 bilhões no tangente à sonegação de impostos. Neste caso, a fonte são autoridades do próprio Ministério da Fazenda. Presidente do STF A jornalista Vera Magalhães analisa que o novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, tendo como base o seu histórico de defensor da Constituição brasileira, também será um defensor da democracia. Briga de gigantes O departamento comercial dos grandes veículos de comunicação está irado com os parlamentares do PSOL. Eles estão pleiteando o fim da propaganda das bets, pois isso influencia as pessoas a participarem dos jogos. O problema é que esse grupo de apostas on-line investe milhões em publicidade, ou seja, vai ser um duelo interessante. República das Alagoas Mesmo discordando do modus operandi do deputado Arthur Lira (PP) e do senador Renan Calheiros (MDB), os jornalistas da crônica política consideram que o Brasil se vê refém dos interesses antagônicos de ambos. É a República das Alagoas interferido na vida política nacional. Novo ministro Frequentadores do Palácio do Planalto preferem esperar para opinar a respeito da nomeação do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) para ser o novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. “Ele é bom de serviço, mas muito polêmico”, garante uma fonte. Deputados conservadores “Vez ou outra, os parlamentares conservadores até apoiam algumas iniciativas de interesse coletivo para minimizar a pobreza no Brasil. No geral, os seus projetos são sempre em defesa dos mais ricos”, sentencia a jornalista Bianca Santana.
Especialistas aplaudem a filiação do vice-governador ao PSD

O Palácio do Planalto está demorando para concluir as articulações, com o objetivo de garantir um palanque mais robusto em favor da candidatura do presidente Lula (PT). Diante de incertezas sobre esse cenário, os adversários políticos do chefe da nação, em Minas, vão se organizando e promovendo uma espécie de “fechamento de porteiras”, para barrar nomes competitivos no âmbito da disputa ao Governo do Estado, em 2026. Especialistas no assunto concluem que a recente filiação do vice-governador Mateus Simões ao PSD foi, no mínimo, um descuido dos articuladores interessados em formatar uma frente ampla, de partidos do centro e da esquerda, para entrar em cena no próximo ano. PL entra em cena Ainda relativamente ao pleito ao governo estadual no ano vindouro, esse início de novembro passa ser a data limite para quem almeja algum projeto de concepção maior. Presidente de Honra do Partido Liberal em Minas, ex-deputado federal e ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Santana, disse à nossa reportagem que os membros da sigla estão com encontros agendados para essa semana, com objetivo de traçar os rumos, e também definir as suas prioridades. José Santana confirma que o PL chegou a iniciar conversas de bastidores, com o escopo de acenar uma aproximação oficial com Mateus Simões, mas enquanto a discussão estava nos bastidores, Simões então caminhou na direção dos pessedistas. “Essa vai ser uma semana importante para traçarmos um plano com objetivo de conquistar o Palácio Tiradentes, em 2026, e incrementar outros projetos a nível nacional”, afirma Santana. Por seu turno, o deputado Cassio Soares (PSD) é uma realidade de muita euforia com a chegada do vice-governador à sigla. Soares foi um dos que cuidaram dessa filiação com muita ênfase, pois em sua avaliação, Simões tem todo o perfil para se eleger como governador. Opiniões sobre o tema O professor universitário e cientista político, Malco Camargos, destaca o histórico de coerência política do vice-governador. “Mateus Simões tem um papel histórico na política de Belo Horizonte: foi o primeiro vereador eleito pelo Partido Novo na capital mineira. Ao longo dos dois mandatos do governador Romeu Zema (Novo), esteve ao seu lado, consolidando-se como uma das principais lideranças do partido em Minas Gerais”. Ele salienta ainda que diante de um cenário típico de disputa de sucessão, onde um governador reeleito tenta indicar seu sucessor, Simões reconhece a fragilidade do Novo em uma eleição majoritária. “A migração para o PSD, portanto, representa um movimento pragmático: enfraquece o partido que o projetou, mas, por outro lado, amplia alianças, assegura maior tempo de televisão e acesso ao Fundo Partidário – recursos decisivos em qualquer campanha competitiva”. “Com essa mudança, Mateus Simões se afasta do movimento ideológico que marcou a origem do Partido Novo, para adotar uma estratégia mais pragmática, orientada pela viabilidade eleitoral e pela busca de resultados concretos nas urnas”, completa. De acordo com o advogado e especialista em direito eleitoral, Mauro Bomfim, a filiação de Mateus Simões ao PSD é um tônus revigorante para a sua pré-campanha eleitoral, uma vez que o partido possui muitos prefeitos e tem capilaridade no Estado. Ao assumir brevemente a titularidade do cargo de governador, Mateus Simões larga com um ganho percentual de qualquer ocupante do Palácio Tiradentes, acrescenta Bomfim. “Ele ostenta a chamada bandeira do táxi na corrida eleitoral. Tudo isso somado a uma menor rejeição pública torna Simões competitivo em Minas”.
Edição 2192 – 25 de outubro a 1º de novembro de 2025

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Rodrigo Pacheco definirá futuro após volta de Lula ao Brasil

O senador Rodrigo Pacheco (PSD) vai definir seu futuro logo após o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Brasil, marcado para o dia 28 de outubro. O chefe da nação está na Ásia, onde participará da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). Hoje, Pacheco tem seu nome envolvido em duas frentes importantes: ser o substituto do ministro aposentado Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF) ou se lançar à disputa ao Governo de Minas. As articulações vêm sendo travadas, mas ninguém com bom senso se arrisca a cravar o destino do senador. Nem os aliados mais próximos. Afinal, as duas empreitadas dependem de Lula. O entorno do presidente dá sinais que o advogado-geral da União, Jorge Messias, é o favorito à vaga no Supremo. Porém, Pacheco tem cabos eleitorais importantes na defesa de seu nome para o Supremo. Entre eles, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), ministros de peso no Supremo, como o decano Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além de grande parte do judiciário mineiro, um dos mais representativos do país. Por isso, ninguém duvida que uma reviravolta em favor do senador pode ocorrer. Por outro lado, Lula não esconde sua preferência em ter Pacheco na disputa pelo Governo de Minas. Em várias oportunidades, o presidente afirmou que o senador seria a única alternativa para fazer frente à extrema-direita e enfrentar o candidato à sucessão do governador Romeu Zema (Novo), em 2026. Em função desse desejo, Lula adiou o anúncio de sua indicação ao Supremo para o retorno ao Brasil. Quer ter uma conversa profunda e definitiva com Pacheco antes de tomar qualquer decisão. Na conversa, vai expor sua preocupação com o futuro do Brasil, que passa necessariamente por Minas, e apontar alternativas a Pacheco, principalmente no que se refere a alianças. O PSD, partido do senador, vai filiar no dia 27 de outubro, o vice-governador de Minas, Mateus Simões, e também já avisou que não estará com Lula no ano que vem. Com isso, o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, dá uma forte sinalização de que se alinhará ao campo político que defendeu as medidas antidemocráticas patrocinadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Restará a Pacheco, que tem como marca a defesa intransigente da democracia, mudar de legenda caso queira disputar o governo. Na lista das siglas examinadas estão União Brasil, MDB e PSB. União Brasil e MDB ainda não se decidiram se vão ficar na frente ampla pela reeleição de Lula. Aliados de Pacheco garantem que sem o apoio dessas duas legendas do centro a disputa em Minas ficaria inviável. O PDT filiou o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, que também estará no pleito mineiro. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) é outro que se coloca como postulante. Já o Partido dos Trabalhadores, por sua vez, ainda não tem um candidato que seja competitivo em Minas. A portas fechadas, o senador avalia que, se Lula quer mesmo que ele concorra ao Governo de Minas, precisa construir uma aliança forte que sustente sua candidatura. Hoje isso não existe: sem uma frente de apoio, ele não conta nem mesmo com tempo de TV para fazer campanha. Pacheco quer ter o apoio de Lula, mas sem abrir mão dos partidos que estão no centro democrático.
Vigílias – 25 de outubro a 1º de novembro de 2025
Empresários na política Empresários como Valseni Braga (Colégio Batista) e Fabiano Cazeca (Grupo Multimarcas) irão disputar uma vaga na Câmara Federal em 2026. Enquanto isso, dirigentes do setor produtivo nada falam sobre o assunto. No passado, havia a expectativa quanto ao envolvimento do presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, em algum projeto majoritário. O mesmo silêncio ronda os presidentes da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva; da Fecomércio MG, Nadim Donato; e da Federação da Agricultura, Antônio de Salvo. Elefante branco Quando o antigo Aeroporto Carlos Prates foi desativado há cerca de um ano, houve a informação de que o governo federal iria transformar o espaço em área de habitação popular, local de cultura e lazer. Até agora, nada de concreto está acontecendo por lá. Eleições 2026 Tão logo a imprensa anunciou a filiação de Alexandre Kalil ao PDT, os seus adversários publicaram nas redes sociais: “não pode ser candidato por estar com impedimento na justiça”. A assessoria do ex-prefeito informa que não tem nada disso. A ver. Força do PT mineiro Já estão sendo analisados os nomes com chances de se elegerem a deputado federal, no âmbito do Partido dos Trabalhadores, em vários estados. E uma das primeiras observações: o ex-governador mineiro Fernando Pimentel deverá abdicar dessa disputa para ajudar a impulsionar o nome do vereador Pedro Rousseff. Imprensa verdadeira “Em qualquer nação séria do mundo, uma coisa não pode faltar: uma imprensa sem mácula, livre e responsável”. Fala do filósofo Luiz Felipe Pondé. Sem esgoto Enquanto os empresários mais influentes do Brasil falam da expansão de seus negócios para o mundo, uma média de 32 milhões de brasileiros ainda vivem em situação precária, inclusive sem o atendimento da rede de esgoto. Intervenção militar Ao falar sobre política internacional, o economista Gesner Oliveira rememorou: “no final do século passado, era comum haver intervenções militares em nosso continente. Essas ações não resolviam nada, pois derrubavam governos e ficavam sem condições de acolher as populações. Daí a importância do regime democrático”. Ataque à Venezuela O apresentador e jornalista Marcelo Tas demonstra preocupação com a presença de militares norte-americanos no território venezuelano. “Esse tipo de intervenção não tem acontecido em toda a América Latina. Isso é um risco à segurança também dos países vizinhos, como o Brasil”, vaticina. Drama dos Correios Em Brasília, o presidente Lula (PT) tem um problema sério para resolver: encontrar alguém que possa administrar os Correios e salvar a instituição de uma dívida bilionária. Atualmente, cerca de 80 mil funcionários estão ameaçados de demissão, caso não se encontre o desfecho positivo para a crise. Ufa. Poder Judiciário Especialistas das diferentes correntes ideológicas comentam: “tem havido uma indesejada interferência política nos meandros do poder judiciário, inclusive nos Estados Unidos. Isso não é bom para as futuras gerações, podendo gerar conflito em determinado momento”. Partidos sem cara Jornalistas da crônica política de Brasília reverberam a posição de estudiosos. “O país vive um momento atípico, com uma série de siglas sem uma definição ideológica coerente. São uma espécie de partidos sem cara, apenas um amontoado de interesses escusos”. Ufa. CPMI do INSS “Os parlamentares que comandam a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS têm feito muito movimento para propalar os nomes dos seus integrantes nas redes sociais. O ideal é que todas as apurações fossem encaminhadas ao Poder Judiciário. Caso contrário, o trabalho vai ficar prejudicado e sem punições aos envolvidos”. Opinião do historiador Marco Antônio Villa. Hugo Motta Para o ex-deputado federal e empresário Emerson Kapaz, o presidente da Câmara Federal, Hugo Motta, é um homem público franco e fragilizado em suas funções. “Ele carece de mostrar que ainda tem condições de fazer a Câmara votar pautas de interesse coletivo para reverter esta realidade”, comenta. COP30 no Pará Ao ser entrevistado pela TV Cultura, o governador do Pará, Helder Barbalho, demonstrou um certo grau de irritação. “Sobre a realização da COP30 no Pará, não quero muita falação, apenas resultados práticos”. Conselho de Justiça A maciça presença de juízes no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tem sido questionada pelos operadores do direito. Na avaliação dos profissionais, os magistrados têm dificultado a plena atividade do CNJ no que diz respeito à correção dos filiados ao sistema.
Adeus, Partido Novo
O que antes era apenas uma hipótese, agora ganhou contorno oficial, diante da confirmação do próprio presidente do PSD nacional, Gilberto Kassab, a respeito da filiação do vice-governador Mateus Simões à sigla pessedista.Portanto, abre-se as cortinas para um horizonte límpido rumo à sucessão ao Governo do Estado, em 2026. Essa decisão de ambos faz com que o já minúsculo Partido Novo, ao qual Simões sempre foi filiado, se torne efetivamente “nanico”, para desespero de alguns nomes que ainda permanecerão ligados a ele, inclusive o governador Romeu Zema. Esse grupo político que comanda o Palácio Tiradentes pode ser traduzido como uma situação anômala. Ao aceitar colocar o seu nome para pleitear a eleição, em 2018, Zema dizia que não almejava um resultado positivo em sua empreitada. À época, o seu projeto era ajudar a sigla, incrementando a votação de deputados estaduais e federais, para dar visibilidade ao Partido Novo, tido como um autêntico ninho de políticos com viés ideológico da direita. É sempre bom rememorar que Zema obteve êxito graças à popularidade de Jair Bolsonaro. Uma vez no poder, mudou de posição e disse que se sentia confortável no cargo, difundindo que era hora de um empresário de sucesso comandar os destinos do Estado. Em sua reeleição, galgou uma posição frágil, cujo concorrente principal era o ex-prefeito Alexandre Kalil. Ao longo desses anos no comando do Executivo mineiro, o governador sempre atuou em consonância com os poderosos. Em todas as ocasiões, fazia questão de deixar claro a sua proximidade com o setor produtivo, mas pouco se dedicou a implementar grandes projetos sociais, especialmente na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O pleito de 2026 ocorrerá daqui a um ano e a hegemonia zemista será colocada em xeque. Não precisa ser experiente para saber que a saída de Simões do Novo é uma prova cabal da falta de expectativa de um resultado prático no embate eleitoral. O governador vai precisar amainar a sua narrativa de empreendedor de sucesso para fazer política com “P maiúsculo”. Zema terá de se embrenhar em temas do interesse social da população, e não apenas ficar se gabando de ser um exímio “lavador de louças” e comer banana com casca. A sua imagem de cidadão do interior sequer serviu para alavancar a suas chances de se tornar presidente da República. Se quiser contribuir para o êxito do projeto de seu afilhado Mateus Simões, terá de abdicar de sua pretensão política nacional. Caso contrário, pode levar o vice-governador rumo à incerteza
Edição 2191 – 18 a 25 de outubro de 2025

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Vigílias – 18 a 25 de outubro de 2025
Poderosos mineirosA partir de novembro, o tema relacionado ao pleito eleitoral de 2026 vai ocupar grande parte da agenda do Palácio do Planalto. E, como não poderia deixar de ser, três nomes estão sempre na mira para discutir a questão no âmbito de Minas Gerais, especialmente no tangente à sucessão ao governo do Estado. São eles: Rubens Menin, Clésio Andrade e Walfrido dos Mares Guia. Podem não ser candidatos, mas, certamente opinarão fortemente sobre o assunto. Anastasia na políticaNos corredores da Assembleia Legislativa, informações indicam uma possível candidatura de Antonio Anastasia ao Governo de Minas. “Ele sempre sonhou em ser ministro do Tribunal de Contas de União. Então, deixem o homem quieto por lá”, dizem amigos próximos. Alencar da SilveiraAguardando a cerimônia de posse para assumir o cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), o deputado Alencar da Silveira Júnior terá o desafio de ser membro daquela Corte e tocar a sua vida de empresário de sucesso. Política em MarianaO controvertido ex-prefeito de Mariana, Duarte Júnior, já atua firme para se tornar candidato a deputado federal. É aguardar para conferir o resultado dessa empreitada. Duelo entre bancosRecentemente, o Banco Mercantil do Brasil protagonizou um comercial tendo o cantor Roberto Carlos como garoto-propaganda. Nos meandros publicitários, surgiram comentários afirmando que o Mercantil aposta em pessoas mais idosas como nicho de mercado. Enquanto o Inter, instituição financeira digital, busca a presença de jovens em sua carteira de clientes. Que vença o melhor. Candidato ao Senado?No Leste de Minas, em Belo Horizonte e em Brasília, ganha força a tese de que o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos) será candidato ao Senado em 2026. Cena final: Na eleição de Tancredo Neves ao governo, em 1982, o então postulante teve de lutar contra a quantidade de recursos financeiros de seu oponente, Eliseu Resende. Ficou claro que nem sempre só o dinheiro faz vencer a disputa. Também é necessário ter votos suficientes. Mateus X CleitinhoNão tem funcionado as incursões do vice-governador Mateus Simões (Novo) para convencer o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) a não ser candidato ao Governo de Minas. Alguns interlocutores avisam que será uma árdua tarefa de Simões. Pai ou filho?Pelos lados de João Monlevade, há uma certa dúvida quanto ao projeto político para escolher um representante da região na Assembleia Legislativa. Até agora não se sabe se o ex-deputado Maury Torres tentará voltar ao Parlamento mineiro. Isso porque o seu filho, Tito Torres (PSDB), ocupa o mesmo posto de deputado por dois mandatos seguidos. Política internacionalComentaristas internacionais são categóricos. “No movimento para o fim da guerra entre Israel e Hamas, a Organização das Nações Unidas (ONU) teve uma atuação pífia”, vaticinam. Fora TrumpEspecialistas em meio ambiente e alguns membros do comitê organizador da COP30, em Belém, estão torcendo para que o presidente Donald Trump não venha ao certame. “Ele é contra a política climática em debate e uma fala sua neste sentido atrapalharia o evento”. Emendas parlamentares“Pelo visto, o governo brasileiro terá de promover cortes de despesas no próximo ano. Para ser justo, o mesmo contingenciamento deveria ser proporcionalmente aplicado às verbas destinadas às emendas dos parlamentares”. Opinião da professora de Direito da Fundação Getúlio Vargas, Élida Graziano. Estradas ruraisAs denominadas estradas rurais no Brasil têm uma enorme importância para o escoamento dos produtos agrícolas. Mas, atualmente, segundo levantamento do governo, existe a necessidade de melhorias no percurso de 117 mil quilômetros. Política mineiraAté mesmo entre os petistas, a chance do ex-governador Fernando Pimentel (PT) ser candidato a deputado federal não chega a ser um consenso. A indagação é saber onde ele iria buscar votos para tentar ser um parlamentar à Câmara Federal. Concentração de renda“Quando estavam no poder, os militares disseminavam a necessidade de aumentar o bolo da arrecadação para dividir com os pobres. O fato é que a cada ano vai aumentando o fosso entre os bilionários e os menos favorecidos. Uma brutal desigualdade social que precisa ser mudada”. Avaliação do ex-ministro, o advogado paulistano João Santana. Transporte gratuitoEspecialmente em São Paulo, circula um comentário bizarro: “o setor de transporte coletivo serve de ponto de apoio para lavar o dinheiro do PCC”. Então, a possibilidade de o governo federal adotar a ideia de transporte urbano gratuito em todo o Brasil está deixando os líderes do crime em erupção.Cena única: Consta nos documentos oficiais do Poder Central que o custo para viabilizar o transporte gratuito seria de R$ 75 bilhões.
Privatização da Copasa
As autoridades públicas, inclusive o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB), deveriam apurar sobre a possível veracidade de uma denúncia feita pelos parlamentares de oposição, insinuando já haver compromisso do governo mineiro com grupos poderosos, conforme citação divulgada em vídeo, como uma espécie de “acerto” para vender as ações da Copasa para o banco BTG Pactual. Esses deputados, notadamente de concepção ideológica da esquerda, podem estar exagerando, mas é importante saber se a denúncia existe ou foi apenas uma bravata. O assunto da venda da Copasa vem transformando o Parlamento mineiro em um verdadeiro campo de batalha. A pauta do Executivo estadual é no sentido de aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), retirando a necessidade de referendo popular para a desestatização da Companhia. O objetivo é usar os valores para atenuar a dívida bilionária de Minas com a União. A exigência para ouvir a população antes de transferir ações da Copasa foi uma matéria implementada na Constituição do Estado de Minas Gerais, pelo então governador Itamar Franco, preocupado com os grupos econômicos tentando abocanhar a Companhia. Agora, a desculpa é amortizar 20% da dívida do Estado com o ente federal. Há três semanas, o projeto caminhava para a aprovação da aludida PEC. No entanto, a partir de informações veiculadas pelas redes sociais, uma média de 60% das pessoas são contra a medida. Vale dizer que os parlamentares já estão de olho na eleição do próximo ano, e um desgaste público agora seria desastroso. A tendência é pelo encaminhamento positivo do pleito oficial, porém, os tambores dos opositores ao tema rufarão com mais força nessas próximas semanas, na tentativa de desencorajar deputados sem a devida convicção quanto a oportunidade de apostar em um projeto tão polêmico como tal. O debate é pertinente, pois é parte de peças proeminentes da democracia, contudo, é bom rememorar: se existe a probabilidade de um conluio de membros do governo mineiro com o setor financeiro a ser beneficiado por esse projeto, carece haver uma junção de forças para elucidar esses fatos. Se tudo não passar de bazófia, que os denunciantes (falastrões) sejam levados às consequências, com punições cabíveis dentro e fora do âmbito do Plenário da Assembleia Legislativa.