Ser um bom administrador é condição essencial para encarar o desafio de fazer boa gestão, como governador, de um Estado complexo e do tamanho de Minas Gerais. São gigantescos os problemas acumulados ao longo dos anos, sua monumental dívida, esgotamento do modelo econômico, abandono dos serviços públicos como a saúde, educação, segurança, estradas, meio ambiente e tantos outros.
Temos onze candidatos registrados ao posto, todos se dizendo capazes de dar ao Estado um caminho melhor para a solução de tão graves e imediatos problemas. Tive a curiosidade de ler seus currículos e confesso, ao leitor, não ter encontrado um profissional com tamanha capacidade, apesar da boa vontade de alguns, desejo de outros e absoluto alheamento e condições da maioria.
Se fosse uma seleção, através de especialistas de recrutamento de RH, entre eles não estaria o perfil deste profissional. Não vi nenhum com visão sistemática da organização do Estado, liderança, capacidade de diagnosticar nossa situação, definir estratégias, além de saber lidar com situação de crise e as necessidades públicas. Mas é uma eleição democrática, e nela não se inscreveram profissionais de carreira com perfil adequado a enfrentar tal desafio.
Quero crer na boa vontade de cada um, na força política de seus partidos, em suas capacidades de encontrar, se eleitos, profissionais que estejam ao seu lado na hora de conduzir nossos destinos. Não tem sido assim ao longo das últimas gestões, nem em Minas nem no Brasil, pela simples razão da incapacidade dos vencedores de formar equipes de profissionais que os acompanhem nesta grave missão. Interesses pessoais, compadrismos, políticos e ideológicos têm formatado as equipes convocadas.
Ainda agora leio um manifesto do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual (Sindifisco-MG), onde denuncia a publicação, pelo Governo de Minas Gerais, do Decreto nº 49.278, de 14 de agosto de 2026, que determina novas condicionantes relacionadas a benefícios do ICMS que deixaram de ser atendidas, em favor das empresas, por causa da redução de benefícios tributários federais.
O que o governo federal cortou, os mineiros compensam, deixando de receber impostos devidos ao Tesouro do Estado. Isso em plena crise financeira, com viaturas da polícia sem combustível, sem dinheiro para a merenda escolar, presos sem alimentação condizente, professores sem salários dignos, estradas intransitáveis, comunidades sem saneamento e saúde abandonada. E a dívida do Estado crescendo.
A prioridade, segundo o manual do bom administrador, seria cortar benefícios de quem os tem, aumentar receitas, diminuir despesas e aliviar a vida do esgotado pagador de impostos. Não será fácil a vida do novo governador, porque ele terá que ser austero, não permitir desmandos nem corrupção, cujo crime está instalado em todas as instâncias públicas. Também deverá ser bem formado e informado para resistir, saber governar, liderar, ser transparente, ser um novo Milton Campos para Minas Gerais. Governadores bonzinhos passam, os capazes ficam na história.