Me dá um dinheiro aí

Houve um tempo em que o cidadão comum não tinha noção de quanto dinheiro uma pessoa abastada teria. Só era possível imaginar a grana de um bilionário nos quadrinhos de Walt Disney, nas histórias do Tio Patinhas, velho rico e muquirana que não abria a mão nem para cumprimentar.

Em Minas era comum associar um montante de dinheiro à quantidade de pessoas presentes em um determinado evento. O povo mineiro era fã de carteirinha do Sebastião Pereira de Jesus, o folclórico radialista Tião das Rendas, famoso por anunciar o “dinheiro do jogo” nas partidas de futebol.

Tião calculava o número de presentes e depois confirmava com o borderô oficial com o “pupagante”. Nos clássicos, era dinheiro para chuchu. Definir alguém rico era só mesmo pelo seu status. Carros, roupas e o sucesso mostravam que o fulano era rico, mas não era possível imaginar a quantidade de dinheiro e investimentos que tinha.

Com o passar do tempo, publicações especializadas foram criadas para apontar quem é quem entre os milionários e bilionários. Na verdade, ninguém nunca preocupava com o modus operandi de quem teria ficado rico. Se foi herança, trabalho ou loteria, não importava, era só rico. Mas o fato de que alguns passaram a enriquecer da noite para o dia, aguçou o interesse do povão. E aí foi que a coisa degringolou. Começaram a investigar os caminhos que essas pessoas fizeram para conseguir riquezas.

Alguns foram bem tortuosos ou com muito suor. Outros por sorte, mas uma grande parcela por esperteza, golpes. A curiosidade passou para as páginas policiais. O maior valor já roubado no Brasil foi de R$ 164 milhões, um assalto ao Banco Central em Fortaleza, em agosto de 2005. Esse valor corrigido pela inflação até hoje, estaria na casa dos R$ 400 milhões. Muito dinheiro, mas ainda meio inimaginável em quantidade de notas.

Hoje a coisa banalizou. Parece que todo mundo tem dinheiro em casa (menos eu). E é muito dinheiro. A cada batida feita pela Polícia Federal, anunciada nos noticiários, encontra-se uma verdadeira caixa-forte. Um deputado esqueceu R$ 400 mil dentro do armário. Outro assessor fugiu em um carro com meio milhão. Um parlamentar tinha apartamento na Bahia repleto de pacotes de dinheiro. Todo dia alguém é pego com uma dinheirama em casa. E o pior, não sabem explicar a origem. E assim vão surgindo novos ricos da noite para o dia.

A última é de amargar. Um cidadão bem conhecido, aliás, um senador, pega um telefone e pede ao irmãozão R$ 161 milhões. Não pede, cobra. A história é que esse valor teria sido acertado em outra conversa, mas só foi feito o pagamento de uma parcela de R$ 61 milhões. Estamos vivendo em um país onde uma pessoa tem R$ 161 milhões para dar ou emprestar. Tudo é muito nebuloso “mermão”!

O noticiário dos últimos dias é só este: alguém pegou R$ 2 milhões aqui e mandou para lá, buscou lá e trouxe para cá. Mas a fonte é sempre a mesma. Dinheiro público que deveria estar sendo usado para a construção de hospitais, saneamento básico, estradas, educação. Dinheiro que falta para a merenda dos alunos e o bem-estar de quem trabalha para ajudar este país a crescer, mas está saindo pelo ralo de um bando de ladrões.

Pitaco 1: Neymar foi convocado. Vai para sua quarta Copa do Mundo. Assim como nas outras, vai “deitar e rolar” nos gramados americanos.

Pitaco 2: Na política brasileira já teve batom na estátua, mas nunca tanto batom na cueca como agora.

Pitaco 3: Dizem que o deputado Mario Frias, aquele ator que fazia Malhação na Globo, fugiu do país. Acho que ele notou a fria que entrou para explicar o uso do dinheiro do Vorcaro.

Pitaco 4: Ei, Vorcaro, me dá um dinheiro aí.

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