Mais uma vez estamos fora da maior festa do futebol mundial. Não é novidade. Das 23 edições, vencemos 5, fomos eliminados em 18. Em 1958, 1962 e 1970 mostramos um futebol vistoso, chamado de arte, oferecendo show de bola e encantando o mundo. Vencemos a Copa de 1994 com mais transpiração do que inspiração, e em 2002 mostramos novamente um belo futebol, conquistando o inédito pentacampeonato.
Em algumas edições nossa Seleção fez apresentações surpreendentes, mas morreu na praia. Em outras, tinha a faca e o queijo na mão e não soube aproveitar, como em 1950 e 2014.
Nestes últimos 24 anos, uma sucessão de erros, tentativas, falta de humildade e profissionalismo tomaram conta do nosso futebol, arrastando a famosa Seleção Canarinho para o buraco.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) se transformou em uma bagunça generalizada. Vários presidentes e dirigentes afastados, acusados de corrupção e outras coisas. Troca constante de treinadores e uma falta de critério absurda na escolha dos jogadores. Dizem que a decisão cabe aos patrocinadores, empresários, investidores, sei lá mais quem.
O resultado final está bem vivo e transparente. O futebol brasileiro acabou, não merece mais respeito de nenhum adversário. De protagonista principal, virou mero figurante. Enquanto alguns países com menos tradição no futebol crescem em estrutura e na preparação técnica e física dos seus atletas, o Brasil parou no tempo e no espaço.
É verdade que esta nova administração da CBF colocou o dedo na ferida e tenta ajeitar as coisas. O estrago feito é enorme e contaminou o organismo de cabo a rabo. Vai ser preciso tratamento intensivo e permanente com remédios fortes. Parece que as coisas começaram a ser feitas. Mudaram dirigentes e importaram um treinador estrangeiro. Um mister vencedor, com currículo invejável.
Infelizmente, Ancelotti chegou tarde e praticamente sem tempo para treinar o time, implementar suas ideias de jogo. Pegou o bonde andando, convocou quase os mesmos jogadores de sempre. Errou feio, tanto na escalação inicial, quanto nas substituições. Pareceu meio perdido ou perdido e meio. De chicletes em chicletes, mascou o nosso outrora belo futebol e amassou o sonho de mais um título mundial.
Resta agora arregaçar as mangas e iniciar um plano de trabalho sério e competente. Verificar o que rola no futebol de outros países, especialmente nos menos badalados no mundo da bola, convocar quem realmente tem talento, mesmo sem patrocinador. Além disso, reinventar o jeito simples e objetivo de jogar futebol que levou o Brasil a levantar cinco canecos mundiais. Difícil acreditar que tudo isso vá acontecer, mas quem sabe, 2030 está logo ali.
Mudando o rumo da prosa, quero destacar a bela cobertura da imprensa esportiva brasileira nessa Copa do Mundo. Emissoras de rádio, televisão, impressos e canais de internet deram show. As transmissões via YouTube foram as grandes novidades. Utilizando os mais avançados recursos da moderna tecnologia, técnicos, radialistas e jornalistas colocaram milhões de pessoas praticamente dentro de campo. Minas Gerais marcou presença com vários profissionais. Uma prova que o nosso jornalismo esportivo segue cada vez mais firme e forte.