O governador Romeu Zema (Novo) tem ensaiado a possibilidade de transferir a sua administração para Mateus Simões (PSD), com a finalidade de facilitar o encaminhamento do projeto eleitoral de seu vice, declaradamente pré-candidato ao Governo de Minas. As informações nesse sentido circulam nos meios políticos desde o ano passado. Se o assunto procede, seria oportuno levá-lo a efeito com brevidade, porque parece haver uma gestão dupla, onde determinados temas são tratados com orientações antagônicas.
A decisão sobre a transferência estaria sendo postergada em função da necessidade de um ajuste do projeto de Zema. Ele pretende transferir o mando administrativo, desde que um lugar na agenda política nacional esteja reservado para o governador dos mineiros. Essa discussão provoca incertezas e atrapalha os investimentos em setores estratégicos de Minas, especialmente na infraestrutura, saúde e educação. São projetos que estão saindo da gaveta neste ano de eleição, mas enfim, terá a assinatura de qual dos dois mandatários?
Atrelar os acontecimentos da política estadual ao interesse de Romeu Zema em se tornar um nome palatável para disputar à Presidência da República, transcende aos preceitos básicos de quem no momento sequer sabe o que irá acontecer em outubro deste ano, quiçá atender às duas demandas ao mesmo tempo: uma possível vitória de Simões ao Governo de Minas e também a sua atuação rumo ao Palácio do Planalto. De acordo com as últimas pesquisas, Zema não tem sido uma opção preferida e aparece sempre na rabeira entre nomes como Flávio Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ronaldo Caiado (União Brasil) e Ratinho Júnior (PSD).
Embora digam o contrário, os funcionários públicos de Minas estão de olhares enviesados para Zema, especialmente os da segurança pública, incluindo policiais civis e agentes penitenciários. Tendo como referência as constantes falas do deputado estadual Sargento Rodrigues (PL), quando chegar a hora certa a “tropa” vai demonstrar ao governo o seu elevado grau de insatisfação. O parlamentar sempre foi eleito com apoio dos representantes desse setor de nosso Estado. Em consequência dessa realidade, quem almeja ter apoio e voto desses barnabés de farda, carece antes rezar a cartilha deles para não haver decepção eleitoral após o pleito ao Governo de Minas neste ano.



