Os mais conectados com a realidade política mineira vão se lembrar das atitudes do governador Romeu Zema (Novo), ao bradar que seria um dirigente diferente. Em seu primeiro mandato, propôs enquadrar os deputados estaduais, pois em sua avaliação à época, os parlamentares estavam viciados em favores do Executivo e os ditos privilégios seriam cortados de imediato. Esse mesmo discurso aconteceu em reunião no Tribunal de Contas do Estado, quando Zema prometeu fazer chegar até aquela Corte a sua orientação de uma administração sem “mordomias”.
A sua assessoria ainda não conseguiu apagar o incêndio causado por uma informação veiculada pela imprensa do Brasil inteiro. Para manter uma pré-campanha à Presidência da República, o político estadual teria utilizado os aviões oficiais de maneira exagerada, contabilizando uma média de 198 horas de voo no ano passado, a um custo de R$ 1,5 milhão, dinheiro do contribuinte. Essa informação está no Portal da Transparência.
Quando assumiu o Palácio Tiradentes, dispensou a moradia no Palácio das Mangabeiras. Informações de bastidores apontam que o esquema de segurança institucional, montado para proteger o chefe do Executivo em sua residência particular, teria ficado além da cifra necessária para a manutenção do status quo.
Os mineiros ainda se recordam da promessa de não receber salários de governador. Depois de um ano e meio de administração, voltou atrás e começou a ser beneficiado com os valores. Há cerca de um ano, houve a majoração dos vencimentos de Zema, cujo projeto recebeu o aval da Assembleia Legislativa.
A síntese dessas anotações tem a ver com a mudança de rumo no projeto político do governador. Ele nunca comprovou ter votos próprios suficientes para conquistar seus mandatos, uma vez que o sucesso nas urnas está conectado à sua ligação com o bolsonarismo. Agora, aposta na pré-candidatura a presidente. Utilizando o prestígio do atual cargo, tem realizado viagens e feito contatos em todo o país.
Como a sua pré-candidatura ainda é apenas uma “esperança”, Zema teria tomado a decisão de se afastar do governo no final do prazo permitido pela lei, ao contrário do anunciado no ano passado. Inicialmente, a ideia era abrir espaço para o projeto de seu vice-governador, Mateus Simões (PSD). Sai de cena o homem simples, do Triângulo Mineiro, para um retrato de um cidadão vaidoso e que almeja se postar como um líder nacional.



