Virada Cultural se consolida como um dos maiores eventos urbanos do Brasil

Foto: Alexandre Mota

A 10ª edição da Virada Cultural de Belo Horizonte, realizada nos dias 23 e 24 de agosto, marcou um momento significativo na trajetória do festival, reforçando sua posição como um dos principais eventos urbanos do Brasil. Com o slogan “Vem Virar BH”, a iniciativa propôs um convite à interação e ao envolvimento com a cidade. A resposta do público foi expressiva: mais de 450 mil pessoas participaram de mais de 24 horas de programação gratuita e ininterrupta. Em relação ao ano anterior, houve um aumento de 43% no número de participantes e de 70% nas atrações oferecidas.

Ao todo, 391 atrações artísticas foram realizadas em 26 locais distintos da cidade. Mais de 1.500 artistas da cena local deram vida a uma programação diversa, reunindo expressões variadas como shows, performances, intervenções, celebrações populares e manifestações culturais que tomaram conta da região com muita energia. As ações foram viabilizadas por meio da colaboração de 50 entidades e instituições ligadas à arte e à cultura, incluindo Funarte, Mira, Sesc Tupinambás, Mirante Acaiaca, Feira da Afonso Pena e o cura.art (responsável por intervenções a céu aberto na Praça Raul Soares).

Com um investimento direto estimado em aproximadamente R$ 5 milhões, o evento movimentou amplamente a economia da cidade, fortalecendo o setor cultural e suas cadeias produtivas. A expectativa é de que tenham sido gerados mais de 100 mil postos de trabalho, entre diretos e indiretos. Para viabilizar a realização, mais de 100 prestadores de serviços foram contratados, abrangendo áreas como som, iluminação, logística, comunicação, entre outras, o que evidencia a expressiva movimentação econômica proporcionada pela iniciativa.

O produtor cultural Rafael Lacerda destacou que “a Virada Cultural se configura como uma ferramenta essencial de políticas públicas, porque leva cultura de maneira ampla, plural e gratuita para a cidade. Não se trata apenas de shows musicais, mas de ocupação criativa e democrática do espaço público, fomentando identidade, pertencimento e participação”.

Já a professora de artes visuais Cecília Santana complementou que a democratização da cultura não acontece apenas pela derrubada de barreiras de acesso. “A gratuidade é um passo, mas a verdadeira democratização advém da criação de programação diversa, que atenda etnias, gerações, linguagens artísticas, tradições locais e diálogos entre o urbano e o periférico. Essa Virada Cultural foi exemplar nesse quesito”.

A importância do investimento público vai além de levar cultura à população: propicia também desenvolvimento econômico, formação de novos artistas, fomento a empresas criativas e valorização das tradições locais. Cecília ressalta que o evento dinamiza a economia criativa da cidade. “Ao financiar artistas locais, técnicos, artesãos, funcionários de infraestrutura e fornecedores de serviços, o poder público atua como vetor de geração de renda”.

Lacerda explica que os desafios persistem. “A circulação noturna, segurança, acessibilidade, limpeza e sinalização são alguns pontos de alerta. Ainda assim, boa parte das críticas vem acompanhada de sugestões construtivas, o que demonstra o engajamento e interesse da população”.

De acordo com o profissional, essa edição da Virada Cultural 2025 escancarou, com arte, debate e ocupação, que cultura é combustível da democracia. “Quando o poder público abraça e executa uma programação cultural massiva, gratuita, descentralizada e plural como a Virada, está plantando as sementes de uma sociedade mais criativa, inclusiva e solidária”, conclui.

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