Vendas para o Dia das Crianças devem chegar a quase R$ 10 bilhões no país

Foto: Freepik.com

As expectativas para o Dia das Crianças indicam que o comércio deve movimentar cerca de R$ 9,96 bilhões neste ano. Isso representa um crescimento de 1,1% em comparação ao mesmo período de 2024, quando as vendas alcançaram R$ 9,85 bilhões. Se essa estimativa for alcançada, será o melhor resultado da data nos últimos 12 anos. A projeção foi divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O valor estimado para este ano só é superado pelo registrado em 2014, quando o volume de vendas chegou a R$ 10,5 bilhões. Os números estão corrigidos pela inflação.

O Dia das Crianças ocupa a terceira posição entre as datas mais relevantes para o varejo brasileiro, ficando atrás apenas do Natal, que movimentou R$ 72,8 bilhões em 2024, e do Dia das Mães, com R$ 14,5 bilhões em 2025. Segundo dados da CNC, o setor de roupas e calçados deve concentrar a maior parte das vendas, respondendo por 27% do total estimado.

De acordo com o economista Luiz Fernando Ribeiro, o pequeno avanço nas vendas pode ser interpretado como um sinal de estabilidade no comportamento do consumidor. “O brasileiro continua valorizando datas comemorativas, mas ainda enfrenta limitações de renda e alto comprometimento do orçamento familiar. Isso leva à priorização dos gastos e a escolhas mais conscientes na hora de presentear”.

Os juros elevados e o crédito mais restrito continuam sendo obstáculos importantes. “Muitas famílias estão endividadas ou com acesso limitado a linhas de crédito. Isso reduz a capacidade de consumo, mesmo diante da intenção de comprar presentes”, explica.

Com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), a CNC projeta que a cesta de 11 grupos de bens e serviços típicos do Dia das Crianças terá um aumento médio de 8,5% em comparação com 2024. Esse crescimento nos preços deve ser impulsionado principalmente por alimentos, como chocolates (alta de 24,7%), doces (13,9%) e lanches variados (10,9%). Por outro lado, produtos tradicionalmente mais procurados na data, como brinquedos e roupas, devem apresentar reajustes abaixo da média geral, com uma elevação estimada de 4,6%.

Apesar das limitações, o impacto das vendas do Dia das Crianças sobre a economia não deve ser subestimado. A movimentação de quase R$ 10 bilhões ajuda a aquecer a cadeia produtiva, gera empregos temporários e eleva a arrecadação de tributos. “É uma data que mobiliza desde a indústria de brinquedos até os pequenos comércios de bairro. O aumento na circulação de dinheiro impulsiona a economia local e regional”, destaca Fabiana Moura, consultora de mercado.

Ela também ressalta que muitas lojas aproveitam o período para lançar promoções e queimas de estoque, o que pode ser uma estratégia eficaz tanto para atrair consumidores quanto para se preparar para o final do ano. “O Dia das Crianças serve como termômetro para o varejo projetar o Natal. Se a resposta do consumidor for positiva, é provável que os lojistas se sintam mais confiantes para investir em estoques maiores no fim do ano”.

O cenário ainda inspira cautela. “A recuperação do poder de compra depende diretamente de uma melhora no mercado de trabalho e de políticas mais efetivas de controle do endividamento das famílias. A continuidade dos juros altos também pode frear o ritmo de crescimento do consumo nos próximos meses”, explica Fabiana.

Para os especialistas, o momento exige equilíbrio entre otimismo e responsabilidade financeira. “As datas comemorativas são importantes para o comércio e para a economia como um todo, mas os consumidores não podem se deixar levar pelo apelo emocional e comprometer o orçamento familiar”, alerta Ribeiro.

Em meio aos desafios, o Dia das Crianças de 2025 promete movimentar o comércio e trazer algum alívio para lojistas e trabalhadores do setor. Ainda que a recuperação seja lenta, o ritmo positivo acende uma luz de esperança para o fim de ano, tradicionalmente, a temporada mais lucrativa para o varejo brasileiro.

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