Minas Gerais é berço de incontáveis personalidades que moldaram e moldam o estado e o país, e muitos com relevância no estrangeiro. Evocar essas pessoas faz com que valorizemos nossa história, como palco celebrativo na consistência da Liberdade, desprovidos dos porões da colônia e dos vieses das ditaduras. Há cidades em Minas que vão muito além nessas personalidades, como Itabira, Ouro Preto, Serro, Diamantina, Sabará, São João del-Rei, Barbacena, Montes Claros, Uberaba e Dores do Indaiá, que foi eleita como o nome mais bonito das cidades mineiras, em crônica na revista Veja, e que deu ao país nomes do mais alto gabarito em todos os segmentos: finanças, Oswaldo Araújo; diplomacia, Hugo Gouthier; política: Francisco Campos; história: Waldemar de Almeida Barbosa; literatura: Stela Maris…
No dia 19 de janeiro perdemos um deles: o grande empresário Carlos Carneiro Costa, 89, nascido naquele torrão dorense em 1936, uma estrela que sempre brilhou no horizonte das serras da Saudade e do Curral. Carneiro Costa foi um construtor de alta performance no campo da engenharia/arquitetura no Brasil; angariou prêmios e condecorações. Sua Construtora Lider foi uma das mais importantes e uma das marcas mais admiradas, transformando paisagens em BH, Cabo Frio (RJ), Brasília (DF) e São Paulo (capital). Foram mais de 2.500 salas e dez mil apartamentos, quatro grandes centros comerciais, o Life Center (BH), hotéis e conjuntos de alto luxo, templos, etc.: “tradição e acabamento” em um Líder.
Carlos foi quem restaurou a planta original de Belo Horizonte, deu em comodato para a Prefeitura, por 99 anos, o prédio histórico e sua área verde, na rua Estêvão Pinto, na Serra, para a cultura. Fez a necessária intercessão na Avenida Raja Gabaglia, junto à 4ª Divisão do Exército, e deu ênfase à história, com bustos de personagens ligados à Batalha dos Guararapes, que pôs fim à Insurreição Pernambucana. Foi a Líder, por intermédio de Scheila Carneiro Costa, historiadora, colecionadora de arte e esposa de Carlos, a responsável por introduzir obras de artes nos saguões dos prédios, ideia implementada pela Lei Municipal n. 5.893/1991, aquilatando nossos artistas. A moda pegou em todo o país. Yara Tupynambá disse: “Carlos Carneiro Costa se tornava sinônimo de bom gosto e inovação”. Carlos Bracher: “Histórias da vida que nos trazem encantos e belezas”.
Segundo Ronaldo Costa Couto, no livro Carlos Carneiro Costa — Lider, de Ozório Couto, “Carlos foi e é um empresário de perfil especial. Criativo, boa visão de futuro, dinâmico, apreciável teor de audácia e disposição de correr riscos, aberto a novas tecnologias, sempre atento a boas oportunidades”. Para Emídio Teles de Carvalho Filho, as obras de CCC são “objetos de desejo”. Já José Aloízio Teixeira de Souza, “uma lenda da construção civil”. Ângelo Oswaldo de Araújo Santos: “O notável empreendedor cultiva profundo carinho pela terra natal. Esse ânimo de construção e conquista, essa tenaz determinação realizadora que identificamos em Carlos Carneiro Costa, pode-se dizer que é forte herança de Dores do Indaiá”. Eduardo Brandão Azeredo: “Um construtor de sonhos de famílias e cidades”. Aristóteles Drummond: “Construtor de qualidade”. Segundo a filha Liliane, “além desse dom de engenheiro artista, ele é um dos últimos homens estilo gentleman da face da Terra. Meu pai foi um construtor de valores”.
Deixa viúva Scheila, os filhos, engenheiros civis, Liliane (Carlos Eduardo, ordenação em abril, na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, e Ludimila, médica, e a netinha Thereza), Sandra Mara (Gabriel, músico, Paula, advogada, e Elisa, artista/ publicitária) e Carlos Júnior (Bruno, aviador comandante).
Ao Carlos, a gratidão mineira pelo profissional, pela obra, pela família e pela bela amizade.



