Um em cada dez óleos lubrificantes no país é clandestino ou irregular

Trocar o óleo do motor é uma das manutenções mais básicas para garantir o bom funcionamento de um veículo. No entanto, o uso de lubrificantes fora das especificações técnicas ou adulterados pode gerar danos graves ao motor e exigir reparos caros.

Segundo o Instituto Combustível Legal (ICL), aproximadamente 10% dos lubrificantes comercializados no país são clandestinos ou não seguem as normas técnicas recomendadas. O resultado são prejuízos financeiros que superam R$ 1,4 bilhão ao ano e colocam em risco a segurança de motoristas e passageiros.

O mais recente Boletim do Programa de Monitoramento de Lubrificantes, divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mostrou que 14,1% das 468 amostras coletadas entre agosto e outubro de 2024 apresentaram alguma não conformidade. As irregularidades incluem produtos sem registro, aditivação deficiente, viscosidade fora do padrão e ausência de informações obrigatórias, como número de lote e data de fabricação.

Para o diretor-executivo do ICL, Carlo Faccio, mesmo em veículos com baixa quilometragem, os impactos do óleo errado são perceptíveis, como superaquecimento, entupimento de dutos, falhas mecânicas, desgaste acelerado de peças internas e até quebra de componentes como pistões e válvulas.

“Óleos errados comprometem o sistema de lubrificação. Até mesmo um pequeno desvio pode causar problemas que se acumulam com o tempo. A escolha do lubrificante não deve ser feita por preço ou conveniência, mas com base nas especificações técnicas do fabricante e do manual do veículo”, explica.

De acordo com Faccio, o consumidor precisa estar atento à procedência do produto, especialmente diante do aumento de fraudes no setor. “Essa economia ilusória na hora da compra pode custar muito mais caro depois. Produtos adulterados comprometem peças vitais e colocam em risco a segurança do motorista e dos passageiros”, alerta.

Além disso, o uso prolongado de lubrificantes inadequados pode gerar consequências ambientais e financeiras, como o aumento do consumo de combustível, maior emissão de poluentes e a possibilidade de perda da garantia do veículo junto à montadora.

Ele lembra que a troca de óleo é essencial. “Saber qual lubrificante está sendo usado é ainda mais importante. A escolha correta protege o motor, garante desempenho, evita falhas e preserva o valor do seu carro”, finaliza.

Dicas para evitar prejuízos

  • Consulte o manual do veículo antes de escolher o óleo: As montadoras especificam o tipo exato de lubrificante ideal para cada motor. O uso de um produto com viscosidade ou padrão de desempenho diferentes compromete a proteção das peças e pode anular a garantia de fábrica.
  • Exija a nota fiscal: É o primeiro passo para garantir a procedência do produto. A nota fiscal permite rastrear a origem, comprova a compra legal e é essencial para eventuais acertos com garantia ou assistência técnica.
  • Confirme o CNPJ e o nome do fabricante: Use o CNPJ impresso na embalagem para consultar a empresa no site da Receita Federal. Verifique se ela está ativa, se tem histórico de irregularidades e se realmente atua no setor de lubrificantes automotivos.
  • Verifique o selo de qualidade e o rótulo completo: Produtos confiáveis devem conter o selo do fabricante, número do lote, data de validade, classificação de desempenho, viscosidade e lacre inviolado. Desconfie de embalagens com rótulo desbotado, colado de forma irregular ou sem informações completas.
  • Compre em oficinas e revendas homologadas: Evite postos sem histórico confiável, lojas com preços muito abaixo da média e plataformas on-line não autorizadas. Locais credenciados por fabricantes ou redes reconhecidas são mais seguros e seguem padrões de controle de qualidade.
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