“Três Mulheres Altas”: peça clássica discute o envelhecimento feminino

Espetáculo será apresentado no Sesc Palladium / Foto: Jeif Kraraf

Um clássico da dramaturgia contemporânea, agraciada com o Prêmio Pulitzer, a peça “Três Mulheres Altas”, escrita por Edward Albee no início da década de 1990, chega a Belo Horizonte, nos dias 16 e 17 de maio, em três apresentações no Grande Teatro Sesc Palladium. O espetáculo traz o embate de três mulheres em diferentes fases da vida: juventude, maturidade e velhice.

Em cena, as personagens batizadas pelo autor apenas pelas letras A, B e C. A mais velha (Ana Rosa), que já passou dos 90, está doente e embaralha memórias e acontecimentos, enquanto repassa a sua vida para a personagem B (Helena Ranaldi), apresentada como uma espécie de cuidadora ou dama de companhia.

A mais jovem, C (Fernanda Nobre), é uma advogada responsável por administrar os bens e recursos da idosa que não consegue mais lidar com as questões financeiras e burocráticas. Entre os muitos embates travados pelas três, a grande protagonista é a passagem do tempo e também a forma que lidamos com o envelhecimento.

Para o diretor Fernando Philbert, o espetáculo dialoga no período presente, atento às demandas e aos desejos femininos do aqui e agora. “É uma peça que lança foco sobre as escolhas de uma mulher na vida. Evidenciamos a violência velada que elas sofrem, seja no preconceito social, na misoginia preponderante ou nas lutas e batalhas que têm de travar para terem respeito da sociedade”.

“O texto do Albee nos faz refletir sobre ‘qual é a melhor fase da vida?’, além de questões sobre o olhar da juventude para a velhice, sobre a pessoa de 50 anos que também já acha que sabe tudo e, fundamentalmente, sobre o que nós fazemos com o tempo que nos resta. Apesar dos temas profundos, a peça é uma comédia em que rimos de nós mesmos”, analisa o diretor.

Ao adaptar a obra, o principal desafio é o paradoxo de esquecer que é um texto consagrado, afirma Philbert. “E descobrir a história que contamos partindo do olhar que temos para a vida atual, o que nos faz pensar sobre as questões desta peça. É refletir as nossas histórias junto das palavras do texto e assim abrir espaço para que a plateia tenha empatia com o espetáculo”.

“Espero que o público leve consigo o valor do tempo e suas vontades. Entender que a nossa vida é feita de escolhas, sejam elas fáceis ou difíceis e que estas escolhas determinam nosso futuro”, finaliza Philbert.

Identificação

A atriz Ana Rosa, que interpreta a personagem mais velha, afirma que o principal atrativo da peça está na forma como o texto é construído. “Essa história é muito bem contada e de uma forma inteligente, englobando três personagens em várias épocas diferentes. E a que eu interpreto mostra toda a experiência de vida que ela tem, que é uma coisa fascinante”.

Ana explica que a personagem nasceu no início do século 20, período em que as mulheres tinham pouca ou nenhuma representatividade social, e entrar nesse universo foi um desafio. “Era uma época em que a mulher dependia do pai e depois do marido. Só ficava em casa, a única função era ter filhos e cuidar do lar, não podia nem mesmo votar”.

Em turnê pelo país há dois anos, o espetáculo tem recebido forte adesão do público. De acordo com Ana Rosa, sessões extras têm sido abertas em diferentes capitais, como ocorreu recentemente em Manaus, diante da alta procura. “A reação do público é incrível, porque as pessoas se identificam muito com as personagens. E a gente espera que realmente esse público fique satisfeito com as nossas apresentações”.

Peça

Escrita em 1991 e lançada em 1994, “Três Mulheres Altas” marcou uma virada na trajetória de Edward Albee. A obra rendeu ao dramaturgo algumas de suas melhores críticas e reavivou o interesse por seu trabalho. Com fortes traços autobiográficos, a peça foi escrita pouco tempo após a morte de sua mãe adotiva, que teria inspirado a personagem mais velha. Após abandoná- -la aos 18 anos, Albee voltou a ter contato com a mãe em seus últimos dias, quando já estava doente de Alzheimer. No entanto, alguns especialistas defendem que a peça não pode ser reduzida a este fato.

Serviço:

Peça: “Três Mulheres Altas”
Dias: 16 e 17 de maio
Horários: sábado, às 20h; e domingo, às 16h e 19h
Local: Grande Teatro Sesc Palladium
Endereço: Rua Rio de Janeiro, 1046 – Centro
Ingressos: Sympla

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