
Nos cinco primeiros meses de 2025, o número de trabalhadores com carteira assinada no setor de eventos culturais e de entretenimento em Minas Gerais chegou a 14.593, um aumento de 74,7% em comparação com o mesmo período de 2019 (8.534), anterior à pandemia de COVID-19. Esse crescimento superou a média nacional, que foi de 74,6%. As informações foram levantadas pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), com base em estatísticas oficiais fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
A economista Marcela Andrade atribui esse crescimento a um conjunto de fatores articulados: políticas públicas, dinamismo da economia e o fortalecimento de Minas como destino de turismo de negócios. “A aplicação do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) foi decisiva. O apoio fiscal e os créditos facilitaram não apenas a sobrevivência, mas também a expansão das empresas do setor no Estado. Esse programa federal, aprovado durante a pandemia, teve impacto direto sobre os índices de emprego no segmento”.
Na avaliação de Marcela, a demanda reprimida de 2020 a 2022, aliada ao retorno de eventos de grande porte como feiras, congressos, shows e exposições, alimentou a geração de novos postos. “Minas Gerais vem se consolidando como um hub de eventos regionais e nacionais. A infraestrutura, especialmente o Expominas em Belo Horizonte, com capacidade para milhares de pessoas, atrai promotores e garante movimento contínuo para hotéis, restaurantes e serviços auxiliares”.
Essa expansão não é apenas uma estatística de mercado, mas ganha reflexos concretos na economia local. A percepção da economista é que “o crescimento da massa salarial circulante impulsiona os serviços e amplia o consumo interno. Isso fortalece cidades como Belo Horizonte, Contagem e Betim, onde grande parte do setor de eventos se concentra, e fomenta pequenas cidades que recebem feiras agropecuárias e festivais regionais”.
Para que os números sigam em alta nos meses seguintes, os especialistas apontam caminhos complementares ao Perse. O produtor cultural Rafael Lacerda sugere que “é preciso investir em capacitação técnica: cursos e formações em produção de eventos, marketing digital e logística são essenciais para profissionalizar o setor e reduzir a informalidade”.
Ações estratégicas de promoção do Estado como destino de eventos, especialmente voltadas ao turismo de negócios, fazem diferença, reforça Lacerda. “Atrair congressos nacionais e internacionais, feiras especializadas e festivais culturais consolida Minas como destino competitivo, garantindo ocupação full time de espaços como o Expominas e extrema utilidade da rede hoteleira”.
Outra estratégia apontada é a ampliação de incentivos municipais para eventos locais nas cidades do interior. “Ao incentivar as prefeituras a promover exposições agropecuárias, festivais culturais e rodadas de negócios, há uma geração de emprego regional nos locais que normalmente ficam fora do grande fluxo turístico”, conclui o produtor.
Brasil
O estoque de empregos formais no setor de eventos até maio de 2019 no Brasil era de 190.171. Já em 2025, a quantidade de cargos aumentou para 331.987. O Produto Interno Bruto (PIB) do segmento de “Outras Atividades de Serviços”, que engloba o setor de eventos, cresceu 4,6% no acumulado de quatro trimestres até o 1º trimestre de 2025. O índice supera a média nacional (3,5%) e coloca o setor entre os que mais avançam no país.
O boletim ainda apresenta dados atualizados sobre o consumo, evidenciando o fortalecimento da cadeia produtiva. Somente em maio, o consumo estimado no setor alcançou R$ 11,618 bilhões. No acumulado de janeiro a maio, o montante chegou a R$ 57,8 bilhões, o maior já registrado para esse intervalo desde o início da série histórica, em 2019, representando um crescimento de 3,3% em comparação ao mesmo período de 2024.



