Temporada nebulosa

A temporada do futebol mineiro neste primeiro trimestre de 2026 não está muito legal. Começamos com o campeonato regional com os dois principais times de Belo Horizonte derrapando bastante. A turma do interior também sofreu. A surpresa ficou por conta do Pouso Alegre, campeão do interior. A decepção com o Athletic e Democrata de Valadares que caíram para o Módulo 2.

No final, apesar do aperto, deu Atlético e Cruzeiro em decisão de jogo único. O cabuloso faturou o título, interrompendo uma sequência de seis títulos do Galo. A festa não terminou bem, uma pancadaria generalizada tomou conta do gramado, com 23 jogadores expulsos. Uma vergonha.

Logo em seguida teve início a Copa do Brasil. Minas representada por sete times: Atlético, Cruzeiro, América, Tombense, Uberlândia, Athletic e Betim. Logo na primeira etapa, Tombense, Uberlândia, Betim e América já foram eliminados. Restam Athletic, que vai para a quinta fase, e Cruzeiro e Atlético, que só entram mais para frente. Como se observa, a chance de conquistar o título de campeão da Copa do Brasil para algum time mineiro parece bem remota.

O América, que não ganha nada faz tempo, vai disputar a estreante Copa Sul-Sudeste, invenção da CBF. Está no grupo B e vai enfrentar o Sampaio Corrêa (RJ), Novo Horizontino (SP), Caxias (RS), Tombense (MG) e Chapecoense (SC). Isso na fase classificatória. Se passar, segue em frente.

Ao mesmo tempo, o Coelho participa da Série B do Brasileiro. Manteve a comissão técnica e deu uma renovada no elenco. Destaque para a volta do atacante uruguaio Mastriani, bom de bola, raçudo e artilheiro. A estreia será fora de casa contra o Goiás.

O Athletic de São João del-Rei também disputa a Série B, a reformulação do elenco é forte. A diretoria trabalha com o objetivo de voltar para a elite do mineiro, seguir na Copa do Brasil e fazer bonito na Série B. Tomara que os dois tenham sucesso na temporada. Ano passado o fracasso foi enorme.

Na Série C não temos representantes, mas na D vamos participar com cinco times: Pouso Alegre, Democrata de Governador Valadares, Tombense, Betim e Uberlândia. Difícil saber quem está melhor preparado. Teoricamente, parece ser o Pouso Alegre, mas o Uberlândia tem um projeto interessante.

Fazer futebol profissional no interior não é tarefa fácil. Os recursos financeiros são menores, as estruturas deficientes, complicado segurar bons jogadores e ter apoio do público. São guerreiros que lutam para montar bons times e manter aceso o sonho de boas conquistas.

Finalmente chegamos à Série A, principal divisão do futebol brasileiro. Talvez o campeonato mais difícil do mundo. Temos no mínimo uns dez times com potencial para chegar ao título. Coisa rara em outros países. Minas tem dois representantes. Muito pouco para uma região tão grande e forte.

O Cruzeiro ainda é um mistério. Perdeu o treinador que fez sucesso ano passado, manteve o elenco, a boa estrutura, tem dinheiro, mas o time atolou e não consegue jogar bem. Fez um início de campeonato horroroso, contratou um treinador famoso e caro. Não deu certo e a coisa só piorou. Anunciou agora a volta do português que fez bonito no Botafogo e se mandou do Brasil. A esperança azul é que o portuga chegue e coloque o cabuloso nos trilhos. Vamos ver.

No Atlético, quase a mesma coisa. O elenco é considerado como muito bom, ainda que de forma teórica. Trocou de treinador, contratou alguns jovens estrangeiros e tenta de todas as formas girar a roda. O clube tem estrutura formidável, arena maravilhosa e uma massa de torcedores impressionante. Só falta mesmo transformar tudo isso em vitórias e títulos.

Como no futebol nada dura mais do que um piscar de olhos, vamos torcer para que os bons ventos soprem a nosso favor. Precisamos sair fora dessa temporada nebulosa que nos assombra.

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