Com a chegada do inverno, as temperaturas mais baixas, o ar seco e a maior permanência em ambientes fechados criam um cenário propício para o surgimento de doenças respiratórias, agravamento de quadros crônicos e até mesmo impactos no bem-estar emocional. Embora muitos acreditem que basta se agasalhar para enfrentar o frio, o cuidado com a saúde durante essa estação exige atenção a diversos fatores, da hidratação à alimentação, da ventilação dos espaços ao reforço da imunidade.
O corpo humano precisa fazer mais esforço para manter sua temperatura interna estável durante o inverno, o que pode sobrecarregar o organismo, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças pré-existentes. Nos dias frios os vasos sanguíneos se contraem para preservar o calor, o que pode elevar a pressão arterial. Além disso, a tendência de se aglomerar em locais fechados cria um ambiente ideal para a proliferação de vírus e bactérias.
Para a nutricionista Cristina Souza, um dos hábitos mais importantes que ajudam a fortalecer a saúde e a prevenir complicações é a hidratação. “As pessoas tendem a beber menos água no inverno porque sentem menos sede, porém, o corpo continua perdendo líquidos, especialmente por meio da respiração e da urina. A falta de hidratação enfraquece o sistema imunológico, prejudica a circulação e aumenta o risco de infecções”.
Ela também destaca o papel da alimentação na manutenção da saúde durante o inverno. “Uma dieta rica em frutas cítricas (como laranja, acerola e kiwi), legumes e verduras de cores vivas é essencial para reforçar as defesas do corpo. Alimentos com vitamina C, zinco e ômega 3 ajudam a modular o sistema imunológico”.
Outro aliado importante da saúde no inverno é o exercício físico. “A prática regular de atividades ajuda a manter a circulação ativa, melhora a respiração, estimula a produção de serotonina e fortalece o sistema imunológico. Mesmo nos dias frios, é importante se movimentar, fazer caminhadas leves, alongamentos ou exercícios dentro de casa. Por outro lado, o sedentarismo pode contribuir para a piora da saúde cardiovascular e da saúde mental”, explica.
De acordo com a pneumologista Sônia Andrade, entre os principais problemas de saúde associados ao inverno estão as infecções respiratórias, como gripes, resfriados, sinusites, bronquites e pneumonias. “As doenças alérgicas, como a rinite e a asma, também tendem a se intensificar devido ao acúmulo de poeira, mofo e à má ventilação. Além disso, o ar seco, característico desta estação, resseca as mucosas do nariz e da garganta, facilitando a entrada de agentes infecciosos no organismo”.
É fundamental manter os ambientes arejados, embora seja tentador deixar as janelas fechadas o tempo todo para conservar o calor. “Essa prática favorece a concentração de agentes patológicos no ar. Basta abrir as janelas por 15 a 20 minutos por dia, em horários de sol, para renovar o ar e reduzir o risco de contágio por vírus respiratórios”, recomenda.
Sônia também reforça a importância de manter a caderneta vacinal em dia. “A vacina contra o vírus Influenza, por exemplo, é recomendada anualmente e pode reduzir em até 70% os casos graves da doença. Esse ato não é apenas uma proteção individual, mas também coletiva, pois reduz a circulação viral entre os grupos mais vulneráveis”.
Por fim, a dermatologista Luciana Oliveira destaca que outro ponto que merece atenção é o cuidado com a pele e as mucosas, que sofrem com o ressecamento causado pelo ar frio e seco. “Tomar banhos muito quentes pode agravar esse quadro, removendo a camada protetora natural da pele. Eles devem ser mornos e rápidos, seguidos do uso de hidratantes corporais ricos em ureia, ceramidas ou ácido hialurônico. Também é importante usar protetor labial e filtro solar, pois mesmo em dias nublados há radiação UV”.




