Tecnologia e prevenção antecipada ajudam cidades a conter a dengue

Uso de drones permite identificar áreas de risco / Foto: Divulgação

O uso de tecnologia e o planejamento antecipado têm se consolidado como estratégias centrais no combate à dengue nas cidades brasileiras. Com a chegada do período chuvoso, quando aumentam as condições favoráveis à proliferação do Aedes aegypti, municípios que investem em monitoramento contínuo, análise de dados e ações preventivas conseguem reduzir focos do mosquito, minimizar impactos sociais e aliviar a pressão sobre os serviços de saúde.

Segundo o gestor do Techdengue, Cláudio Ribeiro, agir antes do pico da doença é decisivo para evitar cenários mais graves. “Quando o município age apenas após o crescimento dos casos, a resposta tende a ser mais cara e menos eficiente. A prevenção permite identificar áreas críticas antes do agravamento do cenário”.

Dados operacionais do Techdengue mostram que municípios atendidos pelo programa registraram reduções superiores a 90% nos focos do mosquito em áreas tratadas, além de queda significativa nos casos da doença. A estratégia se baseia no monitoramento contínuo e no uso de ferramentas tecnológicas que permitem mapear territórios, identificar padrões de risco e direcionar equipes de campo com maior precisão.

“A informação estruturada muda a lógica do combate à dengue. Em vez de agir no auge do problema, o município passa a atuar antes que o surto se estabeleça. A tecnologia tem papel central nesse processo, orientando decisões, otimizando recursos e aumentando a efetividade das ações em campo”, explica Ribeiro.

Além dos benefícios diretos à saúde da população, a prevenção também gera impacto econômico positivo. Internações, afastamentos do trabalho e ações emergenciais representam custos elevados para os cofres públicos. “A dengue não é apenas um problema da saúde. Ela impacta o município como um todo, o que torna o planejamento antecipado uma necessidade”.

Diagnóstico reforça vigilância

Enquanto a tecnologia apoia a prevenção no território, os dados laboratoriais ajudam a monitorar a circulação do vírus. Informações da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) indicam que a taxa de positividade para dengue está em 9,4% até a segunda semana de janeiro de 2026, abaixo dos 17,7% registrados no mesmo período do ano passado.

Para o líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed, Alex Galoro, o cenário inicial mais favorável deve ser interpretado com cautela. “A taxa de positividade permanece abaixo do que normalmente observamos em janeiro quando analisamos a média móvel. No entanto, os dados mais recentes já mostram uma retomada após queda pontual, em linha com o comportamento histórico deste início de ano”.

“Um começo de ano com taxa de positividade mais baixa não afasta a possibilidade de crescimento sustentado nas semanas seguintes. Um acompanhamento contínuo é essencial”, acrescenta.

Galoro destaca que fatores como ações preventivas mais intensas, maior conscientização da população e o início da vacinação em alguns municípios ajudam a explicar os números, mas o clima segue como variável determinante. “A dengue apresenta um padrão bem definido, relacionado ao regime de chuvas, à temperatura e à circulação do vetor”.

A medicina diagnóstica desempenha papel estratégico na vigilância epidemiológica, salienta Galoro. “Os dados laboratoriais funcionam como um termômetro quase em tempo real da circulação do vírus. Eles permitem identificar mudanças de comportamento com antecedência, apoiar decisões em saúde pública e orientar a prática clínica”, conclui.

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