Tecnologia ajuda cidades de MG a conter avanço das arboviroses

Experiências bem-sucedidas em municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte, como Matozinhos, Igarapé, Brumadinho e Oliveira, demonstram a eficácia da utilização de drones e inteligência geoespacial para mapear áreas críticas, antecipar ações e conter a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Em Matozinhos, a redução de focos do mosquito chegou a 99,2%. Já Oliveira registrou queda de 96,5%; Igarapé, 95%; e Brumadinho, 89%.

Um dos pilares dessa transformação é o programa Techdengue. A ferramenta une mapeamento aéreo com drones, georreferenciamento, relatórios preditivos e análise de dados, oferecendo às equipes de saúde pública informações precisas sobre os pontos mais vulneráveis de cada município. Com presença em mais de 600 cidades brasileiras, o Techdengue já monitorou cerca de 150 mil hectares e mais de 10 milhões de pessoas já foram impactadas.

“Tem muita tentativa de usar drone no combate às arboviroses, mas o drone por si só não resolve. O que a gente acredita, e comprovou em campo, é que a transformação real acontece quando os dados coletados são tratados de maneira estratégica. É aí que está o diferencial do nosso trabalho, transformar informação em inteligência para tomada de decisão”, afirma Cláudio Ribeiro, CEO da Aero Engenharia.

A atuação da empresa vai além da tecnologia. Segundo levantamento da própria companhia, a utilização do Techdengue possibilitou uma redução estimada de R$ 90 milhões em custos públicos com internações, exames e tratamentos relacionados à dengue nos municípios mineiros atendidos.

Muitas cidades atuavam de forma reativa, indo até os locais apenas depois da notificação de casos, aponta Ribeiro. “Com essa ferramenta, conseguimos mudar essa lógica. Por meio dos dados, orientamos ações preventivas e mais eficazes, o que gera uma economia enorme de recursos e vidas poupadas”.

Ele explica que o diferencial da metodologia está na forma como os dados coletados pelos drones são transformados em inteligência operacional. As imagens aéreas captam potenciais criadouros do mosquito, e os algoritmos desenvolvidos pela equipe do Techdengue processam essas informações com rapidez, gerando relatórios com sugestões de intervenção imediata. “A gente sobrevoa, identifica os pontos estratégicos de risco, gera um relatório georreferenciado e entrega às equipes locais com sugestões práticas de ação. Em vez de gastar energia em áreas aleatórias, os agentes atuam com foco, onde realmente existe risco”.

Segundo Ribeiro, o serviço varia conforme o perfil da área urbana a ser monitorada, mas apresenta vantagem frente aos métodos convencionais, tanto em termos de alcance quanto em agilidade de resposta. Com isso, a tecnologia tem ampliado a capacidade de resposta dos municípios e reforçado a vigilância epidemiológica. “Ela não substitui a ação humana, mas potencializa. A gente entrega inteligência para que os profissionais de saúde pública possam atuar com mais precisão, rapidez e resultado”.

Momento de prevenção

Para o CEO, o período de estiagem é uma oportunidade de fazer ações preventivas de combate ao mosquito. “É hora de conhecer melhor o território, entender onde estão os principais problemas e agir antes da chegada das chuvas. Assim, os municípios ganham tempo para corrigir falhas e se preparar com mais estratégia para o período crítico, como foi, por exemplo, o início de 2024”, finaliza.

Arboviroses em Minas

De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde, até o início de julho foram confirmados 92.440 casos de dengue, 11.412 de chikungunya e 17 de zika. No mesmo período do ano passado, Minas teve 1.378.313 casos de dengue, 144.903 de chikungunya e 43 de zika.

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