Esta expressão, ou gíria popular, significa que algo está sob controle, garantido ou conquistado. Assim, quando o bandido diz que “Tá dominado” é para referir-se a uma situação de absoluta confiança de poder e domínio sobre determinado território ou situação. Inspirado em um funk, do “Furacão 2000”, sucesso nos bailes das comunidades pobres, a expressão ganhou popularidade e é usada em nossa língua de forma corrente. Assim como outra expressão, a “Perdeu, mané”, utilizada normalmente pelos assaltantes à vítima de seu crime, para deixar claro que a situação é de controle dele, o bandido. Recentemente, o então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, teve a infelicidade de usar a “Perdeu, mané” para uma pessoa comum que o questionava de decisão discutível da Corte. Enfim, a língua é viva, o vocabulário é mutável, expressões são criadas e entram em nosso dia a dia, e conversas com seu significado alterado ou para definir melhor determinada expressão.
Quanto a aceitar neologismos é natural de nossa comunicação, afinal, tudo muda, a vida, as relações sociais, a natureza, as pessoas, os amigos, os amores, as crenças e as expectativas para o futuro. Muda também a comunicação, as expressões faladas. No entanto, é preciso muito cuidado para não permitirmos a mudança dos valores, como honra, dignidade, preceitos, conceitos e as leis conquistadas ao longo de séculos. É preciso zelar pelos fundamentos da sociedade, dar e determinar limites para nossa organização social, não permitir transgressões a tão caros valores construídos ao longo de séculos. A política e seus agentes não podem, à guisa de oportunismos, destruir o que nos é caro, o que nos sustenta e determina nossos limites. Para isso temos os regulamentos sociais, Constituições do Estado de direito, leis que nos regem e punem aos que as transgredem.
Toda essa introdução tem o intuito de criticar, reprovar, não aceitar a expressão usada pelo nosso presidente da República, em recente visita a Jacarta, capital da Indonésia, a dizer que o traficante é vítima dos usuários das drogas. Jamais poderia ter usado tal expressão, mesmo que em erro de “construção da frase”, como alega, afinal, uma autoridade representante de um país, que deseja ser reconhecido como desenvolvido, não pode cometer tamanho erro. Justamente na Indonésia, um país de rigorosa legislação onde o traficante é punido com a morte. Teria o presidente do Brasil a intenção de interceder por criminosos brasileiros lá sentenciados com a pena de morte? Foi realmente um erro na construção da frase? Pode ser uma coincidência infeliz, repetida, como já o fez, em Paris, em entrevista à imprensa francesa, dizer que o Brasil tem mais de 30 milhões de crianças nas ruas, passando fome. Seria despreparo ou má intenção? Este tipo de manifestação dá ao bandido, ao criminoso, força e estímulos às suas ações.
O que acontece no Rio de Janeiro já não é bastante para reações firmes da polícia e força nacional? Só para finalizar, e lamentar o episódio, no passado a esquerda brasileira ficou marcada pelo apoio aos bandidos e criminosos, dando-lhes assistência nas prisões, sem nunca ter se preocupado com as vítimas. Criaram, inclusive, o benefício financeiro para o preso. Mas, e as vítimas, como ficam?



