A economia sul-mineira que já era forte aumentou significativamente depois da duplicação da rodovia BR-381 Fernão Dias, com 576 km ocorrida nos anos 1990. Os dados demonstram com clareza como a atração de empresas aumentou graças à melhor logística. Este bom exemplo de ação conjunta e de continuidade administrativa deve servir de modelo para todos os administradores públicos.
O movimento de defesa da duplicação praticamente começou a partir de um projeto bem elaborado pelos governos Fernando Collor e Hélio Garcia, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e contrapartidas do governo federal e do governo mineiro. Collor saiu, mas o seu vice, Itamar Franco, continuou.
Hélio Garcia manteve a prioridade e após a eleição de Fernando Henrique Cardoso para presidente da República e Eduardo Azeredo, este autor que registra a história, para governador, as obras foram executadas até a inauguração total. Mas não foi tão simples, pois em julho de 1994, tivemos a implantação do Plano Real e após paralização das obras tivemos que voltar aos Estados Unidos, sede do BID, para retomar e adaptar os contratos à nova realidade financeira. Pelo menos dois problemas ameaçaram a execução: o contorno de Betim e a ocorrência de “terra podre” em trecho no Sul, o que exigiu novas negociações e um voto de confiança pessoal do presidente do BID na minha pessoa. Pelo lado paulista, o governador Mário Covas foi também eficiente e as obras delegadas aos governos estaduais para execução foram concluídas com benefícios permanentes para a população.
O pedágio deveria pagar o financiamento que tinha 75% de responsabilidade federal e 25% de responsabilidade estadual, ou seja, quem usasse a estrada pagaria as parcelas da dívida. Engenharia financeira de sucesso que acabou não sendo usada nas duplicações ainda pendentes em nosso Estado, como a BR-262 para o Triângulo, e a BR-381 Norte, para o Leste mineiro e o Espírito Santo.
A BR-040 também ainda não está inteiramente duplicada e as concessões à iniciativa privada ainda não conseguiram atender a necessária demanda. As rodovias federais tinham sido delegadas ao Governo de Minas, mas em um ato de descontinuidade administrativa, o então governador Itamar Franco optou por desfazê-las.
A infraestrutura foi e é fundamental, inclusive no atual governo do Estado, para termos o crescimento que qualquer um pode verificar pelo movimento de caminhões, ônibus e automóveis na estrada. O índice de desenvolvimento humano do Sul de Minas demonstra o acerto dos esforços de tantos, passados quase 30 anos.
É gratificante ver o desenvolvimento do Sul de Minas, com a geração de milhares de empregos e a melhoria da qualidade de vida influenciada pela instalação de centenas de empresas, muitas delas atraídas pela proximidade com o mais industrializado estado brasileiro, São Paulo.



