Sobre o crime organizado

A recente incursão policial no Rio de Janeiro para combater o crime organizado, com dezenas de mortos do denominado Comando Vermelho (CV), conquistou um grande espaço da mídia mundial. Por conta do seu modus operandi, não se sabe se a operação contribuirá para trazer a paz nos aglomerados da ex-Cidade Maravilhosa. Muitos acreditam que o resultado foi positivo, enquanto prospera a especulação de que o ato serviu para aumentar a popularidade do governador Cláudio Castro (PL), pré-candidato ao Senado em 2026. Seria uma espécie de candidatura banhada a sangue.

O poder é algo tão fascinante que o ceifamento de mais de 100 vidas naquele ato é apenas um detalhe, e faz parte do jogo de interesse pessoal e eleitoreiro do titular do Palácio Guanabara. Esse pacote de maldades comandado pela liderança carioca já é uma realidade em todo o Brasil, com o recrutamento de “soldados”, para espalhar o terror em várias grandes cidades.

Em Minas, a presença do crime organizado é forte em regiões como a Zona da Mata, Leste do Estado, especialmente em Belo Horizonte, onde os marginais do Comando Vermelho dividem espaço com membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). Cotidianamente, o noticiário policial menciona execuções, atos de vandalismo e outros crimes na periferia de BH, e cidades como Santa Luzia, Ribeirão das Neves, Vespasiano, Contagem e Betim.

É hora das autoridades mineiras tomarem alguma iniciativa baseada na inteligência policial, combinada com os entes federados, para tentar barrar o crescimento desses grupos enquanto ainda há tempo. Sem medidas efetivas, as cenas dantescas ocorridas no Rio de Janeiro também podem acontecer em nosso Estado.

Se o crime é organizado, as ações carecem de uma junção de forças. O governador Romeu Zema (Novo) precisa deixar de lado o viés ideológico que o separa de Brasília, e buscar uma solução para conter os criminosos em Minas. Para conquistar resultados práticos, vale a pena calçar as sandálias da humildade, em nome de preservar vidas e evitar confrontos como os de agora. O importante é haver um planejamento por parte das forças de segurança do Estado, propiciando um rumo diferente do que vem acontecendo, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo.

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