Sob o domínio do medo

“Sob o Domínio do Medo”, filme norte-americano de 1971, ação/suspense/terror, dirigido por Sam Peckinpah, estrelado por Dustin Hoffman, narra o quanto o medo e a violência podem traumatizar vidas. Foi lançado na mesma época de “Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrick e ambos muito criticados por levarem às telas a violência de forma crua, provocando debates acirrados.

Para a psicologia, o medo é uma emoção básica e natural de sobrevivência, uma resposta à ameaça real ou percebida, que prepara o corpo e a mente para lutar ou fugir. Para a filosofia, o medo é uma emoção fundamental, um mecanismo de alerta e sobrevivência, mas pode ser um obstáculo paralisante ou catalisador para o autoconhecimento e a ação, dependendo da interpretação de quem o tem. Nietzsche o vê como um freio à moralidade. Independentemente de suas conotações psicológicas ou filosóficas, certo é que o medo tem aumentado em nossas vidas, presente no cotidiano, cada dia mais percebido e multiplicado pela insegurança destes novos tempos.

Em Minas Gerais, apenas para exemplificar, o governador Romeu Zema ampliou de um para dois anos o período em que o ex-governador e ex-vice-governador passem a ter o direito aos serviços de segurança mantidos, através do Gabinete Militar, após o fim do mandato. Guarda pessoal, com militares à disposição e logística mantida sob gastos do Estado.

A medida foi publicada em 31 de dezembro de 2025, poucos meses antes dele deixar o governo. Tem razão o governador. A insegurança é cada dia maior no Estado e em todo o Brasil. Já somos, também, um narcoestado, a exemplo da Colômbia, Bolívia e Venezuela. Melhor esclarecendo, a Polícia Federal apreendeu, em 2025, no Aeroporto de Confins, 3,5 toneladas de cocaína, um crescimento de 600% na comparação com o ano anterior. Apreendeu 22 toneladas de maconha, além de ecstasy, anfetaminas, metanfetaminas, skunk, haxixe e o prosaico lança perfume. Estamos inseridos na rota internacional do tráfico de drogas há muito tempo, com ela a violência e crimes inerentes.

Bem fez o ministro da Justiça e Segurança Pública do governo federal, Ricardo Lewandowski, que pediu demissão do cargo por falta de sustentação política e orçamento. Não conseguiu fazer avançar nenhuma de suas propostas para melhorar o combate ao tráfico de drogas, quadrilhas do crime organizado, roubos institucionais e cotidianos, já incorporados ao nosso tecido social. Por onde olharmos lá está o crime a nos provocar medo e insegurança. Os virtuais acontecem sem a mínima chance de serem descobertos, pelo total despreparo e falta de instrumentos policiais em combatê-los.

Aqui em Minas, o mesmo governador que assegurou sua própria proteção, abandonou e sucateou as forças de segurança, permitindo o avanço assustador do crime, sejam homicídios, roubos ou falcatruas públicas e privadas, repetindo o que se tornou praxe no país nos últimos anos. O crime passou a compensar. Basta perguntar aos policiais civis e militares sobre o tratamento que têm recebido do estado mineiro.

Para não dizerem que só apresento problemas, quero deixar uma sugestão para sanar esta questão. Que tal, governador, o senhor publicar medida de segurança, similar à sua, para os professores que apanham dos alunos em sala de aula, dos médicos e profissionais da saúde que são agredidos nos atendimentos públicos, para as vítimas de feminicídio e tantas outras expostas ao permanente medo e insegurança? Quanto a aumentar salários, nem precisa ser igual ao seu, basta fazer a correção pela inflação dos anos anteriores.

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