
O setor de supermercados em Minas Gerais entra em ritmo de otimismo para o último trimestre de 2025. Dados divulgados recentemente pela Associação Mineira de Supermercados (AMIS) apontam que as vendas desse período devem crescer aproximadamente 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse índice, se confirmado, representa um avanço significativo e indica que o segmento está preparado para ultrapassar as expectativas iniciais.
Segundo o levantamento, a estimativa para o ano como um todo era de um crescimento mais modesto, cerca de 3,3% frente a 2024. Entretanto, o bom desempenho acumulado, com alta em torno de 2,98% no período de janeiro a agosto, já sinalizava que o segmento poderia terminar o ano além da projeção inicial.
Entre os fatores que sustentam essa previsão de crescimento estão a queda da taxa de desemprego no Estado, a melhora gradual da renda das famílias mineiras e a retomada do consumo. A AMIS aponta que esse conjunto cria um ambiente favorável para o varejo supermercadista em Minas Gerais.
Para a economista Cláudia Menezes, o setor supermercadista mineiro chega ao fim de 2025 mais forte e confiante. “O consumidor está voltando às compras com mais segurança, e os supermercados estão preparados para atender a essa demanda com sortimento, preço competitivo e qualidade no atendimento. As vendas de Natal e Ano Novo devem representar o ponto alto desse crescimento, impulsionadas por produtos típicos de fim de ano, como panetones, vinhos e frutas frescas”.
As estimativas indicam um aumento na procura por diversos produtos que compõem a tradicional cesta de compras do fim de ano. As frutas frescas, por exemplo, devem registrar crescimento de 8,6% na demanda. O consumo de vinhos tende a subir 7,8%, enquanto os panetones apresentam expectativa de alta de 6,7%, segundo as projeções dos entrevistados. No grupo das bebidas geladas, as cervejas devem ter avanço de 7,9% no consumo. Já os sucos apontam para um crescimento de 6,1%, e os refrigerantes, de 5,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre os destaques, as cervejas sem álcool continuam em expansão, com previsão de aumento de 9,3% nas vendas.
Cláudia explica que o otimismo do setor está diretamente ligado à recuperação gradual da economia mineira e ao aumento do poder de compra das famílias. “Minas Gerais vive um momento de estabilidade econômica, com inflação mais controlada e melhora na taxa de ocupação do mercado de trabalho. Isso se reflete no bolso do consumidor, que volta a consumir produtos de maior valor agregado, especialmente em períodos festivos”.
Para o pesquisador de mercado Felipe Tavares, a diversificação do consumo também é um dos pilares desse crescimento. “O mineiro tem valorizado mais a qualidade e a conveniência. Há um aumento nas compras de produtos premium, vinhos, itens regionais e alimentos prontos. Essa mudança de comportamento é percebida por toda a cadeia varejista e reforça a importância da adaptação dos supermercados às novas demandas do público”.
“Os supermercados têm investido em estratégias de inovação, digitalização e eficiência operacional. A aposta em programas de fidelidade, aplicativos de descontos personalizados e integração entre loja física e e-commerce tem se mostrado essencial para ampliar as vendas e manter a competitividade. Além disso, a personalização da experiência de compra e a oferta de produtos regionais têm se destacado como diferenciais”, explica.
De acordo com a pesquisa, aproximadamente 8.200 profissionais deverão ser contratados temporariamente pelo setor. O estudo também aponta que 59,4% das empresas pretendem realizar contratações sazonais, enquanto 40,6% dos supermercadistas afirmaram não adotar esse tipo de contratação. Cerca de 21,5% dos trabalhadores temporários acabam sendo efetivados ao término do contrato. Por outro lado, 39% dos participantes da pesquisa informaram que as contratações ocorrem apenas para suprir a demanda extra do período de fim de ano.
“Os últimos meses são um momento de pico no consumo e exige agilidade no atendimento. As contratações temporárias garantem que as lojas mantenham a qualidade no serviço mesmo com o aumento da movimentação. Essas vagas são uma porta de entrada para quem busca recolocação ou o primeiro emprego e a efetivação depende muito do desempenho e da necessidade da loja após o período sazonal”, ressalta Tavares.



