
O mercado automotivo brasileiro entra na reta final de 2025 impulsionado pela crescente preferência do consumidor pelos veículos seminovos e usados. O segmento deve encerrar o ano com seu maior volume de vendas já registrado, segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto).
A marca histórica de 15,7 milhões de unidades, alcançada em 2024, deve ser novamente superada já em novembro, consolidando o melhor desempenho da série desde o início da apuração dos resultados. A entidade projeta que cerca de 18 milhões de veículos sejam negociados até dezembro.
“A procura ao longo do tempo pelo seminovo foi gradualmente se intensificando devido aos preços elevados dos modelos zero quilômetro. A distância entre o valor cobrado e o poder de compra da população aumentou, e o consumidor médio passou a recorrer muito mais ao usado para atender seus desejos, sonhos e necessidades”, afirma o presidente da Fenauto, Enilson Sales.
Ele ressalta ainda que novos nichos de negócio, como a compra e desmobilização de veículos por parte das locadoras, contribuem para sustentar o desempenho do setor. “Esse é um mercado que cresceu e amadureceu. Além disso, os carros utilizados por motoristas de aplicativo, os veículos por assinatura e o avanço do delivery, que levou muitas pessoas a ingressarem em atividades de entrega usando seu carro ou sua moto particular, reforçam esse movimento”.
Em outubro, foram comercializados 1.765.539 veículos, alta de 4% em relação a setembro (1.697.167). A média diária chegou a 76.763 unidades. Entre os modelos mais procurados, o Volkswagen Gol liderou com 76.597 unidades, seguido pelo Chevrolet Onix (43.288) e pelo Hyundai HB20 (41.038).
No segmento de comerciais leves, Fiat Strada, VW Saveiro e Toyota Hilux seguem na preferência do público. Entre os pesados, destacam-se os caminhões Volvo FH, Ford Cargo e Ford F4000. No mercado de motocicletas, os modelos Honda CG 150, Biz e CG 125 continuam no topo das vendas.
Sobre o comportamento do consumidor, o presidente da Fenauto avalia que a escolha pelo usado não é apenas uma alternativa econômica, mas uma condição estrutural. “A diferença entre o preço do zero quilômetro e o do seminovo se ampliou muito. As montadoras passaram a oferecer modelos com mais tecnologia e margens elevadas, afastando o consumidor. Com renda média estagnada e valores sempre crescentes, a preferência se volta naturalmente para o seminovo”.
Inflação dos usados
O IBV Auto, índice que acompanha a variação dos preços de automóveis leves usados no país, apresentou inflação de 0,35% em outubro, ante 0,30% em setembro, indicando leve aceleração no ritmo de alta. No acumulado de 12 meses, o indicador registra avanço de 5,70%. De acordo com o diretor de Negócios de Varejo do banco BV, Jamil Ganan, os preços dos usados se mantêm relativamente estáveis, embora levemente acima do IPCA. “Mas esse cenário pode mudar caso surjam novos fatores econômicos”, pondera.
Para 2026, Ganan avalia um quadro ainda incerto. “Mesmo com a perspectiva de queda dos juros, o crescimento mais moderado da renda gera dúvidas. Esses dois vetores atuam em direções opostas, o que torna difícil antecipar o efeito líquido sobre o mercado ao longo do próximo ano”.
Sobre as expectativas de preços, ele reforça a cautela. “Ainda não é possível determinar com precisão a variação no fechamento de 2025. Os indicadores sugerem estabilidade, mas o setor é sensível à renda, ao crédito e à oferta. Em 2026, tudo dependerá da combinação desses elementos. Se o ambiente melhorar, pode haver algum alívio. Caso contrário, a dinâmica tende a permanecer semelhante”.
Perspectivas favoráveis
O presidente da Fenauto também prevê um cenário favorável para o próximo ano, apesar de obstáculos como juros elevados e maior rigor no crédito. “Olhando para 2026, temos fatores que nos desafiam, como a Selic em nível alto e bancos mais criteriosos no score. Isso pode reduzir o ritmo de expansão, mas não deve interromper o crescimento”.
“A expectativa é que o desempenho fique acima de 2025. Estimamos algo próximo a 5% de aumento, equilibrando fatores positivos e negativos que devem impactar o mercado”, finaliza.



