Setor de mercadinhos tem abertura de 29 mil novos negócios

Foto: Freepik.com

Pequenos comércios alimentares, como minimercados, mercearias, armazéns e mercadinhos, estão em rápida expansão no Brasil. Apenas nos primeiros seis meses deste ano, mais de 29 mil novos CNPJs foram abertos nesse segmento, conforme dados da Receita Federal analisados pelo Sebrae. Isso representa, em média, 162 novas empresas por dia, quase sete a cada hora.

Na comparação com o primeiro semestre de 2024, que teve a abertura de 27,1 mil negócios, houve um aumento de 8,5%. O levantamento também aponta que cerca de 70% dessas novas empresas foram formalizadas na categoria de microempreendedor individual (MEI).

Esse crescimento expressivo no número de aberturas de mercadinhos está diretamente ligado a um conjunto de fatores econômicos, sociais e comportamentais que têm moldado o ambiente de negócios no país. Para especialistas, a combinação de busca por autonomia financeira e valorização do consumo local contribui significativamente para esse movimento.

“Nos momentos de instabilidade econômica, como a que o Brasil enfrentou nos últimos anos, muitas pessoas optam por abrir o próprio negócio como alternativa ao desemprego ou à informalidade. O setor de mercadinhos, por ter uma barreira de entrada mais baixa e por atender uma demanda essencial, a alimentação, torna-se uma opção viável para empreender com menor risco”, explica a economista Paula Tavares.

Esse crescimento também é alimentado pelo comportamento dos consumidores, que passaram a valorizar ainda mais os comércios de proximidade, salienta Paula. “Durante e após a pandemia, as pessoas redescobriram o comércio local. A ideia de comprar no mercadinho do bairro, que conhece os clientes pelo nome, passou a representar não só conveniência, mas também confiança e solidariedade. Isso criou um ambiente fértil para o surgimento de novos empreendimentos”.

A alta no número de mercadinhos traz impactos diretos para a economia nacional, sobretudo na geração de empregos e na movimentação do comércio local. Cada novo ponto de venda cria oportunidades para fornecedores, transportadores, pequenos produtores e profissionais de diversos setores, como contabilidade, marketing e tecnologia.

“O varejo alimentar é um dos setores mais capilarizados do Brasil. A abertura de um mercadinho movimenta toda uma cadeia produtiva, que vai desde o agricultor familiar até o entregador de aplicativo, segundo o Sebrae, micro e pequenas empresas respondem por mais de 60% das contratações no país. Estamos falando de um modelo de negócio que não só absorve a mão de obra local, mas também contribui para o desenvolvimento sustentável das comunidades”, explica Daniel Cardoso, analista de mercado.

Ele destaca ainda que esses pequenos negócios têm se adaptado rapidamente às mudanças no comportamento de consumo, incorporando ferramentas digitais como maquininhas de pagamento, delivery via WhatsApp e vendas por aplicativos, mesmo em regiões mais afastadas dos grandes centros. “A digitalização desses negócios potencializa o faturamento e amplia o alcance, o que pode garantir a sobrevivência em um ambiente altamente competitivo”, afirma.

Além do impacto direto nos empregos e na circulação de renda, os mercadinhos desempenham um papel social relevante, especialmente em comunidades onde o acesso a grandes redes varejistas é limitado. Em muitos casos, são os únicos pontos de venda de alimentos e produtos essenciais em determinadas regiões.

Paula acredita que o desafio, a partir de agora, será garantir a longevidade desses novos empreendimentos. “Mais importante que abrir, é manter o negócio em funcionamento. Isso exige capacitação, gestão financeira eficiente, escuta ativa dos clientes e capacidade de adaptação. O Sebrae, inclusive, oferece programas específicos de apoio ao pequeno comerciante para enfrentar essas etapas”.

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