Dezembro Laranja alerta para a prevenção do câncer de pele

Foto: Freepik.com

A chegada de dezembro e do verão reacende um alerta conhecido, porém, negligenciado: o risco do câncer de pele. Com a elevação das temperaturas, aumento do índice de radiação ultravioleta (UV) e maior exposição ao sol, especialistas reforçam a necessidade de cuidados intensificados. O câncer de pele não melanoma é o tipo mais frequente no Brasil (31,3% do total de casos, segundo o Inca) e, apesar de amplamente prevenível, ainda cresce devido a hábitos de exposição inadequados e falta de atenção aos sinais iniciais.

De acordo com a dermatologista Helena Moura, a doença surge quando ocorre um crescimento anormal das células cutâneas, geralmente provocada pela radiação solar acumulada ao longo da vida. “Esse dano é progressivo, silencioso e cumulativo. Muitas pessoas acham que apenas queimaduras solares graves oferecem risco, mas pequenas exposições repetitivas, sem proteção, já são suficientes para desencadear mutações que levam ao câncer”.

Existem dois grandes grupos da doença: o melanoma, considerado o mais agressivo, e os não melanoma, entre eles o carcinoma basocelular e o espinocelular, geralmente mais comuns e com menor probabilidade de metástase quando tratados precocemente. Os sintomas variam entre manchas, feridas que não cicatrizam e lesões pigmentadas com formatos irregulares. “O principal sinal de alerta é a mudança. Uma pinta que aumentou, uma ferida que sangra, uma mancha que coça ou dói, qualquer alteração persistente deve ser investigada”, afirma.

O diagnóstico costuma ser feito por exame clínico e confirmado por biópsia, para isso, a consulta dermatológica regular é fundamental. A recomendação geral é que adultos façam avaliação anual, mas pessoas com pele muito clara, casos na família, ou longo histórico de exposição solar devem aumentar a frequência. “Nos meses de verão, principalmente em dezembro e janeiro, recebemos mais pacientes com lesões suspeitas. A luz solar é mais intensa e episódios de queimadura se tornam mais comuns, o que eleva o risco ao longo dos anos”, destaca.

As causas estão relacionadas à exposição aos raios UV, porém, outros fatores podem influenciar, como predisposição genética, uso de câmaras de bronzeamento, proibidas no Brasil, mas ainda buscadas clandestinamente, e envelhecimento natural da pele.

O oncologista Ricardo Fagundes reforça que o comportamento preventivo é decisivo. “Dezembro marca o início das férias e muitos brasileiros passam longos períodos ao ar livre sem qualquer proteção. Chapéu, óculos, roupas com proteção e reaplicação do protetor solar a cada duas horas são atitudes simples que salvam vidas”.

O tratamento varia de acordo com o tipo e o estágio da doença. As modalidades incluem cirurgia, radioterapia, terapias alvo e imunoterapia, especialmente no caso de melanomas avançados. Segundo Fagundes, a abordagem precoce é sempre mais favorável. “Quando detectado no início, o carcinoma basocelular tem taxas altíssimas de cura com procedimentos pouco invasivos. Já o melanoma pode se espalhar rapidamente, por isso a rapidez na identificação faz toda a diferença”.

Para enfrentar o verão com segurança, Fagundes recomenda evitar exposição solar entre 10h e 16h, período de maior radiação; utilizar protetor solar com fator no mínimo 30; buscar sombras sempre que possível; e proteger áreas esquecidas, como orelhas, lábios, nuca e dorso dos pés. “No Brasil, em dezembro, o índice UV frequentemente atinge níveis extremos, superiores aos observados em muitos países tropicais. Isso exige atenção redobrada, principalmente de crianças e idosos”.

O método ABCDE, que avalia Assimetria, Borda, Cor, Diâmetro e Evolução das lesões, é uma ferramenta útil para identificar sinais suspeitos. “Ninguém conhece sua pele melhor do que o próprio paciente. Se notou algo diferente procure atendimento imediatamente. O câncer de pele é altamente tratável quando diagnosticado na fase inicial”, conclui.

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